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        <article-title>Preval&#234;ncia em Evid&#234;ncia: As Valvopatias que Dominam o Cen&#225;rio Brasileiro</article-title>
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        <corresp id="c1"><label>Correspond&#234;ncia:</label><bold>Ana Teresa Tim&#243;teo</bold> &#8226; Hospital Santa Marta - Rua Santa Marta, <postal-code>1110</postal-code>. Lisboa &#8211; Portugal E-mail: <email>ana.timoteo@nms.unl.pt</email> </corresp>
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        <title>Palavras-chave</title>
        <kwd>Valvopatia</kwd>
        <kwd>Preval&#234;ncia</kwd>
        <kwd>Brasil</kwd>
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    <p>A doen&#231;a valvar &#233; uma patologia cardiovascular muito prevalente, estimando-se que atinja mais de 2% da popula&#231;&#227;o, e est&#225; associada ao aumento da mortalidade.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref></sup> No entanto, a maioria dos estudos epidemiol&#243;gicos &#233; realizada em pa&#237;ses de alta renda, e sabemos que as caracter&#237;sticas variam de acordo com o pa&#237;s e a regi&#227;o do mundo. De fato, em pa&#237;ses de alta renda, predomina a doen&#231;a valvar degenerativa, enquanto nos pa&#237;ses de renda mais baixa a patologia reum&#225;tica e infecciosa ainda &#233; muito prevalente. As condi&#231;&#245;es socioecon&#244;micas tamb&#233;m t&#234;m implica&#231;&#245;es importantes no diagn&#243;stico e no tratamento dessa patologia.</p>
    <p>Dados do <italic>EURObservational Research Programme Valvular Heart Disease</italic> II (EORP-VHD II) <italic>Survey</italic>, com participantes de 28 pa&#237;ses europeus, com idade m&#233;dia de 71 anos, relataram a estenose valvar a&#243;rtica como a doen&#231;a valvar mais frequente, presente em 41% dos pacientes, seguida &#224; dist&#226;ncia pela regurgita&#231;&#227;o mitral, regurgita&#231;&#227;o a&#243;rtica e estenose mitral.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B2">2</xref></sup> A etiologia degenerativa foi a mais comum, com exce&#231;&#227;o da estenose mitral, em que a etiologia reum&#225;tica predominou. Esse registro refor&#231;ou os resultados do EORP-VHD inicial, realizado em 2001.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B3">3</xref></sup> O aumento da estenose a&#243;rtica, ser&#225; provavelmente consequ&#234;ncia do envelhecimento populacional, e a redu&#231;&#227;o da estenose mitral reum&#225;tica, resultante da diminui&#231;&#227;o da febre reum&#225;tica na Europa. Dados publicados recentemente no ATLAS da <italic>European Society of Cardiology</italic> tamb&#233;m destacam que as doen&#231;as valvares, continuam aumentando em preval&#234;ncia e s&#227;o respons&#225;veis por milhares de mortes anualmente.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B4">4</xref></sup></p>
    <p>O artigo desta edi&#231;&#227;o dos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, de Schmitz et al., busca avaliar o peso da doen&#231;a valvar e sua associa&#231;&#227;o com mortalidade no Brasil.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B5">5</xref></sup> Para isso, analisa a coorte do Estudo Longitudinal de Sa&#250;de de Adultos &#8211; Brasil (ELSA-Brasil), que investigou a presen&#231;a de doen&#231;as cardiovasculares e diabetes em funcion&#225;rios de institui&#231;&#245;es de ensino ou pesquisa. Para este estudo, foram selecionados os indiv&#237;duos que realizaram ecocardiograma transtor&#225;cico. Trata-se de uma coorte de grandes dimens&#245;es (3.267 participantes) e representativa do Brasil, uma vez que foi conduzida em seis estados. Os pacientes foram divididos de acordo com a gravidade da doen&#231;a valvar (nenhuma, leve e moderada/grave). O grupo moderada/grave era composto por indiv&#237;duos mais velhos, com mais comorbidades, e a doen&#231;a valvar mais frequente foi a regurgita&#231;&#227;o mitral, seguida pela regurgita&#231;&#227;o a&#243;rtica e tric&#250;spide. &#201; tamb&#233;m um grupo caracterizado por maior remodelamento card&#237;aco. Esse grupo apresentou risco elevado de mortalidade em 10 anos (HR 3,7), independentemente da idade, sexo e hipertens&#227;o. A regurgita&#231;&#227;o tric&#250;spide foi mais associada ao sexo feminino.</p>
    <p>Este estudo &#233; muito relevante, e os autores demonstraram que, no Brasil, a doen&#231;a valvar &#233; muito frequente na comunidade, aumenta com a idade e que a presen&#231;a de doen&#231;a moderada/grave est&#225; associada a mais comorbidades, maior remodelamento card&#237;aco, pior fun&#231;&#227;o sist&#243;lica e impacto na mortalidade a longo prazo. Ressaltamos, contudo, que esta an&#225;lise apresenta algumas limita&#231;&#245;es que podem influenciar a interpreta&#231;&#227;o.</p>
    <p>Por um lado, o grupo com doen&#231;a moderada/grave representa apenas 2,4% dos participantes, ou seja, apenas 70 indiv&#237;duos. Assim, o poder estat&#237;stico &#233; bastante limitado e n&#227;o permitiu melhor caracteriza&#231;&#227;o de cada uma das doen&#231;as valvares encontradas. Outra limita&#231;&#227;o importante decorre da popula&#231;&#227;o selecionada para o estudo. S&#227;o, sobretudo, funcion&#225;rios de institui&#231;&#245;es e apenas at&#233; 75 anos. Por esse motivo, indiv&#237;duos de meios sociais mais desfavorecidos ou mais idosos n&#227;o foram inclu&#237;dos. De fato, a idade m&#233;dia dos participantes foi de 61 anos. Trata-se, portanto, de uma popula&#231;&#227;o selecionada, e os resultados poderiam ser diferentes se a amostra fosse mais ampla e representativa. Isso &#233; particularmente evidente nos resultados apresentados, em que a estenose valvar a&#243;rtica n&#227;o apresenta preval&#234;ncia relevante, ao contr&#225;rio de muitas outras s&#233;ries. Isso pode refletir uma caracter&#237;stica espec&#237;fica do pa&#237;s, mas &#233; facilmente explicado pela aus&#234;ncia de pacientes muito idosos (&gt; 75 anos) na coorte analisada.</p>
    <p>Outra d&#250;vida que pode ser levantada diz respeito ao seguimento dos pacientes com doen&#231;a valvar moderada/grave. &#201; plaus&#237;vel que alguns desses pacientes tenham sido submetidos a interven&#231;&#227;o ao longo do seguimento (cerca de 10 anos), e n&#227;o est&#225; claro se esses indiv&#237;duos foram exclu&#237;dos da an&#225;lise a partir do momento da interven&#231;&#227;o. Esse &#233; um fator de vi&#233;s importante na interpreta&#231;&#227;o dos resultados.</p>
    <p>Em conclus&#227;o, este importante subestudo do registro ELSA-Brasil permite caracterizar melhor a preval&#234;ncia da doen&#231;a valvar no Brasil e demonstra o impacto progn&#243;stico da doen&#231;a valvar moderada/grave. Contudo, as limita&#231;&#245;es mencionadas recomendam cautela na generaliza&#231;&#227;o dos resultados apresentados.</p>
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        <p>Minieditorial referente ao artigo: Epidemiologia e Mortalidade da Doen&#231;a Valvar Card&#237;aca em Adultos Brasileiros: Achados da Coorte ELSA-Brasil</p>
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      <title>Refer&#234;ncias</title>
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          <article-title>European Society of Cardiology: Cardiovascular Disease Statistics 2025</article-title>
          <source>Eur Heart J</source>
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          <pub-id pub-id-type="doi">10.1093/eurheartj/ehag345</pub-id>
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        <mixed-citation>4 Timmis A, Petersen SE, van Belle E, Townsend N, Conrad N, Kaplon-Cieslicka A, et al. European Society of Cardiology: Cardiovascular Disease Statistics 2025. Eur Heart J. 2026:ehag345. doi: 10.1093/eurheartj/ehag345.</mixed-citation>
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        <label>5</label>
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              <surname>Schmitz</surname>
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          <article-title>Epidemiologia e Mortalidade da Doen&#231;a Valvar Card&#237;aca em Adultos Brasileiros: Achados da Coorte ELSA-Brasil</article-title>
          <source>Arq Bras Cardiol</source>
          <year>2026</year>
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        <mixed-citation>5 Schmitz GB, Pianca EG, Nunes MCP, Duncan BB, Foppa M, Santos ABS. Epidemiologia e Mortalidade da Doen&#231;a Valvar Card&#237;aca em Adultos Brasileiros: Achados da Coorte ELSA-Brasil. Arq Bras Cardiol. 2026; 123(6):e20260060. DOI: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10.36660/abc.20260060">https://doi.org/10.36660/abc.20260060</ext-link>.</mixed-citation>
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      <article-id pub-id-type="doi">10.36660/abc.20260464i</article-id>
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          <subject>Short Editorial</subject>
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        <article-title>Prevalence in Evidence: Valvular Heart Diseases Dominating the Brazilian Scenario</article-title>
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          <institution content-type="original">Servi&#231;o de Cardiologia, Hospital Santa Marta, ULS S&#227;o Jos&#233;, Lisboa &#8211; Portugal</institution>
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          <country country="PT">Portugal</country>
          <institution content-type="original">NOVA Medical School, Lisboa &#8211; Portugal</institution>
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        <corresp id="c2"><label>Mailing Address:</label><bold>Ana Teresa Tim&#243;teo</bold> &#8226; Hospital Santa Marta - Rua Santa Marta, <postal-code>1110</postal-code>. Lisboa &#8211; Portugal E-mail: <email>ana.timoteo@nms.unl.pt</email> </corresp>
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        <title>Keywords</title>
        <kwd>Valvular Heart Disease</kwd>
        <kwd>Prevalence</kwd>
        <kwd>Brazil</kwd>
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    <body>
      <p>Valvular heart disease is a highly prevalent cardiovascular condition, estimated to affect more than 2% of the population, and is associated with increased mortality.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref></sup> However, most epidemiological studies are conducted in high-income countries, and we know that the characteristics vary according to the country and region of the world. In fact, degenerative valvular heart disease predominates in high-income countries, while rheumatic and infectious diseases are still very prevalent in lower-income countries. Socioeconomic conditions also have important implications for the diagnosis and treatment of this condition.</p>
      <p>Data from the EURObservational Research Programme Valvular Heart Disease II (EORP-VHD II) Survey, with participants from 28 European countries and an average age of 71 years, reported aortic valve stenosis as the most frequent valvular disease, present in 41% of patients, followed at a distance by mitral regurgitation, aortic regurgitation, and mitral stenosis.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B2">2</xref></sup> Degenerative etiology was the most common, except for mitral stenosis, where rheumatic etiology predominated. This record reinforced the results of the initial EORP-VHD, conducted in 2001.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B3">3</xref></sup> The increase in aortic stenosis is likely a consequence of population aging, and the reduction in rheumatic mitral stenosis is a result of the decrease in rheumatic fever in Europe. Data recently published in the ATLAS of the European Society of Cardiology also highlight that valvular diseases continue to increase in prevalence and are responsible for thousands of deaths annually.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B4">4</xref></sup></p>
      <p>The article in this edition of the <italic>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</italic>, by Schmitz et al., aims to evaluate the burden of valvular heart disease and its association with mortality in Brazil.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B5">5</xref></sup> To this end, it analyzes the cohort of the Longitudinal Study of Adult Health &#8211; Brazil (ELSA-Brasil), which investigated the presence of cardiovascular diseases and diabetes in employees of teaching or research institutions. For this study, individuals who underwent transthoracic echocardiography were selected. This is a large cohort (3,267 participants) and representative of Brazil, as it was conducted in six states. Patients were divided according to the severity of valvular heart disease (none, mild, and moderate/severe). The moderate/severe group consisted of older individuals with more comorbidities, and the most frequent valvular heart disease was mitral regurgitation, followed by aortic and tricuspid regurgitation. This group is also characterized by greater cardiac remodeling. This group presented a high risk of mortality in 10 years (HR 3.7), regardless of age, sex, and hypertension. Tricuspid regurgitation was more associated with females.</p>
      <p>This study is very relevant, and the authors demonstrated that, in Brazil, valvular heart disease is very frequent in the community, increases with age, and that the presence of moderate/severe disease is associated with more comorbidities, greater cardiac remodeling, worse systolic function, and an impact on long-term mortality. However, we emphasize that this analysis has some limitations that may influence its interpretation.</p>
      <p>On the one hand, the group with moderate/severe disease represents only 2.4% of the participants, that is, only 70 individuals. Thus, the statistical power is quite limited and does not allow for a better characterization of each of the valvular diseases found. Another important limitation stems from the population selected for the study. They are mainly employees of institutions and are only up to 75 years old. For this reason, individuals from more disadvantaged social backgrounds or older individuals were not included. In fact, the average age of the participants was 61 years. It is, therefore, a selected population, and the results could be different if the sample were larger and more representative. This is particularly evident in the results presented, where aortic valve stenosis does not show a relevant prevalence, unlike many other series. This may reflect a specific characteristic of the country, but it is easily explained by the absence of very elderly patients (&gt; 75 years) in the analyzed cohort.</p>
      <p>Another question that can be raised concerns the follow-up of patients with moderate/severe valvular disease. It is plausible that some of these patients underwent intervention during the follow-up period (approximately 10 years), and it is unclear whether these individuals were excluded from the analysis at the time of intervention. This is an important bias factor in the interpretation of the results.</p>
      <p>In conclusion, this important sub-study of the ELSA-Brasil registry allows for a better characterization of the prevalence of valvular heart disease in Brazil and demonstrates the prognostic impact of moderate/severe valvular heart disease. However, the limitations mentioned recommend caution in generalizing the results presented.</p>
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          <p>Short Editorial related to the article: Epidemiology and Mortality of Valvular Heart Disease in Brazilian Adults: Findings from the ELSA-Brasil Cohort</p>
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