<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
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        <journal-title>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</journal-title>
        <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Arq. Bras. Cardiol.</abbrev-journal-title>
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        <publisher-name>Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC</publisher-name>
        <publisher-loc>S&#227;o Paulo, SP, Brazil</publisher-loc>
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      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v2">S0066-782X2005000200019</article-id>
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      <article-id pub-id-type="doi">10.1590/S0066-782X2005000200019</article-id>
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          <subject>Relato de Caso</subject>
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        <article-title>Troponina T positiva em paciente chag&#225;sico com taquicardia ventricular sustentada e cinecoronariografia sem les&#245;es obstrutivas</article-title>
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        <institution content-type="orgname">Faculdade de Medicina de S&#227;o Jos&#233; do Rio Preto</institution>
        <country country="BR">Brazil</country>
      </aff>
      <pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
        <month>02</month>
        <year>2005</year>
      </pub-date>
      <volume>84</volume>
      <issue>2</issue>
      <fpage>182</fpage>
      <lpage>184</lpage>
      <history>
        <date date-type="accepted">
          <day>09</day>
          <month>03</month>
          <year>2004</year>
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        <date date-type="received">
          <day>11</day>
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          <license-p>This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.</license-p>
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      </permissions>
      <abstract>
        <p>A avalia&#231;&#227;o e estratifica&#231;&#227;o de pacientes com dor tor&#225;cica na sala de emerg&#234;ncia pode nos direcionar a terap&#234;utica adequada a cada paciente baseada na probabilidade da presen&#231;a de doen&#231;a coronariana aguda e no risco de eventos card&#237;acos maiores desta coronariopatia. Esta avalia&#231;&#227;o &#233; baseada no trip&#233;: quadro cl&#237;nico, achados eletrocardiogr&#225;ficos e nos marcadores de les&#227;o mioc&#225;rdica. Relatamos o caso de um paciente chag&#225;sico de 58 anos de idade admitido na unidade de emerg&#234;ncia por dor tor&#225;cica e palpita&#231;&#245;es, com eletrocardiograma mostrando uma taquicardia ventricular sustentada e com dosagem de troponina positiva (0,99 ng/ml), submetido a cinecoronariografia, que n&#227;o evidenciou doen&#231;a coronariana obstrutiva.</p>
      </abstract>
      <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
        <day>08</day>
        <month>03</month>
        <year>2005</year>
      </pub-date>
    </article-meta>
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  <body>
    <p>
      <bold>RELATO DE CASO</bold>
    </p>
    <p>Troponina T positiva em paciente chag&#225;sico com taquicardia ventricular sustentada e cinecoronariografia sem les&#245;es obstrutivas </p>
    <p>Maur&#237;cio de Nassau Machado; F&#225;bio Augusto Suzuki; Osana Costa C. Mouco; Mauro Esteves Hernandes; Maria Ang&#233;lica B.T. Lemos; Lilia Nigro Maia </p>
    <p>S&#227;o Jos&#233; do Rio Preto, SP </p>
    <p>Faculdade de Medicina de S&#227;o Jos&#233; do Rio Preto - FAMERP </p>
    <p>
      <xref ref-type="corresp" rid="end">Endere&#231;o para correspond&#234;ncia</xref>
    </p>
    <p>
      <bold>RESUMO</bold>
    </p>
    <p>A avalia&#231;&#227;o e estratifica&#231;&#227;o de pacientes com dor tor&#225;cica na sala de emerg&#234;ncia pode nos direcionar a terap&#234;utica adequada a cada paciente baseada na probabilidade da presen&#231;a de doen&#231;a coronariana aguda e no risco de eventos card&#237;acos maiores desta coronariopatia. Esta avalia&#231;&#227;o &#233; baseada no trip&#233;: quadro cl&#237;nico, achados eletrocardiogr&#225;ficos e nos marcadores de les&#227;o mioc&#225;rdica. Relatamos o caso de um paciente chag&#225;sico de 58 anos de idade admitido na unidade de emerg&#234;ncia por dor tor&#225;cica e palpita&#231;&#245;es, com eletrocardiograma mostrando uma taquicardia ventricular sustentada e com dosagem de troponina positiva (0,99 ng/ml), submetido a cinecoronariografia, que n&#227;o evidenciou doen&#231;a coronariana obstrutiva. </p>
    <p> A troponina &#233; um importante marcador de les&#227;o mioc&#225;rdica tendo papel fundamental na estratifica&#231;&#227;o de risco de pacientes com dor tor&#225;cica aguda na sala de emerg&#234;ncia. Embora tenha uma &#243;tima acur&#225;cia para identificar necrose mioc&#225;rdica, j&#225; est&#225; bem demonstrado que a troponina pode se elevar em uma s&#233;rie de doen&#231;as card&#237;acas n&#227;o ateroscler&#243;ticas. Descrevemos o caso de um homem chag&#225;sico admitido na unidade de emerg&#234;ncia com dor tor&#225;cica e taquicardia ventricular sustentada, dosagem de troponina positiva e angiografia coronariana sem les&#245;es obstrutivas.  </p>
    <p>
      <bold>Relato do Caso</bold>
    </p>
    <p>Paciente do sexo masculino, 58 anos, branco, portador de miocardiopatia dilatada de origem chag&#225;sica, est&#225;vel previamente em classe funcional I da <italic>New York Heart Association</italic> e em uso de marcapasso ventricular definitivo. Admitido na unidade de emerg&#234;ncia com queixa de dor tor&#225;cica em aperto, de in&#237;cio h&#225; sete dias, com piora aos esfor&#231;os, sem irradia&#231;&#227;o, de pequena intensidade e sem outros fatores associados al&#233;m de sensa&#231;&#227;o de palpita&#231;&#227;o e mal estar geral. Ao exame cl&#237;nico apresentava-se consciente, orientado e eupneico e ao exame f&#237;sico tinha bulhas r&#237;tmicas e normofon&#233;ticas sem sopros aud&#237;veis. A freq&#252;&#234;ncia card&#237;aca era de 150 bpm e a press&#227;o arterial era de 130/80 mm Hg. Os pulm&#245;es tinham o murm&#250;rio vesicular presente em todos os campos sem ru&#237;dos advent&#237;cios e n&#227;o apresentava sinais de congest&#227;o sist&#234;mica. O eletrocardiograma de admiss&#227;o apresentava uma taquicardia ventricular sustentada com freq&#252;&#234;ncia aproximada de 150 bpm (<xref ref-type="fig" rid="fig01">fig. 1</xref>). </p>
    <fig id="fig01">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-84-02-0182-00019-gf01.jpg"/></fig>
    <p>Foi medicado com amiodarona (300 mg intravenosa), retornando ao ritmo de marcapasso em modo VVI. Devido &#224; hist&#243;ria de dor precordial foi solicitada a dosagem s&#233;rica de troponina T 6h ap&#243;s a admiss&#227;o, cujo resultado foi de 0,999 ng/ml (valor de refer&#234;ncia - 0,010 ng/ml). As dosagens seriadas de CK-MB foram normais, assim como hemograma, coagulograma e urina I. A creatinina de admiss&#227;o foi de 1,5 mg/dl e o pot&#225;ssio 4,3 mEq/l. Encaminhado &#224; Unidade Coronariana est&#225;vel hemodinamicamente, em ritmo de marcapasso VVI, onde foi mantido com nitroglicerina, heparina, amiodarona, e furosemida intravenosos al&#233;m de betabloqueadores, inibidores da enzima conversora de angiotensina, &#225;cido acetilsalic&#237;lico e clopidogrel por via oral. O ecocardiograma mostrou aumento importante do ventr&#237;culo esquerdo com disfun&#231;&#227;o contr&#225;til de grau importante, sem altera&#231;&#245;es segmentares da contratilidade e com insufici&#234;ncia mitral moderada. Na estratifica&#231;&#227;o de risco para coronariopatia, apesar da dificuldade na avalia&#231;&#227;o eletrocardiogr&#225;fica pelo ritmo de marcapasso, o paciente foi considerado de alto risco pela hist&#243;ria de dor precordial associada &#224; arritmia grave e disfun&#231;&#227;o ventricular, al&#233;m da dosagem de troponina T positiva, sendo ent&#227;o solicitada angiografia coronariana que n&#227;o mostrou les&#245;es obstrutivas (<xref ref-type="fig" rid="fig02">figura 2</xref> e <xref ref-type="fig" rid="fig03">3</xref>). N&#227;o foi realizada cintilografia de perfus&#227;o mioc&#225;rdica. </p>
    <fig id="fig02">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-84-02-0182-00019-gf02.jpg"/></fig>
    <fig id="fig03">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-84-02-0182-00019-gf03.jpg"/></fig>
    <p>Enquanto aguardava alta da Unidade Coronariana, o paciente apresentou taquicardia ventricular sustentada sem pulso. Foi submetido a desfibrila&#231;&#227;o el&#233;trica com sucesso ap&#243;s o 4&#186; choque com retorno do pulso, por&#233;m com instabilidade hemodin&#226;mica. Persistiu com epis&#243;dios de taquicardia ventricular n&#227;o sustentada com pulso, revertida para ritmo de marcapasso com uso de amiodarona intravenosa, sendo encaminhado &#224; coloca&#231;&#227;o de cardioversor/desfibrilador implant&#225;vel com sucesso. Ap&#243;s esse epis&#243;dio evoluiu com choque cardiog&#234;nico, disfun&#231;&#227;o renal aguda (creatinina de pico - 6,4 mg/dl), e disfun&#231;&#227;o hep&#225;tica com valores m&#225;ximos de TGP de 5.011 UI/l e TGO de 12.560 UI/l. A pesquisa sorol&#243;gica para hepatite A, B e C, citomegalov&#237;rus, toxoplasmose e HIV foi negativa. Foi submetido a monitoriza&#231;&#227;o hemodin&#226;mica com cateter de Swan-Ganz que mostrou nas medidas hemodin&#226;micas iniciais (em uso de dobutamina 10 &#181;g/kg/min) press&#227;o capilar pulmonar de 30 mm Hg, &#237;ndice card&#237;aco de 2,4 l/min/m<sup>2</sup> e &#237;ndice de resist&#234;ncia vascular perif&#233;rica de 2052 D.s/cm<sup>5</sup>/m<sup>2 </sup>. As medidas respirat&#243;rias mostraram oferta de oxig&#234;nio de 450 ml/min/m<sup>2</sup>, consumo de 122 ml/min/m<sup>2</sup> e taxa de extra&#231;&#227;o de oxig&#234;nio de 27%, com dosagem de lactato no sangue venoso misto de 1,8 mmOl/l. Fez uma se&#231;&#227;o de hemodi&#225;lise com boa resposta cl&#237;nica, evoluindo com poli&#250;ria e queda gradual nos valores da creatinina e das enzimas hep&#225;ticas. Recebeu alta da unidade coronariana ap&#243;s 12 dias de interna&#231;&#227;o. </p>
    <p>
      <bold>Discuss&#227;o</bold>
    </p>
    <p>A troponina &#233; um importante marcador de les&#227;o mioc&#225;rdica tendo papel fundamental na estratifica&#231;&#227;o de risco de pacientes com dor tor&#225;cica aguda na sala de emerg&#234;ncia, devido sua alta sensibilidade e especificidade (100% e 83,3% respectivamente ap&#243;s 12h de interna&#231;&#227;o) <sup>1</sup> para a identifica&#231;&#227;o de pacientes com s&#237;ndromes isqu&#234;micas mioc&#225;rdicas inst&#225;veis, sendo superior &#224; dosagem de CK-MB. Estima-se que aproximadamente 30% dos pacientes com s&#237;ndromes coronarianas agudas sem eleva&#231;&#227;o do segmento ST e que tem dosagens de CK-MB normais apresentam troponina positiva <sup>2</sup>. Al&#233;m do mais, dentre os pacientes com s&#237;ndromes isqu&#234;micas inst&#225;veis sem eleva&#231;&#227;o do segmento ST e com n&#237;veis de CK-MB normais, a eleva&#231;&#227;o da troponina T ou I identifica aqueles com maior risco <sup>3</sup>, havendo uma rela&#231;&#227;o quantitativa entre os valores de troponina T ou I e o risco de morte <sup>4</sup>. Apesar dessa &#243;tima acur&#225;cia na detec&#231;&#227;o de les&#227;o mioc&#225;rdica nas s&#237;ndromes coronariana agudas<sup>5</sup>, n&#227;o se pode esquecer que as troponinas podem se elevar em uma s&#233;rie de doen&#231;as card&#237;acas n&#227;o ateroscler&#243;ticas. Assim, quando se interpreta o resultado de uma dosagem de troponina &#233; importante lembrar que, apesar de 100% espec&#237;fica para les&#227;o mioc&#225;rdica, ela n&#227;o &#233; 100% sens&#237;vel para infarto do mioc&#225;rdio. </p>
    <p>Uma s&#233;rie de condi&#231;&#245;es cl&#237;nicas que resulta em les&#227;o card&#237;aca poderia elevar os n&#237;veis de troponina no sangue. Se os n&#237;veis de troponina s&#227;o elevados e o quadro cl&#237;nico n&#227;o &#233; consistente com infarto do mioc&#225;rdio, outras causas de les&#227;o mioc&#225;rdica devem ser consideradas, ficando, em &#250;ltima an&#225;lise, a possibilidade de um resultado falso-positivo. Numerosas condi&#231;&#245;es que n&#227;o a ateros clerose podem resultar em les&#227;o mioc&#225;rdica, como miocardite, cardiomiopatia, insufici&#234;ncia card&#237;aca congestiva, sepse, embolia pulmonar, rabdomi&#243;lise, contus&#227;o tor&#225;cica (trauma), embolia coronariana causada por endocardite, trombo mural, v&#225;lvulas prot&#233;ticas, neoplasias, processos inflamat&#243;rios, incluindo infec&#231;&#227;o viral por coxsackie B, estenose coron&#225;ria induzida por radia&#231;&#227;o, anomalias cong&#234;nitas das art&#233;rias coronariana, uso de coca&#237;na e outras numerosas condi&#231;&#245;es como S&#237;ndrome de Hurler, homocistein&#250;ria, artrite reumat&#243;ide e l&#250;pus eritematoso sist&#234;mico <sup>6</sup>. </p>
    <p>Khan e cols. estudaram 102 pacientes consecutivos que se apresentaram com dosagem de troponina I positiva, sendo que 35 n&#227;o tiveram diagn&#243;stico final de s&#237;ndrome isqu&#234;mica mioc&#225;rdica inst&#225;vel e apenas tr&#234;s tinham queixa de dor tor&#225;cica. Uma s&#233;rie de outras doen&#231;as foi encontrada: miocardiopatia dilatada n&#227;o isqu&#234;mica, doen&#231;as musculares, doen&#231;as do sistema nervoso central, HIV, insufici&#234;ncia renal cr&#244;nica, sepse, doen&#231;as pulmonares e end&#243;crinas, por&#233;m os valor m&#233;dio da dosagem de troponina nos pacientes sem doen&#231;a arterial coronariana ateroscler&#243;tica foi significativamente menor do que naqueles com s&#237;ndromes isqu&#234;micas agudas (2,0 &#177; 1,9 vs. 27,4 &#177; 28,2 ng/ml; p &lt; 0,0001) <sup>6</sup>. </p>
    <p>Basquiera e cols. avaliaram 39 pacientes chag&#225;sicos com dosagens de troponina T e encontraram apenas um com resultado positivo; justamente no grupo com cardiopatia mais grave, concluindo que os n&#237;veis de troponina n&#227;o est&#227;o associados aos est&#225;gios precoces da les&#227;o mioc&#225;rdica da doen&#231;a de Chagas <sup>7</sup>. Al&#233;m disso, Ianni e cols.<sup>8</sup> estudaram a evolu&#231;&#227;o de eventos cardiovasculares em chag&#225;sicos na forma indeterminada, encontrando 1,2% de sintomas de doen&#231;a arterial coronariana em um acompanhamento de at&#233; 177 meses e, em um estudo de necr&#243;psia comparando 35 pacientes chag&#225;sicos com 54 n&#227;o chag&#225;sicos, a frequ&#234;ncia de infarto do mioc&#225;rdio e aterosclerose coronariana foi semelhante em ambos os grupos apesar da incid&#234;ncia de infarto sem coronariopatia ou com les&#245;es m&#237;nimas tenha sido maior nos chag&#225;sicos quando comparado aos n&#227;o chag&#225;sicos <sup>9</sup>. </p>
    <p>Outro ponto importante a ser levado em conta e que sempre gera confus&#227;o est&#225; relacionado &#224; dosagem de troponinas nos pacientes com disfun&#231;&#227;o renal. Est&#225; claro que n&#237;veis detect&#225;veis de troponina T podem ser encontrados em muitos pacientes com doen&#231;a renal terminal sem doen&#231;a card&#237;aca aguda, por&#233;m dados de estudos mostrando resultados falso-positivos de troponina T em pacientes em hemodi&#225;lise t&#234;m sido erroneamente extrapolados para as dosagens de troponina I. Apesar do mecanismo preciso de clearance da troponina I n&#227;o ser conhecido, n&#227;o h&#225; evid&#234;ncias atuais que mostrem resultados falso-positivos em pacientes renais cr&#244;nicos terminais, acreditando-se que a troponina I n&#227;o seja dialis&#225;vel <sup>10,11</sup>. Por outro lado, quando se fala em pacientes com diagn&#243;stico de s&#237;ndrome isqu&#234;mica mioc&#225;rdica inst&#225;vel com disfun&#231;&#227;o renal, a troponina T &#233; capaz de predizer progn&#243;stico a curto prazo independente do clearance de creatinina, como demonstrado por Aviles e cols. em uma an&#225;lise de mais de 7000 pacientes <sup>12</sup>. </p>
    <p>Finalmente, Bakshi e cols., analisando 889 pacientes consecutivos, encontraram 21 pacientes com troponina I positiva e angiografia coron&#225;ria normal ou com les&#245;es coron&#225;rias discretas. Destes, seis foram diagnosticados como secund&#225;rios a arritmias card&#237;acas sendo quatro supraventriculares e dois associadas a taquicardia ventricular. Destes dois pacientes com taquicardia ventricular, um tinha les&#245;es discretas na cinecoronariografia e o outro apresentava coron&#225;rias normais <sup>13</sup>. </p>
    <p>A dosagem de troponina na sala de emerg&#234;ncia revolucionou o atendimento aos pacientes com s&#237;ndromes isqu&#234;micas mioc&#225;rdicas inst&#225;veis e sua avalia&#231;&#227;o progn&#243;stica. Mas, por vezes, nos deparamos com pacientes com troponina positiva e angiografia coronariana sem les&#245;es obstrutivas e, considerar o resultado falso-positivo, pode ser uma atitute c&#244;moda e passiva. </p>
    <p>Nosso relato apresenta o caso de um portador de miocardiopatia dilatada chag&#225;sica, previamente compensada, com discreta altera&#231;&#227;o da fun&#231;&#227;o renal na admiss&#227;o e com queixa de dor tor&#225;cica e palpita&#231;&#245;es com eletrocardiograma evidenciando uma taquicardia ventricular sustentada, revertida com amiodarona intravenosa. Devido &#224; presen&#231;a de dor tor&#225;cica e arritmia ventricular grave, a dosagem de troponina foi realizada visando estratifica&#231;&#227;o de risco para coronariopatia. De acordo com seu resultado francamente positivo, a cinecoronariografia foi realizada, n&#227;o evidenciando coronariopatia obstrutiva ateroscler&#243;tica. A doen&#231;a de Chagas assim como a taquiarritmia sustentada, poderiam ser causas para a eleva&#231;&#227;o da troponina, apesar n&#227;o poder ser descartada definitivamente a possibilidade de resultado falso-positivo.</p>
    <p>
      <fn id="end" fn-type="corresp">
        <label>
          <bold>Endere&#231;o para correspond&#234;ncia</bold>
        </label>
        <p> Maur&#237;cio de Nassau Machado </p>
        <p> Rua Jos&#233; Elias Abud, 242 </p>
        <p> Cep 15092-490 - S&#227;o Jos&#233; do Rio Preto, SP </p>
        <p> E-mail: </p>
        <p>
          <email xlink:href="nassau@cardiol.br">nassau@cardiol.br</email>
        </p>
      </fn>
    </p>
    <p>Recebido em 11/06/2003 </p>
    <p> Aceito em 09/03/2004 </p>
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          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>Bakshi</surname>
              <given-names>TK</given-names>
            </name>
            <name>
              <surname>Choo</surname>
              <given-names>MK</given-names>
            </name>
            <name>
              <surname>Edwards</surname>
              <given-names>CC</given-names>
            </name>
          </person-group>
        </element-citation>
      </ref>
    </ref-list>
  </back>
  <sub-article article-type="translation" id="TRen" xml:lang="en">
    <front-stub>
      <article-categories>
        <subj-group subj-group-type="heading">
          <subject>Case Report</subject>
        </subj-group>
      </article-categories>
      <title-group>
        <article-title xml:lang="en">Positive troponin T in a chagasic patient with sustained ventricular tachycardia and no obstructive lesions on cine coronary angiography</article-title>
      </title-group>
      <abstract xml:lang="en">
        <p>The assessment and stratification of patients with chest pain in the emergency unit may indicate the appropriate therapy for each patient based on the probability of the presence of acute coronary artery disease and on the risk of its major cardiac events. That assessment is based on the triplet: clinical setting, electrocardiographic findings, and markers of myocardial lesion. We report the case of a 58-year-old male chagasic patient admitted to the emergency unit due to chest pain and palpitations, with an electrocardiogram showing sustained ventricular tachycardia and positive troponin measurement (0.99 ng/mL). The patient underwent cine coronary angiography, which evidenced no obstructive coronary artery disease.</p>
      </abstract>
    </front-stub>
    <body>
      <p>
        <bold>CASE REPORT</bold>
      </p>
      <p>Positive troponin T in a chagasic patient with sustained ventricular tachycardia and no obstructive lesions on coronary angiography</p>
      <p>Maur&#237;cio de Nassau Machado; F&#225;bio Augusto Suzuki; Osana Costa C. Mouco; Mauro Esteves Hernandes; Maria Ang&#233;lica B.T. Lemos; Lilia Nigro Maia</p>
      <p>S&#227;o Jos&#233; do Rio Preto, SP - Brazil </p>
      <p>Faculdade de Medicina de S&#227;o Jos&#233; do Rio Preto - FAMERP </p>
      <p>
        <xref ref-type="corresp" rid="end-body2">Correspondence</xref>
      </p>
      <p>
        <bold>ABSTRACT</bold>
      </p>
      <p>The assessment and stratification of patients with chest pain in the emergency unit may indicate the appropriate therapy for each patient based on the probability of the presence of acute coronary artery disease and on the risk of its major cardiac events. That assessment is based on the triplet: clinical setting, electrocardiographic findings, and markers of myocardial lesion. We report the case of a 58-year-old male chagasic patient admitted to the emergency unit due to chest pain and palpitations, with an electrocardiogram showing sustained ventricular tachycardia and positive troponin measurement (0.99 ng/mL). The patient underwent coronary angiography, which evidenced no obstructive coronary artery disease. </p>
      <p>Troponin is an important marker of myocardial lesion with a fundamental role in risk stratification of patients with acute chest pain in the emergency unit. Although troponin has an excellent accuracy for identifying myocardial necrosis, it has been shown that its level can increase in numerous nonatherosclerotic cardiac diseases. We report the case of a chagasic male admitted to the emergency unit with chest pain and sustained ventricular tachycardia, positive troponin measurement, and no obstructive lesions on coronary angiography. </p>
      <p>
        <bold>Case Report</bold>
      </p>
      <p>The patient is a white, 58-year-old male with chagasic dilated cardiomyopathy, who previously was in New York Heart Association functional class I, using a definitive ventricular pacemaker. He was admitted to the emergency unit complaining of oppressive chest pain, which had started 7 days before. The chest pain worsened on exertion, did not irradiate, was of small intensity, and had no other associated factors besides the sensation of palpitation and general malaise. On physical examination, the patient was conscious, oriented, and eupneic. His cardiac auscultation showed rhythmic cardiac sounds of normal intensity, and no audible heart murmurs. His heart rate was 150 bpm, and his blood pressure was 130/80 mmHg. His lungs showed respiratory sounds in all fields and no rales. He had no signs of systemic congestion. The electrocardiogram on hospital admission showed sustained ventricular tachycardia and an approximate heart rate of 150 bpm (<xref ref-type="fig" rid="fig01-body2">fig. 1</xref>). </p>
      <fig id="fig01-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-84-02-0182-00019-gf01-en.jpg"/></fig>
      <p>After receiving intravenous amiodarone (300 mg), he regained his VVI pacemaker rhythm. Due to the history of chest pain, serum measurement of troponin T was taken 6 hours after admission, and the result was 0.999 ng/mL (reference value: 0.010 ng/mL). The serial measurements of CK-MB were normal, as were the hemogram, coagulogram, and urine I. On admission, creatinine was 1.5 mg/dL and potassium was 4.3 mEq/L. The hemodynamically stable patient, with a VVI pacemaker rhythm, was referred to the coronary unit, where he was maintained with intravenous nitroglycerin, heparin, amiodarone, and furosemide, in addition to oral beta-blockers, angiotensin-converting-enzyme inhibitors, acetylsalicylic acid, and clopidogrel. The echocardiogram showed a significant enlargement in the left ventricle, significant contractile dysfunction, no segmentary alterations in contractility, and moderate mitral insufficiency. On risk stratification for coronary heart disease, despite the difficulty in the electrocardiographic assessment because of the pacemaker rhythm, the patient was considered at high risk due to his history of chest pain associated with severe arrhythmia and ventricular dysfunction and positive troponin T measurement. The coronary angiography then performed showed no obstructive lesions (<xref ref-type="fig" rid="fig02-body2">figures 2</xref> and <xref ref-type="fig" rid="fig03-body2">3</xref>). No myocardial perfusion scintigraphy was performed. </p>
      <fig id="fig02-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-84-02-0182-00019-gf02-en.jpg"/></fig>
      <fig id="fig03-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-84-02-0182-00019-gf03-en.jpg"/></fig>
      <p>While the patient waited for discharge from the coronary unit, he experienced sustained ventricular tachycardia with no pulse. He underwent electrical defibrillation, which was successful after the forth shock with a return of the pulse and hemodynamic instability. The patient continued to have episodes of nonsustained ventricular tachycardia with a pulse, which was reverted to the pacemaker rhythm by use of intravenous amiodarone. The patient was then referred for implantation of a cardioverter/defibrillator, which was successful. After this episode, the patient evolved with cardiogenic shock, acute renal dysfunction (peak creatinine - 6.4 mg/dL), and liver dysfunction with maximum values of ALT and AST of 5,011 UI/L and 12,560 UI/L, respectively. The serological research for hepatitis A, B, and C, cytomegalovirus, toxoplasmosis, and HIV was negative. The patient underwent hemodynamic monitoring with the Swan-Ganz catheter, which showed, in the initial hemodynamic measurements (with 10 &#181;g/kg/min of m<sup>2</sup>, and an oxygen extraction rate of 27%, with lactate measurement in the mixed venous blood of 1.8 mmol/L. The patient underwent a hemodialysis section with good clinical response, evolving to polyuria and gradual decrease in the levels of creatinine and hepatic enzymes. The patient was discharged from the coronary unit 12 days after admission. </p>
      <p>
        <bold>Discussion</bold>
      </p>
      <p>Troponin is an important marker of myocardial lesion and plays a fundamental role in risk stratification of patients with acute chest pain in the emergency unit, due to its high sensitivity and specificity (100% and 83.3%, respectively, 12 hours after admission) <sup>1</sup> for identifying patients with unstable myocardial ischemic syndromes. It is better than the CK-MB measurement. Approximately 30% of patients who present with chest pain at rest, no elevation in the ST segment, and normal CK-MB levels are estimated to have positive troponin <sup>2</sup>. In addition, of the patients with unstable ischemic syndromes, no elevation in the ST segment, and normal CK-MB levels, elevation in troponin T or I identifies those at higher risk <sup>3</sup>, and a quantitative relation exists between the values of troponin T or I and the risk of death <sup>4</sup>. Despite this excellent accuracy in detecting myocardial lesions in acute coronary syndromes <sup>5</sup>, one cannot forget that troponins may be increased in several nonatherosclerotic cardiac diseases. Therefore, when interpreting the result of a troponin measurement, it is worth remembering that, although it is 100% specific for myocardial lesion, it is not 100% sensitive for myocardial infarction. </p>
      <p>Several clinical conditions that result in cardiac lesion could increase serum troponin levels. If the troponin levels are elevated and the clinical findings are not consistent with myocardial infarction, other causes of myocardial lesion should be considered. The possibility of a false-positive result should be considered last. The following numerous conditions other than atherosclerosis could result in myocardial lesion: myocarditis, cardiomyopathy, congestive heart failure, sepsis, pulmonary embolism, rhabdomyolysis, thoracic contusion (trauma), coronary embolism caused by endocarditis, mural thrombus, prosthetic valves, neoplasias, inflammatory processes, including viral infection by coxsackie B, radiation-induced coronary stenosis, congenital anomalies of the coronary arteries, use of cocaine and other numerous conditions, such as Hurler's syndrome, homocysteinuria, rheumatoid arthritis, and systemic lupus erythematosus <sup>6</sup>. </p>
      <p>Khan et al <sup>6</sup> studied 102 consecutive patients who had positive troponin I, 35 of whom did not have a final diagnosis of unstable myocardial ischemic syndrome, and only 3 complained of chest pain. The following diseases were found: nonischemic dilated cardiomyopathy, muscular diseases, central nervous system diseases, HIV, chronic renal failure, sepsis, and pulmonary and endocrine diseases. The mean value of troponin in patients with no atherosclerotic coronary arterial disease, however, was significantly lower than that in patients with acute ischemic syndromes (2.0&#177;1.9 vs. 27.4&#177;28.2 ng/mL; P&lt;0.0001) <sup>6</sup>. </p>
      <p>Basquiera et al <sup>7</sup> studied 39 chagasic patients with troponin T measurements and found only one positive result in the group with more severe heart disease. Those authors concluded that troponin levels are not associated with the earliest stages of the myocardial lesion in Chagas' disease. In addition, Ianni et al <sup>8</sup>, dobutamine), a pulmonary capillary pressure of 30 mmHg, cardiac index of 2.4 L/min/m<sup>2</sup>, and peripheral vascular resistance index of 2052 D.s/cm<sup>5</sup>/m<sup>2</sup>. The respiratory measurements showed an oxygen supply of 450 mL/min/m<sup>2</sup>, consumption of 122 mL/min/ studying the evolution of cardiovascular events in chagasic patients with the undetermined form of the disease, reported 1.2% of symptoms of coronary arterial disease in a follow-up of up to 177 months. An autopsy study <sup>9</sup> comparing 35 chagasic patients with 54 nonchagasic patients reported that the frequency of myocardial infarction and coronary atherosclerosis was similar in both groups, although the incidence of infarction without coronary artery disease or with minimum lesions was greater in chagasic patients as compared with that in nonchagasic patients. </p>
      <p>Another important and controversial issue is related to troponin measurement in patients with renal dysfunction. Detectable levels of troponin T may be found in several patients with end-stage renal disease without acute heart disease; however, data in some studies showing false-positive results of troponin T in patients undergoing hemodialysis have been erroneously extrapolated to troponin I measurements. Although the precise mechanism of troponin I clearance is not known, no current evidence exists showing false-positive results in end-stage chronic renal patients; therefore, troponin I is believed not to be dialyzable <sup>10,11</sup>. On the other hand, in patients diagnosed with unstable myocardial ischemic syndrome and renal dysfunction, troponin T can predict the short-term prognosis independent of creatinine clearance, as reported by Aviles et al <sup>12 </sup>in a study comprising more than 7,000 patients. </p>
      <p>Finally, in a study with 889 consecutive patients, Bakshi et al <sup>13</sup> found 21 patients with positive troponin I and normal coronary angiography or with mild coronary artery lesions. Of those, 6 were diagnosed as secondary to cardiac arrhythmias, 4 being supraventricular and 2 associated with ventricular tachycardia. Of those 2 patients with ventricular tachycardia, one had mild lesions on cine coronary angiography, and the other had normal coronary arteries. </p>
      <p>Troponin measurement in the emergency unit revolutionized the medical care of patients with unstable myocardial ischemic syndromes and their prognostic assessment. However, sometimes we are faced with patients whose troponin is positive and coronary angiography shows no obstructive lesions. In such circumstances, interpreting the result as false positive may be a comfortable, passive attitude. </p>
      <p>We report the case of a patient with previously compensated chagasic dilated cardiomyopathy and discrete alteration in the renal function on admission, who complained of chest pain and palpitations. His electrocardiogram showed sustained ventricular tachycardia, reverted with intravenous amiodarone. Due to the presence of chest pain and severe ventricular arrhythmia, the troponin measurement was performed aiming at risk stratification for coronary artery disease. As the troponin result was undoubtedly positive, cine coronary angiography was performed, and no atherosclerotic obstructive coronary artery disease was observed. Both Chagas' disease and sustained tachyarrhythmia could cause an elevation in troponin, although the possibility of a false-positive result could not be definitively ruled out.</p>
      <p>
        <bold>References</bold>
      </p>
      <p>
        <fn id="end-body2" fn-type="corresp">
          <label>
            <bold>Correspondence to</bold>
          </label>
          <p> Maur&#237;cio de Nassau Machado</p>
          <p> Rua Jos&#233; Elias Abud, 242</p>
          <p> Cep 15092-490 - S&#227;o Jos&#233; do Rio Preto, SP, Brazil</p>
          <p> E-mail: </p>
          <p>
            <email xlink:href="maunmac@uol.com.br">maunmac@uol.com.br</email>
          </p>
        </fn>
      </p>
      <p>Received for publication: 06/11/2003</p>
      <p> Accepted for publication: 03/09/2004</p>
      <p> English version by Stela Maris Costalonga</p>
    </body>
  </sub-article>
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