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        <article-title>Arritmias Card&#237;acas e COVID-19: Lado a Lado na Pandemia</article-title>
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        <corresp id="c1"><bold>Correspond&#234;ncia: Luciana Sacilotto</bold> &#8226; Instituto do Cora&#231;&#227;o do Hospital das Cl&#237;nicas da Faculdade de Medicina da Universidade de S&#227;o Paulo - Unidade de Arritmia &#8211; Av. Dr. En&#233;as de Carvalho Aguiar, 44. CEP <postal-code>01421-001</postal-code>, S&#227;o Paulo, SP &#8211; Brasil, E-mail: <email>luciana.sacilotto@incor.usp.br</email></corresp>
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        <title>Palavras-chave</title>
        <kwd>Arritmias Card&#237;acas</kwd>
        <kwd>COVID-19</kwd>
        <kwd>Pandemias</kwd>
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    <p>A atual pandemia causada pelo novo coronav&#237;rus (SARS-COV-2), detectado inicialmente em dezembro de 2019 na cidade de Wuhan, China, mudou a din&#226;mica da sa&#250;de em todo o mundo. De acordo com os &#250;ltimos registros da Organiza&#231;&#227;o Mundial da Sa&#250;de, o n&#250;mero de casos de COVID-19 no mundo passa de 224 milh&#245;es, com o total de mortos superando 4,6 milh&#245;es.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref></sup> O aumento exponencial no n&#250;mero de casos gerou alta demanda nos servi&#231;os de sa&#250;de, e novos dados sobre a doen&#231;a e seu tratamento s&#227;o constantemente atualizados.</p>
    <p>O acometimento mais marcante na COVID-19 faz-se sobre o sistema respirat&#243;rio. Entretanto, outros sistemas s&#227;o frequentemente acometidos, como o sistema cardiovascular, levando a inj&#250;ria mioc&#225;rdica e arritmias.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B2">2</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B3">3</xref></sup></p>
    <p>A primeira descri&#231;&#227;o dos 138 casos na China mostrou que as arritmias card&#237;acas foram uma complica&#231;&#227;o em 16,7% do total de casos, subindo para 44,4% nos pacientes internados em unidade de terapia intensiva (UTI), sem distin&#231;&#227;o quanto ao tipo das arritmias encontradas.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B3">3</xref></sup> Em outro relato italiano de fevereiro de 2020, observou-se um aumento no n&#250;mero de paradas card&#237;acas extra-hospitalares de 58% em rela&#231;&#227;o ao mesmo per&#237;odo do ano anterior. Por&#233;m, o estudo n&#227;o apresentou registros dos ritmos card&#237;acos no atendimento desses pacientes, al&#233;m da n&#227;o confirma&#231;&#227;o de infec&#231;&#227;o pelo SARS-COV-2.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B4">4</xref></sup> Nesse contexto, novos estudos foram publicados com o objetivo de melhor compreender a associa&#231;&#227;o entre COVID-19 e arritmias.</p>
    <p>Os mecanismos fisiopatol&#243;gicos para as arritmias permanecem incertos na infec&#231;&#227;o pelo novo coronav&#237;rus. As hip&#243;teses s&#227;o de internaliza&#231;&#227;o e redu&#231;&#227;o de receptores da enzima conversora de angiotensina 2, hiperativa&#231;&#227;o inflamat&#243;ria e imune com aumento de citocinas, disfun&#231;&#227;o endotelial, hipoxemia, hiperativa&#231;&#227;o simp&#225;tica ou disautonomia, al&#233;m de dist&#250;rbios hidroeletrol&#237;ticos, os quais, em conjunto, causariam altera&#231;&#245;es na despolariza&#231;&#227;o e repolariza&#231;&#227;o dos mi&#243;citos, principalmente nos casos mais graves da doen&#231;a.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B5">5</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref></sup> A presen&#231;a de comorbidades pr&#233;vias e eventual substrato arritmog&#234;nico associado, al&#233;m do uso frequente de medica&#231;&#245;es que aumentam o intervalo QT podem predispor &#224; arritmia.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B2">2</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B3">3</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B7">7</xref></sup></p>
    <p>As arritmias apresentadas pelos pacientes s&#227;o variadas, com ocorr&#234;ncia de bradicardias sinusais, bloqueio atrioventricular, e taquicardias (supraventricular e ventricular). Em um estudo em hospital americano incluindo 700 pacientes que testaram positivo para SARS-COV-2, com 11% de internados em UTI, verificaram-se 53 eventos de arritmias, incluindo 25 casos de fibrila&#231;&#227;o atrial, nove casos de bradicardia, 10 casos de taquicardia ventricular n&#227;o sustentada, al&#233;m de nove paradas cardiorrespirat&#243;rias sendo seis em ritmo de atividade el&#233;trica sem pulso, dois em assistolia e um em torsades de pointes.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B8">8</xref></sup> Em uma outra an&#225;lise de dados mundiais,<sup><xref ref-type="bibr" rid="B9">9</xref></sup> englobando 4526 pacientes hospitalizados pela COVID-19 em 12 pa&#237;ses, incluindo o Brasil e a atual publica&#231;&#227;o, 827 apresentaram arritmias durante a interna&#231;&#227;o, dos quais 81,8% tiveram taquicardias supraventriculares (principalmente fibrila&#231;&#227;o atrial), 20,7% tiveram taquicardias ventriculares e 22,6% tiveram bradicardias, com uma taxa de incid&#234;ncia de arritmias de 12,9%. Nesse registro, a presen&#231;a de arritmias esteve associada a um pior progn&#243;stico, com uma maior taxa de morbimortalidade.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B9">9</xref></sup></p>
    <p>No atual cen&#225;rio, informa&#231;&#245;es sobre registros brasileiros s&#227;o relevantes. Pimentel et al.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B10">10</xref></sup> trouxeram informa&#231;&#245;es de 241 pacientes internados em hospital terci&#225;rio com diagn&#243;stico de COVID-19, confirmado por PCR, baseadas em revis&#227;o de prontu&#225;rio. Foram constatados idade m&#233;dia de 57,8 anos, necessidade de UTI em 35,3% dos casos, uso de ventila&#231;&#227;o mec&#226;nica em 58,8%, e taxa de mortalidade de 26,6%. A incid&#234;ncia de arritmias nessa popula&#231;&#227;o foi de 8,7%, sendo 76,2% taquicardias supraventriculares, 14,3% taquicardias ventriculares sustentadas e 9,5% bradicardias. Houve oito casos de parada cadiorrespirat&#243;ria em UTI, com apenas dois em ritmo choc&#225;vel (fibrila&#231;&#227;o ventricular / taquicardia ventricular sem pulso). Dentre as comorbidades elencadas, apenas a insufici&#234;ncia card&#237;aca pr&#233;via mostrou-se como fator de risco significativo para arritmias. Pacientes com arritmias durante a interna&#231;&#227;o tiveram uma maior chance de evolu&#231;&#227;o a &#243;bito (<italic>hazard ratio</italic>, 3,4, IC 95% 1,8-6,7, p &lt;0,05), em concord&#226;ncia com achados internacionais.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B9">9</xref></sup></p>
    <p>Dessa forma, o presente estudo agrega dados sobre a associa&#231;&#227;o entre infec&#231;&#227;o pelo SARS-COV-2 e as arritmias card&#237;acas, apesar de um n&#250;mero limitado de pacientes em registro unic&#234;ntrico. Ademais, vale destacar que a maioria dos estudos realizados mundialmente at&#233; o momento consiste em revis&#227;o de prontu&#225;rio, com o diagn&#243;stico das arritmias por meio de monitores, nem sempre documentadas com ECG de 12 deriva&#231;&#245;es, al&#233;m da baixa taxa de utiliza&#231;&#227;o de telemetria em leitos de enfermaria, podendo subestimar sua real incid&#234;ncia.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B8">8</xref>&#8211;<xref ref-type="bibr" rid="B10">10</xref></sup> Estudos multic&#234;ntricos com maior n&#250;mero de pacientes de diversos n&#237;veis de gravidade s&#227;o necess&#225;rios para uma melhor compreens&#227;o da rela&#231;&#227;o causa-consequ&#234;ncia entre arritmias e mortalidade, e defini&#231;&#227;o das medidas de preven&#231;&#227;o, vigil&#226;ncia e tratamento.</p>
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        <p>Minieditorial referente ao artigo: Arritmias Card&#237;acas em Pacientes com COVID-19</p>
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      <title>Refer&#234;ncias</title>
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          <article-title>Disease Severity Affects Ventricular Repolarization Parameters in Patients With COVID-19</article-title>
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          <article-title>Cardiac Arrhythmias in Patients with COVID-19</article-title>
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        <article-title>Cardiac Arrhythmias and COVID-19: Side-By-Side in the Pandemic</article-title>
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        <corresp id="c2"><bold>Mailing Address: Luciana Sacilotto</bold> &#8226; Instituto do Cora&#231;&#227;o do Hospital das Cl&#237;nicas da Faculdade de Medicina da Universidade de S&#227;o Paulo - Unidade de Arritmia &#8211; Av. Dr. En&#233;as de Carvalho Aguiar, 44. Postal Code <postal-code>01421-001</postal-code>, S&#227;o Paulo, SP &#8211; Brazil, E-mail: <email>luciana.sacilotto@incor.usp.br</email></corresp>
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        <title>Keywords</title>
        <kwd>Arrhythmias, Cardiac</kwd>
        <kwd>COVID-19</kwd>
        <kwd>Pandemics</kwd>
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    <body>
      <p>The current pandemic caused by the new coronavirus (SARS-CoV-2), which was first detected in Wuhan, China, in December 2019, has changed healthcare services worldwide. According to recent reports of the World Health Organization, there are more than 224 million cases of COVID-19 in the world, with deaths surpassing 4.6 million.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref></sup> The exponential increase in the number of cases has caused an impact on healthcare demand, and data on COVID-19 and its treatment have been constantly updated.</p>
      <p>Although the respiratory system is the most affected by the SARS-CoV-2, other systems are commonly involved, including the cardiovascular system, leading to myocardial injury and arrythmias.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B2">2</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B3">3</xref></sup></p>
      <p>In the first report of the 138 cases in China, cardiac arrhythmias were observed in 16.7% of total cases, and in 44.4% of intensive care unit (ICU) patients, with no distinction in the type of arrhythmias.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B3">3</xref></sup> In another report from Italy, published in February 2020, the number of cases of out-of-hospital cardiac arrest increased by 58% as compared with the number of cases identified during the same period in the previous year. However, the study neither presented detailed information on heart rhythm nor confirmed SARS-CoV-2 infection. In this context, recent studies have been conducted aiming at better understanding the association between COVID-19 and cardiac arrhythmias.</p>
      <p>The pathophysiological mechanisms of arrhythmia are still uncertain in COVID-19; hypotheses include internalization and reduction of angiotensin-converting enzyme 2 receptors, inflammatory and immune hyperactivation with increased cytokines, endothelial dysfunction, hypoxemia, sympathetic hyperactivation or dysautonomia, which altogether, cause changes in myocyte depolarization and repolarization, mainly in severe cases of the disease.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B5">5</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref></sup> The presence of previous comorbidities and eventual arrhythmogenic substrate, combined with the frequent use of drugs that prolong the QT interval, may predispose to arrhythmia.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B2">2</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B3">3</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B7">7</xref></sup></p>
      <p>Patients may present many types of arrhythmias, with occurrence of sinus bradycardia, atrioventricular block, and tachycardias (ventricular and supraventricular). In a study conducted in an American hospital with 700 patients with positive result for SARS-CoV-2, 11% received ICU care, there were 53 arrhythmia events, including 25 cases of atrial fibrillation, nine cases of bradycardia, 10 cases of nonsustained ventricular tachycardia, and nine cases of cardiorespiratory arrest, six of them pulseless electrical activity, two asystolic cardiac arrest and one case of torsades de pointes.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B8">8</xref></sup> In another analysis of world data,<sup><xref ref-type="bibr" rid="B9">9</xref></sup> encompassing 4,526 patients hospitalized for COVID-19 in 12 countries, including Brazil and the current publication, 827 patients had arrhythmias during hospitalization; 81.8% of them had supraventricular tachycardia (mainly atrial fibrillation), 20.7% had ventricular tachycardia, and 22.6% had bradycardia, with an incidence of arrhythmia of 12.9%. In this study, the presence of arrhythmias was associated with a poor prognosis, with higher rate of morbidity and mortality.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B9">9</xref></sup></p>
      <p>In the current scenario, data on Brazilian registries are relevant. Pimentel et al.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B10">10</xref></sup> presented data of 241 patients admitted to a tertiary hospital with a diagnosis of COVID-19, confirmed by real-time PCR, based on medical record review. Mean age of participants was 57.8 years, 35.5% of the cases required intensive care therapy, 58.8% required mechanical ventilation, and mortality rate was 26,6%. The incidence of arrhythmias was 8,7%, of which 76,2% were supraventricular tachycardia, 14,3% were sustained ventricular tachycardia and 9,5% were bradycardia. There were eight cases of cardiorespiratory arrest in the ICU, only two with a shockable rhythm (ventricular fibrillation / pulseless ventricular tachycardia). Among the comorbidities analyzed, only previous heart failure was shown to be a significant risk factor for arrhythmia. Patients who had arrhythmias during hospitalization had greater odds of death (hazard ratio, 3.4. 95%CI 1.8-6.7; p&lt;0.05), in accordance with results of studies conducted in other countries.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B9">9</xref></sup></p>
      <p>Thus, despite its limited number of patients and single-center registry, the present study provides data on the association between SARS-CoV-2 infection and cardiac arrhythmias. Also, it is worth pointing out that most of the studies carried out in the world consist of medical chart reviews, in which diagnosis of arrhythmias was based on rhythm monitoring, sometimes without a 12-lead electrocardiogram, and a minor use of telemetry in the ward, which may underestimate the real incidence of arrhythmias. Multicentric studies with larger number of patients including different disease severity are needed for a better association between arrhythmias and mortality, so as to define measurements of prevention, surveillance and treatment.</p>
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          <p>Short Editorial related to the article: Cardiac Arrhythmias in Patients with COVID-19</p>
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