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        <corresp id="c01"> Correspond&#234;ncia: Luciano F. Drager &#8226; Unidade de Hipertens&#227;o, Instituto do Cora&#231;&#227;o (InCor), Faculdade de Medicina da Universidade de S&#227;o Paulo &#8211; Av. Dr. Eneas de Carvalho Aguiar, 44. CEP 05403-900, S&#227;o Paulo, SP - Brasil. E-mail: <email>luciano.drager@incor.usp.br</email> </corresp>
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    <p>A hipertens&#227;o &#233; uma das principais causas de morte cardiovascular.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref></sup> De fato, dados do <italic>Heart and Stroke Statistics</italic> mostraram que 45% da mortalidade cardiovascular &#233; potencialmente atribu&#237;da &#224; hipertens&#227;o.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref></sup> Esse cen&#225;rio preocupante n&#227;o mudou nas &#250;ltimas d&#233;cadas, apesar da disponibilidade das interven&#231;&#245;es n&#227;o-farmacol&#243;gicas e o desenvolvimento de v&#225;rias classes de rem&#233;dios anti-hipertensivos que efetivamente contribu&#237;ram para o controle da press&#227;o arterial (PA).<sup><xref ref-type="bibr" rid="B2">2</xref> - <xref ref-type="bibr" rid="B5">5</xref></sup> As raz&#245;es de nossa baixa efetividade no controle da PA no n&#237;vel populacional s&#227;o m&#250;ltiplas, incluindo a falta de pol&#237;ticas p&#250;blicas organizadas que regulem o consumo de sal e aumentem a conscientiza&#231;&#227;o, a detec&#231;&#227;o precoce e o tratamento efetivo. Desafios adicionais incluem a caracter&#237;stica assintom&#225;tica da hipertens&#227;o, in&#233;rcia terap&#234;utica, entre outros.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref></sup></p>
    <p>Nesta edi&#231;&#227;o dos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, Jardim et al.,<sup><xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref></sup> relataram dados de um estudo retrospectivo explorando uma estrat&#233;gia de equipe multidisciplinar na taxa de controle da press&#227;o arterial (estabelecida no tradicional &lt;140/90 mmHg). Os autores avaliaram dados demogr&#225;ficos e cl&#237;nicos de 1.548 pacientes hipertensos de um centro especializado em hipertens&#227;o, acompanhados regularmente por 7,6 &#177; 7,1 anos (m&#233;dia de idade de 62 anos, 73,6% de mulheres).</p>
    <p>A abordagem multidisciplinar descrita pelos autores consistiu na disponibilidade de enfermeiros, nutricionistas, terapeutas ocupacionais, educadores f&#237;sicos, psic&#243;logos e musicoterapeutas trabalhando em conjunto com os m&#233;dicos da equipe (cl&#237;nicos gerais, cardiologistas, endocrinologistas e nefrologistas). O intervalo m&#225;ximo para consultas m&#233;dicas foi de 3 meses. De acordo com as necessidades dos pacientes (determinados pela avalia&#231;&#227;o cl&#237;nica), os m&#233;dicos agendavam visitas aos profissionais mencionados acima em uma demanda flex&#237;vel. Al&#233;m disso, foram realizadas atividades educacionais e de promo&#231;&#227;o da sa&#250;de a cada duas semanas com os pacientes. Toda essa informa&#231;&#227;o foi registrada em um formul&#225;rio padronizado. Usando essa estrat&#233;gia, os autores descobriram que essa abordagem de equipe multidisciplinar estava associada a um controle geral da press&#227;o arterial de 68%, sendo mais acentuado naqueles com idade &#8805;60 anos (OR 1,45; IC 95% [1,13-1,90]) e em mulheres (OR 1,36; IC95% [1,09-1,88]). Por outro lado, pacientes com diabetes foram associados a uma menor probabilidade de atingir a meta de PA em compara&#231;&#227;o com pacientes sem diabetes. Curiosamente, n&#227;o foram observadas diferen&#231;as significativas no n&#250;mero de medicamentos anti-hipertensivos nos grupos que controlaram ou n&#227;o a PA. Esse achado sugere que a ades&#227;o a essa abordagem multidisciplinar pode variar, como geralmente observado em qualquer outra interven&#231;&#227;o.</p>
    <p>Vale ressaltar o m&#233;rito do servi&#231;o relacionado, cuja pr&#225;tica multidisciplinar &#233; adotada, de acordo com os autores, h&#225; mais de 25 anos.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref></sup> O controle da PA &#233; impressionante, considerando as estimativas atuais do controle da PA no Brasil (geralmente abaixo de 30% em estudos individuais).<sup><xref ref-type="bibr" rid="B3">3</xref></sup> De maneira geral, a principal contribui&#231;&#227;o dessa investiga&#231;&#227;o &#233; que a literatura &#233; relativamente escassa (principalmente de grandes estudos multic&#234;ntricos observacionais ou randomizados) ao abordar o impacto potencial de uma equipe multidisciplinar em pacientes com hipertens&#227;o. Estudos anteriores envolvendo tamanhos de amostras modestos sugeriram a import&#226;ncia dos enfermeiros na melhora da ades&#227;o a tratamentos anti-hipertensivos e do efeito de jaleco branco.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref> - <xref ref-type="bibr" rid="B11">11</xref></sup> Da mesma forma, a abordagem ativa de farmac&#234;uticos, educadores f&#237;sicos e nutricionistas parece contribuir para melhorar a ades&#227;o e o controle da PA.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B12">12</xref> , <xref ref-type="bibr" rid="B13">13</xref></sup> Entretanto, &#233; crucial definir se toda a estrutura de equipe dispon&#237;vel (e n&#227;o os &#8216;compartimentos&#8217; distintos) pode contribuir para a efic&#225;cia do controle da PA. Em outras palavras, o todo &#233; melhor do que qualquer componente individual ou a soma das partes?</p>
    <p>O estudo realizado por Jardim et al. n&#227;o foi projetado para abordar essa quest&#227;o, mas destacou que a luta contra a hipertens&#227;o n&#227;o se baseia em um &#250;nico ator. Infelizmente, a falta de um grupo controle (por exemplo, pacientes de outros centros sem acesso a uma abordagem de equipe multidisciplinar organizada) e o desenho retrospectivo impedem conclus&#245;es definitivas, mas abrem caminho para futuras investiga&#231;&#245;es nesta importante &#225;rea de pesquisa. Aten&#231;&#227;o especial deve ser dedicada aos pacientes com diabetes. A menor taxa de controle da PA nos desafia a realizar esfor&#231;os extras nessa popula&#231;&#227;o de alto risco cardiovascular.</p>
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    <body>
      <p>Hypertension is one of the leading causes of cardiovascular death.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref></sup> Indeed, data from the Heart and Stroke Statistics showed that 45% of the cardiovascular mortality is potentially attributed to hypertension.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref></sup> This worrying scenario has not been changing in the last decades despite the availability of non-pharmacological interventions and the development of several anti-hypertensive classes that effectively contributed to blood pressure (BP) control.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B2">2</xref> - <xref ref-type="bibr" rid="B5">5</xref></sup> The reasons for our low effectiveness in controlling BP at the population level are multiple, including the lack of organized public policies regulating salt consumption and increasing awareness, early detection, and effective treatment. Additional challenges include the asymptomatic characteristic of hypertension, therapeutic inertia, among others.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref></sup></p>
      <p>In this edition of the <italic>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</italic> , Jardim et al.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref></sup> reported data from a retrospective study exploring a multidisciplinary team strategy in the rate of BP control (set at the traditional &lt;140/90 mmHg). The authors evaluated demographic and clinical data of 1548 hypertensive patients from a specialized hypertension center who have been followed up regularly for 7.6 &#177; 7.1 years (mean age 62 years, 73.6% women). The multidisciplinary approach described by the authors consisted by the availability of nurses, nutritionists, occupational therapists, physical educators, psychologists and music therapists working in conjunction with the staff physicians (general practitioners, cardiologists, endocrinologists, and nephrologists). The maximal interval for medical outpatient visits was 3 months. According to the patients&#8217; needs (determined by the clinical evaluation), the physicians scheduled visits to the professionals mentioned above in a flexible demand. In addition, educational and health promotion activities were performed every two weeks with patients. All this information was recorded on a standardized form. Using this strategy, the authors found that this multidisciplinary team approach was associated with an overall 68% BP control, being more prominent in those aged &#8805;60 years (OR 1.45; 95% CI [1.13-1.90]), and females (OR 1.36; 95% CI [1.09-1.88]). In contrast, patients with diabetes were associated with a lower probability of reaching the BP target compared to patients without diabetes. Interestingly, no significant differences in the number of anti-hypertensive drugs were observed in the groups who controlled or not BP. This finding suggests that the adherence of this multidisciplinary approach may vary as usually observed with any other intervention.</p>
      <p>It is worth mentioning the merit of the related service, whose multidisciplinary practice has been adopted, according to the authors, for over 25 years.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref></sup> The BP control is impressive, considering the current estimates of BP control in Brazil (usually lower than 30% in individual studies).<sup><xref ref-type="bibr" rid="B3">3</xref></sup> Overall, this investigation&#8217;s major contribution is that the literature is relatively scarce (particularly from large multicenter observational or randomized studies) in addressing the potential impact of a multidisciplinary team in patients with hypertension. Previous studies involving modest sample sizes suggested the importance of nurses in improving adherence to anti-hypertensive treatments and white coat-effect.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref> - <xref ref-type="bibr" rid="B11">11</xref></sup> Similarly, the active approach from pharmacists, physical educators, and nutritionists seem to contribute to improving adherence and BP control.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B12">12</xref> , <xref ref-type="bibr" rid="B13">13</xref></sup> However, it is crucial to define if the whole team structure available (and not distinct &#8216;compartments&#8217;) may contribute to the effectiveness of BP control. In other words, is the whole better than any individual component or the sum of the parts? The study conducted by Jardim et al. was not designed to address this question but highlighted that the fight against hypertension is not based on a single actor. Unfortunately, the lack of a control group (for instance, patients from other centers with no access to an organized multidisciplinary team approach) and the retrospective design prevent any definitive conclusions but pave the way for future investigations in this important research area. Particular attention should be devoted to patients with diabetes. The lower rate of BP control challenging us for extra efforts for this high cardiovascular risk population.</p>
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          <p>
            <italic>Short Editorial related to the article: Blood Pressure Control and Associated Factors in a Real-World Team-Based Care Center</italic>
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