<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
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        <journal-title>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</journal-title>
        <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Arq. Bras. Cardiol.</abbrev-journal-title>
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      <issn pub-type="epub">1678-4170</issn>
      <publisher>
        <publisher-name>Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC</publisher-name>
        <publisher-loc>S&#227;o Paulo, SP, Brazil</publisher-loc>
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      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v3">VSnttXrbNxc7p39srvjqPhs</article-id>
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      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v2">S0066-782X2004000600006</article-id>
      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v1">S0066-782X(04)08200606</article-id>
      <article-id pub-id-type="doi">10.1590/S0066-782X2004000600006</article-id>
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          <subject>Artigos Originais</subject>
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        <article-title>Doen&#231;as cardiovasculares na popula&#231;&#227;o idosa: an&#225;lise do comportamento da mortalidade em munic&#237;pio da regi&#227;o Sul do Brasil no per&#237;odo de 1979 a 1998</article-title>
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        <institution content-type="orgname">Universidade Estadual de Maring&#225;</institution>
        <institution content-type="orgdiv1">Departamento de Enfermagem </institution>
        <country country="BR">Brazil</country>
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      <pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
        <month>06</month>
        <year>2004</year>
      </pub-date>
      <volume>82</volume>
      <issue>6</issue>
      <fpage>533</fpage>
      <lpage>541</lpage>
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        <date date-type="accepted">
          <day>16</day>
          <month>06</month>
          <year>2003</year>
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        <date date-type="received">
          <day>20</day>
          <month>02</month>
          <year>2003</year>
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          <license-p>This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.</license-p>
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      </permissions>
      <abstract>
        <p>OBJETIVO: Conhecer o comportamento da mortalidade por doen&#231;as cardiovasculares em idosos residentes em Maring&#225;-PR. M&#201;TODOS: Foram analisadas as causas de morte num per&#237;odo de 20 anos, segundo sexo, idade e agrupamentos da Classifica&#231;&#227;o Internacional de Doen&#231;as, 9&#170; e 10&#170; Revis&#245;es, utilizando-se banco de dados de mortalidade do Minist&#233;rio da Sa&#250;de. RESULTADOS: Em rela&#231;&#227;o ao total de &#243;bitos em idosos, a mortalidade proporcional por doen&#231;as cerebrovasculares e doen&#231;a isqu&#234;mica do cora&#231;&#227;o diminuiu 42,5% e 34,4% e aumentou de 119% para a hipertens&#227;o que passou de 2,1% para 4,6%. Houve queda do risco de morte por doen&#231;a cerebrovascular, doen&#231;a isqu&#234;mica do cora&#231;&#227;o e outras formas de doen&#231;as do cora&#231;&#227;o de 51,2%, 44,6% e de 12,5%, respectivamente. Para a doen&#231;a cerebrovascular e doen&#231;a isqu&#234;mica do cora&#231;&#227;o, a queda na estimativa do risco de morte foi maior para as mulheres e, para as outras formas de doen&#231;as do cora&#231;&#227;o, a queda foi maior para os homens. Em rela&#231;&#227;o &#224;s faixas et&#225;rias observou-se que os riscos de &#243;bito s&#227;o crescentes &#224; medida que avan&#231;a a idade para cada uma das doen&#231;as cardiovasculares, em ambos os sexos. CONCLUS&#195;O: As doen&#231;as cardiovasculares continuam sendo importantes na morbimortalidade da popula&#231;&#227;o idosa, exigindo ainda maiores esfor&#231;os dos servi&#231;os de sa&#250;de para sua preven&#231;&#227;o e tratamento.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="pt" kwd-group-type="author-generated">
        <kwd>doen&#231;as cardiovasculares</kwd>
        <kwd>idosos</kwd>
        <kwd>mortalidade</kwd>
      </kwd-group>
      <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
        <day>12</day>
        <month>07</month>
        <year>2004</year>
      </pub-date>
    </article-meta>
  </front>
  <body>
    <p>
      <bold>ARTIGO ORIGINAL</bold>
    </p>
    <p>Doen&#231;as cardiovasculares na popula&#231;&#227;o idosa. An&#225;lise do comportamento da mortalidade em munic&#237;pio da regi&#227;o Sul do Brasil no per&#237;odo de 1979 a 1998 </p>
    <p>
      <bold>Thais Aidar de Freitas Mathias; Maria Helena Prado de Mello Jorge; Ruy Laurenti</bold>
    </p>
    <p> Universidade Estadual de Maring&#225; &#150; Departamento de Enfermagem </p>
    <p> Maring&#225;, PR</p>
    <p>
      <xref ref-type="corresp" rid="back10">Endere&#231;o para correspond&#234;ncia</xref>
    </p>
    <p>
      <bold>RESUMO</bold>
    </p>
    <p><bold>OBJETIVO: </bold>Conhecer o comportamento da mortalidade por doen&#231;as cardiovasculares em idosos residentes em Maring&#225;-PR. </p>
    <p><bold>M&#201;TODOS: </bold> Foram analisadas as causas de morte num per&#237;odo de 20 anos, segundo sexo, idade e agrupamentos da Classifica&#231;&#227;o Internacional de Doen&#231;as, 9&#170; e 10&#170; Revis&#245;es, utilizando-se banco de dados de mortalidade do Minist&#233;rio da Sa&#250;de. </p>
    <p><bold>RESULTADOS: </bold>Em rela&#231;&#227;o ao total de &#243;bitos em idosos, a mortalidade proporcional por doen&#231;as cerebrovasculares e doen&#231;a isqu&#234;mica do cora&#231;&#227;o diminuiu 42,5% e 34,4% e aumentou de 119% para a hipertens&#227;o que passou de 2,1% para 4,6%. Houve queda do risco de morte por doen&#231;a cerebrovascular, doen&#231;a isqu&#234;mica do cora&#231;&#227;o e outras formas de doen&#231;as do cora&#231;&#227;o de 51,2%, 44,6% e de 12,5%, respectivamente. Para a doen&#231;a cerebrovascular e doen&#231;a isqu&#234;mica do cora&#231;&#227;o, a queda na estimativa do risco de morte foi maior para as mulheres e, para as outras formas de doen&#231;as do cora&#231;&#227;o, a queda foi maior para os homens. Em rela&#231;&#227;o &#224;s faixas et&#225;rias observou-se que os riscos de &#243;bito s&#227;o crescentes &#224; medida que avan&#231;a a idade para cada uma das doen&#231;as cardiovasculares, em ambos os sexos. </p>
    <p><bold>CONCLUS&#195;O: </bold>As doen&#231;as cardiovasculares continuam sendo importantes na morbimortalidade da popula&#231;&#227;o idosa, exigindo ainda maiores esfor&#231;os dos servi&#231;os de sa&#250;de para sua preven&#231;&#227;o e tratamento.</p>
    <p><bold>Palavras-chave: </bold>doen&#231;as cardiovasculares, idosos, mortalidade</p>
    <p>O crescimento, em n&#250;meros absolutos e relativos, de pessoas acima de 60 anos de idade, &#233; um fen&#244;meno mundial. Segundo o censo de 2000, o n&#250;mero de idosos no Brasil, era de 14.546.029 pessoas, representando um aumento de 35,6% em rela&#231;&#227;o ao ano de 1991. As estimativas apontam para a possibilidade de, nos pr&#243;ximos 20 anos, no Brasil, o n&#250;mero de idosos ultrapasse os 30 milh&#245;es de pessoas devendo representar quase 13% da popula&#231;&#227;o. A queda da taxa de fecundidade ainda &#233; a principal respons&#225;vel pela redu&#231;&#227;o do n&#250;mero de crian&#231;as, mas o aumento da expectativa de vida vem contribuindo, gradativamente, para o aumento de idosos na popula&#231;&#227;o<sup>1</sup>. Assim, torna-se necess&#225;rio conhecer a situa&#231;&#227;o de sa&#250;de desta parcela da popula&#231;&#227;o e uma das mais valiosas fontes de dados &#233; representada pelas estat&#237;sticas de mortalidade que constituem tamb&#233;m, o mais tradicional e um dos mais eficientes m&#233;todos para avalia&#231;&#227;o do estado de sa&#250;de das popula&#231;&#245;es<sup>2</sup>.</p>
    <p>As an&#225;lises sobre causas de morte para pessoas &gt; 65 anos de idade t&#234;m demonstrado que, para os Estados Unidos, as doen&#231;as do cora&#231;&#227;o, o c&#226;ncer e a doen&#231;a cerebrovascular s&#227;o as mais importantes, com percentuais de 41,6%, 20,7% e 8,7%, respectivamente<sup>3</sup>. Segundo Beaglehole<sup>4</sup>, a doen&#231;a isqu&#234;mica do cora&#231;&#227;o &#233; a principal causa de morte nos pa&#237;ses industrializados, respons&#225;vel por 30% de todas as mortes cada ano.</p>
    <p>No Brasil, a redu&#231;&#227;o da mortalidade por doen&#231;as infecciosas e parasit&#225;rias, entre 1930 e 1985, foi de 471%, e as doen&#231;as cardiovasculares e as neoplasias aumentaram 208% e 322%, respectivamente, no mesmo per&#237;odo<sup>5</sup>. Na d&#233;cada de 80, o coeficiente de mortalidade por doen&#231;as cardiovasculares aumentou 13,3% e, nos primeiros anos da d&#233;cada de 90, estas representavam a primeira causa de morte, sendo respons&#225;veis por, aproximadamente, 34% dos &#243;bitos no pa&#237;s<sup>6</sup>.</p>
    <p>A descri&#231;&#227;o ou conhecimento da situa&#231;&#227;o de sa&#250;de, mesmo que avaliada indiretamente atrav&#233;s dos dados de mortalidade, &#233; importante, pois pode propiciar a gera&#231;&#227;o de hip&#243;teses causais al&#233;m de contribuir para elabora&#231;&#227;o de programas e pol&#237;ticas de sa&#250;de e, especificamente neste estudo, para a popula&#231;&#227;o idosa.</p>
    <p>Maring&#225; &#233; um munic&#237;pio de porte m&#233;dio, situado a noroeste do estado do Paran&#225;, com 288.653 habitantes<sup>1</sup> e tem experimentado, assim como em outras localidades, aumento do n&#250;mero de idosos. Em 1960 os idosos eram 3,5% do total e em 1996 esse percentual chegou a 7,9%<sup>7,8</sup>. Por isso as caracter&#237;sticas de sa&#250;de da popula&#231;&#227;o idosa devem ser conhecidas, o que foi feito neste estudo, por meio da an&#225;lise do comportamento da mortalidade por doen&#231;as cardiovasculares, para a popula&#231;&#227;o de 60 anos e mais de idade.</p>
    <p>
      <bold>M&#233;todos</bold>
    </p>
    <p>Foram analisados os &#243;bitos de residentes em Maring&#225; com 60 anos e mais de idade, no per&#237;odo de 1979 a 1998, agrupados em quatro tri&#234;nios. Os dados de &#243;bitos foram obtidos do Sistema de Informa&#231;&#245;es sobre Mortalidade do Minist&#233;rio da Sa&#250;de, que congrega informa&#231;&#245;es provenientes das declara&#231;&#245;es de &#243;bito em forma de CD-ROM<sup>9</sup>. As declara&#231;&#245;es de &#243;bito s&#227;o preenchidas pelos m&#233;dicos e codificadas pela equipe do Setor de Epidemiologia da Secretaria Municipal de Sa&#250;de. As causas b&#225;sicas de &#243;bito foram analisadas por sexo e idade e estudadas segundo os agrupamentos da Classifica&#231;&#227;o Internacional de Doen&#231;as, 9&#170; e 10&#170; Revis&#245;es (CID-9 e CID-10)<sup>10,11</sup>. As causas de &#243;bito estudadas foram: doen&#231;as cerebrovasculares (CID-9: 430.0 - 438.9; CID-10: I60.0 - I69.9), doen&#231;a isqu&#234;mica do cora&#231;&#227;o (CID-9: 410.0 &#150; 414.9; CID-10: I20.0 &#150; I25.9), outras formas de doen&#231;a do cora&#231;&#227;o (tais como as cardiomiopatias e a insufici&#234;ncia card&#237;aca) (CID-9: 420.0 &#150; 429.9; CID-10: I30.0 &#150; I52.9) e hipertens&#227;o (CID-9: 401.0 &#150; 405.9; CID-10: I10.0 &#150; I15.9). Os dados de popula&#231;&#227;o foram obtidos dos Anu&#225;rios Estat&#237;sticos da Funda&#231;&#227;o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&#237;stica<sup>8,12,13</sup> e para os anos intercensit&#225;rios foram utilizadas estimativas elaboradas pelo N&#250;cleo de Estudos de Popula&#231;&#227;o da UNICAMP<sup>14</sup>.</p>
    <p>
      <bold>Resultados</bold>
    </p>
    <p>A an&#225;lise da mortalidade em idosos residentes em Maring&#225;, segundo causas conhecidas apontou como as mais freq&#252;entes para um perfil caracter&#237;stico dessa faixa de idade, as doen&#231;as do aparelho circulat&#243;rio, neoplasias e doen&#231;as do aparelho respirat&#243;rio, mantendo a mesma ordem de import&#226;ncia durante o per&#237;odo. Entretanto algumas mudan&#231;as foram observadas, destacando-se a queda de 23,6% no peso relativo das doen&#231;as do aparelho circulat&#243;rio, mantendo-se ainda, como a principal causa de &#243;bito entre os idosos.</p>
    <p>No 1<sup><underline>o</underline></sup> tri&#234;nio, a doen&#231;a cerebrovascular representava 24% dos &#243;bitos mas, com queda de 42,5%, passou a 13,8% no &#250;ltimo, permanecendo como principal causa de morte na popula&#231;&#227;o idosa em Maring&#225;. Houve uma mudan&#231;a importante em rela&#231;&#227;o ao sexo pois, no in&#237;cio do per&#237;odo, a participa&#231;&#227;o relativa era maior para a mortalidade nas mulheres (26,2% contra 22,3% nos homens) e no final, com decr&#233;scimo mais expressivo para as mulheres, passou a ser ligeiramente maior na mortalidade dos homens (14,2% contra 13,3% nas mulheres). Para os coeficientes, observou-se tamb&#233;m maior decl&#237;nio para as mulheres (57,8%) do que para os homens (44%) (<xref ref-type="table" rid="t1">tab. 1</xref>).</p>
    <p content-type="asset">
      <table-wrap id="t1">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-82-06-0533-00006-gt01.jpg"/></table-wrap>
    </p>
    <p>A <xref ref-type="fig" rid="f1">figura 1</xref> permite an&#225;lise mais detalhada por sexo e faixas de idade, mostrando tend&#234;ncia crescente da estimativa do risco de &#243;bito por doen&#231;a cerebrovascular &#224; medida que aumenta a idade, similar para ambos os sexos e nos dois tri&#234;nios extremos. A queda das taxas para os homens de 60 a 64 anos e de 85 anos e mais foi de apenas 2,2% e 5,1%, respectivamente, ao passo que para as outras faixas de idade essa diferen&#231;a oscilou de 48,8% para os homens de 80 a 84 anos, at&#233; 61,6% para os de 75 a 79 anos de idade (<xref ref-type="table" rid="t2">tab. II</xref>). Em todo o per&#237;odo, o risco de &#243;bito por doen&#231;as cerebrovasculares foi maior para os homens, salvo a partir de 80 anos, no 1<sup><underline>o</underline></sup> tri&#234;nio e de 75 a 79 anos, no &#250;ltimo (<xref ref-type="fig" rid="f2">fig. 2</xref>).</p>
    <p content-type="asset">
      <fig id="f1">
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    </p>
    <p content-type="asset">
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    </p>
    <p content-type="asset">
      <fig id="f2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-82-06-0533-00006-gf02.jpg"/></fig>
    </p>
    <p>A doen&#231;a isqu&#234;mica do cora&#231;&#227;o continua sendo a segunda causa de &#243;bito em idosos, representando, no final do per&#237;odo, 10,2% e 11,2% de todos os &#243;bitos em homens e mulheres, respectivamente, embora tenha sido observada queda de 34,4% no coeficiente de mortalidade, que passou de 739,2 para 409,8 &#243;bitos para cada 100.000 habitantes, maior para a popula&#231;&#227;o feminina (de 48,8% contra 39,7%, da masculina) (<xref ref-type="table" rid="t1">tab. 1</xref>).</p>
    <p>Em rela&#231;&#227;o &#224; idade, os coeficientes de mortalidade, para os homens, s&#243; n&#227;o decresceram na faixa de 65 a 69 anos, ao passo que para as mulheres houve queda em todas as idades (<xref ref-type="fig" rid="f1">fig. 1</xref>), sendo as mais expressivas para idosos mais velhos em ambos os sexos (<xref ref-type="table" rid="t2">tab. II</xref>).</p>
    <p>A mortalidade proporcional por outras formas de doen&#231;a do cora&#231;&#227;o aumentou 3,3%, passando de 9,2% para 9,5% dos &#243;bitos em idosos (<xref ref-type="table" rid="t1">tab. I</xref>), comportamento diferindo nos dois sexos. Para o masculino houve queda de 10,6% e para o feminino aumento de 15,7%, sugerindo migra&#231;&#227;o de um diagn&#243;stico para outro. A estimativa do risco de &#243;bito decresceu para ambos os sexos, com maior intensidade no masculino (21% contra 3,5% no feminino) (<xref ref-type="table" rid="t1">tab. I</xref>). A <xref ref-type="fig" rid="f2">figura 2</xref> evidencia, para o &#250;ltimo tri&#234;nio, curvas mais lineares, com coeficientes similares para homens e mulheres, em todas as faixas de idade e assim como para as outras causas, o risco de &#243;bito aumenta &#224; medida que avan&#231;a a idade.</p>
    <p>A mortalidade proporcional por hipertens&#227;o aumentou 119% e o coeficiente 87,8% (<xref ref-type="table" rid="t1">tab. I</xref>), varia&#231;&#245;es que ocorreram para os dois sexos, bem mais importantes para o feminino. At&#233; 1992 a mortalidade proporcional era semelhante entre os sexos, mas devido ao acr&#233;scimo, mais significativo observado no sexo feminino (160% contra 91% no sexo masculino) a diferen&#231;a aumentou e a hipertens&#227;o &#233; hoje mais freq&#252;ente em &#243;bitos de mulheres idosas (5,2% contra 4,2% nos homens) (<xref ref-type="table" rid="t1">tab. I</xref>). A <xref ref-type="fig" rid="f1">figura 1</xref> mostra discreta tend&#234;ncia de aumento da estimativa do risco de &#243;bito por hipertens&#227;o com a idade; a partir de 70 anos, para os homens e a partir de 80 anos para as mulheres.</p>
    <p>
      <bold>Discuss&#227;o</bold>
    </p>
    <p>As doen&#231;as do aparelho circulat&#243;rio constituem, em todos os pa&#237;ses, um conjunto de afec&#231;&#245;es com etiologias e manifesta&#231;&#245;es cl&#237;nicas diversas e de grande import&#226;ncia na estrutura de morbimortalidade<sup>15</sup>. Dados sobre mortalidade, para o Brasil, indicam que em 1994, excluindo-se as causas mal definidas, as doen&#231;as cerebrovasculares representaram 11,3% do total de &#243;bitos contra 9,3% das doen&#231;as isqu&#234;micas e, entre as doen&#231;as do aparelho circulat&#243;rio, as cerebrovasculares contribu&#237;ram com 33,9% contra 28% das isqu&#234;micas do cora&#231;&#227;o<sup>16</sup>.</p>
    <p>Para a mortalidade na popula&#231;&#227;o em geral, as doen&#231;as isqu&#234;micas do cora&#231;&#227;o v&#234;m assumindo maior import&#226;ncia substituindo as doen&#231;as cerebrovasculares. Segundo Lessa e cols.<sup>17</sup>, existe uma tend&#234;ncia de invers&#227;o nas causas de morte, com as doen&#231;as cerebrovasculares passando para segundo plano, como vem ocorrendo no Brasil em regi&#245;es e capitais de melhor situa&#231;&#227;o social e econ&#244;mica (Sul e Sudeste).</p>
    <p>Lotufo<sup>18</sup> conclui, que a transi&#231;&#227;o na tend&#234;ncia da mortalidade para o Estado de S&#227;o Paulo foi mais acelerada do que para o restante do pa&#237;s, predominando as doen&#231;as isqu&#234;micas do cora&#231;&#227;o sobre as cerebrovasculares, o que segundo o autor, &#233; determinado tanto pela urbaniza&#231;&#227;o e ado&#231;&#227;o de estilos de vida ocidentais, como tamb&#233;m pela composi&#231;&#227;o &#233;tnica da popula&#231;&#227;o paulista.</p>
    <p>No munic&#237;pio paulista de Botucatu esse fen&#244;meno foi tamb&#233;m observado para a mortalidade na popula&#231;&#227;o idosa. No ano de 1970 a mortalidade proporcional para as cerebrovasculares e isqu&#234;micas era de 22,58% e 17, 97% e em 1993 de 10,47% e 14,48%, respectivamente<sup>19</sup>.</p>
    <p>Em Maring&#225; provavelmente, esteja ocorrendo o in&#237;cio desse processo de invers&#227;o, com a queda na diferen&#231;a ou aproxima&#231;&#227;o dos valores relativos e dos coeficientes de mortalidade por doen&#231;as cerebrovasculares e isqu&#234;micas do cora&#231;&#227;o. De fato, embora no final do per&#237;odo, a mortalidade proporcional por doen&#231;as cerebrovasculares seja ainda maior do que por doen&#231;as isqu&#234;micas do cora&#231;&#227;o (13,8% contra 10,7%), a diferen&#231;a entre elas, do primeiro para o &#250;ltimo tri&#234;nio, reduziu-se de 7,7 para 3,1 pontos percentuais (<xref ref-type="table" rid="t1">tab. I</xref>).</p>
    <p>Estudo desenvolvido por Uemura e Pisa<sup>20</sup>, para o per&#237;odo de 1950 a 1985, mostrou que, em muitos pa&#237;ses, houve um decr&#233;scimo consistente da mortalidade por doen&#231;a cerebrovascular desde o in&#237;cio dos anos 50, ocorrido mais rapidamente na segunda metade do per&#237;odo. A queda relativa nas taxas de mortalidade foi maior que 50% no Jap&#227;o (67%), Austr&#225;lia (55%), Estados Unidos (55%) e Israel (52%), para os homens, e maior que 60% para as mulheres no Jap&#227;o (66%) e Malta (68%).</p>
    <p>Nos Estados Unidos, resultados do <italic>Minnesota Heart Survey</italic> mostraram que durante o per&#237;odo de 1960 a 1990 os coeficientes de mortalidade por doen&#231;a cerebrovascular ca&#237;ram mais de 50%, enquanto que a press&#227;o arterial m&#233;dia na popula&#231;&#227;o tamb&#233;m declinou, e o tratamento antihipertensivo aumentou entre 1973 e 1987<sup>21</sup>.</p>
    <p>Para o Estado de S&#227;o Paulo, no per&#237;odo de 1970 a 1989, Lotufo<sup>18</sup> encontrou que as taxas para as doen&#231;as cerebrovasculares n&#227;o se alteraram nas idades mais jovens, mas tiveram significativo descenso para as faixas et&#225;rias &gt; 60 anos, em ambos os sexos, e comenta que o decl&#237;nio observado foi o menor se comparado com o de outros pa&#237;ses, ficando em situa&#231;&#227;o intermedi&#225;ria com os pa&#237;ses do Leste Europeu. O fato de n&#227;o ter havido nenhuma melhora nos coeficientes de mortalidade nas idades mais jovens, o autor atribuiu &#224; maior preval&#234;ncia nessa faixa de idade, a hemorragia subaracno&#237;dea com maior letalidade por seus determinantes gen&#233;ticos menos preven&#237;veis. A compreens&#227;o do decl&#237;nio nas idades &gt; 60 anos encontrado no estudo n&#227;o &#233; tarefa f&#225;cil, pois envolve desde a falta de informa&#231;&#227;o sobre o tipo de acidente vascular cerebral, que determinou o &#243;bito, modifica&#231;&#245;es na qualidade do preenchimento da declara&#231;&#227;o de &#243;bito, at&#233; ao controle da hipertens&#227;o arterial e melhora na assist&#234;ncia m&#233;dica dispensada ao paciente<sup>18</sup>.</p>
    <p>As discuss&#245;es a respeito das causas que diretamente t&#234;m contribu&#237;do para a queda na mortalidade por doen&#231;a cerebrovascular envolvem alguns fatores, como a import&#226;ncia do tratamento antihipertensivo, que tem aumentado, pelo menos em comunidades onde existem estudos que acompanham tais vari&#225;veis. No que diz respeito &#224; gravidade, os acidentes vasculares cerebrais do tipo hemorr&#225;gico s&#227;o sempre os mais graves e, segundo Lessa<sup>22</sup>, a hipertens&#227;o arterial n&#227;o tratada, n&#227;o controlada, ou mesmo desconhecida do paciente, est&#225; presente em cerca de 100% desses casos.</p>
    <p>Entretanto, uma das conclus&#245;es do <italic>Minnesota Heart Survey</italic> refere que o tratamento antihipertensivo teria um efeito pequeno na queda das taxas de mortalidade por doen&#231;a cerebrovascular, j&#225; que o uso de medicamentos explica apenas parte do decl&#237;nio da m&#233;dia da press&#227;o arterial na popula&#231;&#227;o<sup>23</sup>. O potencial do tratamento antihipertensivo ainda n&#227;o foi alcan&#231;ado na comunidade em estudo, pois 3 entre 10 pessoas hipertensas continuam sem tratamento, e mais, o intervalo de tempo entre o primeiro diagn&#243;stico e o in&#237;cio do tratamento ainda pode ser diminu&#237;do, fazendo com isso melhorar a rela&#231;&#227;o entre n&#237;veis press&#243;ricos e mortalidade por derrame cerebral<sup>23</sup>. Acrescente-se que as causas da queda na m&#233;dia da press&#227;o arterial observada em n&#237;vel populacional, mesmo considerando o aumento no tratamento antihipertensivo, permaneceu pouco elucidadas. O aumento das atividades f&#237;sicas, o melhor controle de peso e a queda no consumo de &#225;lcool e sal s&#227;o fatores relevantes que merecem ser pesquisados.</p>
    <p>Existem evid&#234;ncias de que a preval&#234;ncia do h&#225;bito de fumar tem diminu&#237;do desde 1964, nos Estados Unidos<sup>23</sup> o que pode ter influenciado diretamente, o decl&#237;nio nas taxas de mortalidade. Al&#233;m do mais, se existe a constata&#231;&#227;o de que o h&#225;bito de fumar est&#225; tamb&#233;m, relacionado com o grau de escolaridade, seria importante explorar a rela&#231;&#227;o do n&#237;vel socioecon&#244;mico e mortalidade por derrame cerebral<sup>23</sup>. Outro resultado relatado pelo <italic>Minnesota Heart Survey</italic> &#233; a queda na m&#233;dia dos n&#237;veis s&#233;ricos de colesterol total na popula&#231;&#227;o, observada entre 1973 e 1987, que pode ter rela&#231;&#227;o, mesmo que pequena, na redu&#231;&#227;o da mortalidade por derrames tromboembol&#237;ticos.</p>
    <p>Existe ainda a possibilidade da redu&#231;&#227;o na mortalidade por doen&#231;as do cora&#231;&#227;o nas &#250;ltimas d&#233;cadas ter, indiretamente, contribu&#237;do para o decl&#237;nio na mortalidade por doen&#231;a cerebrovascular. Segundo Wolf<sup>24</sup> e Benjamin e cols.<sup>25</sup>, a fibrila&#231;&#227;o atrial, o infarto do miocardio e a fun&#231;&#227;o ventricular esquerda reduzida podem gerar trombose card&#237;aca, resultando em acidente vascular cerebral. Lotufo<sup>18</sup> afirma que, embora esse impacto deva ser melhor avaliado, a utiliza&#231;&#227;o de drogas anti-agregantes plaquet&#225;rias, como o &#225;cido acetilsalic&#237;lico, ap&#243;s os epis&#243;dios isqu&#234;micos cerebrais transit&#243;rios tornou-se popular entre os m&#233;dicos, como preven&#231;&#227;o prim&#225;ria, concorrendo tamb&#233;m, para influenciar na hist&#243;ria natural da doen&#231;a cerebrovascular.</p>
    <p>&#201; poss&#237;vel que todos esses fatores possam ser extrapolados para a popula&#231;&#227;o residente em Maring&#225;, se consideradas as tend&#234;ncias de tratamento, t&#233;cnicas de diagn&#243;stico e condutas m&#233;dicas s&#227;o gradativamente incorporadas pelos servi&#231;os de sa&#250;de.</p>
    <p>Em todas as regi&#245;es do Brasil, a doen&#231;a isqu&#234;mica do cora&#231;&#227;o &#233; importante causa de &#243;bito e ainda persistem altas taxas, apesar do decl&#237;nio que vem sendo observado em algumas capitais de &#225;reas metropolitanas<sup>26</sup>. Foi observado decl&#237;nio da mortalidade a partir de 20 anos de idade para o munic&#237;pio de S&#227;o Paulo, entre 1976 e 1983<sup>27</sup>, para a popula&#231;&#227;o idosa de Botucatu, entre 1970 e 1993<sup>19</sup> e para o munic&#237;pio de Goi&#226;nia, de 1980 a 1994<sup>28</sup>.</p>
    <p>Em Maring&#225;, os coeficientes de mortalidade por doen&#231;a isqu&#234;mica do cora&#231;&#227;o, no &#250;ltimo tri&#234;nio estudado, apresentaram valores maiores para os homens, com exce&#231;&#227;o dos 70 a 74 anos e 85 anos e mais, cujo risco foi maior para as mulheres (472,1 contra 445,8 &#243;bitos por 100.000 habitantes de 70 a 74 anos e 1614,8 contra 1139,6 &#243;bitos por 100.000 habitantes de 85 anos e mais) (<xref ref-type="table" rid="t2">tab. II</xref>).</p>
    <p>No Brasil, a diferen&#231;a entre homens e mulheres, v&#237;timas de doen&#231;a coronariana &#233; das menores. Lotufo<sup>26</sup> afirma que tal fato decorre das altas taxas de mortalidade entre as mulheres e n&#227;o das taxas reduzidas entre os homens. Essa afirma&#231;&#227;o corrobora conclus&#227;o sobre os mitos relativos &#224;s doen&#231;as cardiovasculares segundo Laurenti e Buchalla<sup>29</sup>, que comentam que estudos cl&#237;nicos e epidemiol&#243;gicos mostram claramente que a doen&#231;a isqu&#234;mica do cora&#231;&#227;o n&#227;o &#233; doen&#231;a fundamentalmente do homem, mas que ocorre, tamb&#233;m, de maneira significativa entre as mulheres. A id&#233;ia arraigada na popula&#231;&#227;o de que esse grupo de doen&#231;as incide mais em homens pode tamb&#233;m, contribuir para que as mulheres subestimem alguns sintomas espec&#237;ficos, impedindo que se fa&#231;a diagn&#243;stico precoce.</p>
    <p>Para Simons<sup>30</sup>, a queda na mortalidade por doen&#231;a isqu&#234;mica do cora&#231;&#227;o, nos grupos de idade mais jovens, parece ser atribu&#237;da mais &#224; redu&#231;&#227;o da incid&#234;ncia da doen&#231;a do que &#224; redu&#231;&#227;o do n&#250;mero de casos fatais. Para os idosos, segundo o autor, a explica&#231;&#227;o pode estar na melhora dos n&#237;veis de colesterol plasm&#225;ticos, h&#225;bitos alimentares e h&#225;bito de fumar. Al&#233;m disso, acredita-se que a divulga&#231;&#227;o dos resultados de estudos sobre fatores de risco para doen&#231;as isqu&#234;micas do cora&#231;&#227;o, como o de Framingham, influenciaram na mudan&#231;a de estilos de vida na popula&#231;&#227;o e nas interven&#231;&#245;es terap&#234;uticas pelos servi&#231;os de sa&#250;de levando &#224; redu&#231;&#227;o da mortalidade por esta causa<sup>31</sup>.</p>
    <p>Estudos mostram que para os Estados Unidos, entre 1968 e 1976, 60% do decl&#237;nio da mortalidade foi atribu&#237;do &#224;s mudan&#231;as no estilo de vida, principalmente na redu&#231;&#227;o nos n&#237;veis de colesterol s&#233;rico e no controle do tabagismo e 40% decorrente de interven&#231;&#227;o m&#233;dica espec&#237;fica<sup>32</sup>.</p>
    <p>N&#227;o existem estudos em rela&#231;&#227;o &#224; hist&#243;ria natural da doen&#231;a isqu&#234;mica do cora&#231;&#227;o e da diminui&#231;&#227;o da preval&#234;ncia dos fatores de risco, especificamente para a popula&#231;&#227;o idosa em nosso meio. Entretanto, &#233; poss&#237;vel supor que os mesmos fatores, como a queda nos n&#237;veis de colesterol s&#233;rico e, principalmente, a melhoria da assist&#234;ncia m&#233;dica ao infartado, possam ser extrapolados para a popula&#231;&#227;o de Maring&#225;, resultando em n&#237;tida queda no risco de morrer nestes 20 anos estudados.</p>
    <p>Embora o risco de &#243;bito por doen&#231;as cardiovasculares tenha diminu&#237;do, comportamento distinto vem sendo observado quando a tend&#234;ncia da mortalidade &#233; descrita para per&#237;odo mais recente. Estudo desenvolvido por Lotufo<sup>33</sup> levanta uma importante discuss&#227;o a respeito da mortalidade por doen&#231;as cardiovasculares, em especial da doen&#231;a isqu&#234;mica do cora&#231;&#227;o. O autor apresenta resultados sobre mortalidade em adultos de 40 a 79 anos de idade residentes em &#225;reas metropolitanas do Brasil, no per&#237;odo de 1979 a 1998. Enquanto as taxas de mortalidade por doen&#231;as cerebrovasculares vinham declinando, as relativas &#224;s doen&#231;as isqu&#234;micas parece que atingiram um limite a partir do qual n&#227;o t&#234;m mostrado evid&#234;ncia de queda. Observando tamb&#233;m essa tend&#234;ncia para o munic&#237;pio de Maring&#225;, constatou-se decl&#237;nio na mortalidade por doen&#231;a cerebrovascular, mesmo na d&#233;cada de 90, mas o mesmo n&#227;o foi observado para a mortalidade por doen&#231;a isqu&#234;mica do cora&#231;&#227;o que, a partir de 1992, mostrou tend&#234;ncia estacion&#225;ria, principalmente nas mulheres (<xref ref-type="fig" rid="fig3">fig. 3</xref>). Lotufo<sup>33</sup> comenta que, paralelamente ao quadro de queda na mortalidade por doen&#231;a cardiovascular, observada no Brasil, outros estudos v&#234;m mostrando importante aumento na preval&#234;ncia da obesidade. Segundo Monteiro e cols.<sup>34</sup>, a obesidade na popula&#231;&#227;o brasileira (&#237;ndice de massa corp&#243;rea &#179; a 30 kg/m<sup>2</sup>) aumentou de 2,4% para 6,9% para homens e de 7% para 12,5% para mulheres, no per&#237;odo de 1973 a 1996, podendo com isso levar ao crescimento da preval&#234;ncia do diabetes que para os Estados Unidos passou de 4,9% em 1990 para 6,5% em 1998<sup>35</sup>.</p>
    <fig id="fig3">
      <graphic xlink:href="1678-4170-abc-82-06-0533-00006-gf03.jpg"/></fig>
    <p>Para as outras formas de doen&#231;a do cora&#231;&#227;o, os resultados encontrados em Maring&#225;, com queda mais importante na faixa de 75 a 79 anos e aumento a partir de 80 anos de idade, para as mulheres, foram tamb&#233;m descritos por Sutherland e cols.<sup>36</sup>, em an&#225;lise da mortalidade proporcional para os Estados Unidos, entre 1950 e 1986, onde foi encontrado queda no percentual de &#243;bitos por doen&#231;a isqu&#234;mica do cora&#231;&#227;o e aumento nos &#243;bitos por outras formas de doen&#231;a do cora&#231;&#227;o, particularmente na faixa de 85 anos e mais.</p>
    <p>A hipertens&#227;o arterial, se considerada como causa isolada, &#233; a doen&#231;a mais freq&#252;ente na popula&#231;&#227;o adulta, em todo mundo industrializado e em pa&#237;ses em desenvolvimento, principalmente em &#225;reas urbanas<sup>22</sup>.</p>
    <p>Segundo Lessa<sup>22</sup> n&#227;o existe nenhum estudo que possibilite qualquer infer&#234;ncia sobre a preval&#234;ncia da hipertens&#227;o arterial para o Brasil, pois os que existem n&#227;o retratam os atributos da popula&#231;&#227;o, considerando que as macrorregi&#245;es apresentam-se social e economicamente extremamente heterog&#234;neas com desigualdades importantes em v&#225;rios indicadores de sa&#250;de, mas afirma que a preval&#234;ncia da hipertens&#227;o arterial &#233; elevada, muitas vezes entre 20 e 30%, ap&#243;s an&#225;lise dos estudos existentes para regi&#245;es do Brasil.</p>
    <p>Quando analisada como causa de morte, a hipertens&#227;o arterial j&#225; n&#227;o &#233; t&#227;o importante como no passado, devido ao reconhecimento de sua associa&#231;&#227;o com a maioria das doen&#231;as cardiovasculares que nesses casos t&#234;m prioridade na codifica&#231;&#227;o<sup>22</sup>. Nos Estados Unidos, por exemplo, &#233; de apenas 3% a participa&#231;&#227;o da hipertens&#227;o no total dos &#243;bitos<sup>37</sup>. Para o Brasil, em 1979, essa participa&#231;&#227;o foi de 2,39% para pessoas &gt; 15 anos de idade<sup>38</sup> e, para 1988, de 2,8%<sup>22</sup>.</p>
    <p>Para a popula&#231;&#227;o idosa de Maring&#225;, uma das possibilidades para o aumento da mortalidade proporcional e dos coeficientes de mortalidade por hipertens&#227;o, poderia ser atribu&#237;da &#224; ado&#231;&#227;o da 10&#170; Revis&#227;o da CID<sup>11</sup> para codifica&#231;&#227;o das causas de &#243;bito, iniciada em 1996 no munic&#237;pio. Entretanto, observa&#231;&#245;es relativas aos tri&#234;nios intermedi&#225;rios (n&#227;o apresentadas neste trabalho) mostraram que essas modifica&#231;&#245;es j&#225; vinham ocorrendo no tri&#234;nio 1990-1992, per&#237;odo ainda sob vig&#234;ncia da 9&#170; Revis&#227;o da CID<sup>10</sup>.</p>
    <p>Como a literatura aponta para uma queda constante nesses indicadores nas &#250;ltimas d&#233;cadas<sup>18,38</sup> &#233; poss&#237;vel que o comportamento da mortalidade por hipertens&#227;o n&#227;o seja homog&#234;neo para todos os grupos populacionais. Segundo Laurenti<sup>38</sup>, a mortalidade por hipertens&#227;o aumenta com a idade atingindo na popula&#231;&#227;o entre 65 a 74 anos, 100 ou mais vezes do que a popula&#231;&#227;o de 25 a 34 anos. Assim, a tend&#234;ncia de aumento dos indicadores de mortalidade encontrada em Maring&#225; pode refletir caracter&#237;sticas particulares da popula&#231;&#227;o estudada, considerando que na an&#225;lise de tend&#234;ncia da mortalidade por doen&#231;as cardiovasculares &#233; importante que seja analisado se as mudan&#231;as observadas em uma determinada causa poderiam ser explicadas por mudan&#231;as em outras, devido &#224;s varia&#231;&#245;es no uso dos diagn&#243;sticos<sup>39</sup>.</p>
    <p>As conclus&#245;es sobre a tend&#234;ncia observada no munic&#237;pio Maring&#225; devem ser analisadas, examinando tamb&#233;m a magnitude das mudan&#231;as estudadas, considerando que as doen&#231;as cr&#244;nicas no idoso interagem entre si e de maneira complexa. Um dado importante neste estudo, foi o aumento do risco de &#243;bito por hipertens&#227;o, principalmente nas mulheres (<xref ref-type="table" rid="t1">tab. I</xref>). Seria poss&#237;vel que parte da queda observada, tanto na mortalidade por doen&#231;as cerebrovasculares como para a doen&#231;a isqu&#234;mica do cora&#231;&#227;o e outras formas de doen&#231;a do cora&#231;&#227;o, fosse atribu&#237;da &#224; migra&#231;&#227;o de diagn&#243;sticos para a hipertens&#227;o ou, ainda, que a melhora no atendimento m&#233;dico e maior disponibilidade de tecnologia diagn&#243;stica, tenha repercutido no conhecimento mais completo sobre cada doen&#231;a, com possibilidade de diagnostic&#225;-las com maior seguran&#231;a. Como a uniformidade das pr&#225;ticas diagn&#243;sticas e do preenchimento dos atestados de &#243;bito nas duas d&#233;cadas estudadas n&#227;o est&#225; garantida, &#233; poss&#237;vel que de alguma maneira, exista influ&#234;ncia nas mudan&#231;as observadas, tanto para a hipertens&#227;o arterial, como para as outras causas de morte.</p>
    <p>Cabe lembrar que a queda da mortalidade por doen&#231;as cardiovasculares, encontrada em outras localidades e na popula&#231;&#227;o idosa residente em Maring&#225;, n&#227;o reflete necessariamente a menor preval&#234;ncia desses agravos na popula&#231;&#227;o, principalmente se essa redu&#231;&#227;o estiver adaptada ao tratamento e n&#227;o &#224; preven&#231;&#227;o de novos casos.</p>
    <p>De qualquer forma, a queda na mortalidade por doen&#231;as cardiovasculares deve ser considerada uma grande conquista e o aumento da sobrevida da popula&#231;&#227;o idosa deve ser reconhecido e divulgado e esfor&#231;os devem ser instensificados para melhorar ainda mais essa realidade. &#201; importante ainda que os servi&#231;os de sa&#250;de estejam preparados, considerando que s&#227;o co-respons&#225;veis por complica&#231;&#245;es e mortes, muitas delas precoces, decorrentes da qualidade do atendimento oferecido aos pacientes com doen&#231;as cardiovasculares<sup>40</sup>.</p>
    <p>
      <fn id="back10" fn-type="corresp">
        <label>
          <bold> E</bold>
        </label>
        <p>
          <bold>ndere&#231;o para correspond&#234;ncia</bold>
        </p>
        <p> Thais Aidar de Freitas Mathias </p>
        <p> Avenida Colombo, 5790 </p>
        <p> Maring&#225; &#150; PR &#150; Cep 87020-900 </p>
        <p> E-mail: </p>
        <p>
          <email xlink:href="tafmathias@irapida.uem.br">tafmathias@irapida.uem.br</email>
        </p>
      </fn>
    </p>
    <p> Recebido para Publica&#231;&#227;o em 20/2/03 </p>
    <p> Aceito em 16/6/03</p>
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          <article-title>Proportionate mortality trends: 1950 through 1986</article-title>
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          <article-title>Hipertens&#227;o como problema de massa no Brasil: mortalidade por hipertens&#227;o arterial como causa b&#225;sica</article-title>
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          <article-title>Trends in mortality, incidence and case fatality of ischaemic heart disease in Denmark, 1982-1992</article-title>
          <source>Int J Epidemiol</source>
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          <subject>Original Articles</subject>
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      <title-group>
        <article-title xml:lang="en">Cardiovascular diseases in the elderly: analysis of the behavior of mortality in a municipality in the Southern Region of Brazil from 1979 to 1998</article-title>
      </title-group>
      <abstract xml:lang="en">
        <p>OBJECTIVE: To know the behavior of mortality due to cardiovascular diseases in the elderly living in the municipality of Maring&#225;, in the Brazilian state of Paran&#225;. METHODS: The causes of death over 20 years were studied according to sex, age, and groupings of the International Classification of Diseases, 9th and 10th Revisions, using the mortality database of the Ministry of Health. RESULTS: In regard to total deaths in the elderly, the proportional mortality due to cerebrovascular disease and ischemic heart disease decreased 42.5% and 34.4%, respectively, while that due to hypertension increased 119%, increasing from 2.1% to 4.6%. A 51.2%, 44.6%, and 12.5% decrease occurred, respectively, in the risk of death due to cerebrovascular disease, ischemic heart disease, and other forms of heart disease. For cerebrovascular disease and ischemic heart disease, the decrease in the estimate of the risk of death was greater among women, while for the other forms of heart disease, the decrease was greater among men. In regard to age groups, the risk of death increases as age advances for each cardiovascular disease in both sexes. CONCLUSION: Cardiovascular diseases continue to play an important role in morbidity and mortality in the elderly population, requiring even greater effort from health care providers for their prevention and treatment.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="en">
        <kwd>cardiovascular diseases</kwd>
        <kwd>elderly</kwd>
        <kwd>mortality</kwd>
      </kwd-group>
    </front-stub>
    <body>
      <p>
        <bold>ORIGINAL ARTICLE</bold>
      </p>
      <p>Cardiovascular diseases in the elderly. Analysis of the behavior of mortality in a municipality in the Southern Region of Brazil from 1979 to 1998</p>
      <p>
        <bold>Thais Aidar de Freitas Mathias; Maria Helena Prado de Mello Jorge; Ruy Laurenti</bold>
      </p>
      <p> Universidade Estadual de Maring&#225; &#150; Departamento de Enfermagem Maring&#225;, PR - Brazil</p>
      <p>
        <xref ref-type="corresp" rid="back10-body2">Correspondence</xref>
      </p>
      <p>
        <bold>ABSTRACT</bold>
      </p>
      <p><bold>OBJECTIVE: </bold> To know the behavior of mortality due to cardiovascular diseases in the elderly living in the municipality of Maring&#225;, in the Brazilian state of Paran&#225;.</p>
      <p><bold>METHODS: </bold>The causes of death over 20 years were studied according to sex, age, and groupings of the International Classification of Diseases, 9th and 10th Revisions, using the mortality database of the Ministry of Health.</p>
      <p><bold>RESULTS: </bold>In regard to total deaths in the elderly, the proportional mortality due to cerebrovascular disease and ischemic heart disease decreased 42.5% and 34.4%, respectively, while that due to hypertension increased 119%, increasing from 2.1% to 4.6%. A 51.2%, 44.6%, and 12.5% decrease occurred, respectively, in the risk of death due to cerebrovascular disease, ischemic heart disease, and other forms of heart disease. For cerebrovascular disease and ischemic heart disease, the decrease in the estimate of the risk of death was greater among women, while for the other forms of heart disease, the decrease was greater among men. In regard to age groups, the risk of death increases as age advances for each cardiovascular disease in both sexes.</p>
      <p><bold>CONCLUSION: </bold>Cardiovascular diseases continue to play an important role in morbidity and mortality in the elderly population, requiring even greater effort from health care providers for their prevention and treatment.</p>
      <p><bold>Key words: </bold>cardiovascular diseases, elderly, mortality</p>
      <p>The absolute and relative increase in the population over the age of 60 years is a worldwide phenomenon. According to the 2000 census, the elderly in Brazil comprised 14,546,029 people, representing a 35.6% increase compared with the number in 1991. The estimates point towards the possibility that in the next 20 years the elderly will exceed 30 million in Brazil, accounting for approximately 13% of the population. The drop in the fertility rate is still the major cause of the reduction in the number of children, but the increase in life expectancy has progressively contributed to the increase in the elderly population <sup>1</sup>. Therefore, it is necessary to know the health status of this part of the population, and one of the most valuable sources of data is represented by mortality statistics, which also constitute the most traditional and one of the most effective methods for assessing the health status of populations <sup>2</sup>.</p>
      <p>The analyses of the causes of death of people aged &gt; 65 years have shown that, in the United States, heart diseases, cancer, and cerebrovascular disease are the major causes of death, accounting for 41.6%, 20.7%, and 8.7%, respectively <sup>3</sup>. According to Beaglehole <sup>4</sup>, ischemic heart disease is the major cause of death in industrialized countries, accounting for 30% of all deaths each year.</p>
      <p>In Brazil, the reduction in mortality due to infectious and parasitic diseases between 1930 and 1985 was 471%, while cardiovascular diseases and neoplasias increased 208% and 322%, respectively, in the same period <sup>5</sup>. In the 1980s, the coefficient of mortality due to cardiovascular diseases increased 13.3%, and, in the first years of the 1990s, those diseases were the first cause of death, accounting approximately for 34% of the deaths in the country <sup>6</sup>.</p>
      <p>Description or knowledge of the health status of the population, even when indirectly assessed through data on mortality, is important, because it may propitiate the generation of causal hypotheses, in addition to contributing to the development of health programs and policies, specifically in this study, for the elderly population.</p>
      <p>Maring&#225; is a medium-sized municipality in the northwest of the state of Paran&#225;. It has 288,653 inhabitants <sup>1</sup>, and it, as well as other places, has experienced an increase in its elderly population. In 1960, the elderly were 3.5% of the total population, and, in 1996, this percentage reached 7.9% <sup>7,8</sup>. Therefore, the health characteristics of the population needed to be known. This study provided such information by analyzing the behavior of mortality due to cardiovascular diseases for the population aged 60 years or more in the municipality of Maring&#225;.</p>
      <p>
        <bold>Methods</bold>
      </p>
      <p>Deaths from 1979 to 1998 of residents of Maring&#225; aged 60 years or more were analyzed and grouped into 4 triennia. Data on death were obtained from the System of Information on Mortality of the Ministry of Health, which compiles information from death certificates in the CD-ROM format <sup>9</sup>. The death certificates are completed by physicians and encoded by a team from the Sector of Epidemiology of the Municipal Secretariat of Health. The basic causes of death were analyzed according to sex and age and were studied according to groupings of the International Classification of Diseases, 9th and 10th Revisions (ICD-9 and ICD-10) <sup>10,11</sup>. The causes of death studied were as follows: cerebrovascular disease (ICD-9: 430.0 - 438.9; ICD-10: I60.0 - I69.9), ischemic heart disease (ICD-9: 410.0 &#150; 414.9; ICD-10: I20.0 &#150; I25.9), other forms of heart disease (such as cardiomyopathies and heart failure) (ICD-9: 420.0 &#150; 429.9; ICD-10: I30.0 &#150; I52.9) and hypertension (ICD-9: 401.0 &#150; 405.9; ICD-10: I10.0 &#150; I15.9). The data on population were obtained from the statistical yearly publication of the Brazilian Institute of Geography and Statistics <sup>8,12,13</sup>, and, for the years between the census, data estimated by the Nucleus of Population Studies of the UNICAMP were used <sup>14</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Results</bold>
      </p>
      <p>The analysis of mortality in the elderly residents of Maring&#225; showed that the most frequent known causes in decreasing order of importance in that age group were as follows: diseases of the circulatory system, neoplasias, and diseases of the respiratory system. However, some changes were observed, among which a 23.6% drop in the relative weight of the diseases of the circulatory system stands out; these, however, remain the major cause of death among the elderly.</p>
      <p>In the first triennium, cerebrovascular disease accounted for 24% of the deaths, but with a 42.5% drop, it declined to 13.8% in the last triennium, remaining the major cause of death in the elderly population of Maring&#225;. A significant change in mortality regarding sex occurred as follows: in the beginning of the period, the relative participation was greater for women (26.2%) as compared with that for men (22.3%); at the end, however, as a more significant decrease occurred in the mortality of women, the mortality of men became slightly greater than that of women (14.2% versus 13.3%, respectively). In regard to coefficients, a greater decrease was observed for women (57.8%) than for men (44%) (<xref ref-type="table" rid="en_20704t1-body2">tab. I</xref>).</p>
      <p content-type="asset">
        <table-wrap id="en_20704t1-body2">
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      </p>
      <p><xref ref-type="fig" rid="en_20704f1-body2">Figure 1</xref> offers a more detailed analysis according to sex and age, showing an increasing trend in the risk of death due to cerebrovascular disease as age advances, which was similar in both sexes and in the 2 extreme triennia. The drop in the rates for men aged 60 to 64 years and over 85 years was only 2.2% and 5.1%, respectively; on the other hand, for the other age groups, this difference ranged from 48.8% for men aged 80 to 84 years to 61.6% for those aged 75 to 79 years (<xref ref-type="table" rid="en_20704t2-body2">tab. II</xref>). In the entire period, the risk of death due to cerebrovascular disease was greater for men, except for those over the age of 80 years in the first triennium, and those aged 75 to 79 years in the last triennium (<xref ref-type="fig" rid="en_20704f2-body2">fig. 2</xref>).</p>
      <p content-type="asset">
        <fig id="en_20704f1-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-82-06-0533-00006-gf01-en.jpg"/></fig>
      </p>
      <p content-type="asset">
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      </p>
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      </p>
      <p>Ischemic heart disease continues to be the second cause of death among the elderly. It accounts for, at the end of the period, 10.2% and 11.2% of all deaths among men and women, respectively. However, a 34.4% decrease was observed in the mortality coefficient, which decreased from 739.2 to 409.8 deaths for each 100,000 inhabitants, greater for the female population (48.8%) than the male population (39.7%) (<xref ref-type="table" rid="en_20704t1-body2">tab. I</xref>).</p>
      <p>In regard to age, the mortality coefficients for men decreased, except for the age group of 65 to 69 years; on the other hand, for women, a decrease was observed in all age groups (<xref ref-type="fig" rid="en_20704f1-body2">fig. 1</xref>). The most significant decreases in the mortality coefficient occurred among the most elderly in both sexes (<xref ref-type="table" rid="en_20704t2-body2">tab. II</xref>).</p>
      <p>The proportional mortality due to other forms of heart disease increased 3.3%, increasing from 9.2% to 9.5% of the deaths in the elderly (<xref ref-type="table" rid="en_20704t1-body2">tab. I</xref>), a behavior that differed between the sexes. For the male sex, a 10.6% drop was observed, and, for the female sex, a 15.7% increase was observed, suggesting migration from one diagnosis to the other. The estimate of the risk of death decreased in both sexes, more intensely in the male sex (21% versus 3.5% in the female) (<xref ref-type="table" rid="en_20704t1-body2">tab. I</xref>). <xref ref-type="fig" rid="en_20704f2-body2">Figure 2</xref> shows, in the last triennium, more linear curves with similar coefficients for men and women in all age groups, and, as for the other causes, the risk of death increases as age advances.</p>
      <p>The proportional mortality due to hypertension increased 119%, and the coefficient increased 87.8% (<xref ref-type="table" rid="en_20704t1-body2">tab. I</xref>); these variations occurred in both sexes, being more significant in the female sex. Until 1992, proportional mortality was similar between the sexes, but, due to the more significant increase observed in the female sex (160% versus 91% in the male sex), the difference increased, and hypertension is currently more frequent in deaths of elderly women (5.2% versus 4.2% in men) (<xref ref-type="table" rid="en_20704t1-body2">tab. I</xref>). <xref ref-type="fig" rid="en_20704f1-body2">Figure 1</xref> shows a mild tendency towards an increase in the estimate of the risk of death due to hypertension with age, from 70 years and above for men, and from 80 years and above for women.</p>
      <p>
        <bold>Discussion</bold>
      </p>
      <p>In all countries, the diseases of the circulatory system are a set of affections with diverse etiologies and clinical manifestations, playing an important role in the structure of morbidity and mortality <sup>15</sup>. Data on mortality in Brazil show that, in 1994, excluding the ill-defined causes, cerebrovascular disease accounted for 11.3% of all deaths, while ischemic heart diseases accounted for 9.3%. Of the diseases of the circulatory system, cerebrovascular disease contributed with 33.9%, while ischemic heart diseases contributed with 28% <sup>16</sup>.</p>
      <p>Considering mortality in the general population, ischemic heart diseases have assumed a greater importance, replacing cerebrovascular disease. According to Lessa et al <sup>17</sup>, a tendency towards inversion exists in the causes of death, with cerebrovascular disease decreasing in importance, as occurred in Brazil in regions and capitals with better social and economic situations (south and southeast).</p>
      <p>Lotufo <sup>18</sup> concludes that the transition in mortality trends for the state of S&#227;o Paulo was more accelerated than that for the rest of the country, with ischemic heart diseases predominating over cerebrovascular disease, which, according to the author, results both from urbanization and adoption of western lifestyles, and also the ethnic composition of the population of the state of S&#227;o Paulo.</p>
      <p>In the municipality of Botucatu, also in the state of S&#227;o Paulo, this phenomenon in mortality was also observed in the elderly population. In 1970, the proportional mortality for cerebrovascular and ischemic diseases was 22.58% and 17.97%, respectively, and, in 1993, it was 10.47% and 14.48%, respectively <sup>19</sup>.</p>
      <p>In the municipality of Maring&#225;, this inversion process may be beginning with a drop in the difference or approximation in the relative values and in the coefficients of mortality due to cerebrovascular and ischemic heart diseases. In fact, although at the end of the period, proportional mortality due to cerebrovascular disease is still greater than that due to ischemic heart disease (13.8% versus 10.7%), the difference between them, from the first to the last triennium, decreased from 7.7 to 3.1 percentage points (<xref ref-type="table" rid="en_20704t1-body2">tab. I</xref>).</p>
      <p>Uemura and Pisa <sup>20</sup>, in a study carried out from 1950 to 1985, reported that, in several countries, a consistent decrease in mortality due to cerebrovascular disease had been observed since the beginning of the 1950s, occurring faster in the second half of the period. The relative decrease in mortality rates was greater than 50% in Japan (67%), Australia (55%), the United States (55%), and Israel (52%) for men, and greater than 60% for women in Japan (66%) and Malta (68%).</p>
      <p>In the United States, the results of the Minnesota Heart Survey showed that, from 1960 to 1990, the coefficients for mortality due to cerebrovascular disease dropped more than 50%, while the mean blood pressure in the population also decreased, and the antihypertensive treatment increased from 1973 to 1987 <sup>21</sup>.</p>
      <p>Lotufo <sup>18</sup> reported that, in the State of S&#227;o Paulo from 1970 to 1989, the rates for cerebrovascular disease did not change in the younger, but showed a significant decrease for those aged &gt; 60 years, in both sexes. That author also reported that the decrease observed was smaller than that in other countries, being in an intermediate situation with that in eastern European countries. That author attributed the lack of improvement in the mortality coefficients in the younger to the greater prevalence of subarachnoid hemorrhage in that age group with a greater lethality due to less preventable genetic determinants. Understanding the decline at ages &gt; 60 years found in the study is not an easy task, because it involves a series of facts ranging from the lack of information on the type of the stroke causing death, to changes in the quality of filling out the death certificate, control of hypertension, and improvement in the medical care to patients <sup>18</sup>.</p>
      <p>The discussions about the causes that have directly contributed to the drop in mortality due to cerebrovascular disease involve other factors, such as the importance of antihypertensive treatment, which has increased, at least in the communities where studies accompanying these variables are conducted. Strokes of the hemorrhagic type are always more severe, and, according to Lessa <sup>22</sup>, arterial hypertension, which is untreated, noncontrolled, or even unknown to the patient, is present in 100% of these cases.</p>
      <p>However, one of the conclusions of the Minnesota Heart Survey reported that the antihypertensive treatment had a small effect on the decline in mortality rates due to cerebrovascular disease, because the use of medications only partially explains the decline in the mean blood pressure of the population <sup>23</sup>. The potential of the antihypertensive treatment has not yet been reached in the community studied, because between 3 and 10 hypertensive individuals continue without treatment, and, in addition, the time interval between the first diagnosis and the beginning of treatment may still be reduced, improving the relation between blood pressure levels and mortality due to stroke <sup>23</sup>. In addition, the causes of drops in the mean blood pressure observed in a population level, even considering the increase in antihypertensive treatment, remained unclear. The increase in physical activity, better weight control, and drop in alcohol and salt consumption are relevant factors that deserve to be studied.</p>
      <p>Evidence exists that the prevalence of smoking has decreased since 1964 in the United States <sup>23</sup>, and this may have directly influenced the decline in mortality rates. In addition, as smoking has also been related to educational level, it is important to explore the relation of socioeconomic level and mortality due to stroke <sup>23</sup>. Another result reported by the Minnesota Heart Survey is the drop in the mean serum levels of total cholesterol in the population between 1973 and 1987, which may be related, even if to a minor extent, to the reduction in mortality due to thromboembolic strokes.</p>
      <p>Another possibility is that the reduction in mortality due to heart diseases in recent decades may have indirectly contributed to the decline in mortality due to cerebrovascular disease. According to Wolf <sup>24</sup> and Benjamin et al <sup>25</sup>, atrial fibrillation, myocardial infarction, and the reduction in left ventricular function may generate heart thrombosis, resulting in stroke. Lotufo <sup>18</sup> states that, although this impact should be better assessed, the use of antiplatelet agents, such as acetylsalicylic acid, after transient cerebral ischemic episodes became popular among physicians as primary prevention, also influencing the natural history of cerebrovascular disease.</p>
      <p>All these factors may be extrapolated to the population residing in Maring&#225;, if the treatment trends, diagnostic techniques, and medical managements progressively incorporated into the health services are considered.</p>
      <p>In all Brazilian regions, ischemic heart disease is an important cause of death with persistent high rates, despite the decline that has been observed in some metropolitan area capitals <sup>26</sup>. A decline in mortality has been observed from the age of 20 years onwards in the municipality of S&#227;o Paulo between 1976 and 1983 <sup>27</sup>, for the elderly population of Botucatu between 1970 and 1993 <sup>19</sup>, and in the municipality of Goi&#226;nia between 1980 and 1994 <sup>28</sup>.</p>
      <p>In Maring&#225;, the coefficients of mortality due to ischemic heart disease in the last triennium studied showed greater values for men, except for the ages 70 to 74 years and 85 years or more, whose risk was greater for females (472.1 versus 445.8 deaths per 100,000 inhabitants aged 70 to 74 years, and 1614.8 versus 1139.6 deaths per 100,000 inhabitants aged 85 years or more) (<xref ref-type="table" rid="en_20704t2-body2">tab. II</xref>).</p>
      <p>In Brazil, the difference between men and women with coronary heart disease is one of the smallest. Lotufo <sup>26</sup> states that this fact results from the high mortality rates among women and not from the reduced rates among men. This statement confirms the conclusion about the myths regarding cardiovascular diseases according to Laurenti and Buchalla <sup>29</sup>, who reported that clinical and epidemiological studies clearly showed that ischemic heart disease is not fundamentally a disease of men, but it also affects women significantly. The false belief that this group of diseases affects mainly men may also have led women to underestimate some specific symptoms, preventing an early diagnosis from being made.</p>
      <p>For Simons <sup>30</sup>, the drop in mortality due to ischemic heart disease in the younger seems to be attributed more to a reduction in the incidence of the disease then to a reduction in the number of fatal cases. For the elderly, according to the author, the explanation may lie in the improvement of serum cholesterol levels, dietary habits, and smoking habit. In addition, the report of the results of studies on risk factors for ischemic heart disease, such as the Framingham study, is believed to have influenced the change in lifestyle of the population and therapeutic interventions by the health services leading to a reduction in mortality due to that cause <sup>31</sup>.</p>
      <p>Studies have shown that in the United States, between 1968 and 1976, 60% of the decline in mortality was attributed to changes in lifestyle, mainly the reduction in serum cholesterol levels and smoking cessation, and 40% of the decline was attributed to specific medical intervention <sup>32</sup>.</p>
      <p>No studies on the natural history of ischemic heart disease and of the prevalence of risk factors exist, specifically for the elderly population in Brazil. However, one may think that the same factors, such as the drop in serum cholesterol levels, and, mainly, the improvement in medical care to the infarcted patient, may be extrapolated to the population of Maring&#225;, resulting in a clear reduction in the risk of death over the 20 years studied.</p>
      <p>Although the risk of death due to cardiovascular diseases has decreased, a distinct behavior has been observed in regard to mortality trends reported for a more recent period. A study developed by Lotufo <sup>33</sup> raised an important discussion about mortality due to cardiovascular diseases, mainly ischemic heart disease. The author reported results on mortality in adults aged from 40 to 79 years living in Brazilian metropolitan areas from 1979 to 1998. While the mortality rate due to cerebrovascular diseases has been declining, the mortality rate due to ischemic diseases seems to have reached a limit from which no trend towards a decline has been evidenced. This trend has also been observed for the municipality of Maring&#225;, in which a decline in mortality due to cerebrovascular disease occurred, even in the 1990s. This decline, however, was not observed for mortality due to ischemic heart disease, which, from 1992 onwards, showed a stationary trend, mainly among women (<xref ref-type="fig" rid="fig3-body2">fig. 3</xref>). Lotufo <sup>33</sup> reported that, parallel to the decline in mortality due to cardiovascular disease in Brazil, other studies have shown an important increase in the prevalence of obesity. According to Monteiro et al <sup>34</sup>, obesity in the Brazilian population (body mass index <underline>&gt;</underline> 30 kg/m<sup>2</sup>) increased from 2.4% to 6.9% for men and from 7% to 12.5% for women from 1973 to 1996, and this may lead to an increase in the prevalence of diabetes, which, in the United States, increased from 4.9% in 1990 to 6.5% in 1998 <sup>35</sup>.</p>
      <fig id="fig3-body2">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-82-06-0533-00006-gf03-en.jpg"/></fig>
      <p>For the other forms of heart disease, the results found in Maring&#225;, with a more important drop in the age group from 75 to 79 years and an increase in the age group of 80 years and over for females, were similar to those reported by Sutherland et al <sup>36</sup>. These authors, in a study on proportional mortality in the United States between 1950 and 1986, found a reduction in the percentage of deaths due to ischemic heart disease and an increase in the deaths due to other forms of heart disease, mainly in the age group of 85 years and over.</p>
      <p>Arterial hypertension, if considered in isolation, is the most frequent disease in the adult population in the entire industrialized world and in developing countries, mainly in urban areas <sup>22</sup>.</p>
      <p>According to Lessa <sup>22</sup>, no study exists enabling the inference about the prevalence of arterial hypertension in Brazil, because the existing ones do not portray the characteristics of the population, because the macroregions are socially and economically extremely heterogeneous with significant inequalities in several health indicators. That author, however, states that the prevalence of arterial hypertension is elevated, many times between 20 and 30%, after analyzing the existing studies for the Brazilian regions.</p>
      <p>When analyzed as a cause of death, arterial hypertension is not as important as it was in the past, due to the recognition of its association with most cardiovascular diseases, which are prioritized in codification <sup>22</sup>. In the United States, for example, the participation of hypertension in the total of deaths is only 3% <sup>37</sup>. For Brazil, in 1979, this participation was 2.39% of the people &gt; 15 years of age <sup>38</sup>, and, in 1988, it was 2.8% <sup>22</sup>.</p>
      <p>For the elderly population of Maring&#225;, one of the possibilities for the increase in proportional mortality and in the coefficients of mortality due to hypertension could be the adoption of the 10th Revision of the ICD <sup>11</sup> for codifying the causes of death, initiated in 1996 in the municipality. However, observations relative to the intermediate triennium (not presented in this study) showed that these modifications had already occurred in the 1990-1992 triennium, a period still under the 9th Revision of the ICD <sup>10</sup>.</p>
      <p>As the literature has pointed to a constant decrease in these indicators in recent decades <sup>18,38</sup>, the behavior of mortality due to hypertension may not be homogeneous for all population groups. According to Laurenti <sup>38</sup>, mortality due to hypertension increases with age, reaching, in the population aged 65 to 74 years, 100 or more times that in the population aged 25 to 34 years. Therefore, the trend towards an increase in the indicators of mortality found in Maring&#225; may reflect particular characteristics of the population studied, considering that in the analysis of the trends in mortality due cardiovascular diseases, it is important to assess whether the changes observed in a certain cause may be explained by changes in another due to variations in the use of diagnoses <sup>39</sup>.</p>
      <p>The conclusions about the trend observed in the municipality of Maring&#225; should be analyzed examining also the magnitude of the changes studied, considering that the chronic diseases in the elderly interact among themselves in a complex manner. An important finding in this study was the increase in the risk of death due to hypertension, mainly in women (<xref ref-type="table" rid="en_20704t1-body2">tab. I</xref>). The decline in mortality due to both cerebrovascular diseases and ischemic heart disease and other forms of heart disease could be partly attributed to the migration of diagnoses to hypertension. Still, the improvement in medical care and greater availability of diagnostic technology may have resulted in a more complete knowledge about each disease, with the possibility of a safer diagnosis. Because the uniformity of the diagnostic practices and of the filling out of death certificates in the 2 decades studied is not guaranteed, influence may somehow exist in the changes observed, both for arterial hypertension and the other causes of death.</p>
      <p>It is worth noting that the decrease in mortality due to cardiovascular diseases found in other places and in the elderly population living in Maring&#225; does not necessarily reflect the smaller prevalence of these aggravating elements in the population, mainly if this reduction is adapted to treatment and not prevention of new cases.</p>
      <p>Nevertheless, the drop in mortality due to diseases should be considered a great achievement and the increase in survival of the elderly population should be recognized and spread, and efforts should be intensified to improve even more this reality. It is important that health care providers be prepared, considering that they are co-responsible for complications and deaths, which are sometimes early, resulting from the quality of the health care provided for cardiovascular diseases <sup>40</sup>.</p>
      <p>
        <bold>References</bold>
      </p>
      <p>
        <fn id="back10-body2" fn-type="corresp">
          <p>Correspondence to</p>
          <p> Thais Aidar de Freitas Mathias </p>
          <p> Av. Colombo, 5790</p>
          <p> Maring&#225;, PR, Brazil - Cep 87020-900</p>
          <p> E-mail: </p>
          <p>
            <email xlink:href="tafmathias@uem.br">tafmathias@uem.br</email>
          </p>
        </fn>
      </p>
      <p>Received: 20/2/03</p>
      <p> Accepted: 16/6/03</p>
      <p>English version by Stela Maris Costalonga</p>
    </body>
  </sub-article>
</article>
