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        <corresp id="c01"> Correspond&#234;ncia: Mario Fritsch Neves &#8226; Universidade do Estado do Rio de Janeiro - Cl&#237;nica M&#233;dica - Av. 28 de Setembro, 77. CEP 20551-030, Rio de Janeiro, RJ &#8211; Brasil E-mail: <email>mariofneves@gmail.com</email> </corresp>
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    <p>A hipertens&#227;o arterial &#233; o principal fator de risco modific&#225;vel para o desenvolvimento de doen&#231;as cardiovasculares e sua ocorr&#234;ncia em idades mais precoces favorece o envelhecimento vascular acelerado nos anos seguintes.<sup><xref rid="B1" ref-type="bibr">1</xref></sup> O aumento da press&#227;o arterial na adolesc&#234;ncia geralmente n&#227;o ocorre de forma isolada e est&#225; associada a outros fatores de risco como ingest&#227;o excessiva de sal, atividade f&#237;sica reduzida e, principalmente, sobrepeso/obesidade.<sup><xref rid="B2" ref-type="bibr">2</xref>,<xref rid="B3" ref-type="bibr">3</xref></sup> Considerando que um elevado percentual de gordura na inf&#226;ncia e na adolesc&#234;ncia tem efeitos adversos precoces sobre a press&#227;o arterial, medidas adequadas da gordura corporal podem determinar marcadores mais precisos de maior adiposidade e preditores da incid&#234;ncia de hipertens&#227;o nos indiv&#237;duos mais jovens.</p>
    <p>Grandes avan&#231;os da tecnologia est&#227;o presentes na vida di&#225;ria dos adolescentes e geralmente favorecem a inatividade f&#237;sica e o ganho de peso que apresenta rela&#231;&#227;o direta com os n&#237;veis de press&#227;o arterial. Al&#233;m do sedentarismo estar fortemente associado &#224; hipertens&#227;o na adolesc&#234;ncia, o exerc&#237;cio f&#237;sico exerce um papel protetor, reduzindo a press&#227;o arterial por v&#225;rios mecanismos. Estudo transversal realizado com crian&#231;as e adolescentes de 11 a 17 anos demonstrou a associa&#231;&#227;o do sexo masculino e obesidade central com hipertens&#227;o nesses escolares. Por outro lado, o mesmo estudo apontou a pr&#225;tica de atividades f&#237;sicas moderadas e vigorosas como forma eficaz de prevenir a eleva&#231;&#227;o da press&#227;o arterial diast&#243;lica nos jovens desta idade.<sup><xref rid="B4" ref-type="bibr">4</xref></sup></p>
    <p>O desequil&#237;brio auton&#244;mico parece ser um dos mecanismos iniciais para a eleva&#231;&#227;o da press&#227;o arterial em adolescentes. Neste grupo de indiv&#237;duos jovens, o desequil&#237;brio auton&#244;mico &#233; representado principalmente pela hiperatividade simp&#225;tica, que por sua vez, tamb&#233;m est&#225; associada com obesidade, altera&#231;&#245;es do padr&#227;o do sono e, consequentemente, maior risco de eventos cardiovasculares. Um estudo recente demonstrou que adolescentes, mesmo na faixa de pr&#233;-hipertens&#227;o, j&#225; apresentam disfun&#231;&#227;o auton&#244;mica avaliada pela variabilidade da frequ&#234;ncia card&#237;aca.<sup><xref rid="B5" ref-type="bibr">5</xref></sup></p>
    <p>No estudo realizado por Lima et al.,<sup><xref rid="B6" ref-type="bibr">6</xref></sup> publicado nesta edi&#231;&#227;o dos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, os autores procuraram determinar a preval&#234;ncia de hipertens&#227;o e a sua associa&#231;&#227;o com o perfil lip&#237;dico, glic&#237;dico e de adiposidade. A originalidade deste projeto &#233; que foi realizado numa popula&#231;&#227;o de 1200 adolescentes, de 12 a 17 anos, do Distrito Federal que foram participantes do Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes (ERICA).<sup><xref rid="B7" ref-type="bibr">7</xref></sup> A preval&#234;ncia de 8% de hipertens&#227;o encontrada entre os adolescentes do DF foi semelhante a outras regi&#245;es geogr&#225;ficas do pa&#237;s avaliadas no mesmo estudo ERICA, exceto a regi&#227;o sul com preval&#234;ncia de 12,5%, bem acima do estudo atual e das demais regi&#245;es. Os adolescentes hipertensos apresentaram par&#226;metros mais elevados de adiposidade e maior ocorr&#234;ncia de hiperinsulinemia, mas a altera&#231;&#227;o mais encontrada foram os baixos n&#237;veis de HDL-colesterol. A maioria das vari&#225;veis se correlacionou com os n&#237;veis de press&#227;o arterial sist&#243;lica e diast&#243;lica e, mesmo ap&#243;s ajustes, o &#237;ndice de massa corporal (IMC) e o modelo de avalia&#231;&#227;o da homeostase da resist&#234;ncia &#224; insulina (HOMA-IR) foram os par&#226;metros com maior for&#231;a de associa&#231;&#227;o.</p>
    <p>Avalia&#231;&#227;o de resist&#234;ncia &#224; insulina em adolescentes &#233; um grande desafio. Nesta faixa et&#225;ria, os n&#237;veis de insulina costumam ser mais elevados e associados a outras altera&#231;&#245;es hormonais relacionadas com modifica&#231;&#245;es corporais. Entretanto, essa n&#227;o parece ser a justificativa para hiperinsulinemia relatada no presente estudo, pois os autores indicam que os adolescentes, na sua grande maioria, j&#225; estavam no final da puberdade. Al&#233;m disso, os adolescentes n&#227;o hipertensos apresentaram n&#237;veis de insulina substancialmente menores do que a aqueles com hipertens&#227;o, sugerindo uma rela&#231;&#227;o mais direta. Neste caso, a resist&#234;ncia &#224; insulina pode ser a confirma&#231;&#227;o bioqu&#237;mica da s&#237;ndrome metab&#243;lica, condi&#231;&#227;o que vem aumentando de frequ&#234;ncia na inf&#226;ncia e na adolesc&#234;ncia, determinando maior risco de aparecimento de doen&#231;as cr&#244;nicas na vida adulta.<sup><xref rid="B8" ref-type="bibr">8</xref></sup></p>
    <p>A maioria dos estudos cl&#237;nicos com hipertens&#227;o &#233; com participantes adultos e/ou idosos. No Brasil e no mundo, h&#225; poucas publica&#231;&#245;es referentes &#224; hipertens&#227;o em adolescentes. Isso refor&#231;a a import&#226;ncia desse estudo, pois precisamos de dados nacionais que servir&#227;o de base para nossas futuras diretrizes nessa &#225;rea. Certamente o Distrito Federal n&#227;o representa a realidade de todo nosso pa&#237;s, o que limita a validade externa e com isso, n&#227;o podemos extrapolar os resultados atuais. Por outro lado, os achados indicam importantes informa&#231;&#245;es que se juntam aos outros estudos no Brasil e, dessa forma, podemos construir um painel nacional mais confi&#225;vel.</p>
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              <given-names>ES</given-names>
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              <surname>Gon&#231;alves</surname>
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          <article-title>Hypertension and Associated Lipid, Glucose, and Adiposity Parameters in School-Aged Adolescents in the Federal District, Brazil</article-title>
          <source>Arq Bras Cardiol</source>
          <year>2022</year>
          <volume>118</volume>
          <issue>4</issue>
          <fpage>719</fpage>
          <lpage>726</lpage>
          <issue-id pub-id-type="doi">10.36660/abc.20201240.</issue-id>
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        <label>7</label>
        <mixed-citation>7. Bloch KV, Klein CH, Szklo M, Kuschnir MCC, de Azevedo Abreu G, Barufaldi LA, et al. ERICA: prevalences of hypertension and obesity in Brazilian adolescents. Rev Saude Publica.2016;50(Suppl 1):12s DOI: 10.1590/S1518-8787.2016050006115</mixed-citation>
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              <surname>Bloch</surname>
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              <surname>Kuschnir</surname>
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              <surname>Barufaldi</surname>
              <given-names>LA</given-names>
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            <etal>et al</etal>
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          <article-title> ERICA: prevalences of hypertension and obesity in Brazilian adolescents</article-title>
          <source>Rev Saude Publica</source>
          <year>2016</year>
          <volume>50</volume>
          <supplement>Suppl 1</supplement>
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          <pub-id pub-id-type="doi">10.1590/S1518-8787.2016050006115</pub-id>
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              <surname>Deboer</surname>
              <given-names>MD</given-names>
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          </person-group>
          <article-title>Assessing and Managing the Metabolic Syndrome in Children and Adolescents</article-title>
          <source>Nutrients</source>
          <year>2019</year>
          <volume>11</volume>
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          <fpage>1788</fpage>
          <issue-id pub-id-type="doi">10.3390/nu11081788</issue-id>
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        <p>
          <italic>Minieditorial referente ao artigo: Hipertens&#227;o Arterial e Par&#226;metros Lip&#237;dicos, Glic&#237;dicos e de Adiposidade Associados em Adolescentes Escolares do Distrito Federal</italic>
        </p>
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          <subject>Short Editorial</subject>
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        <article-title>Hypertension in Adolescence, a Direct Relationship to Obesity and Insulin Resistance</article-title>
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          <contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-0797-572X</contrib-id>
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            <surname>Neves</surname>
            <given-names>Mario Fritsch</given-names>
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            <sup>1</sup>
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        <label>1</label>
        <country country="BR">Brazil</country>
        <institution content-type="original">Universidade do Estado do Rio de Janeiro - Cl&#237;nica M&#233;dica, Rio de Janeiro, RJ &#8211; Brazil</institution>
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        <corresp id="c01001"> Mailing Address: Mario Fritsch Neves &#8226; Universidade do Estado do Rio de Janeiro - Cl&#237;nica M&#233;dica - Av. 28 de Setembro, 77. Postal Code 20551-030, Rio de Janeiro, RJ &#8211; Brazil E-mail: mariofneves@gmail.com </corresp>
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        <kwd>Adolescent</kwd>
        <kwd>Hypertension</kwd>
        <kwd>Obesity</kwd>
        <kwd>Risk Factors</kwd>
        <kwd>Insulin Resistance</kwd>
        <kwd>Sedentarism</kwd>
        <kwd>Epidemiology</kwd>
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    <body>
      <p>Hypertension is the main modifiable risk factor for developing cardiovascular diseases, and its occurrence at an earlier age favors accelerated vascular aging in the following years.<sup><xref rid="B1" ref-type="bibr">1</xref></sup> The increase in blood pressure in adolescence does not usually occur in isolation and is associated with other risk factors such as excessive salt intake, reduced physical activity, and, especially, overweight/obesity.<sup><xref rid="B2" ref-type="bibr">2</xref>,<xref rid="B3" ref-type="bibr">3</xref></sup> Considering that a high-fat percentage in childhood and adolescence has early adverse effects on blood pressure, adequate body fat measurements can determine more accurate markers of higher adiposity and predictors of the incidence of hypertension in younger individuals.</p>
      <p>Major advances in technology are present in adolescents&#8217; daily lives and generally favor physical inactivity and weight gain, which are directly related to blood pressure levels. In addition to a sedentary lifestyle strongly associated with hypertension in adolescence, physical exercise plays a protective role, reducing blood pressure by several mechanisms. A cross-sectional study with children and adolescents aged 11 to 17 years showed the association of male gender and central obesity with hypertension in these students. On the other hand, the same study pointed to moderate and vigorous physical activities as an effective way to prevent the increase in diastolic blood pressure in young people of this age.<sup><xref rid="B4" ref-type="bibr">4</xref></sup></p>
      <p>Autonomic imbalance seems to be one of the initial mechanisms for blood pressure elevation in adolescents. In this group of young individuals, the autonomic imbalance is mainly represented by sympathetic hyperactivity, which is also associated with obesity, changes in sleep patterns and, consequently, an increased risk of cardiovascular events. A recent study has shown that adolescents already have autonomic dysfunction assessed by heart rate variability, even in the pre-hypertension range.<sup><xref rid="B5" ref-type="bibr">5</xref></sup></p>
      <p>In the study carried out by Lima et al.,<sup><xref rid="B6" ref-type="bibr">6</xref></sup> published in this issue of <italic>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</italic>, the authors intended to determine the prevalence of hypertension and its association with lipid, glucose and adiposity profiles. The originality of this project is that it was carried out in a population of 1200 adolescents, aged 12 to 17 years, from the Federal District who participated in the Study of Cardiovascular Risks in Adolescents (ERICA).<sup><xref rid="B7" ref-type="bibr">7</xref></sup> The 8% prevalence of hypertension found among adolescents in the Federal District was similar to the other geographic regions of the country evaluated in the same ERICA study, except for the southern region with a prevalence of 12.5%, well above the current study and the other regions. Hypertensive adolescents had higher adiposity parameters and a higher occurrence of hyperinsulinemia, but the most common alteration was low levels of HDL-cholesterol. Most variables correlated with systolic and diastolic blood pressure levels and, even after adjustments, body mass index (BMI) and the homeostatic model assessment for insulin resistance (HOMA-IR) were the parameters with the highest association strength.</p>
      <p>Assessment of insulin resistance in adolescents is a major challenge. In this age group, insulin levels tend to be higher and associated with other hormonal changes related to body modifications. However, this does not seem to be the reason for the hyperinsulinemia reported in the present study, as the authors indicate that most adolescents were already at the end of puberty. In addition, non-hypertensive adolescents had substantially lower insulin levels than those with hypertension, suggesting a more direct relationship. In this case, insulin resistance may be the biochemical confirmation of the metabolic syndrome, a condition increasing in frequency in childhood and adolescence, leading to a greater risk of developing chronic diseases in adulthood.<sup><xref rid="B8" ref-type="bibr">8</xref></sup></p>
      <p>Most clinical trials with hypertension involve the adult and/or elderly participants. In Brazil and worldwide, there are few publications regarding hypertension in adolescents. This reinforces the importance of this study, as we need national data that will form the basis for our future guidelines in this area. Certainly, the Federal District does not represent the reality of our entire country, which limits the external validity and, therefore, we cannot extrapolate the current results. On the other hand, the findings indicate important information that adds to other studies in Brazil, and, in this way, we can build a more reliable national panel.</p>
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          <p>
            <italic>Short Editorial related to the article: Hypertension and Associated Lipid, Glucose, and Adiposity Parameters in School-Aged Adolescents in the Federal District, Brazil</italic>
          </p>
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