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        <article-title>Amiloidose para Cardiologistas</article-title>
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        <institution content-type="original">Departamento de Cardiologia do Hospital Universit&#225;rio Clementino Fraga Filho / Instituto do Cora&#231;&#227;o Edson Saad / CEPARM. Centro Nacional de Refer&#234;ncia em Amiloidose Brasileira &#8211; Universidade Federal do Rio de Janeiro,Rio de Janeiro, RJ &#8211; Brasil</institution>
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        <corresp id="c01"> Correspond&#234;ncia: Roberto Coury Pedrosa &#8226; Departamento de Cardiologia do Hospital Universit&#225;rio Clementino Fraga Filho / Instituto do Cora&#231;&#227;o Edson Saad / CEPARM. Centro Nacional de Refer&#234;ncia em Amiloidose Brasileira &#8211; Universidade Federal do Rio de Janeiro &#8211; R. Prof. Rodolpho Paulo Rocco, 255. CEP 21941-913, Cidade Universit&#225;ria, Rio de Janeiro, RJ &#8211; Brasil. E-mail: <email>coury@hucff.ufrj.br</email> </corresp>
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    <p>Atualmente, sabemos que a amiloidose card&#237;aca (AC) &#233; mais frequente do que tradicionalmente considerada e que &#233; particularmente relevante em pacientes acima de 65 anos de idade com insufici&#234;ncia card&#237;aca ou estenose a&#243;rtica.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref></sup> Hoje, dada a relev&#226;ncia da AC para cardiologistas, sua preval&#234;ncia ainda &#233; um problema e esfor&#231;os devem ser feitos para acelerar o diagn&#243;stico e maximizar as oportunidades de novos tratamentos modificadores da doen&#231;a.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref> - <xref ref-type="bibr" rid="B3">3</xref></sup> No Brasil, estima-se que existam mais de 5.000 pacientes com a variante da amiloidose por transtirretina (ATTRv) com polineuropatia,<sup><xref ref-type="bibr" rid="B4">4</xref></sup> onde o envolvimento card&#237;aco tamb&#233;m desempenha um papel importante. Verificamos que 26% dos pacientes com V30M ATTRv-PN do nosso centro de refer&#234;ncia registrados no THAOS eram casos de in&#237;cio tardio (LO).<sup><xref ref-type="bibr" rid="B5">5</xref></sup> Nesses pacientes, encontramos hipertrofia do septo interventricular em quase 70% e ECG anormal em quase 90%. &#201; de interesse que 78% dos pacientes com LO-V30M e cardiomiopatia n&#227;o apresentaram sintomas de insufici&#234;ncia card&#237;aca.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B5">5</xref></sup></p>
    <p>No nosso pa&#237;s, n&#227;o h&#225; pol&#237;ticas de sa&#250;de p&#250;blicas ou privadas destinadas especificamente ao monitoramento e acompanhamento dos pacientes com AC. Da mesma forma, pouco se sabe sobre as repercuss&#245;es dessa doen&#231;a nas taxas de mortalidade.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B4">4</xref> - <xref ref-type="bibr" rid="B8">8</xref></sup> Muitas barreiras estruturais s&#227;o dif&#237;ceis de superar, tais como, a falta de implementa&#231;&#227;o de programas de rastreamento e de testes diagn&#243;sticos validados, principalmente em &#225;reas rurais. N&#227;o h&#225; entidade que monitore esses processos e os casos positivos podem n&#227;o receber confirma&#231;&#227;o ou acesso ao tratamento. O sequenciamento gen&#233;tico do gene TTR &#233; uma ferramenta nova, mas ainda n&#227;o est&#225; dispon&#237;vel em laborat&#243;rios gerais, estando restrito &#224; pesquisa cl&#237;nica em hospitais ou universidades. Acreditamos que muitos pacientes com AC morrem dessa doen&#231;a devido &#224; falta de assist&#234;ncia m&#233;dica adequada.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B4">4</xref> , <xref ref-type="bibr" rid="B7">7</xref></sup> Consideramos que seja urgente adotar medidas que possam melhorar esta situa&#231;&#227;o.</p>
    <p>As diretrizes cl&#237;nicas das sociedades m&#233;dicas t&#234;m sido atualizadas. Mais recentemente a Sociedade Brasileira de Cardiologia,<sup><xref ref-type="bibr" rid="B9">9</xref></sup> a Sociedade Europeia de Cardiologia<sup><xref ref-type="bibr" rid="B10">10</xref></sup> e a American Heart Association<sup><xref ref-type="bibr" rid="B11">11</xref></sup> emitiram posicionamentos sobre AC, documentos com informa&#231;&#245;es atualizadas incluindo diferentes aspectos da doen&#231;a, algumas barreiras identificadoras, e solu&#231;&#245;es potenciais para cada etapa da doen&#231;a. Infelizmente, essas diretrizes ainda n&#227;o foram totalmente disseminadas ou implementadas.</p>
    <p>Um dos aspectos desafiadores do manejo da AC &#233; a identifica&#231;&#227;o de pacientes que apresentam essa condi&#231;&#227;o. &#201; necess&#225;rio garantir que todos os m&#233;dicos que possam encontrar esses pacientes saibam o que procurar, n&#227;o apenas no hist&#243;rico dos pacientes, mas tamb&#233;m em ecocardiogramas, estudos de resson&#226;ncia magn&#233;tica e cintilografia com pirofosfato. Na presente edi&#231;&#227;o, Fernandes et al.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B12">12</xref></sup> apresentaram um estudo brasileiro que contribui para o nosso entendimento sobre uma importante caracter&#237;stica da amiloidose sist&#234;mica, ou seja, a falta de dados na popula&#231;&#227;o brasileira a respeito da preval&#234;ncia e gravidade do acometimento card&#237;aco. Para responder a esta quest&#227;o, os autores realizaram um estudo retrospectivo de uma amostra de conveni&#234;ncia de pacientes acompanhados em um centro de refer&#234;ncia em cardiologia de um hospital terci&#225;rio brasileiro, com diagn&#243;stico confirmado de amiloidose sist&#234;mica com cardiomiopatia, e indiv&#237;duos de outras unidades de sa&#250;de e diferentes especialidades (neurologia, hematologia, nefrologia e gastroenterologia) para avalia&#231;&#227;o do envolvimento card&#237;aco (cardiomiopatia amiloid&#243;tica) da doen&#231;a j&#225; confirmada em outros &#243;rg&#227;os e sistemas. O objetivo foi descrever o perfil cl&#237;nico, laboratorial, eletrocardiogr&#225;fico e de imagem dos pacientes com AC.</p>
    <p>Foram avaliados 105 pacientes (idade mediana de 66 anos); 83 tinham amiloidose transtirretina (ATTR) e 22 amiloidose de cadeia leve (AL). Em rela&#231;&#227;o aos casos de ATTR, 68,7% eram da forma heredit&#225;ria (ATTRv) e 31,3% eram do tipo selvagem (ATTRw). As muta&#231;&#245;es mais prevalentes foram V142Ile (45,6%) e V30M (40,3%). O tempo desde o in&#237;cio dos sintomas at&#233; o diagn&#243;stico foi de 0,54 e 2,15 anos, nas formas AL e ATTR, respectivamente (p &lt; 0,001). O envolvimento card&#237;aco foi observado em 77,9% dos pacientes com ATTR e em 90,9% daqueles com AL.</p>
    <p>Na interpreta&#231;&#227;o desses resultados, &#233; necess&#225;rio considerar o desenho do estudo (amostra de conveni&#234;ncia), com coleta retrospectiva de dados, que representa uma amostra parcial da popula&#231;&#227;o de pacientes atendidos neste centro &#250;nico para AC, sem c&#225;lculo do tamanho da amostra ou pareamento para vari&#225;veis importantes como idade e sexo. A amostra &#233; constitu&#237;da por uma subpopula&#231;&#227;o submetida a exames de imagem card&#237;aca; portanto, n&#227;o representa o cen&#225;rio real da popula&#231;&#227;o com AC, mas sim um subgrupo selecionado com o melhor progn&#243;stico para o qual o m&#233;dico assistente indicou a realiza&#231;&#227;o de exames de imagem card&#237;aca. Os autores reconhecem essas limita&#231;&#245;es.</p>
    <p>&#201; importante enfatizar que, no processo din&#226;mico de envolvimento card&#237;aco em pacientes com AC suspeita e/ou confirmada, &#233; de extrema import&#226;ncia identificar, com poucos recursos, pacientes com AC com maior risco de ocorr&#234;ncia de &#243;bito ou eventos card&#237;acos recorrentes. Isso se traduz em monitoramento da frequ&#234;ncia card&#237;aca e do remodelamento ventricular.</p>
    <p>Mais importante, as complica&#231;&#245;es cardiovasculares da AC ao longo do tempo s&#227;o inevit&#225;veis, e n&#243;s, como cardiologistas, devemos considerar que todos os pacientes com CA podem se beneficiar de diretrizes direcionadas para disfun&#231;&#227;o sist&#243;lica do VE. A responsabilidade dos profissionais de sa&#250;de, das sociedades m&#233;dicas, das organiza&#231;&#245;es de pacientes e dos legisladores &#233; trabalhar junto a longo prazo para mudar o conceito de que a AC seja uma doen&#231;a intrat&#225;vel.</p>
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          <italic>Minieditorial referente ao artigo: Perfil Cl&#237;nico, Laboratorial e de M&#233;todos de Imagem na Amiloidose Sist&#234;mica em um Centro de Refer&#234;ncia Cardiol&#243;gico Brasileiro</italic>
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        <corresp id="c01001">Mailing Address: Roberto Coury Pedrosa &#8226; Departamento de Cardiologia do Hospital Universit&#225;rio Clementino Fraga Filho / Instituto do Cora&#231;&#227;o Edson Saad / CEPARM. Centro Nacional de Refer&#234;ncia em Amiloidose Brasileira &#8211; Universidade Federal do Rio de Janeiro &#8211; R. Prof. Rodolpho Paulo Rocco, 255. Postal Code 21941-913, Cidade Universit&#225;ria, Rio de Janeiro, RJ &#8211; Brazil. E-mail: coury@hucff.ufrj.br</corresp>
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        <kwd>Amyloidosis Cardiomyopathy</kwd>
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      <p>We now know that cardiac amyloidosis (CA) is more frequent than traditionally considered and that it is particularly relevant in patients over 65 years with heart failure or aortic stenosis.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref></sup> Nowadays, given the relevance of CA for cardiologists, its prevalence is still a problem, and efforts must be made to speed up diagnosis and maximize opportunities for new disease-modifying treatments.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref> - <xref ref-type="bibr" rid="B3">3</xref></sup> In Brazil, it is estimated that there are more than 5,000 patients with the transthyretin amyloidosis variant (ATTRv) with polyneuropathy,<sup><xref ref-type="bibr" rid="B4">4</xref></sup> where cardiac involvement also plays an important role. We found that 26% of patients with V30M ATTRv-PN from our referral center registered in THAOS are late-onset cases (LO).<sup><xref ref-type="bibr" rid="B5">5</xref></sup> In these patients, we found interventricular septum hypertrophy in almost 70% and abnormal ECG in almost 90%. Interestingly, 78% of the patients with LO-V30M and cardiomyopathy did not have symptoms of heart failure.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B5">5</xref></sup></p>
      <p>In our country, there are neither public nor private health policies specifically designed to monitor and follow-up patients with CA. Similarly, very little is known about the repercussions of this disease on mortality rates.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B4">4</xref> - <xref ref-type="bibr" rid="B8">8</xref></sup> Many structural barriers are difficult to overcome, such as lack of implementation of screening programs and lack of validated diagnostic tests, particularly in rural areas. There is no entity that monitors these processes, and positive cases may not receive confirmation or access to treatment. The genetic sequencing of the TTR gene is a new tool, but it is not yet available in general laboratories; it is restricted to clinical research in hospitals or universities. We believe that many patients with CA die from this disease due to lack of appropriate and adequate medical care.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B4">4</xref> , <xref ref-type="bibr" rid="B7">7</xref></sup> We consider it urgent to adopt measures that can improve this situation.</p>
      <p>Clinical guidelines of the medical societies have been updated. Recently, the Brazilian Society of Cardiology,<sup><xref ref-type="bibr" rid="B9">9</xref></sup> the European Society of Cardiology,<sup><xref ref-type="bibr" rid="B10">10</xref></sup> and the American Heart Association<sup><xref ref-type="bibr" rid="B11">11</xref></sup> issued position statements regarding CA, documents with updated information including different aspects of the disease, some identifying barriers, and potential solutions for every step of the disease. Unfortunately, these guidelines have not yet been fully disseminated or implemented.</p>
      <p>One of the challenging aspects of managing CA is the identification of patients who have this condition. It is necessary to ensure that all clinicians who may encounter these patients know what to look for, not only in the patients&#8217; history but also in echocardiograms, magnetic resonance imaging studies, and pyrophosphate scans. In this edition, Fernandes et al.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B12">12</xref></sup> presented a Brazilian study that contributes to our understanding of an important feature in systemic amyloidosis, i.e., lack of data in the Brazilian population regarding the prevalence and severity of cardiac involvement. To answer this question, the authors performed a retrospective study of a convenience sample of patients monitored at a reference cardiology center in a tertiary hospital in Brazil, with confirmed diagnosis of systemic amyloidosis with cardiomyopathy, and individuals from other health units and different specialties (neurology, hematology, nephrology, and gastroenterology) for evaluation of cardiac involvement (amyloidosis cardiomyopathy) of the disease already confirmed in other organs and systems. The objective was to describe the clinical, laboratory, electrocardiographic, and imaging profile of patients with CA.</p>
      <p>A total of 105 patients were evaluated (median age of 66 years); 83 had transthyretin (ATTR) amyloidosis, and 22 had light chain (AL) amyloidosis. With respect to ATTR cases, 68.7% were the hereditary form (ATTRv), and 31.3% were wild type (ATTRw). The most prevalent mutations were V142Ile (45.6%) and V30M (40.3%). Time from onset of symptoms to diagnosis was 0.54 and 2.15 years, in the AL and ATTR forms, respectively (p &lt; 0.001). Cardiac involvement was observed in 77.9% of patients with ATTR and in 90.9% of those with AL.</p>
      <p>When interpreting these results, it is necessary to consider the design of the study (convenience sample), with retrospective data collection, which represents a partial sample of the population of patients assisted in this single center for CA, without sample size calculation or matching for important variables such as age and sex. It comprises a subpopulation who underwent cardiac imaging exams; therefore, it does not represent the real scenario of the population with CA, but rather a subgroup selected with the best prognosis for which the attending physician indicated the performing cardiac imaging exams. The authors acknowledge these limitations.</p>
      <p>It is important to emphasize that, in the dynamic process of cardiac involvement in patients with suspected and/or confirmed CA, it is extremely important to identify, with few resources, patients with CA at higher risk for the occurrence of death or recurrent cardiac events. These translate into heart rate monitoring and ventricular remodeling.</p>
      <p>More importantly, cardiovascular complications of CA over time are unavoidable, and we, as cardiologists, must consider that all patients with CA benefit from guideline-directed medical therapy for LV systolic dysfunction. The responsibility of healthcare professionals, medical societies, patient organizations, and policymakers is to work together over the long term to change the concept that CA is an intractable disease.</p>
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          <p>
            <italic>Short Editorial related to the article: Clinical, Laboratory, and Imaging Profile in Patients with Systemic Amyloidosis in a Brazilian Cardiology Referral Center</italic>
          </p>
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