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        <journal-title>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</journal-title>
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        <article-title>Adiponectina s&#233;rica e risco cardiometab&#243;lico em pacientes com s&#237;ndromes coronarianas agudas</article-title>
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      <abstract>
        <p>FUNDAMENTO: O tecido adiposo representa n&#227;o somente uma fonte de energia estoc&#225;vel, mas principalmente um &#243;rg&#227;o end&#243;crino que secreta v&#225;rias citoquinas. A adiponectina, uma nova prote&#237;na semelhante ao col&#225;geno, foi descoberta como uma citoquina espec&#237;fica do adip&#243;cito e um promissor marcador de risco cardiovascular. OBJETIVO: Avaliar a associa&#231;&#227;o entre os n&#237;veis s&#233;ricos da adiponectina e o risco para a ocorr&#234;ncia de eventos cardiovasculares, em pacientes com s&#237;ndromes coronarianas agudas (SCA), e as correla&#231;&#245;es entre adiponectina e os biomarcadores metab&#243;licos, inflamat&#243;rios e mioc&#225;rdicos. M&#201;TODOS: Foram recrutados 114 pacientes com SCA, com seguimento m&#233;dio de 1,13 ano para avalia&#231;&#227;o de desfechos cl&#237;nicos. Modelos de regress&#227;o de risco proporcional de Cox com penaliza&#231;&#227;o de Firth foram constru&#237;dos para determinar a associa&#231;&#227;o independente entre adiponectina e o risco subsequente dos desfechos prim&#225;rio (composto de &#243;bito cardiovascular/IAM n&#227;o fatal/AVE n&#227;o fatal) e coprim&#225;rio (composto de &#243;bito cardiovascular/ IAM n&#227;o fatal/AVE n&#227;o fatal/re-hospitaliza&#231;&#227;o requerendo revasculariza&#231;&#227;o). RESULTADOS: Houve correla&#231;&#245;es diretas e significantes entre adiponectina e idade, HDL-colesterol e BNP, e inversas e significantes entre adiponectina e circunfer&#234;ncia abdominal, peso corporal, &#237;ndice de massa corporal, &#237;ndice HOMA, triglicer&#237;deos e insulina. A adiponectina foi associada a maior risco para os desfechos prim&#225;rio e coprim&#225;rio (HR ajustado 1,08 e 1,07/incremento de 1.000, respectivamente, p = 0,01 e p = 0,02). CONCLUS&#195;O: Em pacientes com SCA, a adiponectina s&#233;rica foi preditor de risco independente para eventos cardiovasculares. De modo adicional &#224;s correla&#231;&#245;es antropom&#233;tricas e metab&#243;licas, a adiponectina mostrou correla&#231;&#227;o significante com BNP.</p>
      </abstract>
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        <kwd>Adiponectina</kwd>
        <kwd>S&#237;ndrome X Metab&#243;lica</kwd>
        <kwd>Resist&#234;ncia &#224; Insulina</kwd>
        <kwd>S&#237;ndromes Coronariana Aguda</kwd>
        <kwd>Fatores de Risco</kwd>
      </kwd-group>
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        <day>13</day>
        <month>09</month>
        <year>2013</year>
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  <body><p><bold>Adiponectina s&#233;rica e risco cardiometab&#243;lico em pacientes com s&#237;ndromes coronarianas agudas</bold></p><p><bold>Gustavo Bernardes de Figueiredo Oliveira; Jo&#227;o &#205;talo Dias Fran&#231;a; Leopoldo Soares Piegas</bold></p><p>Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, S&#227;o Paulo, SP - Brasil</p><p><xref ref-type="corresp" rid="end">Correspond&#234;ncia</xref></p><p><bold>RESUMO</bold></p><p><bold>FUNDAMENTO:</bold> O tecido adiposo representa n&#227;o somente uma fonte de energia estoc&#225;vel, mas principalmente um &#243;rg&#227;o end&#243;crino que secreta v&#225;rias citoquinas. A adiponectina, uma nova prote&#237;na semelhante ao col&#225;geno, foi descoberta como uma citoquina espec&#237;fica do adip&#243;cito e um promissor marcador de risco cardiovascular. </p><p><bold>OBJETIVO:</bold> Avaliar a associa&#231;&#227;o entre os n&#237;veis s&#233;ricos da adiponectina e o risco para a ocorr&#234;ncia de eventos cardiovasculares, em pacientes com s&#237;ndromes coronarianas agudas (SCA), e as correla&#231;&#245;es entre adiponectina e os biomarcadores metab&#243;licos, inflamat&#243;rios e mioc&#225;rdicos. </p><p><bold>M&#201;TODOS:</bold> Foram recrutados 114 pacientes com SCA, com seguimento m&#233;dio de 1,13 ano para avalia&#231;&#227;o de desfechos cl&#237;nicos. Modelos de regress&#227;o de risco proporcional de Cox com penaliza&#231;&#227;o de Firth foram constru&#237;dos para determinar a associa&#231;&#227;o independente entre adiponectina e o risco subsequente dos desfechos prim&#225;rio (composto de &#243;bito cardiovascular/IAM n&#227;o fatal/AVE n&#227;o fatal) e coprim&#225;rio (composto de &#243;bito cardiovascular/ IAM n&#227;o fatal/AVE n&#227;o fatal/re-hospitaliza&#231;&#227;o requerendo revasculariza&#231;&#227;o). </p><p><bold>RESULTADOS:</bold> Houve correla&#231;&#245;es diretas e significantes entre adiponectina e idade, HDL-colesterol e BNP, e inversas e significantes entre adiponectina e circunfer&#234;ncia abdominal, peso corporal, &#237;ndice de massa corporal, &#237;ndice HOMA, triglicer&#237;deos e insulina. A adiponectina foi associada a maior risco para os desfechos prim&#225;rio e coprim&#225;rio (HR ajustado 1,08 e 1,07/incremento de 1.000, respectivamente, p = 0,01 e p = 0,02). </p><p><bold>CONCLUS&#195;O:</bold> Em pacientes com SCA, a adiponectina s&#233;rica foi preditor de risco independente para eventos cardiovasculares. De modo adicional &#224;s correla&#231;&#245;es antropom&#233;tricas e metab&#243;licas, a adiponectina mostrou correla&#231;&#227;o significante com BNP.</p><p><bold>Palavras-chave:</bold> Adiponectina; S&#237;ndrome X Metab&#243;lica; Resist&#234;ncia &#224; Insulina; S&#237;ndromes Coronariana Aguda; Fatores de Risco.</p><p><bold>Introdu&#231;&#227;o</bold></p><p><bold>S&#237;ndrome Metab&#243;lica e Adiponectina</bold></p><p>Os componentes metab&#243;licos do risco cardiovascular caracterizados por obesidade, resist&#234;ncia insul&#237;nica, dislipidemia, entre outros, apresentam complexa intera&#231;&#227;o em condi&#231;&#245;es pr&#233;-cl&#237;nicas e cl&#237;nicas, e associam-se a morbimortalidade cardiovascular elevada<sup>1-11</sup>. A obesidade visceral apresenta crescente relev&#226;ncia como fator de risco cardiovascular. De fato, o tecido adiposo representa fonte de energia estoc&#225;vel e um &#243;rg&#227;o end&#243;crino que secreta citoquinas, as quais podem contribuir para o desenvolvimento de doen&#231;as relacionadas &#224; obesidade, incluindo diabetes melito (DM) e aterosclerose. Matsuzawa e cols.<sup>12</sup> avaliaram o papel end&#243;crino dos adip&#243;citos e verificaram abundante express&#227;o de genes ligados &#224; s&#237;ntese de diversas subst&#226;ncias bioativas. Entre elas, a adiponectina (Arcp30, AdipoQ, apM1 ou GBP28), uma prote&#237;na semelhante ao col&#225;geno, foi identificada como uma citoquina espec&#237;fica do adip&#243;cito.</p><p>A adiponectina &#233; expressa em n&#237;veis abundantes em indiv&#237;duos normais, apresenta propriedades antitromb&#243;ticas, antiaterog&#234;nicas e anti-inflamat&#243;rias, e sofre processo de regula&#231;&#227;o para baixo em obesos. Do mesmo modo, apresenta-se em n&#237;veis reduzidos em indiv&#237;duos do g&#234;nero masculino, com DM tipo 2, condi&#231;&#245;es proinflamat&#243;rias, lipodistrofias, resist&#234;ncia &#224; insulina e doen&#231;a cardiovascular. De modo inverso, as concentra&#231;&#245;es s&#233;ricas est&#227;o elevadas nas mulheres, indiv&#237;duos sem obesidade, com DM tipo 1 e naqueles em tratamento com f&#225;rmacos agonistas do receptor ativado por proliferador de peroxissomo &#947; (PPAR&#947;)<sup>13-20</sup>. Do ponto de vista progn&#243;stico, em indiv&#237;duos saud&#225;veis a adiponectina tem sido inversamente associada a risco cardiovascular, predominantemente em homens, ou diretamente associada ao risco particularmente em idosos<sup>21-25</sup>. Por outro lado, estudos em insufici&#234;ncia card&#237;aca cr&#244;nica ou doen&#231;a cardiovascular documentada identificaram a hiperadiponectinemia como preditor independente de mortalidade<sup>26-28</sup>. De modo similar, Cavusoglu e cols.<sup>29</sup> identificaram uma associa&#231;&#227;o direta e independente entre adiponectina e o risco de IAM e &#243;bito cardiovascular em uma coorte de homens submetidos a angiografia coronariana para investiga&#231;&#227;o diagn&#243;stica de dor tor&#225;cica. Esses dados sugerem que a adiponectina possa desempenhar um papel diferente em cen&#225;rios cl&#237;nicos agudos. Portanto, os objetivos deste estudo foram avaliar a associa&#231;&#227;o entre os n&#237;veis s&#233;ricos da adiponectina e o risco para ocorr&#234;ncia de eventos cardiovasculares em pacientes com s&#237;ndromes coronarianas agudas e estabelecer as correla&#231;&#245;es entre adiponectina e os biomarcadores metab&#243;licos, inflamat&#243;rios e mioc&#225;rdicos.</p><p><bold>M&#233;todo</bold></p><p>Este estudo apresenta duas formas de delineamento: a) um estudo transversal e anal&#237;tico, para determina&#231;&#227;o de caracter&#237;sticas cl&#237;nicas e dosagens de biomarcadores s&#233;ricos na admiss&#227;o hospitalar de pacientes com SCA; b) essa coorte de SCA foi inclu&#237;da, prospectivamente, entre 2008 e 2010, com acompanhamento cl&#237;nico para coleta sistem&#225;tica e prospectiva de eventos cardiovasculares. Com base no estudo de Cavusoglu e cols.<sup>29</sup>, com subgrupo de pacientes com SCA constituindo cerca de 52,3% do total de 325 pacientes e taxa de mortalidade por todas as causas de 10,3% em dois anos de seguimento cl&#237;nico, o c&#225;lculo do tamanho amostral foi estimado em 112 pacientes, com n&#237;vel de signific&#226;ncia em &#945; = 0,05 e 1 - &#946; = 0,80. Ressalte-se que, pela aus&#234;ncia de publica&#231;&#227;o de estudos de adiponectina em pacientes com SCA na popula&#231;&#227;o brasileira at&#233; o momento da elabora&#231;&#227;o do projeto de tese - portanto, pela escassez de dados sobre a variabilidade das medidas desse biomarcador -, estava prevista a possibilidade de estimativa inadequada. Foram inclu&#237;dos pacientes de ambos os g&#234;neros, idade &gt; 18 anos, com coleta de amostras de sangue &lt; 24 h ap&#243;s o in&#237;cio dos sintomas isqu&#234;micos e com consentimento livre e esclarecido, nos setores de emerg&#234;ncia e de unidade coronariana do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, S&#227;o Paulo. Foram exclu&#237;dos: doen&#231;as infecciosas, inflamat&#243;rias, neopl&#225;sicas; doen&#231;a renal ou hep&#225;tica em est&#225;gio avan&#231;ado; doen&#231;a valvar card&#237;aca significativa ou precipitante do quadro cl&#237;nico; interven&#231;&#227;o coron&#225;ria percut&#226;nea (ICP) ou cirurgia de revasculariza&#231;&#227;o mioc&#225;rdica (RM) nos &#250;ltimos 30 dias; utiliza&#231;&#227;o pr&#233;via e vigente (atual) de insulina (pacientes com diabetes melito tipo 1 e aqueles com diabetes melito tipo 2 com requerimento de insulina); uso de antidiab&#233;tico oral do grupo das tiazolidinedionas. Analisamos adiponectina, leptina, glicemia de jejum, insulina, &#237;ndice <italic>Homeostasis Model Assessment</italic> (HOMA), hemoglobina glicada (HbA1c), colesterol total, LDL-colesterol, HDL-colesterol, triglicer&#237;deos, prote&#237;na C reativa ultrassens&#237;vel (PCR-us), leuc&#243;citos, fibrinog&#234;nio, plaquetas, troponina card&#237;aca I (TnI), massa da CKMB, pept&#237;deo natriur&#233;tico tipo B (BNP) e as vari&#225;veis demogr&#225;ficas (idade, g&#234;nero, etnia), antropom&#233;tricas (peso, &#237;ndice de massa corporal e circunfer&#234;ncia abdominal) e angiogr&#225;ficas (extens&#227;o/gravidade da doen&#231;a arterial coronariana [DAC] naqueles submetidos a angiografia coronariana). Foram coletadas amostras de 10 mL de sangue venoso na manh&#227; seguinte ap&#243;s jejum noturno de 12 horas. A resist&#234;ncia insul&#237;nica foi calculada atrav&#233;s do &#237;ndice HOMA, pela f&#243;rmula utilizando o produto da glicose (mg/dL) pela insulina &#181;UI/mL dividido pela constante 405<sup>30,31</sup>. As dosagens da adiponectina e da leptina foram realizadas por m&#233;todo de ELISA. Os <italic>kits</italic> para dosagem da adiponectina foram Human Adiponectin ELISA Kit 96-Well Plate (Cat. # EZHADP-61K), produzidos pela Millipore, Estados Unidos. Os <italic>kits</italic> para dosagem da leptina foram DiaSource KAP2281 Human Leptin ELISA IVD, produzidos pela DIAsource ImmunoAssays S.A., B&#233;lgica. Definimos como desfecho prim&#225;rio o composto de &#243;bito cardiovascular, infarto agudo do mioc&#225;rdio (ou reinfarto) n&#227;o fatal e acidente vascular encef&#225;lico (AVE) n&#227;o fatal. Definimos como desfecho coprim&#225;rio o composto dos eventos prim&#225;rios e re-hospitaliza&#231;&#227;o por isquemia recorrente ou considerada clinicamente significativa com necessidade de revasculariza&#231;&#227;o durante o seguimento cl&#237;nico. Casos de IAM foram definidos por crit&#233;rios propostos para defini&#231;&#227;o universal de IAM<sup>32</sup>. Casos de AVE foram definidos por crit&#233;rios cl&#225;ssicos de acordo com a OMS<sup>33</sup>. As distribui&#231;&#245;es das vari&#225;veis cont&#237;nuas foram expressas como m&#233;dia (&#177; desvio-padr&#227;o) ou mediana (com intervalo interquartil), conforme apropriado, e as compara&#231;&#245;es entre os grupos calculadas por teste <italic>t</italic> de Student ou n&#227;o param&#233;trico (teste de Kruskall-Wallis), conforme apropriado. As distribui&#231;&#245;es das vari&#225;veis discretas (ou categ&#243;ricas) foram expressas como frequ&#234;ncias e porcentagens, e as compara&#231;&#245;es foram calculadas por teste do qui-quadrado ou teste exato de Fisher, conforme apropriado. A an&#225;lise dos desfechos cl&#237;nicos prim&#225;rio e coprim&#225;rio foi baseada no tempo para ocorr&#234;ncia do primeiro evento. A an&#225;lise de regress&#227;o univariada de Cox reuniu todas as vari&#225;veis demogr&#225;ficas, metab&#243;licas, inflamat&#243;rias, antropom&#233;tricas e angiogr&#225;ficas, e somente os preditores univariados com p &lt; 0,10 e vari&#225;veis com significado cl&#237;nico foram inclu&#237;dos em modelos de regress&#227;o de risco proporcional de Cox para determinar se a adiponectina seria um preditor de risco independente. Foi utilizado o processo Backward Stepwise para os modelos at&#233; a identifica&#231;&#227;o das vari&#225;veis independentes de risco para ocorr&#234;ncia dos desfechos prim&#225;rio e coprim&#225;rio, respectivamente. Posteriormente, t&#233;cnica de penaliza&#231;&#227;o de Firth foi utilizada para ajuste de vari&#225;veis potencialmente superestimadas em decorr&#234;ncia de elevada preval&#234;ncia. Os resultados foram expressos como raz&#227;o de risco (<italic>hazard ratio</italic>) e IC 95%, e a capacidade discriminat&#243;ria dos modelos foi expressa pelo <italic>c-statistic</italic> (ou &#237;ndice c). Foram utilizados testes bicaudais com n&#237;vel de signific&#226;ncia em &#945; = 0,05<sup>34,35</sup>. </p><p><bold>Resultados</bold></p><p><bold>Caracter&#237;sticas dos Pacientes</bold></p><p>As principais caracter&#237;sticas dos 114 pacientes com SCA est&#227;o listadas de acordo com quartis de adiponectina na <xref ref-type="table" rid="aop_5319tab01">Tabela 1</xref>. Globalmente, a idade m&#233;dia (&#177; DP) foi de 62 (&#177; 10,5) anos, com 41,2% de mulheres e 82,6% de etnia caucasiana. A preval&#234;ncia de fatores de risco cardiovascular foi significativa, com cerca de 90% de hipertens&#227;o arterial, 30% de diab&#233;ticos, 78% com dislipidemia e 16,4% de tabagistas atuais. Com rela&#231;&#227;o aos par&#226;metros antropom&#233;tricos, os valores da mediana (intervalo interquartil) foram: IMC = 27,4 (24,6-30,4) kg/m<sup>2</sup> e circunfer&#234;ncia abdominal = 98 (91-108) cm. Com rela&#231;&#227;o aos achados do ECG, 97,3% dos pacientes apresentaram altera&#231;&#245;es, sendo a depress&#227;o do segmento ST entre 0,5-1,0 mm a altera&#231;&#227;o mais frequente (30,9%). O diagn&#243;stico final definiu 90,3% dos pacientes com SCA sem eleva&#231;&#227;o persistente do segmento ST. </p><p content-type="asset"><table-wrap id="aop_5319tab01"><graphic xlink:href="1678-4170-abc-101-05-0399-30186-gt01.jpg"/></table-wrap></p><p><bold>Biomarcadores na amostra global</bold></p><p>A <xref ref-type="table" rid="aop_5319tab02">Tabela 2</xref> mostra os valores dos biomarcadores de acordo com quartis de adiponectina. Ressaltamos que os valores de adiponectina foram: mediana = 9.807 (6.113-13.914) ng/mL.</p><p content-type="asset"><table-wrap id="aop_5319tab02"><graphic xlink:href="1678-4170-abc-101-05-0399-30186-gt02.jpg"/></table-wrap></p><p><bold>Tratamento Farmacol&#243;gico</bold></p><p><bold>Uso de medicamentos pr&#233;vios e durante a fase hospitalar</bold></p><p>Os tratamentos pr&#233;vios inclu&#237;ram 69% de &#225;cido acetilsalic&#237;lico (AAS), 62,2% de inibidores da enzima conversora da angiotensina (IECA), 60,4% de betabloqueadores, 59,8% de estatinas, 13,2% de antidiab&#233;ticos orais e 1,8% de insulina. Nenhum paciente inclu&#237;do estava em uso pr&#233;vio de tiazolidinedionas. Quanto ao uso de f&#225;rmacos na fase hospitalar do manuseio das SCA, destacamos AAS em 99,1%, clopidogrel em 96,5%, betabloqueadores em 89,5%, IECA em 88,5%, estatinas em 98,2% e anticoagula&#231;&#227;o com heparina de baixo peso molecular em 93,8% (enoxaparina).</p><p><bold>Procedimentos Realizados na Fase Hospitalar</bold></p><p>Cateterismo card&#237;aco para angiografia coronariana foi realizado em 87,7% dos pacientes. A DAC foi considerada significativa com estenose luminal <underline>&gt;</underline> 50%, sendo documentado em pelo menos um vaso em 83% dos pacientes, com 38% de acometimento multiarterial. Houve realiza&#231;&#227;o de ICP em 47 pacientes submetidos a angiografia diagn&#243;stica (49%), com 76,6% de implante de um stent coronariano e 21,3% com &gt; 1 stent, sendo 91% de stents convencionais (n&#227;o farmacol&#243;gicos). Cirurgia de revasculariza&#231;&#227;o mioc&#225;rdica (RM) foi empregada em 15,6%, com 100% de utiliza&#231;&#227;o da art&#233;ria tor&#225;cica interna esquerda e 2/3 dos pacientes recebendo enxertos em <underline>&gt;</underline> 3 vasos coron&#225;rios.</p><p><bold>Desfechos Cl&#237;nicos</bold></p><p>O desfecho prim&#225;rio foi observado em 18,4% dos pacientes, e o coprim&#225;rio em 21,1%, com seguimento cl&#237;nico m&#233;dio de 1,13 ano na totalidade dos 114 pacientes recrutados. Portanto, houve 100% de seguimento sem perda de acompanhamento.</p><p><bold>Adiponectina como Preditor de Risco Cardiometab&#243;lico</bold></p><p>Foram inclu&#237;dos nos modelos de Cox a adiponectina, demais biomarcadores, caracter&#237;sticas cl&#237;nicas, vari&#225;veis angiogr&#225;ficas, tratamentos e procedimentos realizados previamente e durante a hospitaliza&#231;&#227;o, que mostraram signific&#226;ncia para a associa&#231;&#227;o com os desfechos prim&#225;rio e coprim&#225;rio. Os modelos foram calculados para quatro grupos de interesse pr&#233;-especificados: popula&#231;&#227;o global (grupo A), sem diabetes (grupo B), sem IAM com eleva&#231;&#227;o do segmento ST (grupo C) e sem diabetes e sem IAM com eleva&#231;&#227;o do segmento ST (grupo D) - <xref ref-type="table" rid="aop_5319tab03_06">Tabelas 3 a 6</xref>. Foram inclu&#237;das as seguintes vari&#225;veis no modelo para o desfecho prim&#225;rio, entre outras: angina pr&#233;via, hipertens&#227;o arterial, classifica&#231;&#227;o de Killip, adiponectina, leptina, glicemia de jejum, creatinina, atividade da CKMB, massa da CKMB, TnI, BNP e ureia. Ap&#243;s ajuste para esses fatores, a adiponectina foi associada a risco elevado para o desfecho prim&#225;rio nos modelos para os grupos B e D. Para o desfecho coprim&#225;rio, foram inclu&#237;das as seguintes vari&#225;veis: angina pr&#233;via, hipertens&#227;o arterial, classifica&#231;&#227;o de Killip, adiponectina, leptina, glicemia de jejum, creatinina, atividade da CKMB, FC &#224; admiss&#227;o, HDL-colesterol, &#237;ndice HOMA, obesidade e uso de AAS no hospital, entre outras. De modo consistente, a adiponectina foi preditor independente de risco elevado para eventos cardiovasculares nos modelos dos grupos B e D, com signific&#226;ncia lim&#237;trofe para o grupo C.</p><p><table-wrap id="aop_5319tab03_06"/>&#13;
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</p><p><table-wrap id="aop_5319tab03"><graphic xlink:href="1678-4170-abc-101-05-0399-30186-gt03.jpg"/></table-wrap></p>&#13;
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<p><table-wrap id="aop_5319tab04"><graphic xlink:href="1678-4170-abc-101-05-0399-30186-gt04.jpg"/></table-wrap></p>&#13;
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<p><table-wrap id="aop_5319tab05"><graphic xlink:href="1678-4170-abc-101-05-0399-30186-gt05.jpg"/></table-wrap></p>&#13;
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<p><table-wrap id="aop_5319tab06"><graphic xlink:href="1678-4170-abc-101-05-0399-30186-gt06.jpg"/></table-wrap></p>&#13;
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 <p>De modo adicional, em an&#225;lise de regress&#227;o log&#237;stica observamos uma rela&#231;&#227;o quase linear entre a adiponectina, como vari&#225;vel quantitativa cont&#237;nua, e a estimativa da probabilidade de risco para os desfechos prim&#225;rio e coprim&#225;rio (<xref ref-type="fig" rid="aop_5319fig01">Figura 1</xref>).</p><p content-type="asset"><fig id="aop_5319fig01"><graphic xlink:href="1678-4170-abc-101-05-0399-30186-gf01.jpg"/></fig></p> <p><bold>Correla&#231;&#245;es entre Adiponectina e Biomarcadores</bold></p> <p>Como pr&#233;-especificado, o objetivo secund&#225;rio foi estudar as correla&#231;&#245;es entre a adiponectina e os diferentes biomarcadores, vari&#225;veis demogr&#225;ficas e antropom&#233;tricas. Conforme mostrado na <xref ref-type="table" rid="aop_5319tab07">Tabela 7</xref>, ressaltamos a correla&#231;&#227;o direta e significante entre adiponectina e BNP.</p><p content-type="asset"><table-wrap id="aop_5319tab07"><graphic xlink:href="1678-4170-abc-101-05-0399-30186-gt07.jpg"/></table-wrap></p>   <p><bold>Discuss&#227;o</bold></p> <p>Neste estudo de uma coorte de pacientes com SCA com seguimento cl&#237;nico em m&#233;dio/longo prazo, detectamos uma associa&#231;&#227;o direta, significativa e independente entre a adiponectina e o risco para ocorr&#234;ncia de desfechos cl&#237;nicos cardiovasculares relevantes. De fato, houve uma consistente sinaliza&#231;&#227;o de estimativa de risco mais evidente quando exclu&#237;mos os pacientes diab&#233;ticos e aqueles sem IAM com eleva&#231;&#227;o do segmento ST. Cavusoglu e cols.<sup>29</sup> avaliaram 325 pacientes do g&#234;nero masculino com angina est&#225;vel, angina inst&#225;vel e IAM sem eleva&#231;&#227;o do segmento ST submetidos a angiografia coronariana para determinar o valor progn&#243;stico dos n&#237;veis plasm&#225;ticos de adiponectina. Os pacientes foram seguidos por 24 meses para a ocorr&#234;ncia de &#243;bitos por todas as causas, mortalidade cardiovascular e IAM. Naquele estudo, os autores identificaram uma associa&#231;&#227;o preditiva direta e independente entre uma &#250;nica dosagem basal de adiponectina e o risco subsequente de &#243;bito e IAM. No subgrupo de SCA sem eleva&#231;&#227;o de ST (n = 170), a adiponectina permaneceu como preditor independente de risco. Outros estudos recentes tamb&#233;m identificaram uma associa&#231;&#227;o direta entre adiponectina e o risco cardiovascular, notadamente em pacientes com insufici&#234;ncia card&#237;aca, principalmente em idosos<sup>26-28</sup>. Wannamethee e cols.<sup>28 </sup>estudaram, prospectivamente, a rela&#231;&#227;o entre os n&#237;veis de adiponectina e mortalidade em 4.046 homens idosos (60-79 anos), com e sem doen&#231;a cardiovascular (DCV) e insufici&#234;ncia card&#237;aca (IC) documentadas. Ap&#243;s ajuste para importantes caracter&#237;sticas basais, a adiponectina permaneceu associada, de modo direto e significativo, com a mortalidade total e cardiovascular nos homens sem DCV ou IC, com RR ajustado 1,55 (IC95% 1,19-2,02), com p = 0,002 e RR 1,53 (IC95% 1,03-2,27), p = 0,02, para tend&#234;ncia na compara&#231;&#227;o entre o mais alto tercil com o tercil mais baixo, assim como entre os homens com IC diagnosticada, RR ajustado 2,37 (IC95% 0,64-8,79), p = 0,04 e 3,43 (IC95% 0,54-21,7), p = 0,008. Nenhuma associa&#231;&#227;o foi demonstrada naqueles com DCV diagnosticada, por&#233;m sem IC.</p> <p>Nosso estudo apresenta algumas diferen&#231;as importantes em rela&#231;&#227;o aos anteriormente discutidos. Inclu&#237;mos pacientes em faixa et&#225;ria mais abrangente, sem an&#225;lise restrita apenas aos mais idosos. Do mesmo modo, n&#227;o restringimos o estudo &#224; inclus&#227;o de indiv&#237;duos do g&#234;nero masculino<sup>21-23,26-29</sup>, ressaltando que houve adequado equil&#237;brio nas propor&#231;&#245;es dos g&#234;neros, com significativa representatividade de mulheres (41,2%). De fato, a m&#233;dia de adiponectina &#233; cerca de 50% maior em mulheres, principalmente idosas, em compara&#231;&#227;o aos homens de mesma faixa et&#225;ria<sup>13,36</sup>. Em termos de predi&#231;&#227;o de risco independente, os achados deste estudo apresentam respaldo na literatura mais recente em rela&#231;&#227;o ao valor progn&#243;stico da adiponectina em cen&#225;rios cl&#237;nicos diferentes, seja em condi&#231;&#245;es est&#225;veis e popula&#231;&#245;es consideradas saud&#225;veis ou sem DCV documentada, seja tamb&#233;m em condi&#231;&#245;es cl&#237;nicas agudas ou com DCV manifesta, como no presente escopo. Alguns estudos identificaram uma associa&#231;&#227;o independente entre adiponectina e maior risco para DAC (IAM n&#227;o fatal e DAC fatal) em indiv&#237;duos sem documenta&#231;&#227;o pr&#233;via, mas somente em idosos, com OR ajustado 1,69 (IC95% 1,23-2,32) para quintil 5 <italic>versus</italic> quintil 1<sup>25</sup>. De modo contr&#225;rio, o estudo Rancho Bernardo<sup>24</sup> identificou que n&#237;veis de adiponectina no quintil 5 estratificado por g&#234;nero foram significativamente associados a 44% de redu&#231;&#227;o no OR para ocorr&#234;ncia de DAC, o que foi eliminado ap&#243;s ajuste para HDL-colesterol e/ou triglicer&#237;deos. Na an&#225;lise prospectiva de 20 anos, maiores concentra&#231;&#245;es de adiponectina foram preditores de risco reduzido de IAM n&#227;o fatal somente em homens. Corroborando essas informa&#231;&#245;es, recente estudo sobre adiponectina e risco de eventos ligados &#224; DAC no contexto de uma metan&#225;lise de sete estudos prospectivos pr&#233;vios encontrou OR para DAC de 0,89 (IC95% 0,67-1,18), em compara&#231;&#227;o com homens no tercil 3 com o tercil 1, bastante semelhante aos achados da citada metan&#225;lise<sup>22</sup>. Wolk e cols.<sup>37</sup> avaliaram 499 pacientes submetidos a angiografia coron&#225;ria, sendo 168 com SCA, e identificaram altos n&#237;veis de adiponectina como independentemente associados com risco reduzido de SCA.</p> <p>Entre as correla&#231;&#245;es estudadas entre adiponectina e os demais biomarcadores, detectamos uma correla&#231;&#227;o direta e significativa com o BNP. N&#227;o podemos, portanto, descartar poss&#237;veis intera&#231;&#245;es como essa, entre outras identificadas e eventuais fatores ou vari&#225;veis n&#227;o mensur&#225;veis, os quais podem explicar a eventual atenua&#231;&#227;o da for&#231;a de associa&#231;&#227;o com o risco no modelo global. Essa hip&#243;tese apresenta suporte no trabalho de Schnabel e cols.<sup>38</sup>, no qual a associa&#231;&#227;o de risco com adiponectina permaneceu robusta ap&#243;s ajuste para fatores de risco cl&#225;ssicos, na popula&#231;&#227;o global do estudo, por&#233;m, ap&#243;s ajuste para BNP, a adiponectina perdeu o valor preditivo independente. Por esses achados, em pacientes com DAC manifestada, a adiponectina parece ter um papel diferente. Enquanto, em indiv&#237;duos clinicamente assintom&#225;ticos, elevados n&#237;veis de adiponectina parecem ser protetores contra a doen&#231;a ateroscler&#243;tica, quando elevadas em pacientes com DAC sintom&#225;tica observa-se uma associa&#231;&#227;o direta com risco para eventos cardiovasculares. Esse resultado de associa&#231;&#227;o direta ou paradoxal implica que a influ&#234;ncia ben&#233;fica da adiponectina na doen&#231;a ateroscler&#243;tica se traduziria em eleva&#231;&#245;es das concentra&#231;&#245;es da adiponectina como mecanismo contrarregulat&#243;rio em resposta ao processo ateroscler&#243;tico excessivo e inst&#225;vel das SCA, com balan&#231;o l&#237;quido negativo de impacto adverso, a despeito das concentra&#231;&#245;es elevadas desse biomarcador. Isso poderia indicar um desequil&#237;brio de todo o sistema de homeostase metab&#243;lica, interferindo nos processos bioenerg&#233;ticos celulares. </p> <p>Ressaltamos que, mesmo que haja forte associa&#231;&#227;o entre o fator de risco e o desfecho medido ou avaliado, n&#227;o implica obrigatoriamente que o fator de risco promova base para uma regra preditiva efetiva. Wang e cols.<sup>39</sup> demonstraram que, na avalia&#231;&#227;o do risco individual, o uso de 10 biomarcadores adicionou capacidade discriminat&#243;ria apenas discreta aos fatores de risco cl&#225;ssicos, com curvas ROC praticamente superpon&#237;veis e &#237;ndices c similares (0,76 <italic>versus</italic> 0,77).</p> <p>Por fim, restaria uma quest&#227;o sobre os mecanismos potenciais de aumento de risco para eventos cardiovasculares relevantes. Uma recente revis&#227;o abordou os diversos mecanismos fisiopatol&#243;gicos envolvendo a adiponectina e concluiu que essas associa&#231;&#245;es fornecem informa&#231;&#245;es relevantes para o entendimento dos processos inflamat&#243;rios e aterog&#234;nicos associados com a progress&#227;o da doen&#231;a arterial coronariana e a instabilidade de placas ateromatosas<sup>40</sup>. Esses mecanismos incluem: 1) envolvimento da adiponectina na regula&#231;&#227;o do desenvolvimento do <italic>core</italic> necr&#243;tico; 2) papel duplo no processo de neovasculariza&#231;&#227;o por propriedades pro/antiaterog&#234;nicas - a capacidade de promover angiog&#234;nese foi demonstrada como ben&#233;fica por prevenir isquemia; 3) a rela&#231;&#227;o inversa entre adiponectina e a raz&#227;o entre metaloproteinases da matriz e o inibidor tecidual da metaloproteinase-1 sugere que a adiponectina exerce modula&#231;&#227;o sobre a estabilidade de placas de ateroma atrav&#233;s do equil&#237;brio dessa rela&#231;&#227;o; 4) adiponectina local na &#237;ntima e advent&#237;cia da parede subendotelial exerce supress&#227;o da express&#227;o das mol&#233;culas de ades&#227;o VCAM-1 e ICAM-1 nas paredes vasculares, sugerindo que a adiponectina melhora a aterosclerose, em parte, por inibi&#231;&#227;o da express&#227;o dessas mol&#233;culas inflamat&#243;rias <italic>in vivo</italic>. A adiponectina tem papel documentado na ativa&#231;&#227;o endotelial, propaga&#231;&#227;o de fatores inflamat&#243;rios por express&#227;o de mol&#233;culas de ades&#227;o, ades&#227;o de mon&#243;citos ao endot&#233;lio vascular e migra&#231;&#227;o para a &#237;ntima, ativa&#231;&#227;o de macr&#243;fagos, transforma&#231;&#227;o de macr&#243;fagos em c&#233;lulas espumosas, ac&#250;mulo de l&#237;pides nos macr&#243;fagos, prolifera&#231;&#227;o e migra&#231;&#227;o de c&#233;lulas musculares lisas para a &#237;ntima e agrega&#231;&#227;o plaquet&#225;ria. Outros mecanismos envolvidos tamb&#233;m incluem fen&#244;menos de oxida&#231;&#227;o e regula&#231;&#227;o do t&#244;nus vascular.</p> <p>Entre as vari&#225;veis metab&#243;licas estudadas, al&#233;m da pr&#243;pria adiponectina, apenas a glicemia de jejum apresentou correla&#231;&#227;o significante, direta e independente com o risco cardiovascular. Nossos resultados s&#227;o compar&#225;veis aos v&#225;rios estudos sobre o papel progn&#243;stico da hiperglicemia nas SCA, notadamente no IAM. Isso pode refletir um desequil&#237;brio dos sistemas regulados pela adiponectina, como discutido previamente, ou ser influenciado pelos mecanismos contrarregulat&#243;rios respons&#225;veis pela hiperglicemia de estresse. Entretanto, pelas associa&#231;&#245;es observadas entre os biomarcadores, especificamente com a adiponectina, e pouca ou nenhuma correla&#231;&#227;o com PCR-us, leuc&#243;citos, plaquetas e fibrinog&#234;nio, e a manuten&#231;&#227;o da associa&#231;&#227;o da glicemia mesmo com forte efeito de associa&#231;&#227;o da massa da CKMB, traduzindo impacto do grau de necrose mioc&#225;rdica, pensamos que os achados da glicemia de jejum possam realmente refletir as intera&#231;&#245;es com os efeitos da adiponectina. Do mesmo modo, os resultados demonstrados por quartis de adiponectina sugerem e refor&#231;am que os valores de glicemia estejam associados diretamente aos da adiponectina, exercendo efeito de intera&#231;&#227;o ou colinearidade.</p> <p>Outro aspecto deste estudo &#233; a n&#227;o realiza&#231;&#227;o de dosagens seriadas da adiponectina, assim como dos diversos biomarcadores do metabolismo, incluindo a pr&#243;pria glicemia, a insulina, o &#237;ndice HOMA e a HbA1c. Essas dosagens seriadas poderiam fornecer informa&#231;&#245;es adicionais relevantes para um entendimento maior das inter-rela&#231;&#245;es da homeostase metab&#243;lica.</p> <p>Neste estudo, encontramos associa&#231;&#227;o significativa e direta entre adiponectina e o g&#234;nero feminino, presen&#231;a de comorbidades, de insufici&#234;ncia renal cr&#244;nica, estado vigente de tabagismo e n&#237;veis de HDL-colesterol e creatinina; de modo inverso, com a presen&#231;a de diabetes melito, o peso corporal, a circunfer&#234;ncia abdominal e os n&#237;veis de insulina e triglicer&#237;deos. De fato, os resultados entre as diversas vari&#225;veis cl&#237;nicas e os biomarcadores enfatizam a consist&#234;ncia interna e com padr&#245;es similares com os reportados previamente, refor&#231;am um aspecto de consist&#234;ncia e sinalizam tend&#234;ncias similares, sugerindo que os resultados devam ser considerados satisfat&#243;rios e pass&#237;veis de interpreta&#231;&#227;o. Por outro lado, algumas limita&#231;&#245;es s&#227;o esperadas, como em outros estudos observacionais transversais, como vieses de sele&#231;&#227;o, al&#233;m de fatores de confus&#227;o n&#227;o completamente elucidados, portanto sem ajuste ideal. Entretanto, salientamos que esfor&#231;os sistem&#225;ticos foram planejados para minimizar esses aspectos, incluindo o recrutamento consecutivo dos pacientes eleg&#237;veis, a coleta de dados de modo prospectivo e padronizado, principalmente dos eventos cl&#237;nicos desde o in&#237;cio da SCA e contabilizados por seguimento de 100% dos pacientes, e o ajuste nos modelos de Cox para importantes covari&#225;veis, como idade, sexo, extens&#227;o da doen&#231;a arterial coron&#225;ria, demais biomarcadores metab&#243;licos, inflamat&#243;rios e de necrose mioc&#225;rdica, fun&#231;&#227;o ventricular esquerda, procedimentos de revasculariza&#231;&#227;o coron&#225;ria e terap&#234;utica farmacol&#243;gica com benef&#237;cio cardiovascular comprovado. Diante da imprevisibilidade de variabilidade das diversas medidas na popula&#231;&#227;o estudada, da ocorr&#234;ncia de fatores confundidores n&#227;o mensurados e da natureza explorat&#243;ria das hip&#243;teses, os achados e conclus&#245;es do estudo devem ser considerados como sugestivos ou indicativos, dando suporte &#224; aplicabilidade na popula&#231;&#227;o brasileira e contribuindo para a formula&#231;&#227;o de novas hip&#243;teses.</p>   <p><bold>Conclus&#245;es</bold></p> <p>Os resultados deste estudo adicionam informa&#231;&#245;es sobre o potencial papel progn&#243;stico dos n&#237;veis s&#233;ricos da adiponectina em pacientes com s&#237;ndromes coronarianas agudas. Al&#233;m disso, d&#227;o suporte ao conceito de homeostase metab&#243;lica como processo biol&#243;gico essencial e determinante de risco cardiovascular. Os n&#237;veis s&#233;ricos elevados da adiponectina total foram preditores independentes e diretos para a ocorr&#234;ncia de desfechos cardiovasculares relevantes, incluindo re-hospitaliza&#231;&#227;o com necessidade de revasculariza&#231;&#227;o. Os dados discutidos ressaltam as correla&#231;&#245;es entre a adiponectina e os biomarcadores antropom&#233;tricos, metab&#243;licos e mioc&#225;rdicos, e suscitam investiga&#231;&#245;es adicionais para a determina&#231;&#227;o dos mecanismos envolvidos na associa&#231;&#227;o direta da adiponectina com maior risco cardiovascular e na correla&#231;&#227;o significante com o BNP, assim como na avalia&#231;&#227;o da potencial modula&#231;&#227;o desse biomarcador como alvo terap&#234;utico.</p>   <p><bold>Agradecimentos</bold></p> <p>Este estudo recebeu suporte log&#237;stico da Divis&#227;o de Epidemiologia Translacional e do Laborat&#243;rio de An&#225;lises Cl&#237;nicas do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia (IDPC). Agradecimentos tamb&#233;m s&#227;o expressos ao Laborat&#243;rio de Estat&#237;stica e Epidemiologia (IDPC) e ao Instituto G&#234;nese de An&#225;lises Cient&#237;ficas.</p>   <p><bold>Contribui&#231;&#227;o dos Autores</bold></p> <p>Concep&#231;&#227;o e desenho da pesquisa, An&#225;lise e interpreta&#231;&#227;o dos dados, Obten&#231;&#227;o de financiamento e Revis&#227;o cr&#237;tica do manuscrito quanto ao conte&#250;do intelectual: Oliveira GBF, Piegas LS; Obten&#231;&#227;o de dados e Reda&#231;&#227;o do manuscrito: Oliveira GBF; An&#225;lise estat&#237;stica: Fran&#231;a JID.</p> <p><bold>Potencial Conflito de Interesses</bold></p> <p>Declaro n&#227;o haver conflito de interesses pertinentes.</p> <p><bold>Fontes de Financiamento</bold></p> <p>O presente estudo n&#227;o teve fontes de financiamento externas.</p> <p><bold>Vincula&#231;&#227;o Acad&#234;mica</bold></p> <p>Este artigo &#233; parte de tese de Doutorado de Gustavo Bernardes de Figueiredo Oliveira pela Universidade de S&#227;o Paulo.</p>                                                <p><fn id="end" fn-type="corresp"><label><bold>Correspond&#234;ncia:</bold></label><p> Gustavo Bernardes F. Oliveira </p><p> Av. Dr. Dante Pazzanese, 500. Unidade Coron&#225;ria, 2.&#186; andar, Unidade Hospitalar III </p><p> CEP 04012-909, S&#227;o Paulo, SP - Brasil </p><p> E-mail: </p><p><email xlink:href="goliveira@cardiol.br">goliveira@cardiol.br</email>, </p><p><email xlink:href="oliveiragbf@gmail.com">oliveiragbf@gmail.com</email></p></fn></p> <p>Artigo recebido em 07/12/12; revisado em 10/06/13; aceito em 24/06/13.</p></body>
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        <article-title xml:lang="en">Serum adiponectin and cardiometabolic risk in patients with acute coronary syndromes</article-title>
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      <abstract xml:lang="en">
        <p>BACKGROUND: The adipose tissue is considered not only a storable energy source, but mainly an endocrine organ that secretes several cytokines. Adiponectin, a novel protein similar to collagen, has been found to be an adipocyte-specific cytokine and a promising cardiovascular risk marker. OBJECTIVES: To evaluate the association between serum adiponectin levels and the risk for cardiovascular events in patients with acute coronary syndromes (ACS), as well as the correlations between adiponectin and metabolic, inflammatory, and myocardial biomarkers. METHODS: We recruited 114 patients with ACS and a mean 1.13-year follow-up to measure clinical outcomes. Clinical characteristics and biomarkers were compared according to adiponectin quartiles. Cox proportional hazard regression models with Firth's penalization were applied to assess the independent association between adiponectin and the subsequent risk for both primary (composite of cardiovascular death/non-fatal acute myocardial infarction (AMI)/non-fatal stroke) and co-primary outcomes (composite of cardiovascular death/non-fatal AMI/non-fatal stroke/rehospitalization requiring revascularization). RESULTS: There were significant direct correlations between adiponectin and age, HDL-cholesterol, and B-type natriuretic peptide (BNP), and significant inverse correlations between adiponectin and waist circumference, body weight, body mass index, Homeostasis Model Assessment (HOMA) index, triglycerides, and insulin. Adiponectin was associated with higher risk for primary and co-primary outcomes (adjusted HR 1.08 and 1.07/increment of 1000; p = 0.01 and p = 0.02, respectively). CONCLUSION: In ACS patients, serum adiponectin was an independent predictor of cardiovascular events. In addition to the anthropometric and metabolic correlations, there was a significant direct correlation between adiponectin and BNP.</p>
      </abstract>
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    <body><p><fn id="enda-body2"><label><bold>Serum adiponectin and cardiometabolic risk in patients with acute coronary syndromes</bold></label><p><bold>Gustavo Bernardes de Figueiredo Oliveira; Jo&#227;o &#205;talo Dias Fran&#231;a; Leopoldo Soares Piegas</bold></p></fn></p><p>Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, S&#227;o Paulo, SP - Brazil</p><p>Mailing Address</p><p><bold>ABSTRACT</bold></p><p><bold>BACKGROUND:</bold> The adipose tissue is considered not only a storable energy source, but mainly an endocrine organ that secretes several cytokines. Adiponectin, a novel protein similar to collagen, has been found to be an adipocyte-specific cytokine and a promising cardiovascular risk marker.</p><p><bold>OBJECTIVES:</bold> To evaluate the association between serum adiponectin levels and the risk for cardiovascular events in patients with acute coronary syndromes (ACS), as well as the correlations between adiponectin and metabolic, inflammatory, and myocardial biomarkers.</p><p><bold>METHODS:</bold> We recruited 114 patients with ACS and a mean 1.13-year follow-up to measure clinical outcomes. Clinical characteristics and biomarkers were compared according to adiponectin quartiles. Cox proportional hazard regression models with Firth's penalization were applied to assess the independent association between adiponectin and the subsequent risk for both primary (composite of cardiovascular death/non-fatal acute myocardial infarction (AMI)/non-fatal stroke) and co-primary outcomes (composite of cardiovascular death/non-fatal AMI/non-fatal stroke/rehospitalization requiring revascularization).</p><p><bold>RESULTS:</bold> There were significant direct correlations between adiponectin and age, HDL-cholesterol, and B-type natriuretic peptide (BNP), and significant inverse correlations between adiponectin and waist circumference, body weight, body mass index, Homeostasis Model Assessment (HOMA) index, triglycerides, and insulin. Adiponectin was associated with higher risk for primary and co-primary outcomes (adjusted HR 1.08 and 1.07/increment of 1000; p = 0.01 and p = 0.02, respectively).</p><p><bold>CONCLUSION:</bold> In ACS patients, serum adiponectin was an independent predictor of cardiovascular events. In addition to the anthropometric and metabolic correlations, there was a significant direct correlation between adiponectin and BNP.</p><p><bold>Keywords:</bold> Adiponectin; Metabolic Syndrome X; Insulin Resistance; Acute Coronary Syndrome; Risk Factors.</p><p><bold>Introduction</bold></p><p><bold>Metabolic Syndrome and Adiponectin</bold></p><p>In pre-clinical and clinical conditions, the metabolic components of cardiovascular risk, such as obesity, insulin resistance and dyslipidemia, interact in a complex way, being associated with high cardiovascular morbidity and mortality<sup>1-11</sup>. Visceral obesity plays an increasingly relevant role as a cardiovascular risk factor. In fact, the adipose tissue is a storable energy source and an endocrine organ that secretes cytokines, which can contribute to the development of obesity-related diseases, such as diabetes mellitus (DM) and atherosclerosis. Matsuzawa et al<sup>12</sup> have assessed the endocrine role of adipocytes and found an abundant expression of genes related to the synthesis of several bioactive substances, such as adiponectin (Arcp30, AdipoQ, apM1 or GBP28), a protein similar to collagen and identified as an adipocyte-specific cytokine.</p><p>Adiponectin is abundantly expressed in healthy individuals, has antithrombotic, antiatherogenic and anti-inflammatory properties, and is downregulated in obese individuals. Similarly, adiponectin levels are reduced in male individuals, with type 2 DM, proinflammatory conditions, lipodystrophies, insulin resistance and cardiovascular disease. Inversely, serum adiponectin concentrations are elevated in women, non-obese individuals, with type 1 DM and in those undergoing treatment with peroxisome proliferator-activated receptor gamma (PPAR&#947;) agonists<sup>13-20</sup>. From the prognostic viewpoint, in healthy individuals, adiponectin has been inversely associated with cardiovascular risk, mainly in men, or directly associated with that risk, mainly in the elderly<sup>21-25</sup>. However, studies on chronic heart failure (HF) or documented cardiovascular disease (CVD) have identified hyperadiponectinemia as an independent predictor of mortality<sup>26-28</sup>. Similarly, Cavusoglu et al<sup>29</sup> have identified a direct and independent association between adiponectin and the risk for acute myocardial infarction (AMI) and cardiovascular death in a cohort of men undergoing coronary angiography for the diagnostic investigation of chest pain. Those data suggest that adiponectin might play a different role in acute clinical scenarios. Thus, this study was aimed at assessing the association between serum adiponectin levels and the risk for cardiovascular events in patients with acute coronary syndromes (ACSs), and at establishing the correlations between adiponectin and metabolic, inflammatory and myocardial biomarkers. </p><p><bold>Method</bold></p><p>This study has two components: a) a cross-sectional and analytical component to determine the clinical characteristics and measures of serum biomarkers of patients with ACS on hospital admission; b) a cohort of ACS, prospectively included between 2008 and 2010, with clinical follow-up for the systematic and prospective collection of cardiovascular events. Based on the study by Cavusoglu et al<sup>29</sup> on a subgroup of patients with ACS comprising 52.3% of a total of 325 patients and with all-cause mortality rate of 10.3% in two years of clinical follow-up, the calculation of the sample size was estimated as 112 patients, with significance of &#945; = 0.05 and 1 - &#946; = 0.80. It is worth noting that, due to the lack of studies about adiponectin in patients with ACSs in the Brazilian population up to the time of the elaboration of this dissertation project, and, thus, scarcity of data on the variability of that biomarker measurements, the possibility of inadequate estimation was considered. This study included patients of both sexes, over the age of 18 years, who underwent blood collection within the first 24 hours from ischemic symptom onset and who provided written informed consent, in the emergency and coronary units of the Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, in the city of S&#227;o Paulo. Patients with the following characteristics were excluded: infectious, inflammatory and neoplastic diseases; end-stage kidney or liver disease; significant heart valve disease or heart valve disease precipitating the clinical findings; percutaneous coronary intervention (PCI) or coronary artery bypass graft surgery (CABG) in the preceding 30 days; previous and current use of insulin (patients with type 1 DM and those with type 2 DM requiring insulin); and use of oral antidiabetic drugs of the thiazolidinedione group. The following parameters were assessed: adiponectin; leptin; fasting glucose; insulin; Homeostasis Model Assessment (HOMA) index; glycated hemoglobin (HbA1c); total cholesterol, LDL- and HDL-cholesterol; triglycerides; ultrasensitive C-reactive protein (us-CRP); leukocytes; fibrinogen; platelets; cardiac troponin I (TnI); CKMB mass; B-type natriuretic peptide (BNP); and demographic (age, sex, ethnicity), anthropometric (weight, body mass index and waist circumference) and angiographic (extension/severity of coronary artery disease [CAD] in patients undergoing coronary angiography) variables. Venous blood samples (10 mL) were collected in the morning following a 12-hour nocturnal fasting. Insulin resistance was expressed as the HOMA index calculated by using the formula [product of glucose (mg/dL) by insulin (&#181;UI / mL), divided by the constant 405]<sup>30,31</sup>. Adiponectin and leptin were measured by use of ELISA assay. The kits for measuring adiponectin were Human Adiponectin ELISA Kit 96-Well Plate (Cat. # EZHADP-61K), manufactured by Millipore, United States. The kits for measuring leptin were DiaSource KAP2281 Human Leptin ELISA IVD, manufactured by DIAsource ImmunoAssays S.A., Belgium. The primary outcome comprised cardiovascular death, nonfatal AMI or reinfarction, and nonfatal stroke. The co-primary outcome comprised primary events and re-hospitalization due to recurring ischemia or ischemia considered clinically significant requiring revascularization during clinical follow-up. Cases of AMI were defined by criteria proposed for the universal definition of AMI<sup>32</sup>. Cases of stroke were defined according to World Health Organization (WHO) classical criteria<sup>33</sup>. The distributions of the continuous variables were expressed as mean (&#177; standard deviation) or median (with interquartile interval), as appropriate, and the comparisons between the groups were calculated by using Student <italic>t</italic> test or non-parametric (Kruskall-Wallis test), as appropriate. The distributions of the categorical variables were expressed as frequencies and percentages, and the comparisons calculated by using chi-square test or Fisher exact test, as appropriate. The analysis of the primary and co-primary clinical outcomes was based on the time for the occurrence of the first event. Cox univariate regression analysis gathered all demographic, metabolic, inflammatory, anthropometric and angiographic variables, and only those univariate predictors with p &lt; 0.10 and variables with clinical significance were included in Cox proportional hazards regression models to determine whether adiponectin would be an independent risk predictor. Backward stepwise regression was used for the models to identify the independent variables of risk for the occurrence of primary and co-primary outcomes, respectively. Then, Firth's penalized likelihood method was used to adjust the potentially overestimated variables due to elevated prevalence. The results were expressed as hazard ratio and 95% confidence interval (CI), and the discriminatory capacity of the models was expressed by c-statistic (or c index). Two-tailed tests were used with significance level of &#945; = 0.05<sup>34,35</sup>.</p><p><bold>Results</bold></p><p><bold>Characteristics of the Patients</bold></p><p><xref ref-type="table" rid="en_aop5319tab01-body2">Table 1</xref> lists the major characteristics of the 114 patients with ACS according to adiponectin quartiles. Their mean (&#177; SD) age was 62 (&#177; 10.5) years, 41.2% were of the female sex and 82.6%, Caucasians. The prevalence of cardiovascular risk factors was significant as follows: arterial hypertension, 90%; DM, 30%; dyslipidemia, 78%; and current tobacco use, 16.4%. The medians (interquartile interval) of the anthropometric parameters were as follows: body mass index (BMI) = 27.4 (24.6-30.4) kg / m<sup>2</sup> and waist circumference = 98 (91-108) cm. Regarding electrocardiographic (ECG) findings, 97.3% of the patients had alterations, the most frequent (30.9%) being ST-segment depression between 0.5 and 1.0 mm. The final diagnosis defined 90.3% of the patients with ACS with no persistent ST-segment elevation.</p><p content-type="asset"><table-wrap id="en_aop5319tab01-body2"><graphic xlink:href="1678-4170-abc-101-05-0399-30186-gt01-en.jpg"/></table-wrap></p><p><bold>Biomarkers in the global sample</bold></p><p><xref ref-type="table" rid="en_aop5319tab02-body2">Table 2</xref> shows the values of biomarkers according to adiponectin quartiles. The median adiponectin level was 9,807 (6,113-13,914) ng/mL.</p><p content-type="asset"><table-wrap id="en_aop5319tab02-body2"><graphic xlink:href="1678-4170-abc-101-05-0399-30186-gt02-en.jpg"/></table-wrap></p><p><bold>Pharmacological Treatment</bold></p><p><bold>Medications used before and during hospitalization</bold></p><p>Previous treatments included the following drugs: acetylsalicylic acid (ASA), 69%; angiotensin-converting-enzyme inhibitors (ACEI), 62.2%; beta-blockers, 60.4%; statins, 59.8%; oral antidiabetic drugs, 13.2%; and insulin, 1.8%. No patient included was on previous use of thiazolidinediones. Regarding the drugs used during hospitalization to manage ACS, the following stand out: ASA, 99.1%; clopidogrel, 96.5%; beta-blockers, 89.5%; ACEI, 88.5%; statins, 98.2%; and low-molecular weight heparin (enoxaparin) for anticoagulation, 93.8%.</p><p><bold>Procedures Performed during Hospitalization</bold></p><p>Cardiac catheterization for coronary angiography was performed in 87.7% of the patients. Luminal stenosis <underline>&gt;</underline> 50% characterized significant CAD, which was documented in at least one vessel in 83% of the patients, and in multiple arteries in 38%. Percutaneous coronary intervention was performed in 47 patients undergoing diagnostic angiography (49%), 76.6% of whom underwent implantation of one coronary stent, and 21.3%, more than one stent. Of the stents implanted, 91% were conventional (non-pharmacological). Coronary artery bypass graft surgery was performed in 15.6% of the patients, the left internal thoracic artery being used in 100% of the patients, and grafts being applied to at least three coronary arteries in two thirds of the patients.</p><p><bold>Clinical Outcomes</bold></p><p>Primary outcome was observed in 18.4% of the patients, and co-primary outcome, in 21.1%, with a mean 1.13-year clinical follow-up in all 114 patients recruited. Thus, follow-up was performed in 100% of the patients, with no loss to follow-up.</p><p><bold>Adiponectin as a Predictor of Cardiometabolic Risk</bold></p><p>The Cox models included the following variables that showed significance for the association with primary and co-primary outcomes: adiponectin; other biomarkers; clinical characteristics; angiographic variables; and treatments and procedures performed before and during hospitalization. The models were calculated for four prespecified groups of interest: overall population (group A); patients with no DM (group B); patients with no ST-segment elevation AMI (group C); and patients with neither DM nor ST-segment elevation AMI (group D) (<xref ref-type="table" rid="en_aop_5319tab03_06-body2">Tables 3-6</xref>). Some of the variables included in the model for primary outcome were as follows: previous angina; arterial hypertension; Killip classification; adiponectin; leptin; fasting glucose; creatinine; CKMB activity; CKMB mass; TnI; BNP; and urea. After adjusting for those factors, adiponectin was associated with high risk for the primary outcome in the models for groups B and D. For co-primary outcome, the following variables were included: previous angina; arterial hypertension; Killip classification; adiponectin; leptin; fasting glucose; creatinine; CKMB activity; heart rate (HR) on admission, HDL-cholesterol; HOMA index; obesity and in-hospital use of ASA. Adiponectin was consistently an independent predictor of high risk for cardiovascular events in the models of groups B and D, with borderline significance for group C.</p><p><table-wrap id="en_aop_5319tab03_06-body2"><graphic xlink:href="1678-4170-abc-101-05-0399-30186-gt03-en.jpg"/></table-wrap>&#13;
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</p><p><fn id="en_aop5319tab04-body2"><p><graphic xlink:href="1678-4170-abc-101-05-0399-30186-e01-en.jpg"/></p></fn></p>&#13;
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 <p>The logistic regression analysis showed an almost linear relationship between adiponectin, as a quantitative continuous variable, and the estimate of the probability of risk for primary and co-primary outcomes (<xref ref-type="fig" rid="en_aop5319fig01-body2">Figure 1</xref>).</p><p content-type="asset"><fig id="en_aop5319fig01-body2"><graphic xlink:href="1678-4170-abc-101-05-0399-30186-gf01-en.jpg"/></fig></p> <p><bold>Correlations Between Adiponectin and Biomarkers</bold></p> <p>As prespecified, the secondary objective was to study the correlations between adiponectin and the different biomarkers, and demographic and anthropometric variables. <xref ref-type="table" rid="en_aop5319tab07-body2">Table 7</xref> emphasizes the direct and significant correlation between adiponectin and BNP.</p><p content-type="asset"><table-wrap id="en_aop5319tab07-body2"><graphic xlink:href="1678-4170-abc-101-05-0399-30186-gt04-en.jpg"/></table-wrap></p>   <p><bold>Discussion</bold></p> <p>This study of a cohort of patients with ACS on mid/long-term clinical follow-up detected a direct, significant and independent association between adiponectin and the risk for relevant cardiovascular clinical outcomes. There was consistent signaling of more evident risk when patients with DM or ST-segment elevation AMI were excluded. Cavusoglu et al<sup>29</sup> have assessed 325 male patients with stable angina, unstable angina and non-ST-segment elevation AMI, who underwent coronary angiography to determine the prognostic value of serum adiponectin levels. The patients were followed up for 24 months for the occurrence of all-cause death, cardiovascular mortality and AMI. In that study, the authors have identified a direct and independent predictive association between a single baseline adiponectin measurement and the subsequent risk of death and AMI. In the subgroup of non-ST-segment elevation ACS (n = 170), adiponectin remained as an independent risk predictor. Other recent studies have also identified a direct association between adiponectin and cardiovascular risk, especially in patients with HF, mainly the elderly<sup>26-28</sup>. Wannamethee et al<sup>28 </sup>have prospectively studied the relationship between adiponectin levels and mortality in 4,046 male elderly (60-79 years of age), with and without documented CVD and HF. After adjusting for important baseline characteristics, adiponectin remained directly and significantly associated with total and cardiovascular mortalities in men without CVD or HF (adjusted RR: 1.55, 95%CI: 1.19-2.02, p = 0.002; and RR: 1.53, 95%CI: 1.03-2.27, p = 0.02), for a trend in comparing the highest and the lowest tertiles, as well as in men with diagnosed HF (adjusted RR: 2.37, 95%CI: 0.64-8.79, p = 0.04; and RR: 3.43 95%CI: 0.54-21.7, p = 0.008). No association was demonstrated in those with diagnosed CVD, but no HF.</p> <p>Our study has some important differences as compared with those previously discussed. Ours included patients of a wider age group, no analysis restricted only to the oldest. Similarly, this study was not restricted to the inclusion of male individuals<sup>21-23,26-29</sup>, emphasizing that there was adequate balance in the sex proportions, with significant female representation (41.2%). In fact, the mean adiponectin level is approximately 50% greater in women, mainly elderly ones, as compared with men in the same age group<sup>13,36</sup>. In terms of independent risk prediction, this study findings are in accordance with those of the most recent literature regarding the prognostic value of adiponectin in different clinical scenarios, either under stable conditions and in populations considered healthy or without documented CVD, or under acute clinical conditions or manifest CVD, as in the present study. Some studies have identified an independent association between adiponectin and higher risk for CAD (nonfatal AMI and fatal CAD) in individuals with no previous documentation, but only in the elderly, with adjusted OR of 1.69 (95%CI: 1.23-2.32) for the 5<sup>th</sup> quintile <italic>versus</italic> the 1st quintile<sup>25</sup>. However, the Rancho Bernardo study<sup>24</sup> has reported that adiponectin levels in the 5th quintile stratified by sex were significantly associated with a 44% reduction in OR for the occurrence of CAD, which was eliminated after adjusting for HDL-cholesterol and/or triglycerides. In the 20-year prospective analysis, higher concentrations of adiponectin were predictive of reduced risk for nonfatal AMI only in men. Corroborating that information, a recent study on adiponectin and risk of CAD-related events in the context of a meta-analysis of seven prospective studies has reported an OR for CAD of 0.89 (95%CI: 0.67-1.18), comparing men in the 3rd tertile with the 1st tertile, very similar to the findings of that meta-analysis<sup>22</sup>. Wolk et al<sup>37</sup> have assessed 499 patients undergoing coronary angiography, 168 of whom with ACS, and identified that high adiponectin levels are independently associated with a reduced risk of ACS.</p> <p>Of the studied correlations between adiponectin and other biomarkers, we detected a direct and significant one with BNP. Thus, possible interactions like that cannot be ruled out, among others identified and non-measurable factors or variables, which can explain the attenuation of the strength of the association with the risk in the global model. That hypothesis is supported by the study by Schnabel et al<sup>38</sup>, in which the association of risk and adiponectin remained robust after adjusting for classical risk factors in the global population studied. However, after adjusting for BNP, adiponectin lost its independent predictive value. Because of those findings, in patients with manifest CAD, adiponectin seems to have a different role. In clinically asymptomatic individuals, high adiponectin levels seem to protect against atherosclerotic disease; however, when elevated in patients with symptomatic CAD, a direct association with risk for cardiovascular events is observed. That result of direct or paradoxical association implies that the beneficial influence of adiponectin in atherosclerotic disease would be translated into elevations in adiponectin concentrations as a contra-regulatory mechanism in response to the excessive and unstable atherosclerotic process of the ACS, with a negative net result, despite the high concentrations of that biomarker. That could indicate unbalance of the entire metabolic homeostatic system, interfering with cellular bioenergetic processes.</p> <p>It is worth noting that the presence of a strong association between risk factor and the outcome assessed does not necessarily mean that the risk factor provides a base for an effective predictive rule. Wang et al<sup>39 </sup>have shown that, in individual risk assessment, the use of ten biomarkers added only a discrete discriminatory capacity to the classical risk factors, with practically overlapping ROC curves and similar c indices (0.76 <italic>versus</italic> 0.77).</p> <p>Finally, there is the question about the potential mechanisms of the increased risk for relevant cardiovascular events. A recent review has assessed the different pathophysiological mechanisms of adiponectin and has concluded that those associations provide relevant information to understand the inflammatory and atherogenic processes associated with CAD progression and instability of atheromatous plaques<sup>40</sup>. Those mechanisms include the following: 1) involvement of adiponectin in the regulation of the necrotic core development; 2) double role in the neovascularization process due to pro/antiatherogenic properties; the ability to promote angiogenesis has been proven to be beneficial to prevent ischemia; 3) the inverse relationship between adiponectin and the ratio between matrix metalloproteinases and the tissue inhibitor of metalloproteinase-1 suggests that adiponectin modulates the stability of atheromatous plaques by balancing that relationship; 4) local adiponectin in the intima and adventitia suppresses the expression of VCAM-1 and ICAM-1 adhesion molecules in vascular walls, suggesting that adiponectin improves atherosclerosis partially by inhibiting the expression of those inflammatory molecules <italic>in vivo</italic>. Adiponectin has a documented role in the following: endothelial activation; propagation of inflammatory factors through expression of adhesion molecules; monocyte adhesion to vascular endothelium and migration to the intima; macrophage activation; transformation of macrophages into foam cells; lipid accumulation in macrophages; proliferation and migration of smooth muscle cells to the intima; and platelet aggregation. Other mechanisms involved also include the phenomena of oxidation and vascular tone regulation.</p> <p>Of the metabolic variables studied, in addition to adiponectin itself, only fasting glucose showed a significant direct and independent correlation with cardiovascular risk. Our results are comparable to those of several studies on the prognostic role of hyperglycemia on ACS, especially AMI. That might either reflect an unbalance of the systems regulated by adiponectin, as previously discussed, or be influenced by the contra-regulatory mechanisms responsible for stress hyperglycemia. However, because of the associations observed between the biomarkers, specifically with adiponectin, and little or no correlation with us-CRP, leukocytes, platelets and fibrinogen, in addition to maintenance of the association with glycemia even with the strong effect of association of CKMB mass, reflecting the impact of the myocardial necrosis grade, we think that the fasting glucose findings might actually reflect interactions with the effects of adiponectin. Similarly, the results demonstrated by adiponectin quartiles suggest and strengthen that glycemia levels are directly associated with adiponectin levels, exerting an interaction or collinearity effect. </p> <p>In addition, this study performed serial measurements of neither adiponectin nor the different biomarkers of metabolism, such as glycemia, insulin, HOMA index and HbA1c. Such serial measurements could provide additional relevant information for better understanding metabolic homeostasis interrelations.</p> <p>This study found a significant and direct association between adiponectin and the female sex, presence of comorbidities, chronic kidney failure, current smoking and HDL-cholesterol and creatinine levels. In addition, this study found a significant and inverse association between adiponectin and DM, body weight, waist circumference and insulin and triglyceride levels. In fact, the results between the different clinical variables and biomarkers emphasize internal consistency with those previously reported, and with similar patterns, reinforce the aspect of consistency, and indicate similar trends, suggesting that the results should be considered satisfactory and interpretable. However, as in other observational cross-sectional studies, there are some limitations, such as selection biases, in addition to confounding factors not completely elucidated, and, thus, without ideal adjustment. However, we emphasize that systematic efforts were planned to minimize those aspects, as follows: consecutive recruitment of eligible patients; prospective and standardized data collection, mainly of clinical events since ACS onset and representing 100% of the patients; adjustment of Cox models for important co-variables, such as age, sex, CAD extension, other metabolic, inflammatory and myocardial necrosis biomarkers, left ventricular function, coronary revascularization procedures and pharmacological therapy with proven cardiovascular benefit. Considering the unpredictability of the variability of the different measures in the population studied, the occurrence of non-measured confounding factors, and the exploratory nature of the hypotheses, the findings and conclusions of the study should be considered as suggestive or indicative, supporting their applicability to the Brazilian population and contributing to the formulation of new hypotheses.</p>   <p><bold>Conclusions</bold></p> <p>The results of this study add information about the potential prognostic role of serum adiponectin levels in patients with ACS. In addition, they support the concept of metabolic homeostasis as an essential biological process that determines cardiovascular risk. Elevated total serum adiponectin levels were independent and direct predictors of the occurrence of relevant cardiovascular outcomes, such as re-hospitalization requiring revascularization. The data discussed emphasize the correlations between adiponectin and anthropometric, metabolic and myocardial biomarkers, and evoke additional investigations to determine the mechanisms involved in the following: the direct association of adiponectin with greater cardiovascular risk; the significant correlation with BNP; and the potential modulation of that biomarker as a therapeutic target.</p>   <p><bold>Acknowledgements</bold></p> <p>This study received logistic support from the Division of Translational Epidemiology and from the Clinical Analyses Laboratory of the Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia (IDPC). We are also grateful to the Statistics and Epidemiology Laboratory of the IDPC and the Instituto G&#234;nese de An&#225;lises Cient&#237;ficas. </p>   <p><bold>Author contributions</bold></p> <p>Conception and design of the research, Analysis and interpretation of the data, Obtaining funding and Critical revision of the manuscript for intellectual content: Oliveira GBF, Piegas LS; Acquisition of data and Writing of the manuscript: Oliveira GBF; Statistical analysis: Fran&#231;a JID.</p> <p><bold>Potential Conflict of Interest</bold></p> <p>No potential conflict of interest relevant to this article was reported.</p> <p><bold>Sources of Funding</bold></p> <p>There were no external funding sources for this study.</p> <p><bold>Study Association</bold></p> <p>This article is part of the thesis of Doctoral submitted by Gustavo Bernardes de Figueiredo Oliveira, from Universidade de S&#227;o Paulo.</p>   <p><bold>References</bold></p>                                            </body>
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