<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
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        <journal-title>Arquivos Brasileiros de Cardiologia</journal-title>
        <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Arq. Bras. Cardiol.</abbrev-journal-title>
      </journal-title-group>
      <issn pub-type="ppub">0066-782X</issn>
      <issn pub-type="epub">1678-4170</issn>
      <publisher>
        <publisher-name>Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC</publisher-name>
        <publisher-loc>S&#227;o Paulo, SP, Brazil</publisher-loc>
      </publisher>
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      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v3">L44QWWF7vs9LCcMG7Pnw5KJ</article-id>
      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v2">S0066-782X2013000100018</article-id>
      <article-id pub-id-type="publisher-id" specific-use="scielo-v1">S0066-782X(13)10000100018</article-id>
      <article-id pub-id-type="doi">10.1590/S0066-782X2013000100018</article-id>
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        <subj-group subj-group-type="heading">
          <subject>Relato de Caso</subject>
        </subj-group>
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      <title-group>
        <article-title>Infec&#231;&#227;o recorrente em apresenta&#231;&#227;o tardia de taquicardia ventricular polim&#243;rfica catecolamin&#233;rgica</article-title>
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            <surname>Barra</surname>
            <given-names>S&#233;rgio Craveiro</given-names>
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            <surname>Faustino</surname>
            <given-names>Ana Catarina</given-names>
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            <surname>Provid&#234;ncia</surname>
            <given-names>Rui</given-names>
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            <surname>Cachulo</surname>
            <given-names>Maria Carmo</given-names>
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            <surname>Nascimento</surname>
            <given-names>Jos&#233;</given-names>
          </name>
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          <named-content content-type="city">Coimbra</named-content>
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        </addr-line>
        <institution content-type="orgname">Universidade de Coimbra</institution>
        <institution content-type="orgdiv1">Centro Hospitalar </institution>
        <country country="PT">Portugal</country>
      </aff>
      <pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
        <month>01</month>
        <year>2013</year>
      </pub-date>
      <volume>100</volume>
      <issue>1</issue>
      <fpage>e4</fpage>
      <lpage>e7</lpage>
      <permissions>
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          <license-p>This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.</license-p>
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      <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
        <day>29</day>
        <month>01</month>
        <year>2013</year>
      </pub-date>
    </article-meta>
  </front>
  <body>
    <p>
      <bold>RELATO DE CASO</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>Infec&#231;&#227;o recorrente em apresenta&#231;&#227;o tardia de taquicardia ventricular polim&#243;rfica catecolamin&#233;rgica</bold>
    </p>
    <p>
      <bold>S&#233;rgio Craveiro Barra; Ana Catarina Faustino; Rui Provid&#234;ncia; Maria Carmo Cachulo; Jos&#233; Nascimento</bold>
    </p>
    <p>Centro Hospitalar e Universit&#225;rio de Coimbra, Coimbra - Portugal</p>
    <p>
      <xref ref-type="corresp" rid="end">Correspond&#234;ncia</xref>
    </p>
    <p><bold>Palavras-chave:</bold> Taquicardia Ventricular, Antibacterianos / efeitos adversos, Hipersensibilidade a Drogas, Pericardite.</p>
    <p>
      <bold>Introdu&#231;&#227;o</bold>
    </p>
    <p>Taquicardia ventricular polim&#243;rfica catecolamin&#233;rgica (TVPC) &#233; caracterizada por epis&#243;dios de s&#237;ncope resultante de taquicardia ventricular (TV) r&#225;pida (bidirecional ou polim&#243;rfica) que ocorrem durante exerc&#237;cio/emo&#231;&#227;o aguda em indiv&#237;duos sem altera&#231;&#245;es card&#237;acas estruturais. A m&#233;dia de idade de in&#237;cio &#233; entre sete e nove anos, embora tenha sido relatado in&#237;cio tardio at&#233; a quarta d&#233;cada de vida. Apresentamos o paciente mais velho j&#225; relatado com caso &#237;ndice de TVPC.</p>
    <p>A condi&#231;&#227;o at&#237;pica do nosso paciente, j&#225; ressaltada por um evento muito tardio de TVPC, incluiu v&#225;rios epis&#243;dios consecutivos de infec&#231;&#227;o relacionada a dispositivo. </p>
    <p>
      <bold>Relato do Caso</bold>
    </p>
    <p>Um paciente do sexo masculino de 45 anos, filho de pais consangu&#237;neos (primos em primeiro grau) e com disfun&#231;&#227;o hep&#225;tica leve (etiologia alco&#243;lica), foi admitido por s&#237;ncope associada a ansiedade aguda. Hist&#243;ria familiar de morte s&#250;bita (MS) foi relatada: quatro irm&#227;os haviam morrido de repente em idades variando entre 10-20 anos (aut&#243;psias foram inconclusivas, mas as mortes supostamente foram atribu&#237;das &#224; epilepsia). O paciente negou ter tido palpita&#231;&#245;es, dispneia, s&#237;ncope ou dor tor&#225;cica. O exame f&#237;sico foi normal, exceto por leves equimoses/hematomas em ambos os p&#233;s, e eletrocardiograma basal mostrou taquicardia sinusal isolada (devido &#224; ansiedade). No pronto-socorro, um epis&#243;dio de TV polim&#243;rfica (TVP) sustentada (com varia&#231;&#227;o intermitente do eixo batimento a batimento) causou uma pr&#233;-s&#237;ncope (<xref ref-type="fig" rid="a18fig01">Figura 1</xref>). </p>
    <p content-type="asset">
      <fig id="a18fig01">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-100-01-00e4-00018-gf01.jpg"/></fig>
    </p>
    <p>Os resultados do ecocardiograma, resson&#226;ncia magn&#233;tica card&#237;aca e angiografia coronariana foram normais, mas o teste ergom&#233;trico mostrou sinais de arritmias ventriculares n&#227;o sustentadas come&#231;ando no segundo est&#225;gio do protocolo de Bruce (complexos ventriculares prematuros isolados, progressivamente seguidos por bigeminismo, acoplamento e epis&#243;dios de TV n&#227;o sustentada - <xref ref-type="fig" rid="a18fig02">Figura 2</xref>). A estimula&#231;&#227;o el&#233;trica programada falhou ao induzir arritmias ventriculares, mas a infus&#227;o de isoprenalina em doses progressivas levou a epis&#243;dios curtos e espont&#226;neos de TVP n&#227;o sustentada. </p>
    <p content-type="asset">
      <fig id="a18fig02">
        <graphic xlink:href="1678-4170-abc-100-01-00e4-00018-gf02.jpg"/></fig>
    </p>
    <p>S&#237;ncope causada por TVP bidirecional ou induzida por ansiedade aguda, apesar da aus&#234;ncia de doen&#231;a card&#237;aca estrutural ou altera&#231;&#245;es eletrocardiogr&#225;ficas basais, sugeriu TVPC, especialmente considerando a hist&#243;ria familiar de MS e indu&#231;&#227;o precoce de arritmias ventriculares malignas durante o teste ergom&#233;trico. No entanto, o teste gen&#233;tico foi negativo para muta&#231;&#245;es gen&#233;ticas nos genes dos receptores de rianodina tipo 2 (RYR2) e calsequestrina (CASQ2). Um betabloqueador foi prescrito (al&#233;m de Diazepam SOS) e um cardioversor desfibrilador implant&#225;vel (CDI) foi implantado (o eletrodo do CDI foi inserido atrav&#233;s da veia subcl&#225;via esquerda). Ap&#243;s o procedimento, o paciente desenvolveu um hematoma que se resolveu de forma conservadora. Tr&#234;s semanas depois, o paciente recebeu choque do desfibrilador apropriado para TV r&#225;pida, sem recidiva. </p>
    <p>Testes ergom&#233;tricos foram realizados nos irm&#227;os remanescentes do paciente. Logo ap&#243;s a indu&#231;&#227;o precoce de TV sustentada em um irm&#227;o com hist&#243;ria de s&#237;ncope, o CDI foi implantado. </p>
    <p>Os seguintes par&#225;grafos resumem as hospitaliza&#231;&#245;es posteriores:</p>
    <disp-quote>
      <p>&#149;<bold> M&#234;s 4 :</bold> infec&#231;&#227;o de loja causando extrus&#227;o do gerador, exsudato positivo para <italic>Staphylococcus epidermidis</italic> multirresistente. Tratamento de tr&#234;s semanas com vancomicina foi prematuramente interrompido (dia 18) por trombocitopenia grave/leucopenia e exantema generalizado/prurido. O dispositivo foi extra&#237;do, mas, uma semana depois, choque hemodin&#226;mico inesperado (s&#233;ptico/al&#233;rgico?) foi agressivamente tratado com reposi&#231;&#227;o h&#237;drica, dopamina, prednisolona e linezolida (quatro semanas de tratamento). Um ecocardiograma transesof&#225;gico realizado duas semanas depois n&#227;o revelou sinais de EI.</p>
      <p>&#149; <bold>M&#234;s 6:</bold> t&#233;rmino do tratamento de quatro semanas com linezolida e nova erup&#231;&#227;o cut&#226;nea petequial generalizada, dermatite descamativa pruriginosa, febre, insufici&#234;ncia renal, trombocitopenia grave. Abscesso de loja do CDI documentado e drenado cirurgicamente. O paciente iniciou tratamento com meropenem. As culturas do exsudato posteriormente foram positivas para <italic>Staphylococcus aureus</italic> resistente &#224; vancomicina, e o paciente apresentou rea&#231;&#227;o al&#233;rgica ao meropenem (exantema generalizado/prurido), o qual foi substitu&#237;do por linezolida (quatro semanas de tratamento). Tr&#234;s semanas ap&#243;s o in&#237;cio da linezolida, como o paciente permaneceu apir&#233;tico e tinha baixos n&#237;veis de marcadores inflamat&#243;rios, o CDI foi reimplantado no lado contralateral, e o paciente recebeu alta logo depois, com antibioticoterapia. Uma semana depois, um novo hematoma de loja ocorreu.</p>
      <p>&#149; <bold>M&#234;s 7:</bold> doze dias ap&#243;s a alta anterior, o paciente foi reinternado em virtude de sepse e exantema urticariforme. Havia possibilidade de alergia &#224; amoxicilina (iniciada tr&#234;s dias antes devido &#224; infec&#231;&#227;o respirat&#243;ria), mas o ecocardiograma revelou massa de dois cent&#237;metros quadrados aderida ao eletrodo do desfibrilador. Paciente reiniciou tratamento com linezolida (cinco semanas de tratamento). A massa intracard&#237;aca foi eliminada. </p>
      <p>&#149; <bold>M&#234;s 9: </bold>paciente reinternado por nova infec&#231;&#227;o de loja. O CDI foi extra&#237;do e novo tratamento com antibi&#243;tico iniciado. Considerando o alto risco de reinfec&#231;&#227;o e a prefer&#234;ncia do paciente, o desfibrilador n&#227;o foi reimplantado.</p>
    </disp-quote>
    <p>Seis meses depois, o paciente encontra-se assintom&#225;tico. O irm&#227;o do paciente apresentou v&#225;rios epis&#243;dios de TV n&#227;o sustentada durante o seguimento, mas hematoma/infec&#231;&#227;o de loja n&#227;o foram relatados.</p>
    <p>
      <bold>Discuss&#227;o</bold>
    </p>
    <p>A TVPC &#233; uma doen&#231;a arritmog&#234;nica heredit&#225;ria potencialmente letal, caracterizada por arritmias ventriculares mediadas adrenergicamente, tipicamente bidirecionais ou TVP, que se manifesta especialmente em crian&#231;as e adolescentes<sup>1</sup>. Apresentamos o caso de um paciente de 45 anos de idade com diagn&#243;stico de TVPC ap&#243;s sua primeira manifesta&#231;&#227;o. </p>
    <p>Segundo nosso conhecimento, esse &#233; o relato de paciente mais velho apresentando essa condi&#231;&#227;o pela primeira vez, o que suscitou d&#250;vidas sobre o diagn&#243;stico, especialmente considerando o teste gen&#233;tico negativo para muta&#231;&#245;es nos genes RYR2/CASQ2. No entanto, o quadro cl&#237;nico foi bastante sugestivo de TVPC: </p>
    <disp-quote>
      <p>&#149; S&#237;ncope causada por TVP durante emo&#231;&#227;o aguda; </p>
      <p>&#149; Altern&#226;ncia de 180&#186; do eixo QRS batimento a batimento (TV bidirecional), embora TV polim&#243;rfica irregular sem altern&#226;ncia est&#225;vel do vetor do QRS tamb&#233;m tenha sido documentada;</p>
      <p>&#149; Arritmias ventriculares de complexidade progressiva durante teste ergom&#233;trico e infus&#227;o de isoprenalina;</p>
      <p>&#149; Aus&#234;ncia de anormalidades card&#237;acas eletrocardiogr&#225;ficas e estruturais, desequil&#237;brio eletrol&#237;tico ou tratamento medicamentoso potencialmente associado com TVP. </p>
    </disp-quote>
    <p>Al&#233;m disso, muta&#231;&#245;es nos genes RYR2 e CASQ2 s&#227;o respons&#225;veis por somente 51-56% dos casos de TVPC, o que demonstra significante heterogeneidade de <italic>locus</italic>. A presen&#231;a de outros <italic>loci</italic> n&#227;o identificados/n&#227;o mapeados tem sido postulada<sup>2</sup>.</p>
    <p>A TVPC deve ser considerada no diagn&#243;stico diferencial de s&#237;ncope mediada adrenergicamente em indiv&#237;duos saud&#225;veis. A presen&#231;a/aus&#234;ncia de anormalidades estruturais do ventr&#237;culo direito deve ser avaliada para excluir a presen&#231;a de uma rara variante de cardiomiopatia arritmog&#234;nica do ventr&#237;culo direito (CAVD) al&#233;lica &#224; TVPC relacionada ao gene RYR2<sup>3</sup>. </p>
    <p>O ventr&#237;culo direito de nosso paciente mostrava estrutura/contratilidade normais na RM e o est&#237;mulo el&#233;trico programado n&#227;o induziu arritmias ventriculares, ao contr&#225;rio da infus&#227;o de isoprenalina, favorecendo a automaticidade sens&#237;vel a catecolaminas como o mecanismo para essa TV (ao contr&#225;rio do mecanismo de reentrada em CAVD). A taquicardia ventricular com acoplamento curto assemelha-se &#224; TVPC; no entanto, n&#227;o h&#225; rela&#231;&#227;o entre os epis&#243;dios arr&#237;tmicos e est&#237;mulos adren&#233;rgicos e padr&#227;o bidirecional t&#237;pico de TVPC<sup>4</sup>. S&#237;ncope relacionada ao exerc&#237;cio tamb&#233;m &#233; encontrada na variante LQT1 da s&#237;ndrome do QT longo. Esses pacientes podem ter intervalos QT normais e, portanto, se assemelharem &#224; TVPC, mas, geralmente, n&#227;o apresentam arritmias ventriculares de complexidade progressiva durante exerc&#237;cio incremental<sup>5</sup>. N&#227;o houve altera&#231;&#245;es de ST-T ou prolongamento do intervalo QT anterior &#224;s TVPs, como esperado nas s&#237;ndromes de Brugada e QT longo, respectivamente. </p>
    <p>Os relatos de TVPC em pacientes adultos de meia-idade s&#227;o raros. Casos graves de TVPC geralmente morrem na inf&#226;ncia e as pessoas tendem a se tornar mais sedent&#225;rias ap&#243;s a formatura da escola, dificultando o diagn&#243;stico. Doen&#231;as card&#237;acas autoss&#244;micas dominantes (possivelmente, mas n&#227;o necessariamente o nosso caso) mostram grande variedade em termos de gravidade e idade de in&#237;cio. A apresenta&#231;&#227;o cl&#237;nica dentro de certo cl&#227; pode variar muito entre os membros da fam&#237;lia, o que pode ser explicado pela gen&#233;tica (in&#237;cio mais cedo, com muta&#231;&#245;es multilocus e heterozigotos duplos) e fatores ambientais modificadores<sup>6</sup>.</p>
    <p>O risco de vida de novos epis&#243;dios de EI em sobreviventes de endocardite infecciosa varia entre 2-22%<sup>7</sup>. A "reincid&#234;ncia" sugere um epis&#243;dio tratado de forma incompleta, resultando no aparecimento dos microrganismos originais a partir de fontes protegidas (pr&#243;tese/dispositivos intracard&#237;acos), exigindo uma busca pelo foco de infec&#231;&#227;o persistente, curso de tratamento mais longo ou interven&#231;&#227;o cir&#250;rgica. A "reinfec&#231;&#227;o" sugere infec&#231;&#227;o com novo microrganismo. </p>
    <p>A necessidade de diferencia&#231;&#227;o precisa entre reincid&#234;ncia/reinfec&#231;&#227;o, de prefer&#234;ncia usando a metodologia de tipagem molecular de cepas, deve ser refor&#231;ada, considerando o seu impacto terap&#234;utico. A reinfec&#231;&#227;o com a cepa colonizadora persistente de <italic>S. aureus</italic> poderia dar a impress&#227;o err&#244;nea de reincid&#234;ncia e um epis&#243;dio de EI pode ser policlonal, embora envolvendo uma &#250;nica esp&#233;cie, como relatado para <italic>Staphylococcus epidermidis</italic><sup>8</sup>. Considerando que a policlonalidade interfere com a sensibilidade &#224; antibioticoterapia, essa observa&#231;&#227;o tem consequ&#234;ncias importantes para o tratamento de EI relacionado a dispositivo card&#237;aco por <italic>Staphylococcus</italic> coagulase-negativos (<italic>S</italic>. <italic>epidermidis</italic>) e sugere a necessidade de testes abrangentes de sensibilidade a antibi&#243;ticos. </p>
    <p>Nosso paciente apresentou tanto a reincid&#234;ncia de infec&#231;&#227;o quanto reinfec&#231;&#227;o. Seguimos as orienta&#231;&#245;es da ESC sobre EI (tratamento antibi&#243;tico prolongado, a remo&#231;&#227;o do dispositivo, reimplante adiado para permitir semanas de tratamento com antibi&#243;ticos, reimplante do lado contralateral), mas graves rea&#231;&#245;es al&#233;rgicas e intoler&#226;ncia &#224; vancomicina/meropenem foram limitantes. O foco potencialmente persistente/resistente de infec&#231;&#227;o associado ao eletrodo de desfibrila&#231;&#227;o e a caracter&#237;stica policlonal da infec&#231;&#227;o tamb&#233;m podem ter desempenhado fun&#231;&#227;o no quadro. As possibilidades de imunodefici&#234;ncia e discrasia hemorr&#225;gica (principalmente da hemostasia secund&#225;ria) foram consideradas, j&#225; que nosso paciente era filho de pais consangu&#237;neos, que eram primos em primeiro grau. A presen&#231;a de hematoma, imunodefici&#234;ncia e instrumenta&#231;&#227;o/revis&#227;o de loja aumentam o risco de infec&#231;&#227;o de loja recorrente ou EI relacionada a dispositivo<sup>9</sup>.</p>
    <p>A implanta&#231;&#227;o epic&#225;rdica do sistema de desfibrila&#231;&#227;o foi considerada. Contudo, a coloca&#231;&#227;o do <italic>coil</italic> no espa&#231;o peric&#225;rdico pode levar &#224; pericardite, ader&#234;ncias/infec&#231;&#227;o, fibrose e arritmog&#234;nese e a estabilidade/confiabilidade de longo prazo ainda s&#227;o desconhecidas<sup>10</sup>. A denerva&#231;&#227;o simp&#225;tica card&#237;aca esquerda pode ser realizada em caso de s&#237;ncope recorrente. O colete cardioversor-desfibrilador (como o LifeVest) ainda n&#227;o est&#225; dispon&#237;vel em nosso pa&#237;s.</p>
    <p>
      <bold>Potencial Conflito de Interesses</bold>
    </p>
    <p>Declaro n&#227;o haver conflito de interesses pertinentes. </p>
    <p>
      <bold>Fontes de Financiamento</bold>
    </p>
    <p>O presente estudo n&#227;o teve fontes de financiamento externas. </p>
    <p>
      <bold>Vincula&#231;&#227;o Acad&#234;mica</bold>
    </p>
    <p>N&#227;o h&#225; vincula&#231;&#227;o deste estudo a programas de p&#243;s-gradua&#231;&#227;o.</p>
    <p>
      <fn id="end" fn-type="corresp">
        <label>
          <bold>Correspond&#234;ncia:</bold>
        </label>
        <p> S&#233;rgio Craveiro Barra </p>
        <p> Centro Hospitalar e Universit&#225;rio de Coimbra - Hospital Geral (Hospital dos Cov&#245;es), Servi&#231;o de Cardiologia Quinta dos Vales </p>
        <p> 3041-801 S. Martinho do Bispo Coimbra, Portugal </p>
        <p> E-mail: </p>
        <p>
          <email xlink:href="sergioncbarra@gmail.com">sergioncbarra@gmail.com</email>
        </p>
      </fn>
    </p>
    <p>Artigo recebido em 17/03/12; revisado em 18/06/12; aceito em 18/06/12.</p>
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        <article-title xml:lang="en">Recurrent infection in a late presentation of catecholaminergic polymorphic VT</article-title>
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            <bold>Recurrent infection in a late presentation of catecholaminergic polymorphic VT</bold>
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            <bold>S&#233;rgio Craveiro Barra; Ana Catarina Faustino; Rui Provid&#234;ncia; Maria Carmo Cachulo; Jos&#233; Nascimento</bold>
          </p>
        </fn>
      </p>
      <p>Centro Hospitalar e Universit&#225;rio de Coimbra, Coimbra - Portugal</p>
      <p>Mailing Address</p>
      <p><bold>Keywords:</bold> Tachycardia, Ventricular; Anti-Bacterial Agents / adverse effects; Drug Hypersensitivity; Pericarditis.</p>
      <p>
        <bold>Introduction</bold>
      </p>
      <p>Catecholaminergic polymorphic ventricular tachycardia (CPVT) is characterized by episodic syncope resulting from fast VT (bidirectional or polymorphic) occurring during exercise/acute emotion in individuals without structural cardiac abnormalities. Mean age of onset is between seven and nine years, although onset as late as the fourth decade of life has been reported. We present the oldest reported patient with index event of CPVT.</p>
      <p>Our patient's atypical condition, already emphasized by a very late CPVT event, included multiple consecutive episodes of device-related infection.</p>
      <p>
        <bold>Case Report</bold>
      </p>
      <p>A 45-year-old male patient, the offspring of consanguineous (first-cousin) parents and with mild hepatic dysfunction (alcoholic etiology), was admitted for syncope associated to acute anxiety. Family history of sudden death (SD) was reported: four brothers had died suddenly at ages 10-20 (autopsies inconclusive, but deaths reportedly attributed to epilepsy). He denied ever having had palpitations, dyspnea, syncope or chest pain. Physical examination was unremarkable, except for mild bruising/ecchymosis in both feet, and baseline electrocardiogram showed sinus tachycardia, only (due to anxiety). At the emergency department, an episode of sustained polymorphic VT [pVT] (with intermittent beat-to-beat axis variation) caused presyncope (<xref ref-type="fig" rid="en_a18fig01-body2">Figure 1</xref>). Echocardiogram, cardiac-MRI and coronary angiography results were normal, but exercise stress testing disclosed runs of non-sustained ventricular arrhythmia starting at the second stage of Bruce protocol (isolate premature ventricular complexes, progressively followed by bigeminy, couplets and runs of non-sustained VT) (<xref ref-type="fig" rid="en_a18fig02-body2">Figure 2</xref>). Programmed electrical stimulation failed to induce ventricular arrhythmias, but isoprenaline at increasing infusion rates led to spontaneous short bursts of non-sustained pVT.</p>
      <p content-type="asset">
        <fig id="en_a18fig01-body2">
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      </p>
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          <graphic xlink:href="1678-4170-abc-100-01-00e4-00018-gf02-en.jpg"/></fig>
      </p>
      <p>Syncope caused by bidirectional or pVT induced by acute anxiety despite absence of structural heart disease or baseline electrocardiographic abnormalities suggested CPVT, especially considering family history of SD and early induction of malignant ventricular arrhythmias during exercise stress testing. Nevertheless, genetic testing was negative for ryanodine receptor channel (RYR2) and calsequestrin (CASQ2) gene mutations. A beta-blocker was prescribed (plus Diazepam SOS) and a defibrillator (ICD) was implanted (ICD lead inserted through left subclavian vein). Following the procedure, the patient developed a hematoma that resolved conservatively. Three weeks later, the patient received appropriate defibrillator shock for fast VT, with no further recurrence.</p>
      <p>Exercise stress tests were performed on the remaining patient's brothers. Following early induction of sustained VT in one brother with history of syncope, an ICD was implanted.</p>
      <p>The following paragraphs summarize subsequent hospitalizations:</p>
      <disp-quote>
        <p>&#149;<bold> Month 4:</bold> Pocket infection causing generator extrusion, exudate positive for multiresistant <italic>Staphylococcus epidermidis</italic>. Three-week course of vancomycin prematurely interrupted (18<sup>th</sup> day) due to severe thrombocytopenia/leukopenia and generalized exanthema/pruritus. Device extraction, but one week later, unexpected hemodynamic shock (septic/allergic?) was aggressively treated with fluid resuscitation, dopamine, prednisolone, linezolid (four-week treatment). Transesophageal echocardiogram performed two weeks later revealed no signs of IE.</p>
        <p>&#149; <bold>Month 6:</bold> End of four-week linezolid treatment and new generalized petechial rash, pruriginous desquamative dermatitis, fever, kidney failure, severe thrombocytopenia. ICD pocket abscess documented and surgically drained. Patient started on meropenem. Exudate cultures subsequently positive for vancomycin-resistant <italic>Staphylococcus aureus</italic> and allergic reaction to meropenem (generalized exanthema/pruritus), then replaced by linezolid (four-week treatment). Three weeks after starting linezolid, as patient remained apyretic and had very low inflammatory markers, ICD re-implantation on contralateral side and patient was discharged soon thereafter on antibiotic therapy. One week later, a new pocket hematoma occurred. </p>
        <p>&#149; <bold>Month 7:</bold> Twelve days following previous discharge, patient was re-admitted for sepsis and urticarial exanthema. Possibility of allergy to amoxicillin (initiated three days before for respiratory infection), but echocardiogram disclosed a two-square centimeter mass adherent to defibrillator lead. Patient was restarted on linezolid (five-week treatment). Intracardiac mass was eliminated.</p>
        <p>&#149; <bold>Month 9: </bold>Patient re-admitted for new pocket infection. ICD was extracted and new antibiotic course initiated. Considering high risk of reinfection and patient preference, defibrillator was not re-implanted.</p>
      </disp-quote>
      <p>Six months later, patient is asymptomatic. Patient's brother had several runs of non-sustained VT during follow-up, but no pocket hematoma/infection was reported.</p>
      <p>
        <bold>Discussion</bold>
      </p>
      <p>CPVT is a potentially lethal inherited arrhythmogenic disorder, characterized by adrenergically-mediated ventricular arrhythmias, typically bidirectional or pVT, manifested especially in children/teenagers<sup>1</sup>. We present the case of a 45-year-old patient diagnosed with CPVT following its first manifestation. </p>
      <p>To our knowledge, this is the oldest reported patient first presenting with this condition, which raised diagnostic doubts, especially considering genetic testing was negative for RYR2/CASQ2 mutations. However, the clinical picture was highly suggestive of CPVT:</p>
      <disp-quote>
        <p>&#149; Syncope caused by pVT during acute emotion;</p>
        <p>&#149; Alternating 180&#186; QRS axis on beat-to-beat basis (bidirectional VT), although irregular pVT without stable QRS vector alternans was also documented;</p>
        <p>&#149; Ventricular arrhythmias of progressive complexity during exercise stress testing and isoprenaline infusion;</p>
        <p>&#149; Absence of electrocardiographic and structural cardiac abnormalities, electrolyte imbalance or drug treatment potentially associated to pVT.</p>
      </disp-quote>
      <p>Furthermore, mutations in the RYR2 and CASQ2 genes account for 51-56% of CPVT cases only, showing significant locus heterogeneity. The presence of other as-yet unidentified/unmapped loci has been postulated<sup>2</sup>.</p>
      <p>CPVT should be considered in the differential diagnosis of adrenergically-mediated syncope in otherwise healthy individuals. Presence/absence of right ventricular structural abnormalities must be evaluated to exclude presence of a rare variant of arrhythmogenic right ventricular cardiomyopathy (ARVC) allelic to RYR2-related CPVT<sup>3</sup>. Our patient's right ventricle showed normal structure/contractility in cardiac MRI and programmed electrical stimulation could not induce ventricular arrhythmias, contrary to isoprenaline infusion, favoring catecholamine sensitive automaticity as the mechanism for this VT (contrary to the reentry mechanism of ARVC). Short-coupled VT resembles CPVT; however, it lacks an association between arrhythmic episodes and adrenergic stimuli and typical bidirectional pattern of CPVT<sup>4</sup>. Exercise-related syncope is also found in LQT1 variant of long-QT syndrome. These patients may have normal QT intervals and therefore resemble CPVT, but they do not usually show ventricular arrhythmias of progressive complexity during graded exercise<sup>5</sup>. There were no ST-T changes or QT interval prolongation preceding pVT runs, as expected in Brugada and long QT syndromes, respectively.</p>
      <p>Rare CPVT cases have been reported in middle-aged adult patients. Severe CPVT forms usually die during childhood and people tend to become more sedentary after school graduation, hindering the diagnosis. Autosomal dominant cardiac conditions (possibly but not necessarily our case) show a wide range in severity and age of onset. Clinical presentation within a given kindred may vary widely between family members, which may be explained by genetic (earlier onset with multilocus mutations and double heterozygote) and environmental modifying factors<sup>6</sup>.</p>
      <p>The lifetime risk of further episodes of IE among survivors ranges between 2-22%<sup>7</sup>. "Relapse" suggests an incompletely treated episode resulting in emergence of original microorganism from protected sources (prosthetic hardware/intracardiac devices), requiring a search for persistent focus of infection, longer course of treatment or surgical therapy. "Reinfection" concerns infection with a new microorganism. The need for accurate differentiation between relapse/reinfection, preferably using molecular strain-typing methodology, must be reinforced, considering its therapeutic impact. Reinfection with persistent colonizing strain of <italic>S. aureus</italic> could give the erroneous impression of relapse and an episode of IE may be polyclonal although involving a single species, as reported for <italic>Staphylococcus epidermidis<sup>8</sup>. As </italic>polyclonality interferes with antibiotic susceptibility, this observation has important consequences for treatment of device-related coagulase-negative <italic>Staphylococcus</italic> endocarditis (<italic>S. epidermidis</italic>) and suggests the need for exhaustive antibiotic susceptibility testing.</p>
      <p>Our patient had both relapsed infection and reinfection. We followed ESC guidelines on IE (prolonged antibiotic treatment, device removal, reimplantation postponed to allow weeks of antibiotic treatment, reimplantation on contralateral side), but severe allergic reactions and intolerance to vancomycin/meropenem were limiting. Potentially persistent/resistant foci of infection attached to the defibrillation lead and the infection polyclonal nature may have had a role as well. Possibility of immunodeficiency and hemorrhagic discrasy (mainly of secondary hemostasis) was considered, as our patient was the offspring of consanguineous first-cousin parents. Presence of hematoma, immunodeficiency and pocket instrumentation/revision increase risk of recurrent pocket infection or device-related IE<sup>9</sup>.</p>
      <p>Epicardial defibrillation system implantation was considered. However, placing the coil in the pericardial space may lead to pericarditis, adhesions/fibrosis, infection and arrhythmogenesis and long-term stability/reliability are still unknown<sup>10</sup>. Left cardiac sympathetic denervation may be performed in case of syncope recurrence. Wearable cardioverter-defibrillator vests (such as LifeVest) are not yet available in our country.</p>
      <p>
        <bold>Potential Conflict of Interest</bold>
      </p>
      <p>No potential conflict of interest relevant to this article was reported.</p>
      <p>
        <bold>Sources of Funding</bold>
      </p>
      <p>There were no external funding sources for this study.</p>
      <p>
        <bold>Study Association</bold>
      </p>
      <p>This study is not associated with any post-graduation program.</p>
      <p>
        <bold>References</bold>
      </p>
    </body>
  </sub-article>
</article>
