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        <corresp id="c1"><bold>Correspond&#234;ncia: Filipe Ferrari &#8226;</bold> Hospital de Cl&#237;nicas de Porto Alegre &#8211; Rua Ramiro Barcelos, 2350. CEP 90035-007, Santa Cecilia, Porto Alegre, RS &#8211; Brasil E-mail: <email>ferrari.filipe88@cardiol.br</email> </corresp>
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        <title>Palavras-chave</title>
        <kwd>Atletas</kwd>
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        <kwd>Longevidade</kwd>
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    <p>A inatividade f&#237;sica &#233; um contribuinte bem documentado para doen&#231;as cardiovasculares, diabetes e certos tipos de c&#226;ncer, sendo respons&#225;vel por aproximadamente 30% das doen&#231;as cardiovasculares, 27% da diabetes e 21-25% dos c&#226;nceres da mama e do c&#243;lon.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref></sup> O impacto e os custos da inatividade f&#237;sica associados &#224; sa&#250;de p&#250;blica s&#227;o substanciais, atingindo INT$ 53,8 bilh&#245;es em 2013.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B2">2</xref></sup></p>
    <p>Em termos de longevidade, a pr&#225;tica de atividade f&#237;sica tem sido associada a uma redu&#231;&#227;o dos principais fatores de risco de mortalidade, incluindo hipertens&#227;o, diabetes, doen&#231;a coron&#225;ria, acidente vascular cerebral e c&#226;ncer. Estudos indicam uma clara rela&#231;&#227;o dose-resposta entre atividade f&#237;sica moderada a vigorosa e mortalidade por todas as causas, sendo a redu&#231;&#227;o do risco por unidade de tempo maior para atividades mais vigorosas.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B3">3</xref></sup> Indiv&#237;duos fisicamente ativos experimentam uma redu&#231;&#227;o de at&#233; 35% na mortalidade por todas as causas em compara&#231;&#227;o com os seus hom&#243;logos inativos, aumentando a esperan&#231;a de vida em at&#233; 7 anos.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B3">3</xref></sup></p>
    <p>Apesar dos benef&#237;cios bem estabelecidos da atividade f&#237;sica, os estudos que examinam o impacto de fatores &#233;tnicos, sociais e demogr&#225;ficos na mortalidade, especialmente entre atletas, e ainda mais em atletas de alto rendimento ao longo das d&#233;cadas, s&#227;o limitados. A recolec&#231;&#227;o de dados sobre a preval&#234;ncia ou complica&#231;&#245;es de doen&#231;as por ra&#231;a, etnia e outras identidades &#233; frequentemente realizada em investiga&#231;&#227;o m&#233;dica, por departamentos de sa&#250;de p&#250;blica e por sistemas de sa&#250;de individuais, mas n&#227;o &#233; muito comum em estudos de medicina desportiva. Estes dados s&#227;o cruciais para compreender as disparidades na sa&#250;de e os seus mediadores. Quando devidamente analisados, os dados sobre diferen&#231;as a n&#237;vel de grupo podem ser utilizados para impulsionar interven&#231;&#245;es direcionadas a grupos para eliminar disparidades.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B4">4</xref></sup></p>
    <p>Em estudo recente dos ABC Cardiol, Braga et al.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B5">5</xref></sup> investigaram a sobreviv&#234;ncia p&#243;s-medalha de medalhistas ol&#237;mpicos brasileiros de 1920 a 1992, categorizando os atletas em brancos e n&#227;o-brancos com base na determina&#231;&#227;o estruturada da etnia. As descobertas revelaram disparidades significativas nas taxas de mortalidade, com atletas n&#227;o brancos enfrentando um risco significativamente elevado de mortalidade em compara&#231;&#227;o com atletas brancos. Atletas brancos demonstraram uma expectativa de vida seis anos a mais do que seus colegas n&#227;o brancos ap&#243;s ganharem uma medalha. Como resultado, entre 123 atletas (73,9% brancos), a idade m&#233;dia em que conquistaram medalhas foi de 25,03 &#177; 4,8 anos. Durante o estudo, 18,7% dos atletas brancos e 37,5% dos atletas n&#227;o brancos morreram (p = 0,031). Os atletas brancos tiveram m&#233;dia de idade ao &#243;bito de 75,10 &#177; 18,01 anos, enquanto os n&#227;o brancos tiveram m&#233;dia de idade de 67,13 &#177; 14,90 anos (p = 0,109). O tempo m&#233;dio de sobreviv&#234;ncia restrito (TMSR), que &#233; uma nova medida alternativa em an&#225;lises de sobreviv&#234;ncia definida como a &#225;rea sob a curva de sobreviv&#234;ncia at&#233; um ponto de tempo espec&#237;fico,<sup><xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref></sup> para atletas brancos foi de 51,59 (intervalo de confian&#231;a [IC] de 95%, 49,79 a 53,39 anos), e para atletas n&#227;o brancos, foi de 45,03 (IC95%, 41,31 a 48,74 anos), resultando em um &#916;TMSR de 6,56 (95% IC, 2,43 a 10,70; p = 0,0018).</p>
    <p>Segundo o estudo, os atletas ol&#237;mpicos brasileiros brancos tinham uma expectativa de vida seis anos a mais do que os atletas n&#227;o brancos ap&#243;s a conquista da medalha. Apesar disso, os dados do estudo demonstram uma discrep&#226;ncia significativa na mortalidade entre os grupos &#233;tnicos, mesmo dentro de uma popula&#231;&#227;o de atletas de alto rendimento. A literatura sugere que a atividade aer&#243;bica e de resist&#234;ncia regular em idosos demonstrou melhorar a fun&#231;&#227;o musculoesquel&#233;tica e a mobilidade, al&#233;m de manter a capacidade sensorial para um envelhecimento saud&#225;vel.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B7">7</xref>-<xref ref-type="bibr" rid="B9">9</xref></sup> Isso pode ter um grande impacto na expectativa de vida. Por&#233;m, como limita&#231;&#227;o, n&#227;o podemos determinar se os atletas do estudo ainda estavam expostos &#224; atividade f&#237;sica regular. Esta poderia ser uma an&#225;lise que vale a pena considerar, especialmente porque indiv&#237;duos brancos e n&#227;o brancos podem ter acesso diferente a atividades f&#237;sicas regulares, mesmo dentro de um grupo de atletas vencedores de medalhas ol&#237;mpicas.</p>
    <p>Embora o estudo contribua com informa&#231;&#245;es valiosas sobre as disparidades de sa&#250;de entre atletas de elite, n&#227;o &#233; isento de limita&#231;&#245;es. A categoriza&#231;&#227;o baseada em fotografias introduz poss&#237;veis erros de classifica&#231;&#227;o e o tamanho da amostra permanece limitado. Al&#233;m disso, alguns pontos seriam interessantes de serem discutidos, como as comorbidades subjacentes e os esportes praticados antes e depois da medalha. Al&#233;m disso, as causas espec&#237;ficas das mortes dos atletas enriqueceriam este estudo, permitindo-nos compreender melhor os dados apresentados. Alcan&#231;ar uma inclus&#227;o abrangente de todos os atletas ol&#237;mpicos brasileiros &#233; um desafio constante, e a falta de informa&#231;&#245;es sobre as causas espec&#237;ficas de morte e uma compara&#231;&#227;o direta com a expectativa de vida da popula&#231;&#227;o em geral s&#227;o limita&#231;&#245;es dignas de nota.</p>
    <p>Em conclus&#227;o, este estudo sublinha a import&#226;ncia de considerar a ra&#231;a e a etnia na avalia&#231;&#227;o da sa&#250;de e da esperan&#231;a de vida dos atletas de elite. As disparidades observadas nas taxas de mortalidade entre os atletas ol&#237;mpicos brasileiros com base na etnia revelam uma &#225;rea potencial para interven&#231;&#245;es direcionadas para abordar as desigualdades em sa&#250;de, mesmo no &#226;mbito dos esportes de alto rendimento.</p>
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        <p>Minieditorial referente ao artigo: Diferen&#231;as &#201;tnicas na Sobrevida entre Medalhistas Ol&#237;mpicos Brasileiros da Era Moderna de 1920 a 1992: Um Estudo de Coorte</p>
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          <article-title>Diferen&#231;as &#201;tnicas na Sobrevida entre Medalhistas Ol&#237;mpicos Brasileiros da Era Moderna de 1920 a 1992: Um Estudo de Coorte</article-title>
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          <subject>Short Editorial</subject>
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        <article-title>Ethnic Disparities in the Longevity of Brazilian Olympic Medalists</article-title>
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        <corresp id="c2"><bold>Mailing Address: Filipe Ferrari &#8226;</bold> Hospital de Cl&#237;nicas de Porto Alegre &#8211; Rua Ramiro Barcelos, 2350. Postal Code 90035-007, Santa Cecilia, Porto Alegre, RS &#8211; Brazil E-mail: <email>ferrari.filipe88@cardiol.br</email> </corresp>
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        <title>Keywords</title>
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    <body>
      <p>Physical inactivity is a well-documented contributor to cardiovascular diseases, diabetes, and certain cancers, accounting for approximately 30% of cardiovascular disease, 27% of diabetes, and 21&#8211;25% of breast and colon cancer.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref></sup> The impact and costs associated with public health are substantial, amounting to a total direct health cost due to physical inactivity related to the main non-communicable diseases, which reached INT$ 53.8 billion in 2013.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B2">2</xref></sup></p>
      <p>In terms of longevity, engaging in physical activity has been linked to a reduction in major mortality risk factors, including hypertension, diabetes, coronary heart disease, stroke, and cancer. Studies indicate a clear dose-response relationship between moderate-to-vigorous physical activity and all-cause mortality, with risk reduction per unit of time being greater for more vigorous activity.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B3">3</xref></sup> Physically active individuals experience up to a 35% decrease in all-cause mortality compared to their inactive counterparts, increasing life expectancy by up to 7 years.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B3">3</xref></sup></p>
      <p>Despite the well-established benefits of physical activity, studies examining the impact of ethnic, social, and demographic factors on mortality, especially among athletes, and further on high-performance athletes over the decades, are limited. The collection of data on disease prevalence or complications by race, ethnicity, and other identities is often performed in medical research, by public health departments, and by individual health systems, but it is not very common in sports medicine studies. These data are crucial to understanding health disparities and their mediators. When properly analyzed, data on group-level differences can be used to drive group-targeted interventions to eliminate disparities.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B4">4</xref></sup></p>
      <p>In a recent study from ABC Cardiol, Braga et al.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B5">5</xref></sup> investigated the post-medal survival of Brazilian Olympic medalists from 1920 to 1992, categorizing athletes into white and non-white based on structured ethnicity determination. The findings revealed significant disparities in mortality rates, with non-white athletes facing a significantly elevated risk of mortality compared to white athletes. White athletes demonstrated a life expectancy of six years longer than their non-white counterparts after winning a medal. As a result, among 123 athletes (73.9% white), the mean age at which they achieved medals was 25.03 &#177; 4.8 years. During the study, 18.7% of white athletes and 37.5% of non-white athletes died (p = 0.031). White athletes had a mean age at death of 75.10 &#177; 18.01 years, while non-whites had a mean age of 67.13 &#177; 14.90 years (p = 0.109). The Restricted mean survival time (RMST), which is a novel alternative measure in survival analyses defined as the area under the survival curve up to a specific time point,<sup><xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref></sup> for white athletes was 51.59 (95% confidence interval [CI], 49.79 to 53.39 years), and for non-white athletes, it was 45.03 (95%CI, 41.31 to 48.74 years), resulting in a &#916;RMST of 6.56 (95%CI, 2.43 to 10.70; p = 0.0018).</p>
      <p>According to the study, white Brazilian Olympic athletes had a life expectancy of six years longer than non-white athletes after winning the medal. Despite this, the data from the study demonstrates a significant discrepancy in mortality between ethnic groups even within a population of high-performance athletes. Literature suggests that regular aerobic and resistance activity in older adults has been shown to improve musculoskeletal function, and mobility, and maintain sensory capacity for healthy aging.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B7">7</xref>-<xref ref-type="bibr" rid="B9">9</xref></sup> This may have a great impact on life expectancy. However, as a limitation, we cannot determine if the athletes in the study were still exposed to regular physical activity. This could be an analysis worth considering, especially since white and non-white individuals may have different access to regular physical activities, even within a group of Olympic medal-winning athletes.</p>
      <p>While the study contributes valuable insights into health disparities among elite athletes, it is not without limitations. Categorization based on photographs introduces possible classification errors, and the sample size remains limited. Furthermore, some points would be interesting to discuss, such as the underlying comorbidities, and the sports practiced before and after the medal. Furthermore, the specific causes of the athletes&#8217; deaths would enrich this study, allowing us to better understand the data presented. Achieving a comprehensive inclusion of all Brazilian Olympic athletes is an ongoing challenge, and the lack of information about the specific causes of death and a direct comparison with the general population's life expectancy are noteworthy limitations.</p>
      <p>In conclusion, this study underscores the importance of considering race and ethnicity in assessing the health and life expectancy of elite athletes. The observed disparities in mortality rates among Brazilian Olympic athletes based on ethnicity reveal a potential area for targeted interventions to address health inequalities, even in the realm of high-performance sports.</p>
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          <p>Short Editorial related to the article: Ethnic Differences in Survival among Brazilian Modern-era Olympic Medalists from 1920 to 1992: A Cohort Study</p>
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