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        <journal-title>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</journal-title>
        <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Arq. Bras. Cardiol.</abbrev-journal-title>
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      <issn pub-type="epub">1678-4170</issn>
      <publisher>
        <publisher-name>Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC</publisher-name>
        <publisher-loc>S&#227;o Paulo, SP, Brazil</publisher-loc>
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      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v2">S0066-782X2013002800013</article-id>
      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v1">S0066-782X(13)10100200013</article-id>
      <article-id pub-id-type="doi">10.5935/abc.20130153</article-id>
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        <subj-group subj-group-type="heading">
          <subject>Artigo de Revis&#227;o</subject>
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      <title-group>
        <article-title>S&#237;ndrome do Cora&#231;&#227;o P&#243;s-Feriado Revisto ap&#243;s 34 Anos</article-title>
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        <institution content-type="orgname">Universidade de Coimbra</institution>
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        <institution content-type="orgname">Centro Hospitalar e Universit&#225;rio de Coimbra</institution>
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      </aff>
      <pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
        <month>08</month>
        <year>2013</year>
      </pub-date>
      <volume>101</volume>
      <issue>2</issue>
      <fpage>183</fpage>
      <lpage>189</lpage>
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          <day>30</day>
          <month>01</month>
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          <day>13</day>
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          <license-p>This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.</license-p>
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      </permissions>
      <abstract>
        <p>Os efeitos cardiovasculares do &#225;lcool s&#227;o bem conhecidos. No entanto,a maioria das pesquisas tem se concentrado nos efeitos ben&#233;ficos (o "paradoxo franc&#234;s") de um consumo moderado ou as consequ&#234;ncias danosas, tais como a cardiomiopatia dilatada, associada ao consumo pesado durante um per&#237;odo prolongado. Uma associa&#231;&#227;o entre a ingest&#227;o de &#225;lcool aguda e o aparecimento de arritmias card&#237;acas foi relatada pela primeira vez no in&#237;cio dos anos 70.Em 1978, Philip Ettinger descreveu a "s&#237;ndrome do cora&#231;&#227;o p&#243;s-feriado" (HHS) pela primeira vez, como a ocorr&#234;ncia, em pessoas saud&#225;veis e sem doen&#231;a card&#237;aca conhecida por causar arritmia, de uma perturba&#231;&#227;o aguda do ritmo card&#237;aco, mais frequentemente fibrila&#231;&#227;o atrial, ap&#243;s o consumo abusivo de bebidas. O nome &#233; derivado do fato de que esses epis&#243;dios foram inicialmente observados mais frequentemente ap&#243;s finais de semana ou feriados. Desde a descri&#231;&#227;o original da HHS, 34 anos se passaram e novas pesquisas neste campo aumentaram o volume de conhecimentos relacionados a esta s&#237;ndrome. Ao longo deste artigo, os autores v&#227;o revisar de forma abrangente a maioria dos dados dispon&#237;veis sobre a HHS e destacar as quest&#245;es que permanecem sem solu&#231;&#227;o.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="pt" kwd-group-type="author-generated">
        <kwd>Alcoolismo</kwd>
        <kwd>Arritmias Card&#237;acas</kwd>
        <kwd>Fibrila&#231;&#227;o Atrial</kwd>
        <kwd>Revis&#227;o</kwd>
        <kwd>F&#233;rias e Feriados</kwd>
      </kwd-group>
      <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
        <day>09</day>
        <month>09</month>
        <year>2013</year>
      </pub-date>
    </article-meta>
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  <body>
    <p>
      <bold>ARTIGO DE REVIS&#195;O</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>S&#237;ndrome do Cora&#231;&#227;o P&#243;s-Feriado Revisto ap&#243;s 34 Anos</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>David Tonelo<sup>I</sup>; Rui Provid&#234;ncia<sup>I,II</sup>; Lino Gon&#231;alves<sup>I,II</sup></bold>
    </p>
    <p><sup>I</sup>Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, Coimbra, Portugal </p>
    <p><sup>II</sup>Centro Hospitalar de Coimbra e da Universidade, Coimbra - Portugal</p>
    <p>
      <xref ref-type="corresp" rid="end">Correspond&#234;ncia</xref>
    </p>
    <p>
      <bold>RESUMO</bold>
    </p>
    <p>Os efeitos cardiovasculares do &#225;lcool s&#227;o bem conhecidos. No entanto,a maioria das pesquisas tem se concentrado nos efeitos ben&#233;ficos (o "paradoxo franc&#234;s") de um consumo moderado ou as consequ&#234;ncias danosas, tais como a cardiomiopatia dilatada, associada ao consumo pesado durante um per&#237;odo prolongado. Uma associa&#231;&#227;o entre a ingest&#227;o de &#225;lcool aguda e o aparecimento de arritmias card&#237;acas foi relatada pela primeira vez no in&#237;cio dos anos 70.Em 1978, Philip Ettinger descreveu a "s&#237;ndrome do cora&#231;&#227;o p&#243;s-feriado" (HHS) pela primeira vez, como a ocorr&#234;ncia, em pessoas saud&#225;veis e sem doen&#231;a card&#237;aca conhecida por causar arritmia, de uma perturba&#231;&#227;o aguda do ritmo card&#237;aco, mais frequentemente fibrila&#231;&#227;o atrial, ap&#243;s o consumo abusivo de bebidas. O nome &#233; derivado do fato de que esses epis&#243;dios foram inicialmente observados mais frequentemente ap&#243;s finais de semana ou feriados. Desde a descri&#231;&#227;o original da HHS, 34 anos se passaram e novas pesquisas neste campo aumentaram o volume de conhecimentos relacionados a esta s&#237;ndrome. Ao longo deste artigo, os autores v&#227;o revisar de forma abrangente a maioria dos dados dispon&#237;veis sobre a HHS e destacar as quest&#245;es que permanecem sem solu&#231;&#227;o.</p>
    <p><bold>Palavras-chave:</bold> Alcoolismo / complica&#231;&#245;es, Arritmias Card&#237;acas / etiologia, Fibrila&#231;&#227;o Atrial, Revis&#227;o, F&#233;rias e Feriados.</p>
    <p>
      <bold>Introdu&#231;&#227;o</bold>
    </p>
    <p>O &#225;lcool &#233; uma das mais antigas drogas conhecidas e &#233; a droga recreativa mais usada nos Estados Unidos da Am&#233;rica<sup>1</sup> e, provavelmente, no resto do mundo. O &#225;lcool pode ter benef&#237;cios para a sa&#250;de quando consumido moderadamente porque parece oferecer algum grau de prote&#231;&#227;o cardiovascular devido a v&#225;rios mecanismos, incluindo a ativa&#231;&#227;o do sistema fibrinol&#237;tico, diminui&#231;&#227;o da agrega&#231;&#227;o de plaquetas, efeitos antioxidantes, melhora do perfil lip&#237;dico e melhora da fun&#231;&#227;o endotelial. Esses efeitos cardioprotetores s&#227;o conhecidos como o "Paradoxo Franc&#234;s"<sup>2</sup>. No entanto, o abuso de &#225;lcool pode levar a v&#225;rias doen&#231;as em humanos, tais como o alcoolismo, doen&#231;a hep&#225;tica alco&#243;lica, cardiomiopatia alco&#243;lica dilatada, e at&#233; mesmo c&#226;nceres da cavidade oral e es&#244;fago<sup>3</sup>.</p>
    <p>Entre os efeitos cardiovasculares, o abuso regular de &#225;lcool parece aumentar a press&#227;o arterial, levando &#224; hipertens&#227;o arterial, o que por si s&#243; &#233; um fator de risco para outras doen&#231;as cardiovasculares<sup>4</sup> e para morte s&#250;bita<sup>5</sup>. Ele tamb&#233;m est&#225; associado a altera&#231;&#245;es pr&#243;-coagulantes ap&#243;s a ingest&#227;o aguda, hipocoagula&#231;&#227;o com o abuso cr&#244;nico, e trombocitose ap&#243;s a retirada. Al&#233;m disso, ele tamb&#233;m pode reduzir o fluxo sangu&#237;neo cerebral regional, afetando o metabolismo cerebral devido ao abuso cr&#244;nico ou levar &#224; vasoconstri&#231;&#227;o das art&#233;rias cerebrais com a ingest&#227;o aguda.Todos estes efeitos anteriormente mencionados podem levar a um derrame, e o abuso regular tamb&#233;m est&#225; associado &#224; hemorragia intracraniana, o que pode ser fatal<sup>6</sup>.</p>
    <p>H&#225; tamb&#233;m um risco mais elevado de morte card&#237;aca s&#250;bita com o abuso de &#225;lcool, o que aumenta com a quantidade ingerida, independentemente da presen&#231;a de eventos card&#237;acos anteriores como doen&#231;a card&#237;aca isqu&#234;mica ou enfarte do mioc&#225;rdio<sup>5</sup>.</p>
    <p>O consumo cr&#244;nico de grandes quantidades de &#225;lcool est&#225; associado &#224; miocardiopatia alco&#243;lica, um subtipo de cardiomiopatia dilatada secund&#225;ria conhecida por estar associado n&#227;o apenas &#224; insufici&#234;ncia card&#237;aca, mas tamb&#233;m &#224; fibrila&#231;&#227;o atrial (FA) e outras arritmias card&#237;acas<sup>7-9</sup>.</p>
    <p>O &#225;lcool parece ser capaz de causar arritmias card&#237;acas em pessoas saud&#225;veis, quer ap&#243;s a ingest&#227;o aguda excessiva de &#225;lcool, vulgarmente conhecido como "<italic>binge drinking</italic>" (consumo excessivo de &#225;lcool) ou ingest&#227;o cr&#244;nica. Arritmias devido ao consumo excessivo de &#225;lcool t&#234;m sido descritas como "S&#237;ndrome do Cora&#231;&#227;o P&#243;s-Feriado" (HHS) e ser&#225; discutida no presente artigo. A arritmia devido ao consumo cr&#244;nico de &#225;lcool parece estar significativamente associada ao consumo de &gt;36 g de &#225;lcool / dia, mas esta correla&#231;&#227;o &#233; menos clara com o consumo leve e moderado<sup>10,11</sup>.</p>
    <p>Como o consumo de &#225;lcool e o consumo excessivo de &#225;lcool s&#227;o comuns, &#233; importante iluminar a comunidade m&#233;dica e a popula&#231;&#227;o em geral para os perigos da HHS, porque esta condi&#231;&#227;o pode ser diagnosticada mais facilmente e podem ser tomadas medidas preventivas. Al&#233;m disso, uma vez que se passaram 34 anos desde a descri&#231;&#227;o original da HHS por Ettinger e cols. e as quest&#245;es em torno dessa condi&#231;&#227;o permanecem sem resposta, n&#243;s propomos que &#233; hora de organizar as ideias e colocar as coisas em perspectiva.</p>
    <p>
      <bold>M&#233;todos</bold>
    </p>
    <p>Uma pesquisa eletr&#244;nica no PubMed foi realizada utilizando o seguinte texto: "ingest&#227;o de &#225;lcool E (FA OU arritmias OU fibrila&#231;&#227;o atrial OU flutter atrial) OU cora&#231;&#227;o de feriado" de janeiro de 1960 a setembro de 2012. Foram obtidos 436 artigos a partir desta pesquisa principal. Ap&#243;s analisar cada resumo, foram identificados 10 artigos relevantes sobre a HHS e os mecanismos potenciais do &#225;lcool por tr&#225;s de sua arritmogenicidade. Artigos com foco apenas na ingest&#227;o de &#225;lcool cr&#244;nica e seus efeitos sobre a fun&#231;&#227;o card&#237;aca n&#227;o foram inclu&#237;dos. Tamb&#233;m examinamos manualmente as listas de refer&#234;ncia destes artigos identificados para artigos mais relevantes, repetindo o processo novamente, o que resultou em quatro artigos adicionais sendo adicionados &#224; nossa lista. Seis outros artigos foram adicionados de pesquisas manuais sobre temas espec&#237;ficos relacionados &#224; HHS e / ou os mecanismos do &#225;lcool por tr&#225;s de suas propriedades arritmog&#234;nicas (<xref ref-type="fig" rid="a13fig01">Figura 1</xref>).</p>
    <p content-type="asset">
      <fig id="a13fig01">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-101-02-0183-30153-gf01.jpg"/></fig>
    </p>
    <p>
      <bold>HHS : hist&#243;ria e defini&#231;&#227;o</bold>
    </p>
    <p>A HHS foi reconhecida pela primeira vez no in&#237;cio dos anos 70, quando Philip Ettinger notou uma associa&#231;&#227;o entre pacientes agudamente intoxicados e arritmias card&#237;acas<sup>12,13</sup>, muito embora nesse momento a maioria dos livros n&#227;o sugerirem que o &#225;lcool poderia causar arritmias card&#237;acas em indiv&#237;duos n&#227;o alco&#243;licos aparentemente saud&#225;veis<sup>7</sup>.</p>
    <p>O termo foi introduzido oficialmente em 1978 por Ettinger e cols.<sup>14</sup> para descrever a ocorr&#234;ncia de uma perturba&#231;&#227;o aguda do ritmo card&#237;aco em pessoas aparentemente saud&#225;veis &#8203;&#8203;ap&#243;s um epis&#243;dio de consumo pesado de &#225;lcool, ou seja, "<italic>binge drinking</italic>". Esta perturba&#231;&#227;o desapareceu com posterior abstin&#234;ncia, n&#227;o deixando doen&#231;a card&#237;aca residual. Estas ocorr&#234;ncias tiveram a particularidade de serem mais frequentes ap&#243;s finais de semana ou feriados como Natal ou Ano Novo, que s&#227;o conhecidos para estarem associados ao aumento da ingest&#227;o de &#225;lcool, da&#237; o nome<sup>14</sup>. No entanto, em um estudo posterior, Koskinen e cols. mostrou que esta associa&#231;&#227;o entre arritmias causadas pela ingest&#227;o recente de &#225;lcool e finais de semana ou feriados nem sempre estava presente<sup>15</sup>.</p>
    <p>A HHS est&#225; associada principalmente a arritmias supraventriculares, com a FA sendo a arritmia card&#237;aca mais comum da s&#237;ndrome. No entanto, outros tipos menos frequentes de arritmias tamb&#233;m podem ocorrer, tais como flutter atrial, taquicardia atrial parox&#237;stica, e extrass&#237;stoles ventriculares isoladas<sup>14</sup>.</p>
    <p>A HHS pode ocorrer em consumidores regulares e n&#227;o regulares de &#225;lcool. No entanto, uma vez que todos os pacientes do estudo de Ettinger consumiam bebidas alco&#243;licas fortemente e de forma regular, inicialmente a HHS foi considerada como ligada a pessoas com antecedentes de consumo cr&#244;nico de &#225;lcool, ao inv&#233;s daquelas pessoas sem antecedentes<sup>14</sup>. No entanto,Ettinger e cols.<sup>14</sup> tamb&#233;m descrevem o caso de um consumidor n&#227;o regular saud&#225;vel que apresentou FA ap&#243;s o consumo de &#225;lcool, sugerindo que a HHS tamb&#233;m poderia ocorrer neste grupo de indiv&#237;duos. Isso foi mais tarde confirmado por outros estudos que mostram casos semelhantes de in&#237;cio s&#250;bito de arritmias card&#237;acas ap&#243;s o consumo pesado em pacientes saud&#225;veis n&#227;oalco&#243;licos<sup>7,16</sup>.</p>
    <p>&#201; importante notar que os pacientes com HHS s&#227;o aparentemente saud&#225;veis, sem hist&#243;rico pessoal ou familiar de palpita&#231;&#245;es ou outros sintomas sugestivos de anomalias card&#237;acas estruturais ou qualquer evid&#234;ncia cl&#237;nica de doen&#231;a card&#237;aca, tais como cardiomiopatia, doen&#231;a card&#237;aca valvar, doen&#231;a card&#237;aca coron&#225;ria, ou outras condi&#231;&#245;es que poderiam levar a arritmias card&#237;acas, tais como n&#237;veis de eletr&#243;litos anormais ou elevados n&#237;veis de horm&#244;nio da tireoide. Testes laboratoriais e outros exames geralmente s&#227;o normais, e ap&#243;s retornar ao ritmo sinusal normal, os eletrocardiogramas tamb&#233;m s&#227;o em sua maioria normais<sup>7,13-15</sup>.</p>
    <p>Outra caracter&#237;stica particular da HHS &#233; a aus&#234;ncia de novos epis&#243;dios com a abstin&#234;ncia de &#225;lcool e a recorr&#234;ncia dos sintomas com o abuso continuado de &#225;lcool. Esta observa&#231;&#227;o refor&#231;a ainda mais o papel do &#225;lcool no desenvolvimento dessas arritmias e tamb&#233;m a import&#226;ncia de evitar o consumo excessivo de &#225;lcool ou o consumo para prevenir a ocorr&#234;ncia de novos eventos<sup>7,12,13,17</sup>.</p>
    <p>O sintoma mais frequente relatado por pacientes com HHS &#233; a palpita&#231;&#227;o. Outros sintomas comumente relatados s&#227;o a press&#227;o ou dor precordial, s&#237;ncope<sup>14</sup> e dispneia<sup>7</sup>. No entanto, &#233; importante notar que as arritmias card&#237;acas, tal como a FA, podem tamb&#233;m ocorrer sem quaisquer sintomas cl&#237;nicos, tornando alguns epis&#243;dios de HHS mais dif&#237;ceis de diagnosticar, o que pode levar a uma subestimativa da sua incid&#234;ncia<sup>18</sup>.</p>
    <p>A FA, a arritmia card&#237;aca mais frequente na HHS, tem sido demonstrada como um importante fator de risco para derrame<sup>19</sup>e aumento de mortalidade<sup>20</sup>, sugerindo indiretamente uma associa&#231;&#227;o entre a HHS e derrame ou morte.No entanto, n&#227;o h&#225; dados cl&#237;nicos que avaliam estes desfechos especificamente em associa&#231;&#227;o com a HHS. Al&#233;m disso, a arritmia associada &#224; HHS ap&#243;s o consumo abusivo de &#225;lcool pode levar &#224; morte s&#250;bita, o que pode explicar alguns dos casos de morte s&#250;bita, comumente relatados em pacientes alco&#243;latras<sup>5,14</sup>.</p>
    <p>
      <bold>Fisiopatologia</bold>
    </p>
    <p>Os mecanismos por tr&#225;s da associa&#231;&#227;o de &#225;lcool e arritmias card&#237;acas continuam em aberto. Estes podem ser diretos (miotoxicidade do &#225;lcool) ou indiretos (por metab&#243;litos derivados do &#225;lcool ou efeitos sobre outros &#243;rg&#227;os, tal como as gl&#226;ndulas suprarrenais).No entanto, existem alguns fatos sobre as propriedades arritmog&#234;nicas do &#225;lcool que foram aceitos entre a comunidade cient&#237;fica (<xref ref-type="fig" rid="a13fig02">Figura 2</xref>).</p>
    <p content-type="asset">
      <fig id="a13fig02">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-101-02-0183-30153-gf02.jpg"/></fig>
    </p>
    <p><bold>Interfer&#234;ncia na condu&#231;&#227;o card&#237;aca:</bold> Acredita-se que a ingest&#227;o alco&#243;lica aguda interfere com o sistema de condu&#231;&#227;o card&#237;aco atrav&#233;s do retardamento da condu&#231;&#227;o, o que &#233; importante, porque facilita a reentrada, que &#233; um dos principais mecanismos subjacentes ao desenvolvimento de arritmias card&#237;acas, a saber a FA.</p>
    <p>Em um estudo experimental com c&#227;es, Ettinger e cols.<sup>21 </sup>n&#227;o observou o prolongamento do intervalo HV ou o alargamento do QRS ap&#243;s a infus&#227;o aguda de &#225;lcool. No entanto, esses par&#226;metros foram medidos em apenas dois c&#227;es. Uma amostra maior, ou seja, uma composta de seres humanos, pode ser necess&#225;ria para confirmar esta teoria. De fato, posteriormente no estudo original da HHS, o prolongamento dos intervalos PRc, QRS e QTc<sup>14</sup>, os quais s&#227;o conhecidos por estarem associados &#224; FA, foi observado<sup>22</sup>. Cardy e cols.<sup>23</sup> tamb&#233;m mostraram o prolongamento das ondas P e QRS em 13 seres humanos ap&#243;s a ingest&#227;o aguda de &#225;lcool, sugerindo o retardamento da condu&#231;&#227;o ventricular e atrial devido ao &#225;lcool. Embora os controles tamb&#233;m tenham mostrado o prolongamento destas ondas, mudan&#231;as no grupo de &#225;lcool foram significativamente mais pronunciadas.</p>
    <p>Um estudo recente, utilizando t&#233;cnica "patch-clamp", mostrou que <underline>&gt;</underline> 2 g / L de &#225;lcool possuem um efeito inibit&#243;rio sobre os canais de s&#243;dio card&#237;acos, proporcionando um mecanismo poss&#237;vel para a interfer&#234;ncia da condu&#231;&#227;o card&#237;aca causada pela ingest&#227;o aguda de &#225;lcool. Isto pode acontecer diretamente ou mesmo indiretamente uma vez que a inibi&#231;&#227;o dos canais de s&#243;dio pode aumentar a atividade do trocador de s&#243;dio-c&#225;lcio, prolongando o potencial de a&#231;&#227;o e a repolariza&#231;&#227;o, com subsequente prolongamento de intervalos, tal como o intervalo QT, facilitando o aparecimento de arritmias card&#237;acas. Para concentra&#231;&#245;es &lt;2 g / L, a inibi&#231;&#227;o n&#227;o foi significativa, o que indica que este mecanismo &#233; mais prov&#225;vel de ocorrer com a ingest&#227;o pesada e aguda, ou seja, consumo excessivo de &#225;lcool<sup>24</sup>.</p>
    <p><bold>Encurtamento do per&#237;odo refrat&#225;rio:</bold> O &#225;lcool pode encurtar o per&#237;odo refrat&#225;rio atrial, o que pode levar a arritmias card&#237;acas em tecido atrial de ratos<sup>25</sup>. No entanto, em um estudo com 11 abusadores de &#225;lcool, Engel e cols.<sup>16 </sup>n&#227;o encontraram altera&#231;&#245;es significativas no per&#237;odo refrat&#225;rio atrial ap&#243;s o consumo de u&#237;sque. Portanto, pode haver altera&#231;&#245;es adicionais e significativas na condu&#231;&#227;o focal que podem facilitar a reentrada e levar &#224;s arritmias card&#237;acas observadas neste estudo.</p>
    <p><bold>Aumento da atividade simp&#225;tica:</bold> O &#225;lcool pode aumentar a libera&#231;&#227;o de catecolaminas, secretadas pela medula da gl&#226;ndula adrenal ou localmente pelo pr&#243;prio mioc&#225;rdio<sup>7,16</sup>. Este aumento de catecolaminas sist&#234;micas ou intramioc&#225;rdicas pode levar a um prolongamento de onda P, que &#233; conhecida por estar associado a arritmias atriais<sup>8,9</sup>.</p>
    <p>No entanto, Maki e cols.<sup>26</sup> n&#227;o observaram um aumento significativo dos n&#237;veis de catecolaminas ap&#243;s o consumo de &#225;lcool em indiv&#237;duos com ou sem hist&#243;rico pessoal de epis&#243;dios de FA causada pelo consumo excessivo de &#225;lcool. No entanto, os n&#237;veis de catecolaminas no grupo de FA apresentaram uma tend&#234;ncia a serem mais elevados, a qual pode trabalhar em sinergia com outros mecanismos arritmog&#234;nicos do &#225;lcool, aumentando a probabilidade de arritmias card&#237;acas. Os mesmos autores observaram um aumento dos receptores beta-adren&#233;rgicos, juntamente com um predom&#237;nio da atividade simp&#225;tica card&#237;aca em pacientes com hist&#243;rico de FA relacionada ao consumo de bebidas<sup>26</sup>.</p>
    <p><bold>Eleva&#231;&#227;o dos &#225;cidos graxos livres no plasma:</bold> Com a ingest&#227;o de &#225;lcool existe um aumento de &#225;cidos gordos livres no plasma, o que se acredita ser arritmog&#234;nico por natureza<sup>7,9</sup>. Embora os mecanismos ainda n&#227;o estejam completamente esclarecidos, uma associa&#231;&#227;o significativa entre n&#237;veis elevados de &#225;cidos graxos livres e AF foi observada em idosos em uma recente an&#225;lise do Cardiovascular Health Study, refor&#231;ando esta teoria<sup>27</sup>.</p>
    <p><bold>Efeitos arritmog&#234;nicos do acetalde&#237;do:</bold> O principal metab&#243;lito do &#225;lcool tamb&#233;m parece exibir propriedades arritmog&#234;nicas, possivelmente aumentando as catecolaminas sist&#234;micas e intramioc&#225;rdicas<sup>23,26</sup>. Um estudo experimental por Gallardo-Carpentier e cols.<sup>28</sup><italic>, </italic>utilizando fibras de Purkinje de c&#227;o, mostrou que o acetalde&#237;do possui um efeito arritmog&#234;nico, que parece ser causado por um aumento na atividade adren&#233;rgica. Sendo assim, o acetalde&#237;do pode causar o aparecimento de arritmias algum tempo ap&#243;s a ingest&#227;o de &#225;lcool. Inversamente, arritmias t&#234;m sido observadas logo ap&#243;s a ingest&#227;o de u&#237;sque, mesmo antes que quantidades significativas de acetalde&#237;do pudessem ser produzidas<sup>16</sup>.</p>
    <p><bold>Atividade parassimp&#225;tica aumentada:</bold> Apesar dos dados acima mencionados apoiando o aumento da atividade simp&#225;tica ap&#243;s a ingest&#227;o de &#225;lcool como causa de arritmias card&#237;acas<sup>26</sup>, um estudo recente por Mandyam e cols.<sup>29</sup> identificou uma liga&#231;&#227;o entre a ativa&#231;&#227;o vagal e a fibrila&#231;&#227;o atrial parox&#237;stica (FAP). Tamb&#233;m foi sugerido que o &#225;lcool poderia desencadear FA pela ativa&#231;&#227;o vagal, uma vez que os pacientes relatando o &#225;lcool como um desencadeador eram mais propensos a relatar a ativa&#231;&#227;o vagal como um desencadeador<sup>29</sup>.</p>
    <p>
      <bold>Evid&#234;ncia cl&#237;nica</bold>
    </p>
    <p>Al&#233;m da descri&#231;&#227;o original de Ettinger, a liga&#231;&#227;o entre o consumo excessivo de &#225;lcool e o aparecimento de arritmias card&#237;acas tem sido consistentemente observada (<xref ref-type="table" rid="a13tab01">Tabela 1</xref>).</p>
    <p content-type="asset">
      <table-wrap id="a13tab01">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-101-02-0183-30153-gt01.jpg"/></table-wrap>
    </p>
    <p>Engel e cols.<sup>16 </sup>testaram a vulnerabilidade &#224; FA e flutter atrial ap&#243;s o consumo de u&#237;sque. Em seu estudo, dois dos tr&#234;s pacientes n&#227;o alco&#243;licos com bradicardia sinusal, mas sem insufici&#234;ncia card&#237;aca, desenvolveram FA ou flutter ap&#243;s consumir u&#237;sque.</p>
    <p>Uma s&#233;rie de casos por Thornton<sup>7</sup> mostrou quatro casos de arritmia card&#237;aca ap&#243;s a ingest&#227;o de &#225;lcool em pessoas que n&#227;o consomem &#225;lcool regularmente.</p>
    <p>Koskinen e cols.<sup>15</sup>, em um estudo de caso-controle com 100 pacientes, dos quais 35 sem evid&#234;ncia de doen&#231;a card&#237;aca, tamb&#233;m verificaram uma liga&#231;&#227;o entre o consumo de &#225;lcool recente (&#250;ltimos dois dias) e FA. No entanto, ao contr&#225;rio do estudo original da HHS, a maioria dos casos n&#227;o ocorreu aos finais de semana ou ap&#243;s feriados, mas na quarta-feira, quinta-feira e sexta-feira. Os autores justificam essa distribui&#231;&#227;o, citando o aumento do estresse f&#237;sico e mental durante o dia de trabalho, o que pode aumentar o t&#244;nus simp&#225;tico, aumentando ainda mais o efeito arritmog&#234;nico do &#225;lcool. Este estudo estimou que aproximadamente 15%-30% dos casos idiop&#225;ticos de FA est&#227;o relacionados ao abuso de &#225;lcool. </p>
    <p>Embora apenas indiretamente relacionados &#224; HHS, Wannamethee e Shaper<sup>5</sup>, em seu estudo prospectivo sobre &#225;lcool e morte s&#250;bita, observaram que os pacientes entre 40 e 49 anos de idade sem doen&#231;a card&#237;aca isqu&#234;mica e com h&#225;bitos de consumo ocasional tiveram uma incid&#234;ncia de morte s&#250;bita semelhante &#224; de consumidores pesados, sugerindo que alguns desses consumidores ocasionais podem ter participado do consumo excessivo do &#225;lcool, que est&#225; associado &#224; HHS, levando a arritmias card&#237;acas que podem resultar em morte s&#250;bita.</p>
    <p>Outro estudo retrospectivo dos adultos jovens por Krishnamoorthy e cols.<sup>17</sup><italic>,</italic> concentrando-se n&#227;o apenas no &#225;lcool, mas tamb&#233;m no uso de drogas il&#237;citas, confirmou o &#225;lcool como um grande desencadeador para a FA. De 88 pacientes internados com FA, 20 haviam consumido &#225;lcool antes do in&#237;cio dos sintomas e um foi internado por abuso de coca&#237;na.O mesmo estudo acompanhou alguns dos pacientes, verificando recidivas em todos aqueles que continuaram com o abuso de &#225;lcool, o que refor&#231;a a motiva&#231;&#227;o para sugerir a abstin&#234;ncia como medida profil&#225;tica<sup>17</sup>.</p>
    <p>Mandyam e cols.<sup>29 </sup>tamb&#233;m observaram uma associa&#231;&#227;o entre &#225;lcool e FAP. O estudo teve a particularidade de comparar pacientes com FAP e pacientes com taquicardia supraventricular (TSV) para avaliar se a ingest&#227;o de &#225;lcool precipita a FAP com frequ&#234;ncia maior do que a provavelmente esperada. O consumo de &#225;lcool &#233; comum e a FAP tamb&#233;m &#233; bastante frequente; portanto, o &#225;lcool poderia parecer desencadear a FAP na aus&#234;ncia de uma verdadeira associa&#231;&#227;o causal. Pacientes com FAP tiveram 4,42 probabilidades mais elevadas de relatar a ingest&#227;o de &#225;lcool antes de um epis&#243;dio FAP em compara&#231;&#227;o com o grupo de TSV<sup>29</sup>.</p>
    <p>Em um estudo recente, Liang e cols.<sup>30 </sup>analisaram o papel da ingest&#227;o regular de &#225;lcool e o consumo excessivo de &#225;lcool no risco de FA utilizando participantes dos ensaios Ongoing Telmisartan Alone and in Combination with Rampipril Global Endpoint Trial e Telmisartan Randomized Assessment Study in ACE Intolerant Subjects with Cardiovascular Disease. Dentro do grupo de consumo moderado de &#225;lcool, os consumidores excessivos (definido como o consumo de &#225;lcool de &gt;5 doses / dia) estiveram associados a um risco aumentado de FA em compara&#231;&#227;o com consumidores n&#227;o excessivos, chegando a um risco semelhante de FA com consumidores pesados &#8203;&#8203;(&gt;3 doses / dia para homens e&gt;2 doses / dia para mulheres). </p>
    <p>
      <bold>Quest&#245;es n&#227;o resolvidas</bold>
    </p>
    <p>Embora tenha havido progressos consider&#225;veis &#8203;&#8203;relacionadas &#224; HHS, ainda existem algumas quest&#245;es importantes que exigem mais pesquisas.</p>
    <p>
      <bold>Longo prazo versus n&#227;o consumidores: consumidores cr&#244;nicos apresentam um risco aumentado de HHS?</bold>
    </p>
    <p>Embora haja uma liga&#231;&#227;o entre o abuso cr&#244;nico de &#225;lcool e a cardiomiopatia alco&#243;lica, que &#233; conhecida por levar a arritmias card&#237;acas<sup>8</sup>, houve uma pesquisa consider&#225;vel, incluindo v&#225;rios estudos epidemiol&#243;gicos que mostram uma associa&#231;&#227;o entre o consumo cr&#244;nico de &#225;lcool e um risco aumentado de FA em indiv&#237;duos aparentemente saud&#225;veis e sem doen&#231;a card&#237;aca evidente, cardiomiopatia alco&#243;lica, a saber. Esta liga&#231;&#227;o parece ser mais forte com o abuso pesado, mas &#233; menos evidente nos casos de ingest&#227;o de &#225;lcool moderada e leve.</p>
    <p>Djouss&#233; e cols.<sup>4</sup><italic>, </italic>utilizando dados do estudo de Framingham, encontraram um aumento significativo no risco de FA (1,36, p = 0,006) para a ingest&#227;o cr&#244;nica de &#225;lcool&gt;36 g / dia (cerca de 3 doses / dia); no entanto, o risco aumentado n&#227;o foi significativo para quantidades abaixo desse n&#237;vel. Em um trabalho de revis&#227;o sobre fatores diet&#233;ticos, incluindo &#225;lcool, por Gronroos e cols.<sup>10</sup>, uma conclus&#227;o similar foi atingida, com um aumento consistentemente significativo do risco de FA observado para consumidores pesados, mas nenhum aumento associado ao consumo moderado de &#225;lcool. Uma an&#225;lise do Prospective Study of Pravastatin in the Elderly at Risk, em um estudo realizado por Macfarlane e cols.<sup>22</sup><italic>, </italic>apesar da amostra ser baseada em pessoas idosas, tamb&#233;m foi demonstrado que a ingest&#227;o de &#225;lcool era significativamente maior em pacientes com FA &#8203;&#8203;que em pacientes sem FA.</p>
    <p>Em uma meta-an&#225;lise recente, Samokhvalov e cols.<sup>11</sup> verificaram uma rela&#231;&#227;o dose-resposta entre a quantidade di&#225;ria de &#225;lcool consumido e o risco de FA, com um risco relativo de 1,08 /dose.No entanto, o risco de FA foi apenas significativo para a ingest&#227;o de &gt; 3 doses / dia (36 g / dia) para homens e &gt; 2 doses / dia (24 g / dia) para mulheres, implicando em um poss&#237;vel limiar acima do qual existe um risco significativamente aumentado de FA. A ingest&#227;o abaixo desses n&#237;veis teve o mesmo risco que n&#227;o consumidores<sup>11</sup>.</p>
    <p>Uma teoria que pode explicar a falta de associa&#231;&#227;o da FA com a ingest&#227;o moderada de &#225;lcool &#233; que este tipo de consumo pode ser protetor contra FA devido aos seus efeitos anti-isqu&#234;micos, fornecendo prote&#231;&#227;o contra poss&#237;veis eventos card&#237;acos que podem resultar em danos estruturais e levar &#224; FA. No entanto, em outra meta-an&#225;lise recente, por Kodama e cols.<sup>18</sup>, al&#233;m de se observar uma rela&#231;&#227;o dose-resposta semelhante &#224; meta-an&#225;lise citada anteriormente, seus dados tamb&#233;m sugerem que a ingest&#227;o moderada pode produzir um risco maior de FA comparado aos n&#227;o consumidores. Mais estudos com amostras maiores e acompanhamento s&#227;o necess&#225;rios para esclarecer este assunto.</p>
    <p>Ao contr&#225;rio dos estudos anteriores, uma an&#225;lise recente do estudo de Framingham realizada por Shen e cols.<sup>31 </sup>n&#227;o observou uma liga&#231;&#227;o entre o consumo de &#225;lcool em longo prazo e a FA. Havia um risco aumentado para o consumo de &#225;lcool acima de 35 g / dia e 25 g / dia para homens e mulheres, respectivamente, mas este n&#227;o atingiu signific&#226;ncia estat&#237;stica. No entanto, os consumidores pesados &#8203;&#8203;foram sub-representados, o que pode ter conferido pouca for&#231;a ao estudo para essa finalidade. Uma amostra maior e um acompanhamento mais longo podem ser necess&#225;rios antes de serem tiradas mais conclus&#245;es<sup>31</sup>.</p>
    <p>Em geral, o risco parece ser aumentado consistentemente com o consumo cr&#244;nico pesado e, portanto, o risco de HHS pode aumentar ainda mais ao sobrepor epis&#243;dios de consumo excessivo sobre este antecedente cr&#244;nico de risco existente.</p>
    <p>Al&#233;m disso, estudos experimentais em c&#227;es demonstraram que o abuso de &#225;lcool em longo prazo pode levar a mudan&#231;as estruturais microsc&#243;picas e interfer&#234;ncia da condu&#231;&#227;o card&#237;aca antes que qualquer evid&#234;ncia cl&#237;nica de altera&#231;&#245;es macrosc&#243;picas card&#237;acas estruturais seja evidente<sup>21,32</sup>. Estas altera&#231;&#245;es microestruturais e de condu&#231;&#227;o card&#237;aca podem facilitar a ocorr&#234;ncia de HHS ap&#243;s um epis&#243;dio de consumo excessivo de &#225;lcool.</p>
    <p>Outro ponto a considerar &#233; que consumidores cr&#244;nicos podem ser mais propensos ao consumo excessivo de &#225;lcool durante feriados, finais de semana ou outras ocasi&#245;es especiais.</p>
    <p>
      <bold>A presen&#231;a de comorbidades card&#237;acas aumenta o risco HHS?</bold>
    </p>
    <p>Estudos anteriores sugerem que em pacientes com doen&#231;a card&#237;aca que aumentam a chance de arritmias card&#237;acas, ou seja,FA, o &#225;lcool pode ser um desencadeador para epis&#243;dios de arritmia<sup>15,17,30</sup>. No entanto, s&#227;o necess&#225;rios mais estudos para quantificar esse risco.</p>
    <p>
      <bold>Outras quest&#245;es:</bold>
    </p>
    <p>- A incid&#234;ncia de HHS est&#225; subestimada? A HHS &#233; muito provavelmente subdiagnosticada porque algumas das arritmias card&#237;acas, a saber, FA, podem ocorrer sem sintomas.</p>
    <p>- Existe uma base gen&#233;tica associada a uma maior susceptibilidade aos efeitos arritmog&#234;nicos do &#225;lcool? Por exemplo, Ettinger e cols. relataram um caso em que o paciente ingeriu apenas uma bebida antes do aparecimento dos sintomas<sup>14</sup>. Esses relatos tamb&#233;m s&#227;o comuns em nossa pr&#225;tica di&#225;ria.</p>
    <p>- O tipo de bebida afeta o risco? Existem muitos tipos de bebidas: cerveja, vinho e bebidas destiladas, tais como vodca e u&#237;sque. Portanto, &#233; importante estar ciente de que alguns destes tipos de bebidas conferem um risco aumentado de HHS. Por exemplo, a cerveja esteve mais frequentemente associada &#224; FAP que vinho ou bebidas destiladas no estudo de Mandayam e cols.<sup>29</sup>.</p>
    <p>- Existe um limiar para a ingest&#227;o aguda de &#225;lcool acima do qual o risco de HHS aumenta significativamente?</p>
    <p>- Pacientes com HHS apresentam maior risco de eventos tromboemb&#243;licos em compara&#231;&#227;o com aqueles com FAP independente da ingest&#227;o de &#225;lcool?</p>
    <p>- O risco de HHS &#233; maior do que os benef&#237;cios do consumo moderado?</p>
    <p>- A velocidade de ingest&#227;o afeta o risco da HHS? A ingest&#227;o mais r&#225;pida aumenta o risco?</p>
    <p>- O risco &#233; diferente se o consumo excessivo de &#225;lcool ocorrer durante o jejum ou ap&#243;s uma refei&#231;&#227;o?</p>
    <p>
      <bold>Conclus&#227;o</bold>
    </p>
    <p>O &#225;lcool possui um papel definitivo na arritmia card&#237;aca, seja por abuso cr&#244;nico ou consumo excessivo de &#225;lcool. &#201; importante que os m&#233;dicos reconhe&#231;am a HHS e estejam cientes do papel do &#225;lcool em sua g&#234;nese, poupando os pacientes de investiga&#231;&#245;es complexas quando n&#227;o h&#225; evid&#234;ncia cl&#237;nica de patologias card&#237;acas.</p>
    <p>Durante a interna&#231;&#227;o de um paciente com palpita&#231;&#245;es ou outros sintomas associados a arritmias card&#237;acas, uma alta suspeita de HHS deve ocorrer se o paciente apresentar sinais de intoxica&#231;&#227;o alco&#243;lica ou apresentou um epis&#243;dio recente de consumo excessivo de &#225;lcool. Ap&#243;s confirmar a arritmia card&#237;aca e excluir doen&#231;as card&#237;acas evidentes, o m&#233;dico deve explicar a s&#237;ndrome ao paciente e recomendar a abstin&#234;ncia do &#225;lcool em um esfor&#231;o para evitar novos epis&#243;dios de HHS.</p>
    <p>
      <bold>Contribui&#231;&#227;o dos autores</bold>
    </p>
    <p>Concep&#231;&#227;o e desenho da pesquisa, Reda&#231;&#227;o do manuscrito e Revis&#227;o cr&#237;tica do manuscrito quanto ao conte&#250;do intelectual: Tonelo D, Provid&#234;ncia R, Gon&#231;alves L; Obten&#231;&#227;o de dados e An&#225;lise e interpreta&#231;&#227;o dos dados: Tonelo D.</p>
    <p>
      <bold>Potencial Conflito de Interesses</bold>
    </p>
    <p>Declaro n&#227;o haver conflito de interesses pertinentes.</p>
    <p>
      <bold>Fontes de Financiamento</bold>
    </p>
    <p>O presente estudo n&#227;o teve fontes de financiamento externas.</p>
    <p>
      <bold>Vincula&#231;&#227;o Acad&#234;mica</bold>
    </p>
    <p>Este artigo &#233; parte de disserta&#231;&#227;o de Mestrado de David Tonelo pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.</p>
    <p>
      <fn id="end" fn-type="corresp">
        <label>
          <bold>Correspond&#234;ncia:</bold>
        </label>
        <p> Rui Provid&#234;ncia </p>
        <p> Servi&#231;o de Cardiologia, Hospital Geral do Centro Hospitalar e Universit&#225;rio de Coimbra </p>
        <p> Quinta dos Vales CEP 3041-801 S. Martinho do Bispo, Coimbra </p>
        <p> E-mail: </p>
        <p>
          <email xlink:href="rui_providencia@yahoo.com">rui_providencia@yahoo.com</email>
        </p>
      </fn>
    </p>
    <p>Artigo recebido em 13/10/12; revisado em 13/10/12; aceito em 30/01/13.</p>
  </body>
  <back>
    <ref-list>
      <ref id="B1">
        <label>1</label>
        <mixed-citation>1. National Council on Alcoholism and Drug Dependence, Inc. [Cited in 2012 Sep 5]. Available from: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.ncadd.org/index.php/learn-about-alcohol/faqsfacts">http://www.ncadd.org/index.php/learn-about-alcohol/faqsfacts</ext-link>.</mixed-citation>
        <element-citation publication-type="webpage">
          <comment>Available at:<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://http://www.ncadd.org/index.php/learn-about-alcohol/faqsfacts">link</ext-link></comment>
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          <article-title>Protec&#231;&#227;o cardiovascular por bebidas alco&#243;licas: bases cient&#237;ficas do paradoxo franc&#234;s</article-title>
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            <year>2006</year>
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        <element-citation publication-type="journal">
          <article-title>Arrhythmogenic and antiarrhythmic actions of substances of abuse: effects on triggered activity</article-title>
          <source>J Electrocardiol</source>
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          <article-title>Alcohol and vagal tone as triggers for paroxysmal atrial fibrillation</article-title>
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          <article-title>Alcohol consumption and the risk of incident atrial fibrillation among people with cardiovascular disease</article-title>
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          <article-title>Dietary factors and incident atrial fibrillation: the Framingham Heart Study</article-title>
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          <article-title>Myocardial function and lipid metabolism in the chronic alcoholic animal</article-title>
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      <article-categories>
        <subj-group subj-group-type="heading">
          <subject>Review Article</subject>
        </subj-group>
      </article-categories>
      <title-group>
        <article-title xml:lang="en">Holiday heart syndrome revisited after 34 years</article-title>
      </title-group>
      <abstract xml:lang="en">
        <p>The cardiovascular effects of alcohol are well known. However, most research has focused on the beneficial effects (the "French paradox") of moderate consumption or the harmful consequences, such as dilated cardiomyopathy, associated with heavy consumption over an extended period. An association between the ingestion of acute alcohol and onset of cardiac arrhythmias was first reported in the early 70's. In 1978, Philip Ettinger described "Holiday heart syndrome" (HHS) for the first time, as the occurrence, in healthy people without heart disease known to cause arrhythmia, of an acute cardiac rhythm disturbance, most frequently atrial fibrillation, after binge drinking. The name is derived from the fact that episodes were initially observed more frequently after weekends or public holidays. Since the original description of HHS, 34 years have passed and new research in this field has increased the volume of knowledge related to this syndrome. Throughout this paper the authors will comprehensively review most of the available data concerning HHS and highlight the questions that remain unresolved.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="en">
        <kwd>Alcoholism</kwd>
        <kwd>Arrhythmias, Cardiac</kwd>
        <kwd>Holidays</kwd>
        <kwd>Atrial Fibrillation</kwd>
        <kwd>Review</kwd>
      </kwd-group>
    </front-stub>
    <body>
      <p>
        <bold>REVIEW ARTICLE</bold>
      </p>
      <p>
        <fn id="enda-body2">
          <label>
            <bold>Holiday heart syndrome revisited after 34 years</bold>
          </label>
          <p>
            <bold>David Tonelo<sup>I</sup>; Rui Provid&#234;ncia<sup>I,II</sup>; Lino Gon&#231;alves<sup>I,II</sup></bold>
          </p>
        </fn>
      </p>
      <p><sup>I</sup>Faculty of Medicine, University of Coimbra, Coimbra, Portugal</p>
      <p><sup>II</sup>Coimbras Hospital Centre and University, Coimbra - Portugal</p>
      <p>Mailing Address</p>
      <p>
        <bold>ABSTRACT</bold>
      </p>
      <p>The cardiovascular effects of alcohol are well known. However, most research has focused on the beneficial effects (the "French paradox") of moderate consumption or the harmful consequences, such as dilated cardiomyopathy, associated with heavy consumption over an extended period. An association between the ingestion of acute alcohol and onset of cardiac arrhythmias was first reported in the early 70's. In 1978, Philip Ettinger described "Holiday heart syndrome" (HHS) for the first time, as the occurrence, in healthy people without heart disease known to cause arrhythmia, of an acute cardiac rhythm disturbance, most frequently atrial fibrillation, after binge drinking. The name is derived from the fact that episodes were initially observed more frequently after weekends or public holidays. Since the original description of HHS, 34 years have passed and new research in this field has increased the volume of knowledge related to this syndrome. Throughout this paper the authors will comprehensively review most of the available data concerning HHS and highlight the questions that remain unresolved.</p>
      <p><bold>Keywords:</bold> Alcoholism / complications; Arrhythmias, Cardiac / etiology; Holidays; Atrial Fibrillation; Review.</p>
      <p>
        <bold>Introduction</bold>
      </p>
      <p>Alcohol is one of the oldest known drugs and is the most used recreational drug in the United States of America<sup>1</sup> and probably the rest of the world as well. Alcohol can have health benefits when consumed moderately because it appears to offer some degree of cardiovascular protection due to various mechanisms including activation of the fibrinolytic system, lower platelet aggregation, antioxidant effects, lipid profile improvement, and improved endothelial function. These cardioprotective effects are known as the "French paradox"<sup>2</sup>. However, alcohol abuse can lead to several diseases in humans, such as alcohol addiction, alcoholic liver disease, dilated alcoholic cardiomyopathy, and even cancers of the oral cavity and esophagus<sup>3</sup>. </p>
      <p>Among the cardiovascular effects, regular alcohol abuse appears to increase blood pressure, leading to arterial hypertension, which by itself is a risk factor for other cardiovascular diseases<sup>4</sup> and for sudden death<sup>5</sup>. It is also associated with procoagulant changes after acute ingestion, hypocoagulation with chronic abuse, and thrombocytosis after withdrawal. In addition, it can also reduce regional cerebral blood flow by affecting cerebral metabolism due to chronic abuse or lead to vasoconstriction of cerebral arteries with acute intake. All these aforementioned effects can lead to stroke, and regular abuse is also associated with intracranial hemorrhage, which can be fatal<sup>6</sup>. </p>
      <p>There is also a higher risk of sudden cardiac death with alcohol abuse, which increases with the amount ingested, regardless of the presence of previous heart events like ischemic heart disease or myocardial infarction<sup>5</sup>. </p>
      <p>Chronic consumption of large amounts of alcohol is associated with alcoholic cardiomyopathy, a subtype of secondary dilated cardiomyopathy, known to be associated with not only cardiac failure but also with atrial fibrillation (AF) and other cardiac arrhythmias<sup>7-9</sup>. </p>
      <p>Alcohol appears to be able to cause cardiac arrhythmias in healthy people either following acute excessive alcohol ingestion, commonly known as "binge drinking," or chronic ingestion. Arrhythmias due to binge drinking have been described as "Holiday heart syndrome" (HHS) and will be further discussed in this article. Arrhythmia due to chronic drinking appears to be significantly associated with consumption of &gt;36 g alcohol/day, but this correlation is less clear with light and moderate drinking<sup>10,11</sup>. </p>
      <p>As alcohol consumption and binge drinking are common, it is important to illuminate the medical community and general population to the perils of HHS because the condition can be diagnosed more easily and preventive measures can be taken. In addition, because it has been 34 years since the original description of HHS by Ettinger et al and questions surrounding this condition remain unanswered, we propose it is time to organize ideas and put things into perspective.</p>
      <p>
        <bold>Methods</bold>
      </p>
      <p>An electronic search in PubMed was performed using the following string: "alcohol intake AND (AF OR arrhythmias OR atrial fibrillation OR atrial flutter) OR holiday heart" from January 1960 to September 2012. We obtained 436 articles from this main search. After analyzing each abstract, we identified 10 relevant papers concerning HHS and potential alcohol mechanisms behind its arrhythmogenicity. Papers focusing only on chronic alcohol intake and its effects on cardiac function were not included. We also manually examined the reference lists from these identified articles for more relevant articles, repeating the process again, which resulted in four additional articles being added to our list. Six other articles were added from manual searches on specific subjects related to HHS and/or alcohol mechanisms behind its arrhythmogenic properties (<xref ref-type="fig" rid="en_a13fig01-body2">Figure 1</xref>).</p>
      <p content-type="asset">
        <fig id="en_a13fig01-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-101-02-0183-30153-gf01-en.jpg"/></fig>
      </p>
      <p>
        <bold>HHS: History and definition</bold>
      </p>
      <p>HHS was first recognized in the early 70's when Philip Ettinger noticed an association between acutely intoxicated patients and cardiac arrhythmias<sup>12,13</sup>, even though at that time most textbooks did not suggest that alcohol could cause cardiac arrhythmias in apparently healthy non-alcoholic individuals<sup>7</sup>.</p>
      <p>The term was officially introduced in 1978 by Ettinger et al for describing the occurrence of an acute cardiac rhythm disturbance in apparently healthy people after an episode of heavy drinking, i.e., "binge drinking." This disturbance disappeared with subsequent abstinence, leaving no residual heart disease. These occurrences had the particularity of being more frequent after weekends or holidays like Christmas or New Year's Eve, which are known to be associated with increased alcohol ingestion, hence the name<sup>14</sup>. However, in a later study, Koskinen et al showed that this association between arrhythmias caused by recent alcohol intake and weekends or holidays was not always present<sup>15</sup>.</p>
      <p>HHS is mainly associated with supra ventricular arrhythmias, with AF being the most common cardiac arrhythmia in this syndrome. However, other less frequent types of arrhythmias can also occur, such as atrial flutter, paroxysmal atrial tachycardia, and isolated ventricular premature beats<sup>14</sup>.</p>
      <p>HHS can occur in regular and non-regular drinkers. However because all the patients in Ettinger's study consumed alcoholic beverages heavily and on a regular basis, initially HHS was considered to be linked more to people with a background of chronic alcohol consumption than those without the background<sup>14</sup>. Nevertheless Ettinger et al<sup>14</sup> also describe the case of a healthy non-regular drinker who presented with AF after alcohol consumption, hinting that HHS could also occur in this group of subjects. This was later confirmed by other studies showing similar cases of sudden onset of cardiac arrhythmias after heavy drinking in non-alcoholic healthy people<sup>7,16</sup>. </p>
      <p>It is important to note that patients with HHS are apparently healthy, with no personal or family history of palpitations or other suggestive symptoms of structural cardiac anomalies or any clinical evidence of heart disease such as cardiomyopathy, cardiac valvular disease, coronary heart disease, or other conditions that could lead to cardiac arrhythmias, such as abnormal electrolyte levels or elevated thyroid hormone levels. Laboratory and other tests are usually normal and after returning to normal sinus rhythm, the electrocardiograms are also mostly normal<sup>7,13-15</sup>. </p>
      <p>Another particular characteristic of HHS is the lack of new episodes with alcohol abstinence and the recurrence of symptoms with continued alcohol abuse. This observation further strengthens the role of alcohol in the development of these arrhythmias and also the importance of avoiding alcohol binging or consumption to prevent the occurrence of new events<sup>7,12,13,17</sup>. </p>
      <p> The most frequent symptom reported by patients with HHS is palpitations. Other symptoms commonly reported are precordial pressure or pain, syncope<sup>14</sup>, and dyspnea<sup>7</sup>. However, it is important to note that cardiac arrhythmias, such as AF, can also occur without any clinical symptoms, making some episodes of HHS harder to diagnose, which can lead to an underestimation of its incidence<sup>18</sup>. </p>
      <p>AF, the most frequent cardiac arrhythmia in HHS, has been shown to be a major risk factor for stroke<sup>19</sup> and increased mortality<sup>20</sup>, indirectly suggesting an association between HHS and stroke or death. Nevertheless, there is no clinical data assessing these outcomes specifically in association with HHS. Moreover, arrhythmia associated with HHS after binge drinking can lead to sudden death, which may explain some of the sudden death cases commonly reported in alcoholics<sup>5,14</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Pathophysiology</bold>
      </p>
      <p>The mechanisms behind the association of alcohol and cardiac arrhythmias remain unresolved. These may be direct (alcohol myotoxicity) or indirect (by alcohol derived metabolites or effects on other organs such as adrenal glands). However, there are some facts about alcohol arrhythmogenic properties that have been accepted among the scientific community (<xref ref-type="fig" rid="en_a13fig02-body2">Figure 2</xref>).</p>
      <p content-type="asset">
        <fig id="en_a13fig02-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-101-02-0183-30153-gf02-en.jpg"/></fig>
      </p>
      <p><bold>Cardiac conduction interference:</bold> It is believed that acute alcohol ingestion interferes with the cardiac conduction system through slowing of conduction, which is important because it facilitates re-entry, which is one of main mechanisms underlying the development of cardiac arrhythmias, namely AF.</p>
      <p>In an experimental study with dogs, Ettinger et al<sup>21</sup> did not observe prolongation of the HV interval or QRS widening after acute alcohol infusion. However, these parameters were only measured in two dogs. A bigger sample, namely one composed of humans, may be necessary to confirm this theory. In fact, later in the original HHS study, prolongation of PRc, QRS, and QTc intervals<sup>14</sup>, which are known to be associated with AF, was observed<sup>22</sup>. Cardy et al<sup>23</sup> have also shown prolongation of P and QRS waves in 13 humans after acute ingestion of alcohol, suggesting atrial and ventricular slowing of conduction due to alcohol. Although controls also showed prolongation of these waves, changes in the alcohol group were significantly more pronounced. </p>
      <p>A recent study, using the patch clamp technique, has shown that <underline>&gt;</underline> 2 g/L alcohol has an inhibitory effect on cardiac sodium channels, providing a possible mechanism for the cardiac conduction interference caused by acute alcohol ingestion. This may happen directly or even indirectly since the inhibition of sodium channels can increase sodium-calcium-exchanger activity, prolonging the action potential and repolarization, with subsequent prolongation of intervals, such as the QT interval, thereby facilitating the onset of cardiac arrhythmias. For concentrations &lt;2 g/L, inhibition was not significant, indicating that this mechanism is more likely to occur with acute heavy ingestion, i.e., binge drinking<sup>24</sup>. </p>
      <p><bold>Refractory period shortening:</bold> Alcohol can shorten the atrial refractory period, which can lead to cardiac arrhythmias in rat atrial tissue<sup>25</sup>. However, in a study of 11 alcohol abusers, Engel <italic>et al.</italic> did not find significant alterations in the atrial refractory period after whiskey consumption. Therefore, there can be additional and significant focal conduction changes that can facilitate re-entry and lead to the cardiac arrhythmias observed in this study<sup>16</sup>. </p>
      <p><bold>Increased sympathetic activity:</bold> Alcohol can increase the release of catecholamines, secreted by the adrenal gland medulla or locally by the myocardium itself<sup>7,16</sup>. This increase of systemic and intramyocardial catecholamines can lead to the prolongation of P-waves, which is known to be associated with atrial arrhythmias<sup>8,9</sup>. </p>
      <p>However, Maki et al<sup>26</sup> did not find a significant increase of catecholamine levels after alcohol consumption in individuals with or without a personal history of AF episodes caused by binge drinking. Yet, catecholamine levels in the AF group displayed a trend toward being higher, which can synergistically work with the other arrhythmogenic mechanisms of alcohol, increasing the likelihood of cardiac arrhythmias. The same authors observed an increase of beta-adrenergic receptors along with a predominance of cardiac sympathetic activity in patients with a previous drinking-related AF history<sup>26</sup>. </p>
      <p><bold>Rise in plasma free fatty acids:</bold> With alcohol intake there is a rise in plasma free fatty acids, which are believed to be arrhythmogenic in nature<sup>7,9</sup>. Although the mechanisms are still not completely understood, a significant association between elevated free fatty acids and AF was observed in elderly people in a recent analysis of the Cardiovascular Health Study, strengthening this theory<sup>27</sup>. </p>
      <p><bold>Acetaldehyde arrhythmogenic effects:</bold> The primary metabolite of alcohol also appears to exhibit arrhythmogenic properties, possibly by increasing systemic and intramyocardial catecholamines<sup>23,26</sup>. An experimental study by Gallardo-Carpentier et al<sup>28</sup>, using dog Purkinje fibers, has shown that acetaldehyde has an arrythmogenic effect, which appears to be caused by an increase in adrenergic activity. Hence, acetaldehyde could cause the onset of arrhythmias some time after alcohol ingestion. Conversely, arrhythmia has been observed shortly after whisky intake even before significant amounts of acetaldehyde could be produced<sup>16</sup>. </p>
      <p><bold>Increased parasympathetic activity:</bold> Despite the aforementioned data supporting increased sympathetic activity after alcohol intake as a cause for cardiac arrhythmias<sup>26</sup>, a recent study by Mandyam et al<sup>29 </sup>identified a connection between vagal activation and paroxysmal atrial fibrillation (PAF). It also suggested that alcohol could trigger AF by vagal activation because patients reporting alcohol as a trigger were more likely to report vagal activation as a trigger<sup>29</sup>. </p>
      <p>
        <bold>Clinical evidence</bold>
      </p>
      <p>In addition to Ettinger's original description, the link between binge drinking and the onset of cardiac arrhythmias has been consistently observed (<xref ref-type="table" rid="en_a13tab01-body2">Table 1</xref>).</p>
      <p content-type="asset">
        <table-wrap id="en_a13tab01-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-101-02-0183-30153-gt01-en.jpg"/></table-wrap>
      </p>
      <p>Engel et al<sup>16</sup> tested the vulnerability to AF and flutter after whiskey consumption. In their study, two of three non-alcoholic patients with sinus bradycardia, but without heart failure, developed AF or flutter after consuming whisky. </p>
      <p>A case series by Thornton<sup>7</sup> showed four cases of cardiac arrhythmia after alcohol intake in persons who did not consume alcohol regularly.</p>
      <p>Koskinen et al<sup>15</sup>, in a case-control study with 100 patients, including 35 with no evidence of cardiac disease, also verified a link between recent alcohol intake (previous two days) and AF. However, unlike the original HHS study, most cases did not occur during weekends or after holidays, but rather on Wednesday, Thursday, and Friday. The authors justify this distribution by citing the increased mental and physical stress during work days, which can increase sympathetic tonus, further enhancing the arrhythmogenic effect of alcohol. This study estimated that approximately 15%-30% of idiopathic AF cases are related to alcohol abuse.</p>
      <p>Although only indirectly related to HHS, Wannamethee and Shaper<sup>5</sup>, in their prospective study about alcohol and sudden death, noticed that patients between 40 and 49 years of age without ischemic heart disease and with occasional drinking habits had an incidence of sudden death similar to that of heavy drinkers, suggesting that some of these occasional drinkers may have partaken in binge drinking, which is associated with HHS, leading to cardiac arrhythmias that could result in sudden death.</p>
      <p>Another retrospective study of young adults by Krishnamoorthy et al<sup>17</sup>, focusing not only on alcohol but also on illicit drug use, confirmed alcohol as a major trigger for AF. Of 88 patients admitted with AF, 20 had consumed alcohol before the onset of symptoms and one was admitted for cocaine abuse. The same study followed-up some of the patients, verifying relapses in all those who continued alcohol abuse, which strengthens the motivation to suggest abstinence as a prophylactic measure.</p>
      <p>Mandyam et al<sup>29</sup> also observed an association between alcohol and PAF. Their study had the particularity of comparing PAF patients against patients with supraventricular tachycardia (SVT) to assess whether alcohol intake precipitates PAF more frequently than that probably expected. Alcohol consumption is common and PAF is also quite frequent; therefore, alcohol would appear to trigger PAF in the absence of a true causal association. Patients with PAF had 4.42 higher odds of reporting alcohol ingestion before a PAF episode compared with the SVT group<sup>29</sup>.</p>
      <p>In a recent study, Liang et al<sup>30</sup> analyzed the role of both regular alcohol intake and binge drinking in AF risk using participants from the Ongoing Telmisartan Alone and in Combination with Ramipril Global Endpoint Trial and Telmisartan Randomized Assessment Study in ACE Intolerant Subjects with Cardiovascular Disease trials. Within the moderate alcohol intake group, binge drinkers (defined as alcohol intake of &gt;5 drinks/day) were associated with an increased risk of AF compared with non-binge drinkers, reaching a similar risk of AF as heavy drinkers (&gt;3 drinks/day for men and &gt;2 drinks/day for women).</p>
      <p>
        <bold>Unsolved questions</bold>
      </p>
      <p>Although there have been considerable developments related to HHS, there are still some important questions requiring further research.</p>
      <p><bold>Long-term vs non-drinkers: do chronic drinkers have an increased risk of HHS? </bold>Although there is a link between chronic alcohol abuse and alcoholic cardiomyopathy, which is known to lead to cardiac arrhythmias<sup>8</sup>, there has been considerable research, including several epidemiological studies showing an association between chronic alcohol consumption and an increased risk of AF in apparently healthy individuals without evident heart disease, namely alcoholic cardiomyopathy. This link appears to be stronger with heavy abuse, but it is less clear in cases of moderate and light alcohol ingestion.</p>
      <p>Djouss&#233; et al<sup>4</sup>, using data from the Framingham study, found a significant increase in the risk of AF (1.36, p = 0.006) for chronic alcohol intake of &gt;36 g/day (approximately 3 drinks / day); however, the increased risk was non-significant for amounts below that level. In a review paper about dietary factors including alcohol by Gronroos et al<sup>10</sup>, a similar conclusion was drawn, with a consistently significant increase in the risk of AF observed for heavy drinkers, but no increase associated with moderate alcohol consumption. An analysis of Prospective Study of Pravastatin in the Elderly at Risk in a study by Macfarlane et al<sup>22</sup>, despite the sample being based on elder people, also demonstrated that alcohol intake was significantly higher in patients with AF than in patients without AF. </p>
      <p>In a recent meta-analysis, Samokhvalov et al<sup>11</sup>, verified a dose-response relationship between the daily amount of alcohol consumed and risk of AF, with a relative risk of 1.08/drink. However, the risk of AF was only significant for intake of &gt;3 drinks/day (36 g/day) for men and &gt;2 drinks/day (24 g/day) for women, implying a possible threshold above which there is a significantly increased risk of AF. Ingestion below these levels had the same risk as non-drinkers<sup>11</sup>. </p>
      <p>One theory that can explain the lack of association of AF with moderate alcohol ingestion is that this type of consumption may be protective against AF due to its anti-ischemic effects, providing protection from possible cardiac events that can result in structural damage and lead to AF. However, in another recent meta-analysis, by Kodama et al<sup>18</sup>, apart from observing a dose-response relationship similar to the previously cited meta-analysis, their data also suggested that moderate intake could produce a higher risk of AF compared with not drinking at all. More studies with bigger samples and follow-up are needed to clarify this matter.</p>
      <p>Contrary to previous studies, a recent analysis from the Framingham study performed by Shen et al<sup>31</sup> did not observe a link between long-term alcohol consumption and AF. There was an increased risk for alcohol consumption above 35 g / day and 25 g/day for men and women, respectively, but this did not reach statistical significance. However, heavy drinkers were under-represented, which may have rendered this study underpowered for that purpose. A bigger sample and longer follow-up may be needed prior to drawing further conclusions<sup>31</sup>. </p>
      <p>Overall, the risk appears to be consistently increased with heavy chronic drinking; therefore, the risk of HHS may further increase by superimposing binge drinking episodes on this already risky chronic background.</p>
      <p>Moreover, experimental studies with dogs have shown long-term alcohol abuse can lead to microscopic structural changes and cardiac conduction interference before any clinical evidence of macroscopic structural heart changes are evident<sup>21,32</sup>. These micro-structural and cardiac conduction changes may facilitate the occurrence of HHS after a binge drinking episode.</p>
      <p>Another point to consider is that chronic drinkers may be more prone to binge drinking during holidays, weekends, or other special occasions.</p>
      <p>
        <bold>Does the presence of cardiac comorbidities increase HHS risk?</bold>
      </p>
      <p>Previous studies suggest that in patients with cardiac disease that increases the chance of cardiac arrhythmias, namely AF, alcohol can be a trigger for arrhythmia episodes<sup>15,17,30</sup>. However further studies are needed to quantify this risk.</p>
      <p>
        <bold>Other questions:</bold>
      </p>
      <p>-Is the incidence of HHS underestimated? HHS is most probably under-diagnosed because some of the cardiac arrhythmias, namely AF, can occur without symptoms.</p>
      <p>- Is there a genetic background associated with a higher susceptibility to alcohol arrhythmogenic effects? For example, Ettinger and colleagues related a case where the patient had only taken one drink before the onset of symptoms<sup>14</sup>. These reports are also common in our daily practice.</p>
      <p>- Does the type of drink affect the risk? There are many types of beverages: beer, wine, and distilled drinks such as vodka and whisky. Therefore, it is important to be aware if some of these types of drink confer an increased risk of HHS. For example, beer was more frequently associated with PAF than wine or spirit drinks in the study by Mandayam et al<sup>29</sup></p>
      <p>- Is there a threshold for acute alcohol intake above which the risk of HHS increases significantly? </p>
      <p>- Do patients with HHS have a higher risk of thromboembolic events compared with those with PAF independent of alcohol ingestion?</p>
      <p>- Is the risk of HHS higher than the benefits of moderate intake? </p>
      <p>- Does the speed of intake affect the risk of HHS? Does faster intake increase the risk?</p>
      <p>- Is the risk different if the binge drinking takes place during fasting or after a meal?</p>
      <p>
        <bold>Conclusion</bold>
      </p>
      <p>Alcohol has a definite role in cardiac arrhythmia, either by chronic abuse or by binge drinking. It is important for physicians to recognize HHS and be aware of the role of alcohol in its genesis, sparing patients from complex investigations when there is no clinical evidence of cardiac pathologies. </p>
      <p>During admission of a patient with palpitations or other symptoms associated with cardiac arrhythmias, a high suspicion of HHS should occur if the patient exhibits signs of alcoholic intoxication or had a recent episode of binge drinking. After confirming the cardiac arrhythmia and excluding evident heart diseases, the physician should explain the syndrome to the patient and recommend alcohol abstinence in an effort to prevent new episodes of HHS.</p>
      <p>
        <bold>Author contributions</bold>
      </p>
      <p>Conception and design of the research, Writing of the manuscript and Critical revision of the manuscript for intellectual content: Tonelo D, Provid&#234;ncia R, Gon&#231;alves L; Acquisition of data and Analysis and interpretation of the data: Tonelo D.</p>
      <p>
        <bold>Potential Conflict of Interest</bold>
      </p>
      <p>No potential conflict of interest relevant to this article was reported.</p>
      <p>
        <bold>Sources of Funding</bold>
      </p>
      <p>There were no external funding sources for this study.</p>
      <p>
        <bold>Study Association</bold>
      </p>
      <p>This article is part of the thesis of master submitted by David Tonelo, from Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.</p>
      <p>
        <bold>References</bold>
      </p>
    </body>
  </sub-article>
</article>
