<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
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        <journal-title>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</journal-title>
        <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Arq. Bras. Cardiol.</abbrev-journal-title>
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      <issn pub-type="epub">1678-4170</issn>
      <publisher>
        <publisher-name>Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC</publisher-name>
        <publisher-loc>S&#227;o Paulo, SP, Brazil</publisher-loc>
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      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v3">DGXWySbMGTfpZFmHBpNkC7n</article-id>
      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v2">S0066-782X2013000200007</article-id>
      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v1">S0066-782X(13)10000200007</article-id>
      <article-id pub-id-type="doi">10.5935/abc.20130028</article-id>
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          <subject>Artigos Originais</subject>
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      <title-group>
        <article-title>Evolu&#231;&#227;o de indicadores socioecon&#244;micos e da mortalidade cardiovascular em tr&#234;s estados do Brasil</article-title>
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        <institution content-type="orgname">Universidade Severino Sombra</institution>
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      <pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
        <month>02</month>
        <year>2013</year>
      </pub-date>
      <volume>100</volume>
      <issue>2</issue>
      <fpage>147</fpage>
      <lpage>156</lpage>
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          <year>2012</year>
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          <day>19</day>
          <month>09</month>
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          <day>18</day>
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          <year>2012</year>
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          <license-p>This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.</license-p>
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      </permissions>
      <abstract>
        <p>FUNDAMENTO: Doen&#231;as do aparelho circulat&#243;rio s&#227;o a primeira causa de morte no Brasil. OBJETIVO: Correlacionar taxas de mortalidade por doen&#231;as do aparelho circulat&#243;rio nos Estados de Rio de Janeiro, S&#227;o Paulo, Rio Grande do Sul, e em suas capitais, entre 1980 e 2008, com indicadores socioecon&#244;micos coletados a partir de 1949. M&#201;TODOS: Popula&#231;&#245;es e &#243;bitos obtidos no Datasus/MS. Calcularam-se taxas de mortalidade por doen&#231;as isqu&#234;micas do cora&#231;&#227;o, doen&#231;as cerebrovasculares, causas mal definidas, doen&#231;as do aparelho circulat&#243;rio (DApCirc) e todas as causas, ajustadas pelo m&#233;todo direto e compensadas por causas mal definidas. Dados de mortalidade infantil foram obtidos nas secretarias estaduais e municipais de sa&#250;de e no IBGE. Dados de PIB e escolaridade foram obtidos no Ipea. As taxas de mortalidade e os indicadores socioecon&#244;micos foram correlacionados pela estima&#231;&#227;o de coeficientes lineares de Pearson, para determinar a defasagem anual otimizada. Foram estimados os coeficientes de inclina&#231;&#227;o da regress&#227;o entre a dependente doen&#231;a e a independente indicador socioecon&#244;mico. RESULTADOS: Houve redu&#231;&#227;o da mortalidade nos tr&#234;s Estados, essa ocorreu especialmente por queda de mortalidade por doen&#231;as cardiovasculares, em especial das doen&#231;as cerebrovasculares. A queda da mortalidade por doen&#231;as do aparelho circulat&#243;rio foi precedida por redu&#231;&#227;o da mortalidade infantil, eleva&#231;&#227;o do produto interno bruto per capita e aumento na escolaridade, com forte correla&#231;&#227;o entre indicadores e taxas de mortalidade. CONCLUS&#195;O: A varia&#231;&#227;o evolutiva dos tr&#234;s indicadores demonstrou correla&#231;&#227;o quase m&#225;xima com a redu&#231;&#227;o da mortalidade por DApCirc. Essas rela&#231;&#245;es sinalizam a import&#226;ncia na melhoria das condi&#231;&#245;es de vida da popula&#231;&#227;o para reduzir a mortalidade cardiovascular.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="pt" kwd-group-type="author-generated">
        <kwd>Doen&#231;as Cardiovasculares</kwd>
        <kwd>Doen&#231;as Cardiovasculares</kwd>
        <kwd>Indicadores Sociais</kwd>
        <kwd>Epidemiologia</kwd>
        <kwd>Brasil</kwd>
      </kwd-group>
      <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
        <day>11</day>
        <month>03</month>
        <year>2013</year>
      </pub-date>
    </article-meta>
  </front>
  <body>
    <p>
      <bold>ARTIGO ORIGINAL</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Evolu&#231;&#227;o de indicadores socioecon&#244;micos e da mortalidade cardiovascular em tr&#234;s estados do Brasil</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Gabriel Porto Soares<sup>I,III</sup>; J&#250;lia Dias Brum<sup>I</sup>; Gl&#225;ucia Maria Moraes de Oliveira<sup>I</sup>; Carlos Henrique Klein<sup>II</sup>; Nelson Albuquerque Souza e Silva<sup>I</sup></bold>
    </p>
    <p><sup>I</sup>Universidade Federal do Rio de Janeiro RJ - Brasil </p>
    <p><sup>II</sup>Escola Nacional de Sa&#250;de P&#250;blica, Rio de Janeiro, RJ - Brasil </p>
    <p><sup>III</sup>Universidade Severino Sombra, Vassouras, RJ - Brasil</p>
    <p>
      <xref ref-type="corresp" rid="end">Correspond&#234;ncia</xref>
    </p>
    <p>
      <bold>RESUMO</bold>
    </p>
    <p><bold>FUNDAMENTO:</bold> Doen&#231;as do aparelho circulat&#243;rio s&#227;o a primeira causa de morte no Brasil. </p>
    <p><bold>OBJETIVO:</bold> Correlacionar taxas de mortalidade por doen&#231;as do aparelho circulat&#243;rio nos Estados de Rio de Janeiro, S&#227;o Paulo, Rio Grande do Sul, e em suas capitais, entre 1980 e 2008, com indicadores socioecon&#244;micos coletados a partir de 1949. </p>
    <p><bold>M&#201;TODOS:</bold> Popula&#231;&#245;es e &#243;bitos obtidos no Datasus/MS. Calcularam-se taxas de mortalidade por doen&#231;as isqu&#234;micas do cora&#231;&#227;o, doen&#231;as cerebrovasculares, causas mal definidas, doen&#231;as do aparelho circulat&#243;rio (DApCirc) e todas as causas, ajustadas pelo m&#233;todo direto e compensadas por causas mal definidas. Dados de mortalidade infantil foram obtidos nas secretarias estaduais e municipais de sa&#250;de e no IBGE. Dados de PIB e escolaridade foram obtidos no Ipea. As taxas de mortalidade e os indicadores socioecon&#244;micos foram correlacionados pela estima&#231;&#227;o de coeficientes lineares de Pearson, para determinar a defasagem anual otimizada. Foram estimados os coeficientes de inclina&#231;&#227;o da regress&#227;o entre a dependente doen&#231;a e a independente indicador socioecon&#244;mico. </p>
    <p><bold>RESULTADOS:</bold> Houve redu&#231;&#227;o da mortalidade nos tr&#234;s Estados, essa ocorreu especialmente por queda de mortalidade por doen&#231;as cardiovasculares, em especial das doen&#231;as cerebrovasculares. A queda da mortalidade por doen&#231;as do aparelho circulat&#243;rio foi precedida por redu&#231;&#227;o da mortalidade infantil, eleva&#231;&#227;o do produto interno bruto per capita e aumento na escolaridade, com forte correla&#231;&#227;o entre indicadores e taxas de mortalidade. </p>
    <p><bold>CONCLUS&#195;O:</bold> A varia&#231;&#227;o evolutiva dos tr&#234;s indicadores demonstrou correla&#231;&#227;o quase m&#225;xima com a redu&#231;&#227;o da mortalidade por DApCirc. Essas rela&#231;&#245;es sinalizam a import&#226;ncia na melhoria das condi&#231;&#245;es de vida da popula&#231;&#227;o para reduzir a mortalidade cardiovascular. </p>
    <p><bold>Palavras-chave:</bold> Doen&#231;as Cardiovasculares / mortalidade, Doen&#231;as Cardiovasculares / economia, Indicadores Sociais, Epidemiologia, Brasil</p>
    <p>
      <bold>Introdu&#231;&#227;o</bold>
    </p>
    <p>Durante o s&#233;culo XX, especialmente ap&#243;s a Segunda Guerra Mundial, observaram-se em todo o mundo desenvolvido, e um pouco mais tarde nos pa&#237;ses em desenvolvimento, melhorias nos indicadores socioecon&#244;micos seguidas de queda nas taxas de mortalidade geral<sup>1,2</sup>, notadamente com redu&#231;&#227;o dos &#243;bitos por doen&#231;as do aparelho circulat&#243;rio<sup>3</sup>.</p>
    <p>Com base nos dados dispon&#237;veis, n&#227;o &#233; poss&#237;vel explicar a progressiva queda nas taxas de mortalidade pelas doen&#231;as vasculares (coronarianas ou cerebrais) pelo controle dos fatores de risco cl&#225;ssicos: hipertens&#227;o arterial, diabete melito, obesidade, dislipidemia e tabagismo. No decorrer das &#250;ltimas d&#233;cadas a preval&#234;ncia desses fatores vem apresentando aumento no Brasil<sup>4-11</sup>. A exce&#231;&#227;o &#233; o tabagismo, que apresenta queda na preval&#234;ncia, por&#233;m a tend&#234;ncia de redu&#231;&#227;o &#233; recente, posterior ao in&#237;cio da queda nas taxas de mortalidade por doen&#231;as do aparelho circulat&#243;rio (DApCirc)<sup>12</sup>. Os procedimentos de alta tecnologia, cirurgia de revasculariza&#231;&#227;o do mioc&#225;rdio e angioplastia, tampouco justificam as redu&#231;&#245;es de mortalidade observadas pela m&#225; performance<sup>13-15</sup> e baixa abrang&#234;ncia no Brasil. Por outro lado, podemos supor que a redu&#231;&#227;o nas taxas de mortalidade por DApCirc pode estar relacionada de forma mais efetiva com a melhor prote&#231;&#227;o oferecida &#224; popula&#231;&#227;o geral contra a exposi&#231;&#227;o a agentes infecciosos, em raz&#227;o das melhorias das condi&#231;&#245;es de vida das popula&#231;&#245;es. Essa, de fato, precedeu a queda da mortalidade por causas relacionadas ao aparelho circulat&#243;rio<sup>3</sup>.</p>
    <p>Dentre os indicadores socioecon&#244;micos destacam-se Produto Interno Bruto <italic>per capita</italic> (PIBpc), mortalidade infantil e escolaridade. Esses fatores devem contribuir de forma decisiva para a evolu&#231;&#227;o positiva, social e econ&#244;mica dos conjuntos populacionais que ser&#227;o avaliados neste estudo. </p>
    <p>O objetivo deste estudo &#233; correlacionar as taxas de mortalidade compensadas e ajustadas por doen&#231;as do aparelho circulat&#243;rio nos Estados de Rio de Janeiro, S&#227;o Paulo, Rio Grande do Sul, e em suas capitais, entre os anos 1980 e 2008, com os indicadores de mortalidade infantil coletados a partir de 1950, PIB <italic>per capita </italic>a partir de 1949 e escolaridade a partir de 1960.</p>
    <p>
      <bold>M&#233;todos</bold>
    </p>
    <p>Foram coletados dados socioecon&#244;micos e de mortalidade dos Estados do Rio de Janeiro, S&#227;o Paulo, Rio Grande do Sul e suas capitais. Os indicadores socioecon&#244;micos foram mortalidade infantil, Produto Interno Bruto <italic>per capita</italic> (PIBpc) e escolaridade, representada pelos anos de estudo em maiores de 25 anos de idade. Esses indicadores foram escolhidos a partir da necessidade de representar fatores de evolu&#231;&#227;o de sa&#250;de (mortalidade infantil), acesso ao conhecimento (escolaridade) e econ&#244;micos (PIB <italic>per capita</italic>). Al&#233;m disso, esses tr&#234;s indicadores eram aqueles com melhor disponibilidade dos dados com uma defasagem temporal satisfat&#243;ria em rela&#231;&#227;o &#224;s taxas de mortalidade estudadas.</p>
    <p>As informa&#231;&#245;es referentes &#224; mortalidade infantil, &#243;bitos em menores de um ano em cada mil nascidos vivos, nos anos 1980 a 2007, s&#227;o provenientes de: munic&#237;pio do Rio de Janeiro - Secretaria Municipal de Sa&#250;de (SMS)<sup>16</sup>; Estado do Rio de Janeiro - Secretaria Estadual de Sa&#250;de (SES)<sup>17</sup>; Estado e munic&#237;pio de S&#227;o Paulo - Funda&#231;&#227;o Sistema Estadual de An&#225;lise de Dados (Seade)<sup>18</sup> da Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Regional do Governo de S&#227;o Paulo; Estado do Rio Grande do Sul e Porto Alegre - SMS de Porto Alegre<sup>19</sup>. Para os anos anteriores a 1980, foram utilizadas as m&#233;dias decenais fornecidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&#237;stica (IBGE)<sup>20</sup>, inseridas nos anos 1945, 1955, 1965 e 1975. </p>
    <p>Os dados de PIB foram obtidos do Instituto de Pesquisa Econ&#244;mica Aplicada (Ipea)<sup>21</sup> para os anos 1949, 1959, 1970, 1975, 1980 e 1985 a 2008. Os dados populacionais s&#227;o provenientes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&#237;stica<sup>20</sup> para os anos de recenseamento geral (1950, 1960, 1970, 1980, 1991, 2000 e 2010) e de contagem (1996). Estimativas das popula&#231;&#245;es para os anos intercensit&#225;rios foram realizadas pelo m&#233;todo aritm&#233;tico com os anos de censo ou contagem imediatamente anterior ou posterior. Essas estimativas foram feitas para as fra&#231;&#245;es correspondentes &#224;s faixas et&#225;rias, com intervalos de dez anos, em cada um dos sexos. O PIBpc foi calculado pela divis&#227;o do Produto Interno Bruto (PIB) absoluto, em reais, do Estado ou capital, pela popula&#231;&#227;o no ano correspondente. O &#237;ndice de escolaridade corresponde &#224; raz&#227;o entre o somat&#243;rio do n&#250;mero de anos de estudo completados pelas pessoas que tinham 25 anos ou mais de idade e o n&#250;mero total de indiv&#237;duos nessa faixa et&#225;ria. Essas informa&#231;&#245;es foram obtidas do Ipea<sup>21</sup> para os anos 1960, 1970, 1980, 1991 e 2000. Para todos os anos em que os dados de qualquer um dos indicadores n&#227;o estavam dispon&#237;veis nas fontes consultadas foram utilizadas estimativas de crescimento aritm&#233;tico baseadas nos anos imediatamente anterior e posterior do intervalo sem informa&#231;&#227;o.</p>
    <p>Foram constru&#237;dos gr&#225;ficos de linha relacionando cada um dos indicadores socioecon&#244;micos como vari&#225;vel Y e os anos como vari&#225;vel X.</p>
    <p>Para constru&#231;&#227;o das taxas de mortalidade foram analisados os dados restritos aos adultos com 20 anos ou mais. Os dados referentes &#224;s popula&#231;&#245;es de 1980 a 2008 foram obtidos do Banco de Dados do Sistema &#218;nico de Sa&#250;de (Datasus)<sup>22</sup>. Os dados referentes aos &#243;bitos foram discriminados nas fra&#231;&#245;es de interesse principal do estudo: Doen&#231;as do Aparelho Circulat&#243;rio (DApCirc), correspondentes aquelas registradas nos cap&#237;tulos VII da CID-9<sup>23</sup> ou IX da CID-10<sup>24</sup>; Doen&#231;as Isqu&#234;micas do Cora&#231;&#227;o (DIC), correspondentes aos c&#243;digos 410-414 da CID-9 ou I20-I25 da CID-10; Doen&#231;as Cerebrovasculares (DCBV), correspondentes aos c&#243;digos 430-438 da CID-9 ou I60-I69 da CID-10. Tamb&#233;m foram utilizados para an&#225;lise os &#243;bitos por Causas Mal Definidas (CMD), abrigados no cap&#237;tulo XVI da CID-9 e XVIII da CID-10, e o total de &#243;bitos por Todas as Causas (TC). A CID-9 vigorou at&#233; o ano de 1995 e a CID-10, a partir de 1996. Foram calculadas as taxas brutas e ajustadas de mortalidade, por sexo e idade, pelo m&#233;todo direto<sup>25,26</sup>, para os estados e suas capitais, por 100 mil habitantes. Como as taxas de mortalidade por causas mal definidas no Estado do Rio de Janeiro aumentaram de forma relevante a partir de 1990<sup>27</sup>, optou-se pela realiza&#231;&#227;o de compensa&#231;&#227;o, que consistiu em alocar para os &#243;bitos por DApCirc, DIC e DCBV sua parte dos &#243;bitos por causas mal definidas, correspondente &#224;s suas fra&#231;&#245;es observadas entre os &#243;bitos definidos, isto &#233;, exclu&#237;dos os mal definidos. Ap&#243;s a compensa&#231;&#227;o dos &#243;bitos por DApCirc, DIC e DCBV pelos de causas mal definidas, foram estimadas taxas de mortalidade, ajustadas por sexo e idade. A popula&#231;&#227;o padr&#227;o para os ajustamentos foi a do Estado do Rio de Janeiro registrada em 2000 pelo recenseamento, estratificada em sete grupos et&#225;rios (20 a 29 anos; 30 a 39 anos; 40 a 49 anos; 50 a 59 anos; 60 a 69 anos; 70 a 79 anos; e 80 anos ou mais) em cada um dos sexos. Essas taxas foram denominadas compensadas e ajustadas. Foram constru&#237;dos gr&#225;ficos de linha das taxas de mortalidade por todas as causas, DApCirc, DIC e DCBV para os anos 1980 a 2008. </p>
    <p>Maiores detalhes sobre a metodologia empregada para a constru&#231;&#227;o das taxas de mortalidade nos tr&#234;s estados, bem como as manobras de compensa&#231;&#227;o e a constru&#231;&#227;o dos gr&#225;ficos podem ser obtidas em artigo anterior publicado pelos mesmos autores<sup>3</sup>.</p>
    <p>As taxas de mortalidade e os indicadores socioecon&#244;micos foram correlacionados, pela estima&#231;&#227;o de coeficientes lineares de Pearson<sup>26</sup>, em todas as combina&#231;&#245;es de s&#233;ries temporais permitidas para determinar a defasagem anual otimizada, de acordo com a disponibilidade dos dados socioecon&#244;micos, que poderia ser de no m&#225;ximo 31 anos para o PIBpc, 30 anos para a mortalidade infantil, e 20 anos para escolaridade. A defasagem anual considerada &#243;tima foi aquela em que se obteve o maior valor do coeficiente linear de Pearson, em todas as s&#233;ries combinadas. Como exemplo, no caso do PIBpc foram gerados 31 coeficientes com cada grupo de causas de &#243;bito, o primeiro correspondente a uma defasagem de 31 anos (PIBpc de 1949 a 1977 com mortalidade por DIC de 1980 a 2008) at&#233; o &#250;ltimo, sem defasagem anual (PIBpc e mortalidade por DIC de 1980 a 2008). Essas estimativas foram obtidas para os tr&#234;s indicadores socioecon&#244;micos - PIBpc, mortalidade infantil e escolaridade - e as taxas de mortalidade por DApCirc, DIC, DCBV e TC (todas as causas de &#243;bito). Tamb&#233;m foram estimados os coeficientes de inclina&#231;&#227;o da regress&#227;o entre a dependente doen&#231;a (DApCirc, DIC, DCBV e TC) e a independente indicador socioecon&#244;mico (PIBpc, multiplicado por 100 reais, escolaridade e mortalidade infantil), nas s&#233;ries com defasagem &#243;tima, segundo o coeficiente de correla&#231;&#227;o linear. </p>
    <p>Os procedimentos quantitativos foram realizados com os programas Excel-Microsoft<sup>28</sup> e STATA<sup>29</sup>.</p>
    <p>
      <bold>Resultados</bold>
    </p>
    <p>As taxas de mortalidade infantil (<xref ref-type="fig" rid="a07fig01">Figura 1A</xref>) nos tr&#234;s Estados e capitais estudados apresentam progressiva e importante queda desde o in&#237;cio da s&#233;rie, com redu&#231;&#227;o em mais de seis vezes dos valores das taxas da d&#233;cada de 1950, quando comparadas &#224;quelas dos anos posteriores a 2000. Sendo os maiores valores encontrados nos Estados de Rio de Janeiro e S&#227;o Paulo, e os menores, a partir de 1980 at&#233; os anos mais recentes, na cidade de Porto Alegre (<xref ref-type="fig" rid="a07fig01">Figura 1A</xref>).</p>
    <p><fig id="a07fig01"/>&#13;
&#160;&#13;
</p>
    <p>
      <fig id="a07fig01a">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-100-02-0147-30028-gf01.jpg"/></fig>
    </p>
    <p>&#13;
  <fig id="a07fig01xfig1b"/><fig id="a07fig01b"><graphic xlink:href="1678-4170-abc-100-02-0147-30028-gf02.jpg"/></fig></p>
    <p>&#13;
  <fig id="a07fig01xfig1c"/><fig id="a07fig01c"><graphic xlink:href="1678-4170-abc-100-02-0147-30028-gf03.jpg"/></fig></p>
    <p>A escolaridade, representada pela m&#233;dia de anos de estudo em maiores de 25 anos, apresentou aumento no decorrer do per&#237;odo com melhores indicadores nas capitais. Os melhores indicadores de escolaridade foram os do munic&#237;pio de Porto Alegre e os piores foram os dos Estados de S&#227;o Paulo e Rio Grande do Sul (<xref ref-type="fig" rid="a07fig01">Figura 1B</xref>).</p>
    <p>Os valores de PIB <italic>per capita</italic> nos tr&#234;s estados e capitais apresentaram ascens&#227;o desde 1949 at&#233; 1980 quando h&#225; tend&#234;ncia a ligeira queda e estagna&#231;&#227;o. Por volta de 2004 o PIB <italic>per capita </italic>retorna ao padr&#227;o de crescimento (<xref ref-type="fig" rid="a07fig01">Figura 1C</xref>). </p>
    <p>As taxas de mortalidade compensadas e ajustadas, por idade e sexo, dos adultos, de 20 anos ou mais, est&#227;o dispostas na <xref ref-type="fig" rid="a07fig02">figura 2</xref>. A mortalidade por DApCirc apresenta, nos tr&#234;s Estados e capitais, padr&#227;o descendente em todo o per&#237;odo. A mortalidade por DApCirc no Estado do Rio de Janeiro foi mais elevada do que nas demais regi&#245;es durante todo o per&#237;odo de estudo, ao passo que sua capital se aproximou dos demais Estados e capitais a partir de 1994. Porto Alegre apresentou as menores taxas em todos os anos. Observando-se as taxas de mortalidade por DIC nos Estados e capitais (<xref ref-type="fig" rid="a07fig02">Figura 2B</xref>) nota-se que o Estado do Rio de Janeiro apresentou as taxas de mortalidade mais elevadas at&#233; 1993. A partir da&#237;, as taxas foram semelhantes nos tr&#234;s Estados. As capitais de Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul apresentaram taxas semelhantes durante todo o per&#237;odo, sendo superiores &#224; taxa para a capital S&#227;o Paulo at&#233; o in&#237;cio da d&#233;cada de 1990. A partir de 1992, a capital S&#227;o Paulo passou a apresentar taxas de mortalidade por DIC constantemente mais elevadas, at&#233; 2008. As taxas de mortalidade por DCBV nos Estados e capitais (<xref ref-type="fig" rid="a07fig02">Figura 2C</xref>) apresentaram decl&#237;nio. A redu&#231;&#227;o mais acentuada ocorreu no Estado do Rio de Janeiro e em sua capital, que passaram a apresentar taxas semelhantes aos demais Estados no final do per&#237;odo.</p>
    <p><fig id="a07fig02"/>&#13;
&#160;&#13;
</p>
    <p>
      <fig id="a07fig02a">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-100-02-0147-30028-gf04.jpg"/></fig>
    </p>
    <p>&#13;
  <fig id="a07fig02xfig2b"/><fig id="a07fig02b"><graphic xlink:href="1678-4170-abc-100-02-0147-30028-gf05.jpg"/></fig></p>
    <p>&#13;
  <fig id="a07fig02xfig2c"/><fig id="a07fig02c"><graphic xlink:href="1678-4170-abc-100-02-0147-30028-gf06.jpg"/></fig></p>
    <p>Os coeficientes de regress&#227;o das taxas de mortalidade por DApCirc no PIB <italic>per capita</italic> demonstraram que a eleva&#231;&#227;o de 100 reais no PIB poderia ter sido respons&#225;vel pela redu&#231;&#227;o de pelo menos 2,8 (Porto Alegre) at&#233; 6,0 (Estado do Rio de Janeiro) &#243;bitos em cada 100 mil adultos por causas do aparelho circulat&#243;rio (<xref ref-type="table" rid="a07tab01">Tabela 1</xref>). Esse efeito poderia ser obtido com uma defasagem temporal &#243;tima que variou entre 29 e 23 anos com coeficientes de correla&#231;&#227;o muito elevados, bastante pr&#243;ximos do valor m&#225;ximo, 1.</p>
    <p content-type="asset">
      <table-wrap id="a07tab01">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-100-02-0147-30028-gt01.jpg"/></table-wrap>
    </p>
    <p>Entre as taxas de mortalidade infantil e por DApCirc, as correla&#231;&#245;es demonstraram que cada &#243;bito em menores de um ano entre 1000 nascidos vivos est&#225; relacionado &#224; eleva&#231;&#227;o da mortalidade por DIC entre 1,5 e 2,4 &#243;bitos por 100 mil habitantes; por DCBV entre 1,2 e 3,8; por DApCirc entre 4,4 e 7,7; por TC entre 5,0 e 8,1. Portanto, a redu&#231;&#227;o da mortalidade infantil est&#225; correlacionada &#224; queda nas taxas de mortalidade estudadas. A defasagem temporal variou entre 0 e 30 anos e os coeficientes de correla&#231;&#227;o entre 0,80 e 0,98 (<xref ref-type="table" rid="a07tab02">Tabela 2</xref>).</p>
    <p content-type="asset">
      <table-wrap id="a07tab02">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-100-02-0147-30028-gt02.jpg"/></table-wrap>
    </p>
    <p>A eleva&#231;&#227;o de um ano na m&#233;dia de anos de estudo em maiores de 25 anos reduziu entre 28,2 e 42,1 &#243;bitos por DIC por 100 mil habitantes; entre 20,4 e 58,2 &#243;bitos por DCBV por 100 mil habitantes, entre 77 e 124,5 &#243;bitos por DApCirc por 100 mil habitantes e entre 79,3 e 119,4 &#243;bitos por TC por 100 mil habitantes. A defasagem temporal variou entre 0 e 20 anos, os coeficientes de correla&#231;&#227;o foram elevados variando entre 0,80 e 0,99 (<xref ref-type="table" rid="a07tab03">Tabela 3</xref>).</p>
    <p content-type="asset">
      <table-wrap id="a07tab03">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-100-02-0147-30028-gt03.jpg"/></table-wrap>
    </p>
    <p>
      <bold>Discuss&#227;o</bold>
    </p>
    <p>No Brasil, nas &#250;ltimas tr&#234;s d&#233;cadas houve importante redu&#231;&#227;o nas taxas de mortalidade por doen&#231;as do aparelho circulat&#243;rio, especialmente das doen&#231;as cerebrovasculares. Por&#233;m a magnitude desses agravos ainda &#233; de grande import&#226;ncia, especialmente considerando outras consequ&#234;ncias como a invalidez com alto custo social<sup>30</sup>. As taxas de mortalidade por doen&#231;as do aparelho circulat&#243;rio, nos tr&#234;s Estados e capitais estudados, apresentaram valores intermedi&#225;rios se compararmos com outros pa&#237;ses do mundo. Esses tr&#234;s Estados e suas capitais apresentaram a partir do ano 2000 taxas entre 300 e 400 &#243;bitos por 100 mil habitantes, valores n&#227;o t&#227;o elevados quanto pa&#237;ses como R&#250;ssia, Ucr&#226;nia, Rom&#234;nia e outras ex-rep&#250;blicas sovi&#233;ticas com taxas pr&#243;ximas a 1000 &#243;bitos por 100 mil habitantes, nem t&#227;o baixos quanto os do Jap&#227;o com taxas de &#243;bitos em torno de 110 por 100 mil habitantes<sup>31-33</sup>.</p>
    <p>Segundo Achutti, muita controv&#233;rsia existe na tentativa de explicar as modifica&#231;&#245;es ocorridas no perfil das doen&#231;as. A identifica&#231;&#227;o dos fatores de risco cl&#225;ssicos e a busca de novos fatores candidatos t&#234;m orientado o estadiamento individual dos pacientes e a conduta na prescri&#231;&#227;o de medidas de preven&#231;&#227;o secund&#225;ria ou prim&#225;ria. Determinantes sociais e econ&#244;micos n&#227;o apenas influenciam na presen&#231;a e distribui&#231;&#227;o dos fatores de risco tradicionais, como tamb&#233;m influem de forma direta sobre mecanismos biol&#243;gicos intimamente relacionados com a patog&#234;nese cardiovascular (ex.: baixo peso ao nascer e efeitos cr&#244;nicos na modula&#231;&#227;o neuroimunoinflamat&#243;ria). Pelo relativo desconhecimento das rela&#231;&#245;es entre ci&#234;ncias sociais e neuropsicologia e de como esses determinantes interagem na distribui&#231;&#227;o da vulnerabilidade biol&#243;gica &#224; doen&#231;a, o progresso nesse terreno ainda tem sido lento<sup>34</sup>.</p>
    <p>Os fatores de risco cl&#225;ssicos apresentam alta preval&#234;ncia e aumento nos seus valores nas &#250;ltimas d&#233;cadas. Os estudos populacionais do fim da d&#233;cada de 1970 e do in&#237;cio da d&#233;cada de 1980 estimavam a preval&#234;ncia de hipertens&#227;o arterial entre 10% e 25%<sup>10</sup>. Atualmente a preval&#234;ncia desse fator de risco apresenta-se variando de 16,75% a 40,3% dependendo da regi&#227;o avaliada. Al&#233;m disso, h&#225; aumento significativo com a idade, de 7,4% a 15,7% na faixa et&#225;ria de 25 a 39 anos para 39% a 59% naqueles acima de 60 anos<sup>8</sup>. Nas Am&#233;ricas, o n&#250;mero de indiv&#237;duos com diabetes foi estimado em 35 milh&#245;es para o ano 2000 e projetado para 64 milh&#245;es em 2025. Nos pa&#237;ses desenvolvidos, o aumento ocorrer&#225; especialmente nas faixas et&#225;rias mais avan&#231;adas, decorrente do aumento da esperan&#231;a de vida e do crescimento populacional; nos pa&#237;ses em desenvolvimento, o aumento ser&#225; observado em todas as faixas et&#225;rias, especialmente no grupo de 45-64 anos onde sua preval&#234;ncia dever&#225; triplicar, duplicando nas faixas et&#225;rias de 20-44 e 65 e mais anos<sup>6</sup>.</p>
    <p>No Brasil, a preval&#234;ncia de sobrepeso (IMC <underline>&gt;</underline> 25kg/m<sup>2</sup>) no Estudo Nacional de Despesa Familiar (ENDEF), realizado nos anos 1974/1975 apresentava-se, na regi&#227;o Nordeste em 11% dos homens e 19% das mulheres, na regi&#227;o Sudeste em 20% dos homens e 29% das mulheres<sup>11</sup>. Esses n&#250;meros aumentaram muito, atualmente estima-se a preval&#234;ncia de sobrepeso no Brasil em 38,5% dos homens e 39% das mulheres<sup>9</sup>. Muito relacionadas &#224; obesidade e ao sobrepeso, as dislipidemias est&#227;o presentes em 38% dos homens e 42% das mulheres<sup>4</sup>. Seguindo a tend&#234;ncia de toda a popula&#231;&#227;o ocidental que come cada vez mais e se movimenta cada vez menos, levando a um super&#225;vit cal&#243;rico e favorecendo esses fatores nas pessoas predispostas geneticamente, tornando-se ent&#227;o uma amea&#231;a &#224; sa&#250;de dos habitantes da maioria das na&#231;&#245;es, principalmente as do mundo ocidental<sup>9</sup>.</p>
    <p>O tabagismo &#233; o &#250;nico entre os fatores de risco cl&#225;ssicos que apresenta redu&#231;&#227;o na preval&#234;ncia ao longo dos &#250;ltimos anos, de acordo com a Pesquisa Nacional de Sa&#250;de e Nutri&#231;&#227;o (PNSN), realizada pelo IBGE em 1989, a preval&#234;ncia de tabagismo em todo Brasil foi de 31,7% (39,3% em homens e 25,2% em mulheres). As preval&#234;ncias encontradas no Inqu&#233;rito epidemiol&#243;gico nas Capitais Brasileiras em 2002-2003 em 16 capitais variou de 12,9% a 25,2% (em homens: de 16,9% a 28,2%; em mulheres: de 10,0% a 22,9%). Por&#233;m, por se tratar de redu&#231;&#227;o recente nesse fator de risco, o impacto nas taxas de mortalidade deve ocorrer nos pr&#243;ximos anos<sup>12</sup>.</p>
    <p>Entre 1930 e 1980, ocorreu no Brasil grande crescimento econ&#244;mico que, apesar da concentra&#231;&#227;o de renda, possibilitou melhorias educacionais, sanit&#225;rias, econ&#244;micas e de infraestrutura, com redu&#231;&#227;o de doen&#231;as infecciosas e de processos inflamat&#243;rios decorrentes. Em pa&#237;ses desenvolvidos, o decl&#237;nio da mortalidade por DApCirc iniciou-se cerca de 15 anos ap&#243;s o t&#233;rmino da Segunda Guerra Mundial, que sucedeu a grande depress&#227;o ocorrida no in&#237;cio da d&#233;cada de 1930 e a pandemia de influenza de 1918. No Brasil, esse mesmo decl&#237;nio come&#231;ou pouco mais de 40 anos ap&#243;s o in&#237;cio do per&#237;odo de crescimento econ&#244;mico. A exposi&#231;&#227;o a agentes infecciosos e outras condi&#231;&#245;es insalubres nos primeiros anos de vida pode tornar os indiv&#237;duos mais suscet&#237;veis ao desenvolvimento da aterotrombose vascular. A queda da mortalidade infantil precedeu a da mortalidade por DApCirc. &#201; poss&#237;vel tamb&#233;m que a redu&#231;&#227;o da exposi&#231;&#227;o &#224;s doen&#231;as infecciosas nas fases iniciais da vida esteja relacionada com o decl&#237;nio observado na mortalidade cardiovascular dos adultos<sup>35-39</sup>. </p>
    <p>Em nosso estudo, demonstramos que h&#225; forte correla&#231;&#227;o entre a queda da mortalidade infantil, a eleva&#231;&#227;o do PIB <italic>per capita</italic> e o aumento da escolaridade com a redu&#231;&#227;o na mortalidade por doen&#231;as do aparelho circulat&#243;rio em adultos, a partir de 1980. Evidenciando que a melhoria nos indicadores socioecon&#244;micos precedeu a redu&#231;&#227;o dos &#243;bitos cardiovasculares. O aumento do PIB <italic>per capita</italic> foi capaz de reduzir muitas mortes por DApCirc. Esse impacto foi maior nos Estados do que nas capitais. Pode parecer ser necess&#225;rio aumentar mais a renda nas capitais do que no interior para se obter quedas semelhantes na mortalidade por DApCirc e seus componentes principais; entretanto, o observado pode se dever ao fato de que a renda cresceu mais nas capitais do que nos Estados como um todo, enquanto as tend&#234;ncias de queda de mortalidade foram semelhantes em capitais e seus interiores. A grande eleva&#231;&#227;o da escolaridade no decorrer das &#250;ltimas d&#233;cadas, que praticamente dobrou nos tr&#234;s Estados e capitais, teve grande impacto na mortalidade reduzindo em mais de 100 &#243;bitos por DApCirc nos Estados, e cerca de 80 &#243;bitos nas capitais com o aumento de 1 ano na m&#233;dia de anos de estudo em adultos. A queda da mortalidade infantil precedeu a queda da mortalidade cardiovascular, e para a redu&#231;&#227;o de cada &#243;bito infantil por 1000 nascidos vivos corresponde a cerca de menos cinco &#243;bitos por DApCirc em cada 100 mil habitantes nas regi&#245;es estudadas. Esses tr&#234;s indicadores sociais s&#227;o intimamente relacionados e interdependentes entre si. O PIB <italic>per capita</italic> representa a melhora social e econ&#244;mica da sociedade brasileira a partir da segunda metade do s&#233;culo XX e sua evolu&#231;&#227;o ao longo dos anos estudados mostra forte rela&#231;&#227;o com a varia&#231;&#227;o da mortalidade, especialmente com as taxas de mortalidade por DApCirc, em que o coeficiente de correla&#231;&#227;o &#233; muito pr&#243;ximo de 1. A melhoria nos tr&#234;s indicadores relacionou-se &#224; queda da mortalidade por DApCirc e tamb&#233;m por todas as causas. Dentre as causas cardiovasculares as DCBV destacam-se como grande grupo de causa onde houve a maior redu&#231;&#227;o das taxas mortalidade, considerando especialmente o fato de que as DCBV apresentavam maiores valores nos anos iniciais do per&#237;odo, favorecendo uma maior queda em rela&#231;&#227;o &#224;s DIC.</p>
    <p>A varia&#231;&#227;o elevada na defasagem de correla&#231;&#227;o &#243;tima ocorreu em alguns casos em que, na verdade, a varia&#231;&#227;o da correla&#231;&#227;o foi muito discreta. Isso ocorreu, por exemplo, de forma not&#225;vel no caso das correla&#231;&#245;es de DIC e DCBV com a mortalidade infantil no Estado de S&#227;o Paulo. Nesses casos a correla&#231;&#227;o variou entre 0,93 e 0,97 nas defasagens de 30 e 0 anos, respectivamente, no caso da DIC, e entre 0,92 e 0,98 nas defasagens de 30 e 0 anos, respectivamente, no caso da DCBV. Portanto, o que ocorreu &#233; que essas correla&#231;&#245;es foram muito elevadas em qualquer defasagem anual porque ambos os pares de indicadores se mantiveram em tend&#234;ncia de queda constante ao longo dos per&#237;odos com dados dispon&#237;veis, de modo que n&#227;o &#233; poss&#237;vel supor com precis&#227;o as lat&#234;ncias nas associa&#231;&#245;es. &#201; poss&#237;vel que somente o acompanhamento conjunto dos indicadores por per&#237;odos mais longos do que os dispon&#237;veis pudesse esclarecer melhor essa quest&#227;o. O mesmo vale para todos os indicadores estudados, incluindo ent&#227;o a possibilidade de investigar sobredetermina&#231;&#245;es cruzadas.</p>
    <p>As principais limita&#231;&#245;es decorrem da dificuldade de aquisi&#231;&#227;o de dados socioecon&#244;micos para os anos anteriores a 1980, muitas vezes os dados dispon&#237;veis eram decenais e somente para os anos de censo, o que nos obrigou &#224; realiza&#231;&#227;o de manobras de interpola&#231;&#227;o de dados para os anos indispon&#237;veis. A manobra de compensa&#231;&#227;o por causas mal definidas pode ter subestimado ou superestimado os &#243;bitos pelas causas definidas. Todos os tr&#234;s Estados e capitais analisados apresentam o mesmo padr&#227;o: queda das taxas de mortalidade estudadas e melhora dos indicadores socioecon&#244;micos. O melhor seria se tiv&#233;ssemos locais com evolu&#231;&#245;es diferentes dos indicadores tanto sociais quanto de mortalidade, onde houvesse eleva&#231;&#227;o da mortalidade com piora nos indicadores para melhor comprova&#231;&#227;o dessas correla&#231;&#245;es. Seria mesmo desej&#225;vel maior heterogeneidade na sele&#231;&#227;o de Estados ou &#225;reas com indicadores mais variados; entretanto, a maioria dos demais Estados do Brasil n&#227;o apresenta s&#233;ries hist&#243;ricas longas e confi&#225;veis dos dados necess&#225;rios para an&#225;lise. Outra limita&#231;&#227;o &#233; a an&#225;lise com defasagem temporal m&#225;xima entre 20 e 31 anos dependendo do indicador, tamb&#233;m seria melhor se tiv&#233;ssemos s&#233;ries hist&#243;ricas mais longas que se iniciassem em &#233;pocas mais remotas, o que tamb&#233;m poderia abranger mais de uma gera&#231;&#227;o.</p>
    <p>Em s&#237;ntese, nas &#250;ltimas tr&#234;s d&#233;cadas houve importante redu&#231;&#227;o da mortalidade por todas as causas nos tr&#234;s Estados analisados. Essa redu&#231;&#227;o ocorreu especialmente por queda da mortalidade por doen&#231;as do aparelho circulat&#243;rio, em especial das DCBV. A queda da mortalidade por doen&#231;as do aparelho circulat&#243;rio foi precedida por melhoria em indicadores socioecon&#244;micos, a varia&#231;&#227;o evolutiva desses indicadores demonstrou correla&#231;&#227;o quase m&#225;xima com a redu&#231;&#227;o da mortalidade. Essas rela&#231;&#245;es sinalizam a import&#226;ncia na melhoria das condi&#231;&#245;es de vida da popula&#231;&#227;o para se reduzir a mortalidade cardiovascular.</p>
    <p>
      <bold>Contribui&#231;&#227;o dos autores</bold>
    </p>
    <p>Concep&#231;&#227;o, desenho da pesquisa, obten&#231;&#227;o de dados, an&#225;lise, interpreta&#231;&#227;o dos dados, an&#225;lise estat&#237;stica, reda&#231;&#227;o do manuscrito e revis&#227;o cr&#237;tica do manuscrito quanto ao conte&#250;do intelectual: Soares GP, Brum JD, Oliveira GMM, Soares GP, Brum JD, Oliveira GMM, Klein CH, Silva, NAS.</p>
    <p>
      <bold>Potencial Conflito de Interesses</bold>
    </p>
    <p>Declaro n&#227;o haver conflito de interesses pertinentes.</p>
    <p>
      <bold>Fontes de Financiamento</bold>
    </p>
    <p>O presente estudo n&#227;o teve fontes de financiamento externas.</p>
    <p>
      <bold>Vincula&#231;&#227;o Acad&#234;mica</bold>
    </p>
    <p>Este artigo &#233; parte de disserta&#231;&#227;o de Mestrado de Gabriel Porto Soares pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.</p>
    <p>
      <fn id="end" fn-type="corresp">
        <label>
          <bold>Correspond&#234;ncia:</bold>
        </label>
        <p> Gabriel Porto Soares </p>
        <p> Rua Abdo Jos&#233; Ferreira, 32 - Tambasco </p>
        <p> CEP 27700-000 - Vassouras, RJ, Brasil </p>
        <p> E-mail: </p>
        <p><email xlink:href="gp.soares@yahoo.com.br">gp.soares@yahoo.com.br</email>, </p>
        <p>
          <email xlink:href="gpsoares@cardiol.br">gpsoares@cardiol.br</email>
        </p>
      </fn>
    </p>
    <p>Artigo recebido em 11/03/12; revisado em 18/07/12; aceito em 19/09/12. </p>
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          <article-title>The burden of cardiovascular diseases mortality in Europe: Task Force of the European Society of Cardiology on cardiovascular mortality and morbidity statistics in Europe</article-title>
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          <article-title>An update on regional variation in cardiovascular mortality within Europe</article-title>
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          <article-title>Interessa saber e discutir sobre as causas das DCV</article-title>
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          <article-title>Inflammatory exposure and historical changes in human life-spans</article-title>
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          <subject>Original Articles</subject>
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        <article-title xml:lang="en">Evolution of socioeconomic indicators and cardiovascular mortality in three brazilian states</article-title>
      </title-group>
      <abstract xml:lang="en">
        <p>BACKGROUND: Cardiovascular diseases are the major cause of death in Brazil. OBJECTIVE: To correlate cardiovascular mortality rates in the states of Rio de Janeiro, S&#227;o Paulo and Rio Grande do Sul, and in their capitals, between 1980 and 2008, with socioeconomic indicators collected from 1949 onwards. METHODS: Population and death data were obtained from the Brazilian Unified Health System databank (Datasus). Mortality rates due to the following were calculated and adjusted by use of the direct method and compensated for poorly defined causes: ischemic heart diseases; cerebrovascular diseases; cardiovascular diseases; poorly defined causes; and all causes. Child mortality data were obtained from state and municipal health secretariats and from the Brazilian Institute of Geography and Statistics (IBGE). Information on gross domestic product (GDP) and educational level was obtained from the Brazilian Institute of Applied Economic Research (Ipea). The mortality rates and socioeconomic indicators were correlated by using the estimation of Pearson linear coefficients to determine optimized year lag. The inclination coefficients of the regression between the dependent variable "disease" and the independent variable "socioeconomic indicator" were estimated. RESULTS: The three states showed a reduction in mortality, which was especially due to a decrease in cardiovascular mortality, mainly of cerebrovascular diseases. The decrease in cardiovascular mortality was preceded by a reduction in child mortality, an elevation in the per capita GDP, and an increase in the educational level, and a strong correlation between indicators and mortality rates was observed. CONCLUSIONS: The three indicators showed an almost maximum correlation with the reduction in cardiovascular mortality. Such relationship indicates the importance of improving quality of life to reduce cardiovascular mortality.</p>
      </abstract>
      <kwd-group xml:lang="en">
        <kwd>Cardiovascular Diseases</kwd>
        <kwd>Cardiovascular Diseases</kwd>
        <kwd>Social Indicators</kwd>
        <kwd>Epidemiology</kwd>
        <kwd>Brazil</kwd>
      </kwd-group>
    </front-stub>
    <body>
      <p>
        <bold>ORIGINAL ARTICLE</bold>
      </p>
      <p>
        <fn id="enda-body2">
          <label>
            <bold> Evolution of socioeconomic indicators and cardiovascular mortality in three brazilian states</bold>
          </label>
          <p>
            <bold>Gabriel Porto Soares<sup>I,III</sup>; J&#250;lia Dias Brum<sup>I</sup>; Gl&#225;ucia Maria Moraes de Oliveira<sup>I</sup>; Carlos Henrique Klein<sup>II</sup>; Nelson Albuquerque Souza e Silva<sup>I</sup></bold>
          </p>
        </fn>
      </p>
      <p><sup>I</sup>Universidade Federal do Rio de Janeiro RJ - Brasil</p>
      <p><sup>II</sup>Escola Nacional de Sa&#250;de P&#250;blica, Rio de Janeiro, RJ - Brasil</p>
      <p><sup>III</sup>Universidade Severino Sombra, Vassouras, RJ - Brasil</p>
      <p>Mailing Address</p>
      <p>
        <bold>ABSTRACT</bold>
      </p>
      <p><bold>BACKGROUND:</bold> Cardiovascular diseases are the major cause of death in Brazil.</p>
      <p><bold>OBJECTIVE:</bold> To correlate cardiovascular mortality rates in the states of Rio de Janeiro, S&#227;o Paulo and Rio Grande do Sul, and in their capitals, between 1980 and 2008, with socioeconomic indicators collected from 1949 onwards.</p>
      <p><bold>METHODS:</bold> Population and death data were obtained from the Brazilian Unified Health System databank (Datasus). Mortality rates due to the following were calculated and adjusted by use of the direct method and compensated for poorly defined causes: ischemic heart diseases; cerebrovascular diseases; cardiovascular diseases; poorly defined causes; and all causes. Child mortality data were obtained from state and municipal health secretariats and from the Brazilian Institute of Geography and Statistics (IBGE). Information on gross domestic product (GDP) and educational level was obtained from the Brazilian Institute of Applied Economic Research (Ipea). The mortality rates and socioeconomic indicators were correlated by using the estimation of Pearson linear coefficients to determine optimized year lag. The inclination coefficients of the regression between the dependent variable "disease" and the independent variable "socioeconomic indicator" were estimated.</p>
      <p><bold>RESULTS:</bold> The three states showed a reduction in mortality, which was especially due to a decrease in cardiovascular mortality, mainly of cerebrovascular diseases. The decrease in cardiovascular mortality was preceded by a reduction in child mortality, an elevation in the per capita GDP, and an increase in the educational level, and a strong correlation between indicators and mortality rates was observed. </p>
      <p><bold>CONCLUSIONS:</bold> The three indicators showed an almost maximum correlation with the reduction in cardiovascular mortality. Such relationship indicates the importance of improving quality of life to reduce cardiovascular mortality.</p>
      <p><bold>Keywords:</bold> Cardiovascular Diseases / mortality; Cardiovascular Diseases / economy; Social Indicators; Epidemiology; Brazil.</p>
      <p>
        <bold>Introduction</bold>
      </p>
      <p>During the 20<sup>th</sup> century, especially after World War II, an improvement in socioeconomic indicators was observed in all developed countries, and later in developing countries, followed by a drop in general mortality rate<sup>1,2</sup>, particularly a decrease in the number of deaths due to cardiovascular diseases<sup>3</sup>.</p>
      <p>Based on data available, the progressive drop in the mortality rate due to vascular diseases (coronary or cerebral) cannot be explained by the management of the classical risk factors (arterial hypertension, diabetes mellitus, obesity, dyslipidemia, and smoking). Over the past decades, the prevalence of those factors has increased in Brazil<sup>4-11</sup>, except for tobacco use, whose prevalence has decreased, but that reduction trend is recent and posterior to the beginning of the decline in cardiovascular mortality<sup>12</sup>. In addition, high technology procedures, coronary by-pass surgery and angioplasty, do not explain that reduction in mortality because of their poor performance<sup>13-15</sup> and reduced distribution in Brazil. However, that reduction in cardiovascular mortality might be more effectively related to the better protection provided to the general population against exposure to infectious agents, due to the improvement in the quality of life of the populations. That actually preceded the decline in cardiovascular mortality<sup>3</sup>.</p>
      <p>The most important socioeconomic indicators are per capita Gross Domestic Product (per capita GDP), child mortality, and educational level. Such factors should have contributed to the positive socioeconomic evolution of the populations assessed in this study. </p>
      <p>This study was aimed at correlating the compensated and adjusted cardiovascular mortality rates in the states of Rio de Janeiro, S&#227;o Paulo and Rio Grande do Sul, and in their capitals, between 1980 and 2008, with the following indicators: child mortality collected from 1950 onwards; per capita GDP collected from 1949 onwards; and educational level collected from 1960 onwards.</p>
      <p>
        <bold>Methods</bold>
      </p>
      <p>Socioeconomic and mortality data were collected in the states of Rio de Janeiro, S&#227;o Paulo and Rio Grande do Sul, and in their capitals. The socioeconomic indicators were per capita GDP, child mortality, and educational level (represented by the years of schooling of individuals over the age of 25 years). Those indicators were chosen based on the need to represent economic factors (per capita GDP), and factors related to health evolution (child mortality) and access to knowledge (educational level). In addition, those three indicators were the most available and had a satisfactory time lag regarding the mortality rates studied.</p>
      <p>Information regarding child mortality, number of children who die by the age of one year per thousand live births per year, from 1980 to 2007, originated from the following sources: city of Rio de Janeiro - Municipal Health Secretariat (SMS)<sup>16</sup>; state of Rio de Janeiro - State Health Secretariat (SES)<sup>17</sup>; state and city of S&#227;o Paulo - Data Analysis State System Foundation (Seade)<sup>18</sup> of the Regional Planning and Development Secretariat of the S&#227;o Paulo Government; state of Rio Grande do Sul and city of Porto Alegre - SMS of Porto Alegre<sup>19</sup>. For the years before 1980, ten-year means provided by the Brazilian Institute of Geography and Statistics (IBGE)<sup>20</sup>, inserted in the years 1945, 1955, 1965 and 1975, were used. </p>
      <p>The GDP information was obtained from the Brazilian Institute of Applied Economic Research (Ipea)<sup>21</sup> for the years 1949, 1959, 1970, 1975 and 1980, and from 1985 to 2008. The population data originated from the Brazilian Institute of Geography and Statistics<sup> 20</sup> for the years of general censuses (1950, 1960, 1970, 1980, 1991, 2000 and 2010) and of counting (1996). Population estimates for the years between censuses were performed by using the arithmetic method with the census years or counting immediately before or after censuses. Those estimates were performed for the fractions corresponding to the age groups, at ten-year intervals, for each sex. The per capita GDP was calculated by dividing the absolute GDP (in "reais") of the state or its capital by the population in the corresponding year. The educational index corresponds to the ratio between the sum of the years of schooling completed by individuals aged 25 years and over and the total number of individuals in that age group. Those data were obtained from the Ipea<sup>21</sup> for the years 1960, 1970, 1980, 1991 and 2000. For all the years lacking information on any of the indicators, estimates of arithmetic growth were used based on the years immediately before and after the interval lacking information. </p>
      <p>Line graphs were built with each socioeconomic indicator represented as variable Y and the years as variable X.</p>
      <p>Building the mortality rates comprised the analysis of data restricted to adults aged 20 years and over. Population data from 1980 to 2008 were obtained from the Brazilian Unified Health System databank (Datasus)<sup>22</sup>. Data regarding death were discriminated in the following areas of major interest in the study: cardiovascular diseases, corresponding to those recorded in chapters VII of the International Code of Disease 9 (ICD-9)<sup>23</sup> or IX of the ICD-10<sup>24</sup>; ischemic heart diseases (IHD), corresponding to codes 410-414 of the ICD-9 or I20-I25 of the ICD-10; cerebrovascular diseases (CBVD), corresponding to codes 430-438 of the ICD-9 or I60-I69 of the ICD-10. In addition, the following were also used: deaths due to poorly defined causes, comprised in chapter XVI of the ICD-9 and XVIII of the ICD-10; and the total of deaths due to all causes. The ICD-9 was in force up to 1995, while ICD-10, from 1996 onwards. Raw mortality rates and those adjusted for sex and age were calculated by use of the direct method<sup>25,26</sup> for the states and their capitals, per 100 thousand inhabitants. Because the poorly defined causes of mortality in the state of Rio de Janeiro have significantly increased since 1990<sup>27</sup>, compensation was performed by allocating to the deaths due to cardiovascular diseases, IHD and CBVD their part of deaths due to poorly defined causes. After that, the mortality rates adjusted for sex and age were estimated. The standard population for the adjustments was that of the state of Rio de Janeiro registered in the 2000 census, stratified according to seven age groups (20 to 29 years; 30 to 39 years; 40 to 49 years; 50 to 59 years; 60 to 69 years; 70 to 79 years; and 80 years and over) for each sex. Those rates were denominated compensated and adjusted. Line graphs of mortality rate due to all causes, cardiovascular diseases, IHD and CBVD were built for the years 1980 to 2008. </p>
      <p>Further details about the methodology used to calculate the mortality rates in the three states, as well as the compensation maneuvers and graph construction can be obtained in a previously published article by the same authors<sup>3</sup>.</p>
      <p>The mortality rates and socioeconomic indicators were correlated by estimating Pearson linear coefficients<sup>26</sup> in all combinations of time series to determine the optimized annual lag according to socioeconomic data availability, which could be at most 31 years for per capita GDP, 30 years for child mortality, and 20 years for educational level. The optimum annual lag had the highest Pearson linear coefficient in all combined series. For example, in the case of per capita GDP, 31 coefficients were generated for each group of causes of death, the first corresponding to a 31-year lag (per capita GDP of 1949 to 1977 with mortality due to IHD of 1980 to 2008) and the last corresponding to no annual lag (per capita GDP and mortality due to IHD from 1980 to 2008). Those estimates were obtained for the three socioeconomic indicators (per capita GDP, child mortality, and educational level) and the mortality rates due to cardiovascular diseases, IHD, CBVD, and all causes. In addition, the inclination coefficients of the regression between the dependent variable "disease" (cardiovascular disease, IHD, CBVD, and all causes) and the independent variable "socioeconomic indicator" (per capita GDP multiplied by 100 reais, educational level and child mortality) were also estimated in the series with optimum lag according to the linear correlation coefficient. </p>
      <p>Quantitative procedures were performed with the programs Excel-Microsoft<sup>28</sup> and STATA<sup>29</sup>.</p>
      <p>
        <bold>Results</bold>
      </p>
      <p>Child mortality rates (<xref ref-type="fig" rid="en_a07fig01-body2">Figure 1A</xref>) in the three states and capitals studied showed a progressive and important reduction over the period studied, and that reduction exceeded six times when comparing the rates of the years after 2000 with those of the 1950s. The highest values were found in the states of Rio de Janeiro and S&#227;o Paulo, and the lowest, from 1980 to the most recent years, in the city of Porto Alegre (<xref ref-type="fig" rid="en_a07fig01-body2">Figure 1A</xref>).</p>
      <p content-type="html"><fig id="en_a07fig01-body2"><graphic xlink:href="https://minio.scielo.br/documentstore/1678-4170/DGXWySbMGTfpZFmHBpNkC7n/602efbbb4e5fc2af4424123127c17298cd679371.jpg"/><graphic xlink:href="https://minio.scielo.br/documentstore/1678-4170/DGXWySbMGTfpZFmHBpNkC7n/7c7018693dbfce559bdbf32888a31128605c747d.jpg"/><graphic xlink:href="1678-4170-abc-100-02-0147-30028-gf01-en.jpg"/></fig>&#13;
&#160;&#13;
</p>
      <p>The educational level, represented by the mean of the years of schooling of individuals over the age of 25 years, increased over the period studied, with better indicators in the capitals. The best educational level indicators were found in the city of Porto Alegre, while the worst were found in the states of S&#227;o Paulo and Rio Grande do Sul (<xref ref-type="fig" rid="en_a07fig01-body2">Figure 1B</xref>).</p>
      <p>The per capita GDP in the three states and capitals increased from 1949 to 1980, when there was a tendency towards a mild decrease and stagnation. Around 2004, the per capita GDP returned to the growing pattern (<xref ref-type="fig" rid="en_a07fig01-body2">Figure 1C</xref>). </p>
      <p>The mortality rates compensated and adjusted for age and sex of adults aged 20 years and over are shown in <xref ref-type="fig" rid="en_a07fig02-body2">figure 2</xref>. The cardiovascular mortality in the three states and capitals show a descending pattern over the entire period. The cardiovascular mortality in the state of Rio de Janeiro was higher than those in the other regions over the entire period studied, but that in its capital was close to those of the other states and capitals from 1994 onwards. The city of Porto Alegre showed the lowest rates in all years. The state of Rio de Janeiro showed the highest mortality rates due to IHD until 1993 (<xref ref-type="fig" rid="en_a07fig02-body2">Figure 2B</xref>). From that year on, the rates were similar in the three states. The capitals of Rio de Janeiro and Rio Grande do Sul showed similar rates over the entire period, and they were higher than that of the capital of S&#227;o Paulo until the beginning of the 1990s. From 1992 on, the capital of S&#227;o Paulo showed persistently more elevated mortality rates due to IHD until 2008. The mortality rates due to CBVD in the states and capitals (<xref ref-type="fig" rid="en_a07fig02-body2">Figure 2C</xref>) declined. The most marked reduction was observed in the state of Rio de Janeiro and its capital, whose rates became similar to those of the other states at the end of the studied period.</p>
      <p content-type="html"><fig id="en_a07fig02-body2"><graphic xlink:href="https://minio.scielo.br/documentstore/1678-4170/DGXWySbMGTfpZFmHBpNkC7n/38c062b2f24b1ad3437050ec6615de9d92b8186a.jpg"/><graphic xlink:href="https://minio.scielo.br/documentstore/1678-4170/DGXWySbMGTfpZFmHBpNkC7n/9b5c94afe81daf3237c8c841041d4b9212dbf28b.jpg"/><graphic xlink:href="1678-4170-abc-100-02-0147-30028-gf02-en.jpg"/></fig>&#13;
&#160;&#13;
</p>
      <p>The correlations between the child mortality and cardiovascular mortality rates showed that each death of a child by the age of one year per thousand live births is related to an increase in mortality due to the following: IHD, between 1.5 and 2.4 deaths per 100 thousand inhabitants; CBVD, between 1.2 and 3.8; cardiovascular diseases, between 4.4 and 7.7; and all causes, between 5.0 and 8.1. Thus, the reduction in child mortality correlates with the reduction in the mortality rates studied. The time lag ranged from 0 to 30 years, and the correlation coefficients, from 0.80 to 0.98 (<xref ref-type="table" rid="en_a07tab02-body2">Table 2</xref>).</p>
      <p content-type="asset">
        <table-wrap id="en_a07tab02-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-100-02-0147-30028-gt01-en.jpg"/></table-wrap>
      </p>
      <p>The one-year increase in the mean of years of schooling in individuals over the age of 25 years caused a reduction in deaths per 100 thousand inhabitants due to the following: IHD, a reduction between 28.2 and 42.1; CBVD, between 20.4 and 58.2; cardiovascular diseases, between 77 and 124.5; and all causes, between 79.3 and 119.4. The time lag ranged from 0 to 20 years, and the correlation coefficients were high, ranging from 0.80 and 0.99 (<xref ref-type="table" rid="en_a07tab03-body2">Table 3</xref>).</p>
      <p content-type="asset">
        <table-wrap id="en_a07tab03-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-100-02-0147-30028-gt02-en.jpg"/></table-wrap>
      </p>
      <p>
        <bold>Discussion</bold>
      </p>
      <p>In Brazil, over the last three decades, the mortality rates due to cardiovascular diseases, mainly of CBVDs, significantly decreased. However, the magnitude of the problem is still considerable, especially regarding other consequences, such as disability with a high social cost<sup>30</sup>. The cardiovascular mortality rates in the three states studied and their capitals showed intermediate values when compared with those of other countries. Those three states and their capitals showed, from the year 2000 onwards, rates between 300 and 400 deaths per 100 thousand inhabitants, values neither as high as those from Russia, Ukraine, Romania and other former Soviet Republics, whose rates achieved 1000 deaths per 100 thousand inhabitants, nor as low as those from Japan, whose mortality rate was around 110 per 100 thousand inhabitants<sup>31-33</sup>.</p>
      <p>According to Achutti, changes in the profile of diseases are still controversial. The identification of classical risk factors and the search for new candidate factors have guided the individual stagings of patients and their management through secondary or primary preventive measures. Social and economic determinants not only influence the presence and distribution of traditional risk factors, but also directly influence the biological mechanisms closely related to cardiovascular pathogenesis (ex.: low birth weight and chronic effects on neuroimmune-inflammatory modulation). Because the relationship between social sciences and neuropsychology is yet to be completely understood, as is the interaction of those determinants in the distribution of biological vulnerability to disease, the progress in that field has been slow<sup>34</sup>.</p>
      <p>
        <xref ref-type="table" rid="en_a07tab01-body2">Table 1</xref>
      </p>
      <p content-type="asset">
        <table-wrap id="en_a07tab01-body2">
          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-100-02-0147-30028-gt03-en.jpg"/></table-wrap>
      </p>
      <p>The classical risk factors were highly prevalent and increased in the past decades. The population studies of the late 1970s and early 1980s estimated the prevalence of high blood pressure as between 10% and 25%<sup>10</sup>. Currently, the prevalence of that risk factor ranges from 16.75% to 40.3%, depending on the region assessed. In addition, a significant increase is observed with age, from 7.4%-15.7% at the age group of 25-39 years to 39%-59% in those over the age of 60 years<sup>8</sup>. In the Americas, the number of individuals with diabetes has been estimated as 35 million for the year 2000 and projected to 64 million for the year 2025. In developed countries, the increase will affect mainly the more advanced age groups, due to the increase in life expectancy and population growth; in developing countries, the prevalence of diabetes will increase in all age groups, tripling in the 45-64 age group, and doubling in the 20-44 and over 65 age groups<sup>6</sup>.</p>
      <p>According to the Brazilian National Study on Family Expenditure (Estudo Nacional de Despesa Familiar - ENDEF) carried out in 1974/1975, the prevalence of overweight (BMI <underline>&gt;</underline> 25kg/m<sup>2</sup>) in Brazil was as follows: Northeastern region, 11% of men and 19% of women; Southeastern region, 20% of men and 29% of women<sup>11</sup>. Those numbers have increased. The prevalence of overweight in Brazil is currently estimated as 38.5% of men and 39% of women<sup>9</sup>. Dyslipidemias, closely related to obesity and overweight, are present in 38% of men and 42% of women<sup>4</sup>. The Western trend of eating more and moving less has led to an excessive intake of calories, favoring the presence of those factors in genetically predisposed individuals and threatening the health of most nations, mainly in the Western world<sup>9</sup>.</p>
      <p>Tobacco use is the only classical risk factor whose prevalence has decreased in recent years. According to the Brazilian National Research on Health and Nutrition (PNSN) carried out by IBGE in 1989, the prevalence of smoking in Brazil was 31.7% (39.3% of men and 25.2% of women). The prevalence found in the 2002-2003 epidemiological survey carried out in 16 Brazilian capitals ranged from 12.9% to 25.2% (men, 16.9% to 28.2%; women, 10.0% to 22.9%). However, as that reduction is recent, its impact on the mortality rate is yet to occur<sup>12</sup>.</p>
      <p>From 1930 to 1980, Brazil experienced a significant economic growth that, despite income concentration, made educational, sanitary, economic and infrastructure improvements possible, reducing infectious diseases and subsequent inflammatory processes. In developed countries, the decline in cardiovascular mortality began approximately 15 years after the end of World War II, which followed the great depression in the early 1930s and the 1918 influenza pandemic. In Brazil, that same decline began approximately 40 years after the beginning of the economic growth period. Exposure to infectious agents and other unhealthy conditions in the first years of life can make individuals more susceptible to the development of atherothrombosis. The decline in child mortality preceded that in cardiovascular mortality. In addition, the reduction in the exposure to infectious diseases early in life might be related to the decline observed in the cardiovascular mortality of adults<sup>35-39</sup>. </p>
      <p>Our study showed that the decline in child mortality, and the increase in per capita GDP and in educational level are strongly correlated with the reduction in cardiovascular mortality in adults from 1980 onwards, evidencing that the improvement in socioeconomic indicators preceded the decline in cardiovascular deaths. The increase in per capita GDP could prevent many deaths due to cardiovascular diseases. That impact was bigger in the states than in their capitals. A greater income increase in the capitals than in the inner areas of the states might seem necessary to cause similar reductions in cardiovascular mortality and its major components; however, it might be due to the fact that the income has increased more in the capitals than in the states as a whole, while the tendency towards mortality reduction was similar in the capitals and in the inner areas. The increase in the educational level over the past decades, which almost doubled in the three states and capitals studied, had a great impact on mortality, reducing in more than 100 cardiovascular deaths in the states and approximately 80 deaths in the capitals with an one-year increase in the mean of years of schooling among adults. The drop in child mortality preceded that in cardiovascular mortality, and for each child death per thousand live births avoided, there were five less cardiovascular deaths per 100 thousand inhabitants in the regions studied. Those three social indicators are closely related and interdependent. The per capita GDP has represented the social and economic improvement of the Brazilian society since the second half of the 20th century, and its evolution over the years studied shows a strong relationship with the mortality variation, especially with the cardiovascular mortality rates, whose correlation coefficient is very close to 1. The improvement in the three indicators has related to the drop in cardiovascular mortality and in all-cause mortality. Of the cardiovascular causes, CBVD represents a large group with the greatest reduction in mortality rates, especially considering the fact that CBVD had higher values in the initial years of the period, favoring a higher drop as compared to IHD.</p>
      <p>An elevated variation in the optimal correlation lag occurred in some cases, in which the variation in correlation was actually very slight. This was observed in the correlations of IHD and CBVD with child mortality in the state of S&#227;o Paulo. In such cases, the correlation ranged from 0.93 to 0.97 in the 30-year and 0-year lags, respectively, for IHD, and from 0.92 to 0.98 in the 30-year and 0-year lags, respectively, for CBVD. Thus, those correlations were very elevated in any year lag because both pairs of indicators maintained the tendency towards a constant drop over the periods with data available, and the latencies of the associations could not be precisely inferred. The joint follow-up of the indicators for longer periods might be the only way to better elucidate that question. The same is valid for all indicators studied, and the possibility of investigating crossed determinations might apply.</p>
      <p>The major limitations resulted from the difficulty of acquiring socioeconomic data of the years prior to 1980. Data available often corresponded to 10-year periods and only to census years, requiring interpolation maneuvers for the years whose data were unavailable. The compensation maneuver for poorly defined causes might have under- or overestimated deaths due to poorly defined causes. All three states and capitals analyzed showed the same pattern: a drop in the mortality rates studied and an improvement of the socioeconomic indicators. To better support those correlations, places whose evolution of social and mortality indicators differed, and where mortality increased as the indicators worsened should have been studied. Greater heterogeneity in the selection of the states or areas with more varied indicators would be desired; however, most Brazilian states have neither long nor reliable historical series of data necessary for analysis. Another limitation is the maximum time lag between 20 and 31 years, depending on the indicator. In addition, longer historical series initiating in more remote times, which could encompass more than one generation, would be better.</p>
      <p>In conclusion, in the past three decades, a significant reduction in all-cause mortality was observed in the three states assessed. That reduction occurred especially due to a decrease in cardiovascular mortality, especially that due to CBVD. The decrease in cardiovascular mortality was preceded by an improvement in socioeconomic indicators, and the evolution of those indicators showed an almost maximum correlation with the reduction in mortality. Such relationships indicate the importance of the improvement in the quality of life to reduce cardiovascular mortality.</p>
      <p>
        <bold>Author contributions</bold>
      </p>
      <p>Conception and design of the research, acquisition of data, analysis and interpretation of the data, statistical analysis, writing of the manuscript and critical revision of the manuscript for intellectual content: Soares GP, Brum JD, Oliveira GMM, Soares GP, Brum JD, Oliveira GMM, Klein CH, Silva, NAS.</p>
      <p>
        <bold>Potential Conflict of Interest</bold>
      </p>
      <p>No potential conflict of interest relevant to this article was reported.</p>
      <p>
        <bold>Sources of Funding</bold>
      </p>
      <p>There were no external funding sources for this study.</p>
      <p>
        <bold>Study Association</bold>
      </p>
      <p>This article is part of the thesis of master submitted by Gabriel Porto Soares, from Universidade Federal do Rio de Janeiro.</p>
      <p>
        <bold>References</bold>
      </p>
    </body>
  </sub-article>
</article>
