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        <journal-title>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</journal-title>
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      <article-id pub-id-type="doi">10.36660/abc.20200527</article-id>
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          <subject>Editorial</subject>
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        <article-title>Por que Desenvolvemos Modelos &#8211; Da Pr&#225;tica Cl&#237;nica de Cardiologia a Epidemias de Doen&#231;as Infecciosas</article-title>
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        <corresp id="c01"> Correspond&#234;ncia: Marcio Sommer Bittencourt &#8226; Av. Lineu Prestes, 2565. CEP 05508-000, S&#227;o Paulo, SP - Brasil E-mail: <email>msbittencourt@mail.harvard.edu</email>
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        <kwd>Doen&#231;as Cardiovasculares</kwd>
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        <kwd>Medi&#231;&#227;o de Risco</kwd>
        <kwd>Comportamento de Redu&#231;&#227;o de Risco</kwd>
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    <p>Francisco, 64 anos, vem ao seu consult&#243;rio para uma avalia&#231;&#227;o preventiva. Ele tem um hist&#243;rico de hipertens&#227;o bem controlada e n&#227;o tem nenhuma queixa. N&#227;o tem outras comorbidades ou doen&#231;as pr&#233;vias. N&#227;o h&#225; hist&#243;rico familiar de doen&#231;a cardiovascular ou tabagismo e LDL-colesterol (LDL-C) &#233; de 90 mg/dL. Depois de discutir com o paciente, voc&#234; n&#227;o tem certeza se o perfil de benef&#237;cio de risco desse paciente justificaria uso de estatina. Em vez de confiar em sua sensa&#231;&#227;o subjetiva, voc&#234; decide usar o escore de risco de Framingham (FRS) para definir o uso de estatina.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref></sup> Como o risco calculado pelo FRS foi de 8,1%, voc&#234; decide n&#227;o iniciar estatina neste momento.</p>
    <p>Um m&#234;s depois, Francisco retorna com angina t&#237;pica aos grandes esfor&#231;os, mas sem sinais de instabilidade. Mais uma vez para evitar excesso de confian&#231;a apenas em sua impress&#227;o inicial, voc&#234; decide usar a escala de predi&#231;&#227;o de dor tor&#225;cica Diamond e Forrester (DF), que estima a probabilidade pr&#233;-teste de doen&#231;a arterial coronariana obstrutiva (DAC).<sup><xref ref-type="bibr" rid="B2">2</xref></sup> Para um homem na idade dele, a regra sugere uma probabilidade pr&#233;-teste de 94% (alta probabilidade) e voc&#234; decide solicitar uma cineangiocoronariografia invasiva.</p>
    <p>Antes de realizar o exame, Francisco apresenta piora da dor tor&#225;cica mesmo em repouso. O paciente procura o pronto-socorro. A dosagem de troponinas est&#225; normal e o ECG em repouso tem infradesinvelamento do segmento ST de 1 mm nas deriva&#231;&#245;es anteriores. O escore de risco de TIMI &#233; de 1, indicando baixo risco.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B3">3</xref></sup> O paciente &#233; internado por 48 horas, passa por um teste de esteira negativo limitado pela baixa capacidade f&#237;sica, mas recebe alta para casa com a medica&#231;&#227;o apropriada. Uma semana depois, ele retorna ao hospital com infarto do mioc&#225;rdio com supra de ST. Ele &#233; levado para a angioplastia prim&#225;ria de les&#227;o grave em ter&#231;o m&#233;dio de art&#233;ria coron&#225;ria m&#233;dia direita. Depois de tr&#234;s dias no hospital, ele tem alta.</p>
    <p>Os escores de FRS, DF ou TIMI foram corretos ou incorretos na estratifica&#231;&#227;o de risco? Eles conseguiram prever o que aconteceu com o paciente? O FRS estratificou o paciente como baixo risco, &lt;10% de risco de um evento cardiovascular maior em 10 anos. O DF sugeriu presen&#231;a quase certa de DAC obstrutiva, enquanto o escore de risco de TIMI sugeriu baixo (5%) risco de morte, infarto agudo do mioc&#225;rdio (IAM) recorrente ou isquemia grave em duas semanas. No entanto, o paciente apresentou IAM menos de uma semana depois.</p>
    <p>Os cardiologistas s&#227;o acostumados a utilizar escores de risco derivados de modelos de predi&#231;&#227;o. Os modelos s&#227;o simplifica&#231;&#245;es da vida real, o que os torna mais generaliz&#225;veis para uma popula&#231;&#227;o mais ampla e externamente v&#225;lidos para outros indiv&#237;duos al&#233;m da coorte inicial de pacientes onde os escores foram desenvolvidos. Esses modelos selecionam um n&#250;mero limitado de vari&#225;veis consideradas de maior import&#226;ncia para prever o desfecho desejado. No entanto, v&#225;rias premissas s&#227;o feitas para cada vari&#225;vel e para a popula&#231;&#227;o a que se aplicam. Se tais suposi&#231;&#245;es mudarem, o modelo pode n&#227;o ser mais v&#225;lido ou pode precisar ser recalculado ou recalibrado para se adequar ao novo ambiente. Por exemplo, o FRS considera apenas as condi&#231;&#245;es de fumante ou n&#227;o fumante. Assim, ex-fumantes s&#227;o considerados de risco semelhante aos n&#227;o fumantes, enquanto indiv&#237;duos que fumam dois cigarros por dia s&#227;o considerados de risco semelhante aos que fumam tr&#234;s ma&#231;os por dia. Esses aspectos podem levar a imprecis&#227;o na estimativa individual de risco. No entanto, eles podem ter implica&#231;&#245;es muito maiores quando tais mudan&#231;as no valor de cada vari&#225;vel ocorrem em n&#237;vel populacional. Por exemplo, quando o FRS foi derivado, o fumante m&#233;dio fumava de um a dois ma&#231;os por dia. Atualmente, a maioria dos fumantes fuma menos de um quarto disso. Assim, a aplica&#231;&#227;o da vers&#227;o antiga do FRS na atualidade pode resultar em uma estimativa de risco incorreta.</p>
    <p>Essas dificuldades no uso de modelos de predi&#231;&#227;o s&#227;o conhecidas pelo cardiologista. Inclusive, a maioria dos escores s&#227;o eventualmente atualizados para aumentar a precis&#227;o com o uso de vari&#225;veis novas ou recalibradas. Usando o exemplo de caso acima, pode-se sugerir o escore americano de doen&#231;a cardiovascular ateroscler&#243;tica ( <italic>atherosclerotic cardiovascular disease</italic> &#8212; ASCVD) em vez do FRS. Utilizando o escore ASCVD, o risco de eventos cardiovasculares maiores em 10 anos seria de 10,6% e, de acordo com as novas diretrizes, seria recomendado o uso de estatina para reduzir o risco cardiovascular desse paciente.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B4">4</xref></sup> Espera-se que esse modelo atualizado seja mais preciso para predizer risco.</p>
    <p>Em outras situa&#231;&#245;es, pode-se at&#233; considerar que o modelo n&#227;o seja mais &#250;til e toda a abordagem deva ser diferente. Por exemplo, pode-se dizer que um infradesnivelamento do segmento ST de 1 mm em repouso configuraria alto risco independente de outras caracter&#237;sticas cl&#237;nicas. Nesse caso, o paciente teria sido encaminhado para cineangiocoronariografia invasiva durante a primeira interna&#231;&#227;o e poderia n&#227;o ter apresentado o IAM subsequente.</p>
    <p>Finalmente, se o paciente tivesse realizado a cineangiocoronariografia antes de apresentar instabiliza&#231;&#227;o, ele poderia ter sido adequadamente tratado com aspirina, estatinas, betabloqueadores e outras medica&#231;&#245;es. Nesse cen&#225;rio, esse paciente poderia ter vivido mais 10 anos sem qualquer outra complica&#231;&#227;o cardiovascular. Nesse caso, considerar&#237;amos o seu FRS inicial como certo ou errado?</p>
    <p>Os modelos n&#227;o devem ser avaliados tardiamente para serem julgados como certos ou errados. A quest&#227;o correta &#233; se o modelo foi adequadamente desenhado para a situa&#231;&#227;o em que est&#225; sendo utilizado, se o resultado que pretende prever &#233; de interesse e se as informa&#231;&#245;es fornecidas s&#227;o incrementais ao que &#233; conhecido no momento em que o modelo &#233; utilizado. Quando tais premissas s&#227;o atendidas, os modelos podem levar a decis&#245;es mais bem informadas que podem ter impacto significativo. No caso acima, o uso adequado do escore ASCVD na apresenta&#231;&#227;o inicial ou uma interpreta&#231;&#227;o diferente do infradesnivelamento do segmento ST poderia ter levado a mudan&#231;as no tratamento que poderiam alterar completamente a hist&#243;ria da doen&#231;a desse paciente.</p>
    <p>Embora os cardiologistas cl&#237;nicos mais experientes n&#227;o se surpreendam com tais peculiaridades da modelagem da predi&#231;&#227;o de risco, elas nem sempre s&#227;o bem compreendidas pelo p&#250;blico leigo. Um problema semelhante &#233; agora observado com destaque dado aos modelos epidemiol&#243;gicos para a previs&#227;o do surto de COVID-19. Um modelo inicial publicado pelo Imperial College London sugeriu que o surto poderia ter grande impacto em todo o mundo,<sup>5</sup> com mortes relacionadas &#224; COVID-10 atingindo milh&#245;es nos Estados Unidos e no Reino Unido. O modelo tamb&#233;m estimou o impacto de poss&#237;veis interven&#231;&#245;es para controlar o surto que poderiam levar a uma redu&#231;&#227;o colossal nas mortes. Outros modelos se seguiram, com n&#250;meros muito mais baixos, &#224;s vezes com ordens de magnitude inferiores aos cen&#225;rios anteriores. Isso levou diversas vozes da comunidade cient&#237;fica, imprensa leiga e p&#250;blico em geral a fazer cr&#237;ticas incisivas contra esses modelos iniciais. A maior parte delas usando dados atuais ou proje&#231;&#245;es mais novas para ilustrar o qu&#227;o &#8220;errado&#8221; o modelo inicial estava.</p>
    <p>O desenvolvimento de modelos epidemiol&#243;gicos para a COVID-19 tem pouca semelhan&#231;a com os modelos mais simples utilizados para a previs&#227;o de risco em cardiologia, mas ambos utilizam dados atuais e pr&#233;vios para projetar um cen&#225;rio futuro e tentar estimar o valor das interven&#231;&#245;es para reduzir o risco de desfechos negativos. No entanto, devido ao tempo limitado desde que a COVID-19 foi descoberta, v&#225;rios par&#226;metros relacionados ao comportamento do v&#237;rus s&#227;o estimados com base em dados preliminares bastante restritos. &#192;s vezes, quando n&#227;o h&#225; dados dispon&#237;veis, os par&#226;metros s&#227;o apenas estimativas imprecisas baseadas em outras doen&#231;as ou condi&#231;&#245;es semelhantes mais conhecidas. Al&#233;m disso, esses modelos dependem da transmiss&#227;o viral, um processo complexo que pode envolver par&#226;metros dif&#237;ceis de estimar, como o n&#250;mero m&#233;dio de intera&#231;&#245;es sociais que cada indiv&#237;duo tem ou a densidade demogr&#225;fica em cada &#225;rea. Algumas dessas informa&#231;&#245;es n&#227;o est&#227;o facilmente dispon&#237;veis, e mais uma vez uma estimativa imprecisa pode ser utilizada pelos pesquisadores. Um exemplo &#233; o uso de dados do Peru em um dos modelos do ICL para o cen&#225;rio brasileiro para uma vari&#225;vel em que dados locais n&#227;o estavam dispon&#237;veis para o Brasil. Com vari&#225;veis t&#227;o limitadas, n&#227;o surpreende que tais modelos tenham grande variabilidade.</p>
    <p>No entanto, isso &#233; apenas uma parte da quest&#227;o ao interpretar modelos ap&#243;s surto. Embora mudan&#231;as espec&#237;ficas nas interven&#231;&#245;es possam ser consideradas no modelo, &#233; imposs&#237;vel &#8220;prever&#8221; como o governo ou a popula&#231;&#227;o se comportar&#227;o no futuro, assim como n&#227;o se pode prever se o paciente come&#231;ar&#225; a fumar quando o risco cardiovascular &#233; inicialmente calculado, como no caso inicial. Mesmo que o distanciamento fisico seja considerado no modelo, seu verdadeiro impacto depende do quanto a popula&#231;&#227;o segue tais medidas. Por exemplo, embora medidas rigorosas para aumentar o distanciamento social tenham sido propostas para a cidade de S&#227;o Paulo, o governo reconhece que elas n&#227;o alcan&#231;aram mais da metade do efeito esperado. Logo, sabe-se que seu impacto tamb&#233;m ser&#225; menor.</p>
    <p>No entanto, mesmo que os modelos sejam bem sucedidos, eles podem ser interpretados como incorretos no futuro. Por exemplo, o modelo supracitado do ICL apresentou um cen&#225;rio t&#227;o catastr&#243;fico que levou a mudan&#231;as em pol&#237;ticas p&#250;blicas substanciais em todo o mundo. Se essas mudan&#231;as levarem a uma redu&#231;&#227;o da taxa de mortalidade devido a sua implementa&#231;&#227;o precoce e eficaz, tal redu&#231;&#227;o nas mortes poderia levar a afirma&#231;&#245;es de que o modelo estava &#8220;errado&#8221; pois tinha estimado muito mais mortes.</p>
    <p>Outro aspecto importante dos modelos durante uma epidemia como a COVID-19 &#233; que quanto mais cedo eles s&#227;o criados, menos informa&#231;&#245;es est&#227;o dispon&#237;veis, levando a um modelo menos preciso. No entanto, quanto mais cedo o modelo for desenvolvido, maior ser&#225; o impacto das interven&#231;&#245;es derivadas dele. Em um mundo de informa&#231;&#245;es perfeitas, a COVID-19 poderia ter sido extinta se as informa&#231;&#245;es que temos atualmente sobre a doen&#231;a estivessem dispon&#237;veis quando o primeiro caso foi diagnosticado e ele e seus contatos tivessem sido isolados desde o princ&#237;pio. Por outro lado, o conhecimento perfeito de todos os detalhes da transmiss&#227;o e propaga&#231;&#227;o viral seriam de pouco impacto social depois que o surto terminasse. Assim, resta-nos conviver com as incertezas e imprecis&#245;es derivadas dos modelos e esperamos que tais modelos apare&#231;am em tempo de orientar interven&#231;&#245;es pol&#237;ticas eficazes.</p>
    <p>Assim, para termos modelos bem sucedidos, precisamos aceitar, entender e reconhecer tais limita&#231;&#245;es. Al&#233;m disso, precisamos ser humildes para ajustar as velas &#224;s condi&#231;&#245;es do vento e atualizar e melhorar nossos modelos ao longo do caminho. Cada modelo s&#243; deve ser julgado tendo em conta o momento em que foi desenvolvido, incluindo as limita&#231;&#245;es do conhecimento dispon&#237;vel na &#233;poca. No final, seria como para o caso do Sr. Francisco: poder&#237;amos ter melhorado a previs&#227;o inicial de risco e a hist&#243;ria de sua vida com um modelo inicial melhor para estimar seu risco cardiovascular. No entanto, ap&#243;s seu infarto do mioc&#225;rdio, mesmo a informa&#231;&#227;o perfeita da estratifica&#231;&#227;o de seu risco cardiovascular seria de pouco valor. Assim como na pr&#225;tica cl&#237;nica, ao avaliar esses modelos epidemiol&#243;gicos, devemos abster-nos de ser m&#233;dicos do dia seguinte, que est&#227;o sempre certos depois que o diagn&#243;stico j&#225; &#233; conhecido. Em vez de apontar agressivamente os dedos para modelos que sabemos ser incertos, sejamos humildes e pr&#225;ticos ao avali&#225;-los. O modelo foi capaz de informar melhor as interven&#231;&#245;es na sua &#233;poca, e foi capaz de reduzir, mesmo que por pouco, as imprecis&#245;es que t&#237;nhamos? Se sim, ent&#227;o o modelo foi &#250;til, mesmo que estivesse errado.</p>
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          <article-title>An&#225;lise da probabilidade como aux&#237;lio no diagn&#243;stico cl&#237;nico da doen&#231;a coronariana-arterial</article-title>
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          <subject>Editorial</subject>
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        <article-title>Why We Build Models &#8211; From Clinical Cardiology Practice to Infectious Disease Epidemics</article-title>
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            <surname>Bittencourt</surname>
            <given-names>Marcio Sommer</given-names>
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            <sup>3</sup>
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      <author-notes>
        <corresp id="c01001">Mailing Address: Marcio Sommer Bittencourt &#8226; Av. Lineu Prestes, 2565. Postal Code 05508-000, S&#227;o Paulo, SP - Brazil E-mail: msbittencourt@mail.harvard.edu</corresp>
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        <kwd>Cardiovascular Diseases</kwd>
        <kwd>Biomarkers</kwd>
        <kwd>Risk Factors</kwd>
        <kwd>Risk Assessment</kwd>
        <kwd>Risk Reduction Behavior</kwd>
        <kwd>Prevention and Control</kwd>
        <kwd>Coronavirus</kwd>
        <kwd>COVID-19</kwd>
        <kwd>Pandemics</kwd>
      </kwd-group>
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    <body>
      <p>Francisco, 64 years old, comes to your office for a preventive health evaluation. He has a history of well-controlled hypertension and is otherwise well. His past medical history is unremarkable. No family history of cardiovascular disease or smoking and LDL-cholesterol (LDL-C) of 90 mg/dL. After discussing with the patient, you are unsure if this patient&#8217;s risk benefit profile would favor the use of statins. Instead of trusting your personal feelings, you decide to use the Framingham risk score (FRS) to decide if statins would be recommended.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref></sup> The calculated Framingham score is 8.1% and you decide not to initiate statins at this point.</p>
      <p>One month later, Francisco returns to your office with typical angina on major exertion but has no signs of unstable disease. Once again, to avoid overconfidence on your initial impression, you decide to use the Diamond and Forrester (DF) chest pain prediction rule, which estimates the pretest probability of obstructive coronary artery disease (CAD).<sup><xref ref-type="bibr" rid="B2">2</xref></sup> For a male at his age, the rule suggests a pretest probability of 94% (high probability), so you decide to request an invasive angiography in the outpatient setting.</p>
      <p>A couple of days before the test, Francisco calls you complaining of worsening chest pain similar to the previous presentation, but now at rest. You tell the patient to go to the emergency room, where troponins are normal and resting ECG has 1 mm ST-segment depression in the inferior leads. Calculated TIMI risk score is 1, indicating low risk.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B3">3</xref></sup> The patient is admitted for 48 hours, undergoes a negative treadmill test limited by poor physical performance and is discharged home with appropriate medication. One week later, he returns to the hospital with ST-segment elevation myocardial infarction. He is rushed to the Cath lab and a severe lesion in the mid right coronary artery is documented. He undergoes a percutaneous coronary intervention. After three days in the hospital, he is discharged home.</p>
      <p>Were the FRS, the DF or the TIMI risk scores correct or incorrect? Were the scores able to predict what happened to the patient? The FRS stratified the patient as low risk, meaning less than 10% risk of a major cardiovascular event in 10 years. The DF suggested an almost certain presence of obstructive CAD, whereas the TIMI risk score suggested low (5%) risk of death, recurrent myocardial infarction (MI) or severe ischemia requiring urgent revascularization in two weeks. Yet, the patient presented MI less than one week later.</p>
      <p>Cardiologists are used to risk scores derived from risk prediction models. Models are simplifications of real life, and such simplifications make models generalizable to a broader population and externally valid to other individuals beyond the initial cohort of patients where they were developed. The models select a limited number of variables considered of higher importance to predict the desired outcome, but several assumptions are made based on each of those variables and the population they apply to. If such assumptions change, the model may no longer be valid or it might need to be recalculated or recalibrated to fit the new environment. For example, the FRS considers smoking as present or absent. Thus, past smokers are considered of similar risk to non-smokers. Also, individuals smoking two cigarettes a day are considered just like those smoking three packs a day. While those aspects may lead to imprecision when estimating the risk of an individual, they can have much broader implications when such changes in the value of each parameter occur at the population level. For example, when the FRS was derived, an average smoker would smoke one to two packs a day. Currently, most smokers smoke less than a quarter than that. Thus, applying the old version of the FRS in the current reality might result in an incorrect risk estimation.</p>
      <p>This issues with models are known to cardiologists, and most scores are, at some point, updated to recalibrate and improve precision using new or recalibrated variables. Using the example case above, one might suggest the use of the atherosclerotic cardiovascular disease (ASCVD) score instead of the FRS. Using the ASCVD score, the 10-year risk of major cardiovascular events would be 10.6% and, according to newer guidelines, statins would be recommended to reduce this patient&#8217;s cardiovascular risk.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B4">4</xref></sup> This updated risk stratification score is expected to be more accurate.</p>
      <p>In other situations, we may even consider the model as no longer useful and the entire approach should be different. For example, one could say 1 mm ST-segment depression at rest would characterize high risk irrespective of other clinical characteristics. In such case, the patient would have been sent to the Cath lab upon the initial presentation and would not have had MI.</p>
      <p>Finally, if the patient made into the Cath lab before clinical worsening, he could have been adequately managed medically with aspirin, statins, betablockers and other therapies. In such scenario, this patient could have lived another 10 years without any other clinical manifestation of ASCVD. Would his initial FRS be then interpreted as right or wrong?</p>
      <p>Models should not be judged right or wrong long after they are developed. The appropriate question is whether the model had been adequately designed to the situation where it is being used, whether the outcome it aims to predict is of interest and whether the information is incremental to what is currently known. When such premises are met, models can lead to more well-informed decisions that may have a meaningful impact. In the case above, the adequate use of the ASCVD score in the initial presentation or a different interpretation of the ST-segment depression could have led to changes in management and completely modify the history of the disease for this patient.</p>
      <p>While even the most experienced clinical cardiologists are unsurprised by such peculiarities of risk prediction models, they are not always well understood by lay people. A similar problem is now seen with the raising relevance assigned to epidemiological models for the prediction of the COVID-19 outbreak. An initial model published by the Imperial College London suggested that the outbreak could have a major impact across the world,<sup>5</sup>leading to millions of deaths related to COVID-10 in the United States and the United Kingdom. The model also estimated the impact of potential interventions leading to a colossal reduction in deaths. Other models followed, with much lower numbers, sometimes orders of magnitude lower than prior worst-case scenarios leading to several voices in the scientific community, the lay press and the general public to raise strong criticism against those initial models, most of which using current or newer projections to illustrate how &#8220;wrong&#8221; the initial model was.</p>
      <p>The development of epidemiological models for COVID-19 have little resemblance to the simpler models used for risk prediction in cardiology. Yet, both use current and prior data to project a future scenario trying to estimate the value of interventions to reduce the risk of negative outcomes. However, due to the limited time since COVID-19 was discovered, several parameters related to the behavior of the virus are estimated based on restricted preliminary data. Sometimes, when no data is available, parameters are only best guesses based on related conditions or prior comparable situations. Additionally, such models are dependent on the viral transmission, a complex process that may involve hard-to-estimate parameters, such as the average number of social interactions each individual has or demographic density in each area. Some of those inputs might not be available and, once again, the best-informed guess is used by modelers. An example is the use of some data from Peru in an ICL model for the Brazilian case for pieces of data that were unavailable for Brazil. With such limited data inputs, it should come as no surprise that such models include immense variability.</p>
      <p>Yet, this is only part of the issue when interpreting post-outbreak models. Although specific changes in the interventions can be considered in the model, it is impossible to predict how the government or the population will behave in the future, just like one cannot predict if the patient will start smoking when the cardiovascular risk is initially calculated. Even if social distancing is considered in the model, its true impact depends on how much the population follows such measures. For example, while strict measures to increase social distancing had been proposed for the city of S&#227;o Paulo, the government recognizes they did not achieve more than half of the expected effect. Thus, its impact is also expected to be lower.</p>
      <p>Yet, even if models are successful, they might be interpreted as being wrong in the future. For example, the aforementioned model from the ICL presented such a catastrophic scenario that it led to substantial policy changes across the world. If those changes led to a substantially lower death rate due to its early and effective implementations, such reduction in deaths could lead to claims that the model was &#8220;wrong&#8221; because it overestimated deaths.</p>
      <p>Another important aspect of models in an epidemic such as COVID-19 is that the earlier they are developed, the less information is available, leading to a less precise model. However, the earlier the model is developed, the larger the impact of interventions derived from it. In a world of perfect information, COVID-19 could have been extinct if the information we currently have were available when the first case was diagnosed and the first case and its contacts were isolated. On the other extreme, perfect details of transmission and viral spread would be of little social impact after the outbreak ended. Hence, we are left to live with the uncertainty and imprecisions derived from models, particularly if we expect that such models will appear in time to guide effective policy interventions.</p>
      <p>Thus, to have successful models, we need to accept, understand and acknowledge such limitations. Additionally, we need to be humble enough to adjust the sails to the ever-changing wind conditions update and improve our models along the way. Each model should only be judged bearing in mind the time when it was developed, including the limited knowledge available back then. In the end, it would be just like Francisco&#8217;s case: we could have improved the initial risk prediction and the course of his life with a better initial model to estimate his cardiovascular risk. Yet, after his myocardial infarction, even perfect information on his cardiovascular risk would be of little value. Just like in clinical medicine, when those epidemiological models are evaluated, we should refrain from being next day&#8217;s doctors who are always right after the diagnosis is known. Instead of aggressively pointing fingers at models that are known to be uncertain, let us be humble and practical when evaluating them. Was the model able to better inform interventions at its time and was it able to reduce, even by a little, the imprecisions we had? If yes, then the models were useful, even if wrong.</p>
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